Love and duty

«Remember that it is nothing to do your duty, that is demanded of you and is no more meritorious than to wash your hands when they are dirty; the only thing that counts is the love of duty; when love and duty are one, then grace is in you and you will enjoy a happiness which passes all understanding.»

- Somerset Maugham, “The Painted Veil”

Montag must learn to think a little

«Listen to me, Montag. Once to each fireman, at least once in his career… he just itches to know what these books are all about. He just aches to know. Isn’t that so? Take my word for it, Montag, there’s nothing there. The books have nothing to say! Look, these are all novels. All about people that never existed. The people that read them, it makes them unhappy with their own lives… makes them want to live in other ways that can never really be. (…)

Come on, Montag. All this philosophy, let’s get rid of it. It’s even worse than the novels. Thinkers, philosophers, all of them saying exactly the same thing: “Only I am right. The others are all idiots.” One century, they tell you man’s destiny is predetermined. The next, they say that he has freedom of choice. It’s just a matter of fashion, that’s all. Philosophy. Just like short dresses this year, long dresses next year. Look. All stories of the dead. Biography that’s called. And autobiography. My Life. My Diary. My Memoirs. My Intimate Memoirs. Of course, when they started out, it was just the urge to write. Then after the second or third book, all they wanted was to satisfy their own vanity… to stand out from the crowd, to be different… to be able to look down on all the others. Ah, Critic’s Prize. This is a good one. Of course, he had the critics on his side. Lucky fellow. Just tell me this, Montag, at a guess… how many literary awards were made in this country, on an average each year? Five, ten, forty? Hmm? No less than 1,200. Anybody that put pen to paper was bound to win some prize someday. Ah, Robinson Crusoe. The negroes didn’t like that because of his man, Friday. And Nietzsche. Ah, Nietzsche. The Jews didn’t like Nietzsche. Ow, here’s a book about lung cancer. All the cigarette smokers got into a panic, so for everybody’s peace of mind, we burn it. Ah, now this one must be very profound. The Ethics of Aristotle. Ow, anybody that read that must believe he’s a cut above anybody that hadn’t. You see, it’s no good, Montag. We’ve all got to be alike. The only way to be happy is for everyone to be made equal. So, we must burn the books, Montag. All the books. (…)

Life isn’t like novels, novels and tears, novels and suicide. Novels are sick. That was sheer cruelty, Montag. You’re a cruel man. All those words; idiotic words. Evil words that hurt people. Isn’t there enough trouble as it is? Why disturb people with that sort of filth? (…)

What did Montag hope to get out of all this print? Happiness? What a poor idiot you must have been. This gibberish is enough to drive a man mad. Thought you could learn from these how to walk on the waters, did you? Montag must learn to think a little. Consider how all these writings, all these recipes for happiness disagree. Ow, let this heap of contradictions burn itself out. You know it’s we who, at this moment, are working for man’s happiness. Look, isn’t that lovely? The pages… like flower petals or butterflies, luminous and black. Who can explain the fascination of fire? What draws us to it? Whether we’re young or old. Nothing to say? That’s the spirit. That’s real wisdom.»

- “Fahrenheit 451” de François Truffaut, em reposição na Feira do Livro Anarquista.

Ir rápido

Eis como vejo as coisas. Álvaro Lapa dizia que “disponível é a juventude”. Antes de nos definirmos e seguirmos a direito por carris cadentes, frios e rígidos. Antes mesmo de sermos comboio, mas um daqueles de carga e mercadorias, diário, à hora prevista, e assinatura na folha de serviço. Antes de começarmos a dizer “não posso, tenho um compromisso”. Tudo coisas horríveis de se dizer. “Não posso” – a assunção de impotência. “Tenho um compromisso” – a assunção de indisponibilidade. Impotência e indisponibilidade – estou cercada por elas, fazem-me cerco, sitiam-me. Acudam! – chamo em vão. Ninguém pode, está tudo em compromissos. Tudo fechado. A cidade deserta. Onde ficam esses compromissos? Ficam no fundo de ovos (ninhos?). É isso: a ovação do mundo. Tudo cumprindo essa com-promessa, encerrando-se, pela sua própria mão, nesses castelos-ovo com compromissos nas prateleiras e impotências varridas para debaixo dos móveis. Cabeças com paredes duras como as nozes, por sua vez, dentro de ovos de casca hirta. Uma dureza dentro de outra. Difícil de flutuar, senão nos interstícios entre casas, entre pessoas, entre notas de papel e papel de notas, que, ao fim e ao cabo, é a mesma coisa. Fugindo, certamente, fugindo, de um dia ficar indisponível e impotente. As mãos tacteando às cegas e tentando assoprar no ar: não, que este ovo não se encoste a mim, se me toca, estou feita, caio dentro dele, nessa lógica presa ao interior, horror, horror! Então, nas ruas, uma multidão de ovos cheios de tentáculos e solicitações, pegando tudo, sugando tudo, uma monstruosidade oval, tal como uma amiba com o seu oco bem delineado por uma membrana absorvente. Estes não são ovos de infância, são ovos retardados, ovos de aranha embrulhando as suas vítimas, ovos podres de Carnaval, ovos de quem se arrependeu de sair da casca e tornou a entrar, de quem não aprendeu a viver lá fora, de fora, fora de si. Se, pelo menos, eu conseguisse não fazer parte do meu próprio côncavo, não cair em mim mesma. Seria então a membrana de uma circulação toda exterior. Um rápido.

Os primeiros blogs em português

Li por acaso um excerto de uma tese de Doutoramento online que dizia:

«Em Portugal, o fenómeno dos Weblogs foi posterior ao dos Estados Unidos, mas em 1999 já havia indícios. Os sites de  jornalismo colaborativo, cujos autores submetiam o seu texto à aprovação do administrador, podiam ser considerados os percursores dos blogs (Barbosa, 2004*). Esta autora* [?], dá como exemplo os sites: “Macacos sem galho”, criado a 30 de Março de 1999; e o “Gildot.org”, criado a 31 de Março. Mas outros sites portugueses criados ainda no século anterior aderiram também ao fenómeno: “Altas doses de cafeína” [Cafeína.org]; o “Nónio.com”; o “Velouria.org”; o “Sonhos virtuais” e o “Hiperboock”. O primeiro blog português foi o “Dee’s life”, criado a 3 de Outubro de 1999.» – José Brazão, “Weblogs, Aprendizagem e Cultura da Escola“, p. 68-69. [*António Granado e Elisabete Barbosa (2004). Weblogs, diário de bordo. Porto: Porto Editora.]

Como a realidade teve mais contornos do que estes historiadores contam e para suprir certas omissões importantes, junto alguns pormenores, para que a verdade prevaleça em futuras teses:

- Fevereiro de 1998 – Viviane Vaz de Menezes (aka Vi) é a primeira brasileira a criar um blog, Delights to Cheer, escrito em inglês.

- 31 de Março de 1998 – Surge o primeiro blog individual escrito em língua portuguesa, o Diário da Megalópole, pelo brasileiro Renato Pedroso Júnior, aka Nemo Nox.

- 30 de Março de 1999 – Arranca o primeiro blog individual escrito em Portugal, por Pedro Couto e Santos, embora inicialmente em inglês: Macacos sem galho, ainda em actividade.

- 31 de Março de 1999 – É lançado o Gildot.org, primeiro fórum de investigação de Portugal (Departamento de Informática da Universidade do Minho), escrito em jeito de blog. Dario Teixeira, “então no 5º ano do curso e prestes a embarcar para a Holanda onde ia fazer o estágio”, criou a primeira versão do Gildot e coube-lhe a primazia de iniciar o fórum [há uma incorrecção no site, declaram comemorar dois anos de existência em 2001, portanto, o lançamento foi em 1999, e não 1998]. A história do Gildot, que é uma súmula experiente sobre a dinâmica de um fórum, regista algo também notório na estreia da blogosfera nacional, em inglês: «Portugal, que é um país extremamente aberto ao exterior e onde as pessoas não atribuem uma veneração religiosa às coisas escritas na sua língua natal.»

- 3 de Outubro de 1999 – É a data do primeiro post de Dee’s Life, um título em inglês para o primeiro blog individual escrito em português e de Portugal, escrito pela companheira do já referido Pedro Couto e Santos.

- 11 de Fevereiro de 2000 - Encontra-se no ar o primeiro blog colectivo escrito em português, o Na-Cama.com (um dos fundadores conta que o domínio foi registado em 1998), no qual participou temporariamente a pioneiríssima Viviane Menezes [descobri, entretanto, que eu e a Viviane tivemos algo mais em comum do que participar neste blog, private joke].

- 2 de março de 2000 – Começa o Zamorim, segundo blog individual escrito em português (do Brasil) por Marcus Amorim.

- 19 de Agosto de 2000Cafeína.org, segundo blog colectivo de Portugal (por E. Morais, M. J. Ruiz, R. Duque, P. Leitão, J. Morgado, etc.).

Ao listar as várias datas acima indicadas, constato que o aproximar da Primavera (Fevereiro e Março) predispõe os seres humanos especialmente jovens a novos começos.

Navego na Net, pelo menos, desde o início de 1996 – data de fácil confirmação porque acedia através do browser Netscape Navigator 1.2, lançado em Julho de 1995, e usava os motores de pesquisa Infoseek e Altavista, ambos lançados em Dezembro de 1995, a partir de um computador nas antigas instalações de uma biblioteca que se mudou em Abril de 1996.

Assisti em grande parte aos primeiros passos da Internet em Portugal e da maioria destes blogs, portanto, espero que o meu testemunho valha de alguma coisa.

Nostalgia

Já havia lido transversalmente aquando do lançamento, mas só agora aconteceu a leitura integral da tese de Mestrado de Helena Freitas, “O DN Jovem Entre o Papel e a Net”.

Caso não transpareça dos meus testemunhos no livro, sempre fui optimista em relação à Net (então mais do que sou hoje, em virtude dos recuos do open source) e, enquanto grata beneficiária das suas vantagens, nunca subscrevi a opinião generalizada de que tenha sido a mera mudança de meio que matou o DNJ, já que tal permitia chegar (não logo em 1996, mas na década seguinte), não só a Bragança, como ao Brasil, a Timor, a Moçambique… Aliás, por volta da mesma altura, outros projectos na blogsfera demonstravam que o pioneirismo tecnológico compensa, se devidamente apoiado.

Acontece que essa mudança coincidiu com um desinvestimento ao nível dos centros de decisão do jornal e, consequentemente, dos recursos alocados – Pessoal, Marketing e Informática – e isso sim é que matou o DNJ. Não se fazem omoletes sem ovos.

Ir para a Net com uma Direcção autista em relação ao suplemento, com um apoio informático incipiente, com um Marketing ausente, e substituindo um coordenador a full-time e respectiva equipa de apoio por duas colaboradoras em part-time semanal e outros dois em part-time quinzenal, foi destruir-lhe o potencial. Apesar disso, o DNJ resistiu e cumpriu o seu papel durante mais onze anos.

O prenúncio da conjuntura crítica de 2008-2009 (período em que o número de sociedades dissolvidas ultrapassou largamente as constituídas, encerrado cerca de 71.400 empresas portuguesas) ditou a machadada final. O DNJ acabou, na prática, em Março de 2007 (oficialmente, não sei ao certo quando acabou, foi um fecho envergonhado).

Em 1996, quando o DNJ foi, por assim dizer, “colocado na prateleira”, a Direcção alegou que o suplemento não fazia vender mais jornais (uma conclusão desajustada da realidade, já que cada colaborador que lá publicava, recomendaria a família e amigos comprarem o jornal para verem o seu trabalho). Agora esse director talvez percebesse que nem o DNJ, nem todas as secções do caderno principal e todos os suplementos do jornal juntos faziam vender mais exemplares, como se viria a assistir. Uma tecnologia começara a substituir outra. Tal como as editoras actuais estão a sofrer com a proliferação dos e-books (infinitas possibilidades para o estudo, a investigação, a análise de conteúdo) e, caso não se reinventem, vão sofrer ainda mais. Se ficarem agarrados à matéria (papel), é, de facto, mais custoso dar asas ao espírito… E gastar papel é tão pouco ecológico.

Hoje em dia, montar um projecto da natureza do DNJ, em formato digital, é possível quase sem verbas, apenas com o trabalho e boa vontade de alguns filantropos, prova disso foi a aparição de iniciativas como as e-zines A sul de nenhum norte, Agio, entre outras. É, portanto, possível relançar um projecto deste tipo sem cariz institucional (sem uma marca conhecida por detrás, entenda-se) – um lugar já ocupado pela Revista Bíblia, pela 365, e fanzines em geral. Com um carácter mais institucional, existe o 15/25 (projecto da Revista Ler) que assume a sua inspiração no extinto DNJ.

 

Mas, lendo os vários testemunhos dos colaboradores, fica-se com a impressão de que parte do fascínio de publicar no DNJ tinha a ver com o reconhecimento e seriedade atribuídos à marca centenária DN, a qual, por tradição e aparato, era mais fascinante em papel do que online.

O que fazia a diferença do DNJ
(e, antes, do suplemento juvenil do Diário de Lisboa) não era afinal o ser parte integrante dum mass media (mesmo quando a imprensa em geral vendia cada vez menos massivamente)? Aos jovens que criam – minoria ou nicho de mercado face a uma população envelhecida e mais consumidora do que criativa – foi dada visibilidade num palco do mainstream, ao invés de serem votados a uma cave underground. Mas a realidade encarregar-se-ia de corrigir esse favor momentâneo, repondo o critério do consumo de massas, que é aquilo que o fascismo e a democracia têm em comum.

Foi, é certo, um dos períodos de maior realização da minha vida.

Da catrefa de empregos em áreas diferentes que já tive (alguns com condições de trabalho mais abonadas), a função que desempenhei no DNJ foi, apesar de tudo e até ver, a que mais gostei de levar a cabo, a que considero mais genuinamente produtiva.

Primeira satisfação: ser o invisível que torna visível, não ter que aparecer, e em vez disso, apresentar, trazer à luz, publicar, colocar na berlinda, dar voz e notoriedade a outrem. Subscrevo as palavras de Evelyn Waugh, “o ideal é que me ignorem”. Timidez genética.

Segunda satisfação: estar ali na crista da autêntica vanguarda, a receber a voz e o gesto de novidade que brota da alma dos justamente chamados de novos (jovens) contra o bafiento pré-concebido (o pré-conceito), a estrear inéditos, a dar continuidade aos fluxos criativos que preparam as mutações deste mundo, imprevista improvisação, arte em bruto, espontaneidade dourada, Boa Nova. O prejuízo para a invenção humana causado pela desaparição deste tipo de espaços é incalculável.

Terceira satisfação: contribuir para a composição de uma comunidade orientada, ainda que sem saber, pela filosofia de Nietzsche, segundo a qual, “unicamente como fenómeno estético são a existência e o mundo justificados”.

Mas, tal como versa o ditado, “não há mal que nunca acabe, nem bem que sempre dure”, e o DNJ, enquanto motor de mutações, deveria ele próprio mudar, primeiro como a serpente trocando de pele (do papel ao digital), depois, como a fénix, morrendo, para talvez um dia ressuscitar de novo, sob um outro nome, sob um outro rosto. Aliás, quantos novos DNJ não estão já aí fora?

The mud volcano must return everything that was swallowed

But that is just possible if nothing is desired anymore, nothing but desire of no thing, no face, or if you can’t possibly get what you desire (a blockage) – or both, at the same time.

Then, No-Face won’t be an indoors swallowing persecutor globe any longer, No-Face will become an outdoors sober follower column again.

Let’s go outside.

.

Kao-nashi (kao means “face, features, expression”, nashi means “there isn’t”), from Sen to Chihiro no Kamikakushi (2001)

.

What does the Japanese title mean?

The Japanese title is “Sen to Chihiro no Kamikakushi”:

“Sen (千)” and “Chihiro (千尋)” are the names, which, respectively and literally, mean “one thousand” and “one thousand depths”. “To (と)” is a particle which connects nouns. It translates into “and.” “Kami (神)” means “spirit” and “kakushi (隠し)” is the noun form of the verb “kakusu (to hide).” “Kamikakushi (神隠し)” means “spiritual disappearance”.

How the name “Chihiro” is turned into “Sen”?

When Chihiro is forced to work at the bathhouse which Yubaba rules, she writes down her name Ogino Chihiro (荻野千尋)in the contract (in Japanese the family name comes first):

Yubaba steals three characters from her name. The one character left (the third one) becomes her new name. The reading of this kanji character is “sen (千)” as well as “chi.” 

Radical: juu

A radical (bushu) is a common sub-element found in different kanji characters. Every kanji has a radical or a radical itself can be a kanji. Radicals express the general nature of the kanji characters. A radical is the part of the kanji character that gives you a clue to its origin, group, meaning or pronunciation. Many kanji dictionaries organize characters by their radicals. There are 214 radicals.

On-reading sen
Kun-reading chi
Meanings  thousand

On-reading (On-yomi) is the Chinese reading of a kanji character. It is based on the sound of the kanji character as pronounced by the Chinese at the time the character was introduced, and also from the area it was imported. That is why the On-reading might be quite different from Standard Mandarin today. The Kun-reading (Kun-yomi) is the native Japanese reading associated with the meaning of a kanji.

Almost all kanji have On-readings except for most of the kanji that were developed in Japan (e.g. 込 has only Kun-readings). Some dozen kanji don’t have Kun-readings, but most kanji have both readings.

On-reading is usually used when the kanji is a part of a compound (two or more kanji characters are placed side by site). Kun-reading is used when the kanji is used on its own, either as a complete noun or as adjective stems and verb stems. This is not a hard rule, though.

‘Natural’ disasters

Drilling, drilling

«Human-caused soil erosion rates exceed those of steady geologic processes: We move earth at a rate of ~35 Gt/yr, ~3 times that of all other natural agents, mostly through plowing (Hooke, 1994). Plowing, overgrazing, compaction, acidification from acid rain, and the use of fertilizers and biocides are changing the physical, chemical, and biological nature of soil.» – Source

Would you like a sea-view house?

«In short, global warming is making the ocean warmer, which in turn makes it more likely for hurricanes, when they do form, to become stronger and more destructive. Meanwhile, the link between global warming and the number of hurricanes that form each year remains unclear. (…)

Besides contributing to hurricane intensity, climate change is also causing sea levels to rise. As the ocean warms and expands and as land-based glaciers melt into the ocean, sea level rises and storms reach further inland before dissipating. Higher sea levels give coastal storms a higher starting point when they make landfall, especially if storms make landfall during high tides. Unless communities improve coastal planning, hurricanes will cause more property damage over time due to the proliferation of public and private development along coastal areas.» - Source

Wars can erupt because of water

Water use in China and the Middle East is an environmental Ponzi scheme

Anedota do dia

No caderno de um aluno, reparei que o último sumário de Filosofia havia sido “Educação Sexual”.
- Isto agora faz parte do programa? – perguntei.
- É. Parece que todas as disciplinas são obrigadas a dedicar-lhe uma aula.
- Então, e falaram sobre o quê?
- Falámos sobre o Papa…

(Risos)

Notas impressionistas sobre uma Feira

Meninas promotoras a distribuir amostras de corn flakes e de molho de entrecosto. Insufláveis e roulottes de comida por todo o lado. Nas zonas mais circenses (por onde efectivamente andavam palhaços), mal se podia passar. Um comerciante diz a outro: “Isto está a 60% do ano passado. O tempo não ajuda”. Um potencial comprador diz a outro, segurando um livro intitulado “Diálogos” a 5€ na bancada das promoções: “Este é capaz de interessar, tem uns escritos sobre arte e cinema”. Ao mesmo preço e na mesma bancada, “Intencionalidade” de Searle. No entanto, e apesar de tudo, parecia ser a única bancada em dezenas onde se pressentia critério. Nas restantes, apenas caras, muitas caras, como num desfilar de revista, quando os actores vêm ao palco receber os aplausos. Livros comprados: dois, um novo (a tese de Mestrado de uma amiga em sessão de autógrafos) e outro no alfarrabista (uma colectânea de cartas entre Miller e Nin). E a vaga sensação de não voltar lá tão cedo, a menos que seja para comprar livros remotos de autores portugueses, ou livros de línguas tão remotas que não estejam senão traduzidos em português. Quanto ao resto: e-books, e-shopping e a biblioteca municipal aqui do lado. Feira por feira, a do Relógio fica mais perto, acontece todos os Domingos, tem vitualhas mais baratas, e também vende romances de cordel e manuais de auto-ajuda (um catálogo assessorado pelos hipermercados das proximidades). Enfim, a massificação e a perda de diversidade (“niche marketing” what?) das editoras locais só contribuem para a desnacionalização do meu espírito (o que não é necessariamente negativo). O meu corpo está cá, enquanto que o pensamento navega pelo estrangeiro.

Kinski-Herzog bombastic

«People call me an “actor”. What’s that? In any case, it has nothing to do with the shit that people have always blabbered about it. It’s neither a vocation nor a profession – although it’s how I earn my living. But then so does the two-headed freak at the carnival. It’s something you have to try and live with – until you learn how to free yourself. It has nothing to do with non-sense like “talent,” and it’s nothing to be conceited or proud of. (…)

What they teach in the acting schools is incredible, hair-raising crap. The Actor’s Studio in America is supposed to be the worst. There the students learn how to be natural — that is, they flop around, pick their noses, scratch their balls. This bullshit is known as ‘method acting.’ How can you ‘teach’ someone to be an actor? How can you teach someone how and what to feel and how to express it? How can anyone teach another person how to laugh and how to cry? How to be cheerful and how to be sad? Teach them what pain is, and despair, and desire, and passion? Hate and love? How can anyone waste their own and somebody else’s time with that idiocy? But far worse than the morons who think they can learn these things are the people who claim they can teach them. In the end, they teach bad manners. If one of their trained poodles sits down in public, he doesn’t sit, he slouches – which is supposed to mean that his behavior is “natural.” He or she scratches his or her head then picks his or her nose, which is supposed to mean that he or she has no complexes and acts very spontaneously. So this is what New York talk shows look like.»

- Klaus Kinski, Kinski Uncut : The Autobiography of Klaus Kinski (1996), p. 310, 313

.

«Here is this man, Kinski, and you have to put him on the screen. You have to take all his rage, all his intensity, all his demonic qualities, and make them productive for the screen. That was the task and there was no time for learning. I had to master the situation from day one, from the first day of shooting Aguirre. On set you have no choice. I had to be strong enough to shape him and force him to the utmost, beyond the limits of what is normally required for the shooting of a film. But he would push me equally-to the limit. It was not permissible to take even a little step back from his level of intensity and professionalism. And, of course, he literally would have been ready to die with me, if I had died on the ship in the rapids. He would have sunk in the ship with me, and vice versa. But I cannot deny that there were moments, which were dangerous, when we could have killed each other. (…)

We lived in the same pensione. The owner of this place had picked him up from the street, literally, and given him a room and food for free and did his laundry. He entered this place like a tornado, a force of nature, and it didn’t take him one minute to destroy and lay waste to all the furniture. It was strange because I remember that everybody was immediately scared of Kinski. I was the only one who was not scared. I was astonished. I looked at him as if an extraterrestrial had just landed, or a tornado had just struck. The way you watch a natural disaster, sometimes with strange amazement. That is the feeling I remember. Of course, he didn’t remember me, I was a child [13 years old] at the time, and the next time we met it was for Aguirre. As a private person and a filmmaker, I think it was a necessary collaboration, that the two of us found each other. (…)

Kinski was not an actor – I wouldn’t call him an artist either, nor am I. Of course, he mastered the techniques of being an actor, the technique of speech, of understanding the presence of light and of the camera, the choreography of camera and of bodily movements… But at the core of Klaus Kinski was not his existence as an actor – he was something beyond that and apart from it.»

- Werner Herzog, as quoted in A. G. Basoli, The Wrath of Klaus Kinski: An Interview with Werner Herzog, Cineaste, 1999, Vol. 24 Issue 4, p. 32

.

«He’s a highly talented guy. He does very good movies and he’s not the sort of person who always talks bullshit. He does many, many things right. But he’s also sick. Obsessed. He wants to make history, not movies. Anyone who wants to make history is stupid.»

- Kinski on Werner Herzog, “The Master of Screen Depravity Speaks”, Fangoria #28

.

«People like Brando are just kindergarten compared to Kinski. He is totally mad and unpredictable. You can see something raging in this man. We liked each other, we hated each other and we respected each other, even though we hatched serious plots to murder each other.»

- Werner Herzog, as quoted in Cintra Wilson, “Devoured by Demons“, Slate, April 22, 2004

.

.«His speech is clumsy, with a toadlike indolence, long winded, pedantic, choppy. The words tumble from his mouth in sentence fragments, which he holds back as much as possible, as if they were earning interest. It takes forever and a day for him to push out a clump of hardened brain snot. Then he writhes in painful ecstasy, as if he had sugar on his rotten teeth. A very slow blab machine. An obsolete model with a non-working switch — it can’t be turned off unless you cut off the electric power altogether. So I’d have to smash him in the kisser. No, I’d have to knock him unconscious. But even if he were unconscious he’d keep talking. Even if his vocal cords were sliced through, he’d keep talking like a ventriloquist. Even if his throat were cut and his head were chopped off, speech balloons would still dangle from his mouth like gases emitted by internal decay. (…)

He should be thrown alive to the crocodiles! An anaconda should strangle him slowly! A poisonous spider should sting him and paralyze his lungs! The most venomous serpent should bite him and make his brain explode! No — panther claws should rip open his throat — that would be much too good for him! Huge red ants should piss into his lying eyes and gobble up his balls and his guts! He should catch the plague! Syphilis! Yellow fever! Leprosy! It’s no use; the more I wish him the most gruesome deaths, the more he haunts me. (…)

Herzog is a miserable, hateful, malevolent, avaricious, money-hungry, nasty, sadistic, treacherous, cowardly creep. His so-called “talent” consists of nothing but tormenting helpless creatures and, if necessary, torturing them to death or simply murdering them. He doesn’t care about anyone or anything except his career as a so-called filmmaker. Driven by a pathological addiction to sensationalism, he creates the most sensless difficulties and dangers, risking other people’s safety and even their lives — just so he can eventually say that he, Herzog, has beaten seemingly unbeatable odds. For his movies he hires retards and amateurs whom he can push around (and alledgedly hypnotize!), and he pays them starvation wages or zilch. He also uses freaks and cripples of every conceivable size and shape, merely to look interesting. He doesn’t have the foggiest inkling of how to make movies. He doesn’t even try to direct the actors anymore. Long ago, when I ordered him to keep his trap shut, he gave up asking me whether I’m willing to carry out his stupid and boring ideas.»

- Kinski about Herzog, Kinski Uncut : The Autobiography of Klaus Kinski (1996), p. 213, 220-2.

.

«Fuck you!»

- Telegraph sent to Federico Fellini, Kinski Uncut : The Autobiography of Klaus Kinski (1996), p. 172

.


A sound recording made during the shooting of Aguirre.

.


Tribute to Klaus Kinski from Herzog’s “My Best Fiend” (1999)

.


Werner Herzog Eats His Shoe. German film director Werner Herzog had made a bet with fledgling director Errol Morris that, if Morris made a film, Herzog would eat his shoe. Morris went on to film ‘Gates of Heaven’, so Herzog kept his promise.

.


Jesus Christus Erlöser  (Jesus Christ Savior), show performed by Klaus Kinski in Nov. 20th, 1971 in Berlin, Germany.

«I’ve come here to tell the most exciting story in the history of mankind: the life of Jesus Christ. I’m not talking about the Jesus in those horribly gaudy pictures. Not the Jesus with the jaundice-yellow skin – whom crazy human society has turned into the biggest whore of all time. Whose corpse they perversely drag around on disgraceful crosses. I don’t mean the jabbering about God or the blubbering hymns. I don’t mean the Jesus whose moldy kiss frightens little girls out of horny dreams before their First Communion and then make them die of shame and disgust when they foam in the latrines. I’m talking about the man: the restless man who says we have to turn over a new leaf all the time, now! I’m talking about the adventurer, the freest, most fearless, most modern of all men, the one who preferred being massacred to rotting with others. I’m talking about the man who is like what all of us want to be. You and I.

Wanted: Jesus Christ. Charged with seduction, anarchistic tendencies, conspiracy against the authority of the state. Distinctive features: scars on hands and feet. Alleged profession: worker. Nationality: unknown. Assumed names: Son of Man, Messenger of Peace, Light of the World, Saviour. The wanted has no permanent home. He doesn´t have any rich friends and usually spends his time in poor neighbourhoods. Surrounding him|are the blasphemous, the stateless, gypsies, prostitutes, orphans, criminals, revolutionaries, anti-social elements, the homeless, the unemployed, convicts, prisoners, fugitives, the hunted, the abused, the enraged, draft dodgers, the desperate, screaming mothers in Vietnam, hippies, bums, junkies, outcasts, death row convicts. Possibly he is a parentless child. Perhaps his mother is a whore. Perhaps his father is a convict, or lives in a commune. The wanted does not belong to this society, or to a political party. Not even the Christian party. Nor to a church. At party conventions or at gatherings, you will never find him. He rejects slogans and manifestos. He is neither Protestant, nor Catholic, nor Negro, nor Jew, nor Communist. He never wears a uniform. The wanted spreads utopian ideas. He must be considered a dangerous instigator. Relevant information leading to his arrest can be submitted to any police station.

I am wanted by the police. I am wanted by the police, because I cry out to the world that the existing world order will perish. An order… that allows priests handing out Holy Communion to soldiers who shoot down women with children in their arms in Vietnam. I am not the official Church Jesus who is accepted by policemen, bankers, judges, executioners, officers, church bosses, politicians and similar representatives of power. I am not your Superstar who keeps playing his part for you on the cross, and whom you hit in the face when he steps out of his role, and who therefore cannot call out to you, “I am fed up with all your pomp and all your rituals! Your incense is disgusting. It stinks of burnt human flesh. I can’t bear your holy celebrations and holidays any longer. You can pray as much as you like, I’m not listening. Keep all your idiotic honours and laudations. I won’t have anything to do with them. I do not want them. I am no pillar of peace and security. Security that you achieve with tear gas and with billy clubs. I am no guarantee for obedience and order either. Order and obedience at reform schools, prisons, penal institutions, insane asylums. I am the disobedient one, the restless one who does not live in any house. Nor am I a guarantee for success, savings accounts and possessions. I am the homeless one without a permanent home who stirs up trouble wherever he goes. I am the agitator, the invoker, I am the scream. I am the hippie, bum, Black Power, Jesus people. I want to free the prisoners. I want to make the blind see. I want to redeem the tortured. I want to cast love into your hearts, the love that reaches out beyond everything that exists. I want to turn you into living human beings, immortals. (…)»

Perpetuum mobile

Perpetuum Mobile of Villard de Honnecourt, c. 1230

«Is it and must it remain the perpetual object of a riddle, the perpetuum mobile! This would be a way of recalling the objective consistency that the category of the problematic takes on at the heart of structures

– Deleuze, “A quoi reconnaît-on le structuralisme?”, in François Châtelet (dir.), Histoire de la philosophie VIII. Le XXe siècle, Hachette, 1973, republished in Desert Islands….

.

«In vain would we seek the caresses and fondlings of our intimate selves (…), since everything is finally outside, everything, even ourselves: outside, in the world, among others. It is not in some hiding-place that we will discover ourselves; it is on the road, in the town, in the midst of the crowd, a thing among things, a man among men.” Is there for some people a new notion? (…) There was once a union of Nature and Spirit, and this union formed an outside world.»

- Deleuze, “Du Christ à la bourgeoisie”, 1946.

.

«Everything is a machine. Celestial machines, the stars or rainbows in the sky, alpine machines – all of them connected to those of his body. The continual whirr of machines.

“He thought that it must be a feeling of endless bliss to be in contact with the profound life of every form, to have a soul for rocks, metals, water, and plants, to take into himself, as in a dream, every element of nature, like flowers that breathe with the waxing and waning of the moon.” [Lenz]

To be a chlorophyll – or a photosynthesis – machine, or at least slip his body into such machines as one part among the others. Lenz has projected himself back to a time before the man-nature dichotomy, before all the co-ordinates based on this fundamental dichotomy have been laid down. He does not live nature as nature, but as a process of production. There is no such thing as either man or nature now, only a process that produces the one within the other and couples the machines together. Producing-machines, desiring-machines everywhere, schizophrenic machines, all of species life: the self and the non-self, outside and inside, no longer have any meaning whatsoever.»

- Deleuze & Guattari, “Anti-Oedipus”.

‘Ser coerente é uma doença’

«Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente.

A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo.

Talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica.

Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.

A coerência, a convicção, a certeza são, além disso, demonstrações evidentes — quantas vezes escusadas — de falta de educação. É uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é maçá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.

Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predileções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.

Certos estados de alma da luz, certas atitudes da paisagem têm, sobretudo quando excessivos, o direito de exigir a quem está diante deles determinadas opiniões políticas, religiosas e artísticas, aqueles que eles insinuem, e que variarão, como é de entender, consoante esse exterior varie.

O homem disciplinado e culto faz da sua sensibilidade e da sua inteligência espelhos do ambiente transitório: é republicano de manhã, e monárquico ao crepúsculo; ateu sob um sol descoberto, é católico ultramontano a certas horas de sombra e de silêncio; e não podendo admitir senão Mallarmé àqueles momentos do anoitecer citadino em que desabrocham as luzes, ele deve sentir todo o simbolismo uma invenção de louco quando, ante uma solidão de mar, ele não souber de mais do que da “Odisseia”.

Convicções profundas, só as têm as criaturas superficiais.

Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes.

A política e a religião gastam d’essa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida.

Quando é que despertaremos para a justa noção de que política, religião e vida social são apenas graus inferiores e plebeus da estética — a estética dos que ainda a não podem ter?

Só quando uma humanidade livre dos preconceitos de sinceridade e coerência tiver acostumado as suas sensações a viverem independentemente, se poderá conseguir qualquer coisa de beleza, elegância e serenidade na vida.»

- Fernando Pessoa, in ‘Idéias Políticas’

Liberdade, pois…

Hoje, em Portugal, comemora-se o 25 de Abril.

Esta celebração costuma ser publicitada como sinónimo de “liberdade”. Como se no Antigo Regime não houvesse liberdade alguma e, no Novo Regime, subitamente, passasse a haver toda a liberdade…

O que é fundamental nesta data e é por isso que ela constitui um marco na História, é que se trocou um regime por outro regime. Note-se que ambos são regimes e que ambos arregimentam. A liberdade passa ao lado.

Tenho diversas razões para encarar com reserva a euforia dos hipnotizados com a palavra-coqueluche deste dia, mil vezes repetida nos media: “Liberdade”. Chavões que a tradição repete e já nem sabe bem porquê.

É, pois, caricato que, neste dia de sobeja liberdade, dita pelo menos de garganta, me tenham vedado uma das suas componentes mais básicas: a liberdade de expressão.

Vivem-se tempos difíceis. Actualmente, existem muitos mais dispositivos de controlo do que alguma vez existiram nas sociedades do passado.

O que são os olhos falíveis dos antigos censores, de lápis azul em riste, comparados com os Syops munidos de “bots” para vigiar e bloquear os IPs e a participação de todos aqueles que divirjam das suas opiniões?

Os agentes do sistema aí estão ao virar da esquina de cada site da Internet: subreptícios, invisíveis, prontos a silenciar os oponentes sem lhes dar sequer direito a resposta, numa clara atitude de abuso de poder, sem darem a cara, confortavelmente escondidos atrás dos seus respectivos avatares e empunhando como arma os seus privilégios especiais de operação.

Chegámos hoje ao ponto de sermos censurados, bloqueados, não por qualquer ofensa moral ou reacção contra um regime político, mas simplesmente porque defendemos a inclusão de algumas citações relevantes na Wikipedia e, com isso, desagradámos aos editores-legisladores daquilo que, ao invés de ser uma página de informação, é antes uma página de culto (no mesmo sentido em que a Igreja de Cientologia é) dedicada ao seu ídolo: John Searle.

Se todos os que diferem das crenças dos editores da Wikipedia são assim escorraçados, então, aquilo que seria suposto ser uma enciclopédia baseada no colaboracionismo, tornou-se uma cartilha de dogmas e onanismo pessoais, gerida por egos que se julgam donos da verdade e que apenas pedem aos recém-chegados que os corroborem, num interminável exercício de anuência à doxa. Sofistas…

Caso os visitantes deste blog se importem minimamente com garantir certas liberdades ou se subscrevem a ideia de que a história da filosofia deve ser o mais isenta e o menos distorcida possível por preferências subjectivas, peço-vos coisa pouca: que visitem a página de discussão da Wikipedia e participem neste tópico (para o que nem precisam de abrir conta, basta fazerem Edit), protestando contra o facto de se estar a abusar de mecanismos de saneamento para omitir ocorrências e referências.

Longe de ser uma mera luta pela justa apresentação dos factos relativos ao debate Searle-Derrida, é mais do que isso: é uma luta pela liberdade de expressão.

Com que descaramento podem depois vir estes hipócritas condenar propostas de lei como a PIPA… quando eles já a implementaram antes mesmo de ser aprovada.

«E é preciso muita inocência, ou safadeza, a uma filosofia da comunicação que pretende restaurar a sociedade de amigos ou mesmo de sábios, formando uma opinião universal  como  “consenso”  capaz de moralizar  as nações, os Estados e o mercado. (…)

A doxa é um  tipo de proposição que se apresenta da seguinte maneira:  sendo dada uma situação vivida perceptiva-afetiva (por exemplo, traz-se queijo à mesa do banquete), alguém extrai dele uma qualidade pura (por exemplo, mau cheiro); mas ao mesmo tempo que abstrai a qualidade, ele mesmo se identifica com um sujeito genérico, experimentando uma afecção comum (a sociedade daqueles que detestam o queijo — rivalizando assim com aqueles que o adoram,  o mais das vezes em  função de uma outra qualidade).  A “discussão”  versa,  pois,  sobre a escolha da qualidade perceptiva abstrata,  e sobre a potência do sujeito genérico afetado. (…)

A opinião é um pensamento que se molda estreitamente sobre a forma da recognição: recognição de uma qualidade na percepção (contemplação), recognição de um grupo na afecção (reflexão), recognição de um  rival  na possibilidade de outros grupos e outras qualidades  (comunicação).  Ela dá à  recognição do verdadeiro uma extensão e critérios que são,  por  natureza,  os de uma  “ortodoxia”:  será verdadeira uma opinião que  coincida com a do grupo ao qual  se pertencerá ao enunciá-la.  Vê-se bem  isso em certos concursos: você deve dizer sua opinião, mas você “ganha” (você disse a verdade) se você disse a mesma coisa que a maioria dos que participam desse concurso. A opinião, em sua essência, é vontade de maioria, e já fala em nome de uma maioria. (…)

Em  toda conversa, é sempre do destino da filosofia que se trata, e muitas discussões filosóficas, enquanto tais, não vão mais longe do que aquela sobre o queijo, com suas injúrias e confrontos de concepções do mundo. A filosofia da comunicação se esgota na procura de uma opinião universal liberal como consenso, sob o qual encontramos as percepções e afecções cínicas do capitalista em pessoa.»

- Deleuze & Guattari, “O que é a Filosofia?”, p. 139, 188, 190.

Nijinsky’s anti-gravity


“L’Après-midi d’un Faune”, 1912 (reconstruction)

«The man who is right is the one who feels but does not understand.»

Nijinsky, Diary

«Somebody dances for you; maybe you can enjoy it, but how can you know the beauty of dance unless you dance? It is something inner. What happens when a person is dancing? What happens to his innermost core?

Nijinsky, one of the greatest dancers, used to say that there come moments when he disappears, only the dance remains. Those are the peak moments — when the dancer is not there and only the dance is. (…)

Now Nijinsky is moving into an ecstasy, and you are just sitting there watching the movement. Of course those movements are beautiful. Nijinsky’s movements have a grace, a tremendous beauty, but it is nothing compared to what he is feeling inside. His dance is a beauty, even when you are just a spectator, but nothing compared to what is happening inside him.

He used to say that there are moments when gravitation disappears. (…)

Even scientists were very much puzzled, because there were moments in Nijinsky’s dance when he would leap and jump – and those leaps were tremendous, almost impossible leaps. A man cannot leap that way; the gravitation does not allow. And the most beautiful and amazing part was that when Nijinsky would be coming back from the leap he would come so slowly that it is impossible. He would come so slowly as if a leaf is falling from a tree… very slowly, very slowly, very slowly.

It is not possible, it is against the physical law, it is against physics. The gravitation does not make any exceptions, not even for a Nijinsky. And he was asked again and again, ‘What happens? How do you fall so slowly? Because it is not within your power to control — the gravitation pulls you.’ He said, ‘It does not happen always, only rarely – when the dancer disappears. Then sometimes I am also puzzled, surprised, not only you. I see myself coming so slowly, so gracefully, and I know that the gravitation does not exist in that moment.’

He must be functioning in another dimension where the physical law does not exist, where another law starts working that spiritualists call the law of levitation. And it seems absolutely rational and logical to have both the laws, because each law has to be counterbalanced by another law in the opposite direction. If there is light there is darkness, if there is life there is death, if there is gravitation there must be levitation that pulls you up. There must be ways where a person is pulled up.»

- Osho about Ninjinsky, “The Discipline of Transcendence”, Vol. 2

Herzog about “Into the Abyss”

«… the amount of senselessness and the amount of nihilism of this crime. In a way, inexplicable for me. And until today, in a way, still inexplicable. You do understand, for example, a bank robbery and somebody starts to shoot and a bank clerk gets shot. It’s within our comprehension, but it’s very hard to really grasp what went on in this triple homicide. The amount of senselessness.»

«Number one, I do not do interviews. I have no questions. I do conversations but I have no catalogue of questions. And when they ask me, are you a TV journalist? I say ‘No I am a Bavarian filmmaker, I do films. But lets face it I’m not a journalist, I’m a poet.»

«I made myself quite knowledgeable about the case itself. I read the case file, which is around a thousand pages and I’ve seen crime scene videos, which you actually see in the film itself, photos, first reports from homicide detectives, listening to the tape confession of Michael Perry. So, I knew what happened in… in the real world, out there.»

«I told them in writing immediately, ‘this film is not meant to be a platform for you to prove your innocence. Are you still willing to see me?’ However, I gave them the chance to declare themselves and he proclaims his innocence. And I did not want to prove his guilt either. I’m not in the business of guilt or innocence, but for your comfort I can tell you that I have, for example, listened to the confession of Perry which is so in detail that only the perpetrator could know all the details. They’re all verified by findings at the crime scenes and what the film doesn’t even mention or show, during the subsequent murders of two teenage boys, after the mother of one of them was murdered, there was a girlfriend of one of the perpetrators along as an eye-witness. And an overwhelming amount of physical evidence. But we have to understand someone who has no defence any more and is going to be executed eight days later, talks him or herself, as a last recourse, into innocence. They possibly even believe in their innocence, because when you are ten years in solitary confinement, in a concrete cubicle these things occur, and there’s no more defence for him. It shouldn’t give you sleepless nights as to whether he was innocent or guilty, what gives me sleepless nights is that there is capital punishment. I would be an advocate of life in prison.»

«Well, what you hear in the film right at the beginning is that Perry’s father died only ten days ago, or twelve days ago. So, the father wasn’t there. He had no siblings and his mother categorically refused to be on camera. After Perry was executed I very cautiously approached her, ‘would it now, since everything is closed and your son is dead, would you like to reconsider’ and again it was no. From that moment on, of course, I would not bother the mother any more. But I had the feeling that after the execution she might like to say something of significance but there was a very laconic no and that was that.»

«…as the secondary title [A Tale of Death, A Tale of Life] suggests, all of a sudden what emerged from the footage was a kind of urgency of life, when we talk to someone who is on death row how do we see  life. It’s not only a look into them, it’s a look into ourselves. As you mentioned, the father of Jason Burkett, he talks about life, about what he’s done wrong, how we should raise our children and it’s a very compelling and convincing take on it. Either way, not only the father of Burkett, but in other cases, when I’ve spoken to death row inmates and speaking about life and children and so on it’s always, always inevitably small family values. We have a tendency to dismiss it as petit bourgeois or whatever but all of a sudden it becomes serious, small family values and absence of family cohesions, broken families, drugs, all sorts of things.»

«I do connect and I have it in me. I’m good at that. There’s no technique or anything and there’s no catalogue of questions. Can I bring it to the short formula? You can do this if you know the heart of men, then you can do it.»

«When you speak about documentaries it’s all movies for me. Many of them are feature films in disguise, they pretend to be documentaries but when you take a good luck they are not. But here, in film speaking to death row inmates you do not script, you do not invent. You do not stylise in a way that I would in other films. In other documentaries by the way.»

«I’ve always postulated a deeper stratum of truth than the mere facts. Because facts, per say, do not constitute truth. My example would be that if you are fact based, in that case the Manhattan phone directory would be the book of books. Five million entries, every single one verifiable and correct, but it doesn’t illuminate you. That’s what I’m trying, moving away from merely fact-based movies into invention, to poetry. Take your audience along with you into the imaginary, into the world of poetry and into the world of wonder and marvels. And that’s exactly what I do in Cave of Forgotten Dreams. Even at the end, who for God’s sake would have a final chapter about radioactive mutant albino crocodiles, but I do. And audiences love me for it and love the film for it.»

«It’s such a beautiful end to the film. I said to Fred Allen, the former member of the tie-down team, that you have to have the last word in the film because it’s so beautiful. It’s about life and he’s marvelling in the world since he’s quit executions, about the birds, the ducks and the humming birds… pause… ‘Why are there so many of them?’… Cut. The end of the film.
It’s like some sort of present falling in my lap as a filmmaker. It’s like the fairytale of the barefoot girl, the poor girl stepping out into the night and the stars are raining, the golden stars are raining into her apron. That’s what happens to me and it happens to me all the time, like the girl in the fairytale. I am very lucky, yes.»

Source

«Even though an execution is a state order, killing is somehow a public event, of course they have one or two media representatives, and they have some state witnesses and the family of the victims can send some representatives and the family of the perpetrator can send family. Although, it is a semi-official public event, I think nobody should ever ever ever see an execution

«Please mind, I’m not in the business of Texas bashing or America bashing, but you have to see statistically the amount of executions is slightly declining. More and more states who would sentence you to death have a moratorium and would not kill you. So those are all good signs. Of course, when it comes to an election year, very essential questions are somehow swept to the surface. Capital punishment is one of the questions, but we have to accept it as it is. We have to understand capital punishment is not going to go away quickly. When you look at Florida, for example. It is so embedded in the mood of the electorate. I do not have any voting power in the United States. I am a German citizen and I can vote only in Germany. Of course, it is something America has to settle itself. Let me add one more thing, America is not alone. Almost all populous nations in the world are pro-capital punishment: China, Pakistan, no Russia, just Japan did it, Iran. All the real populous nations in the world have it.»

«In this case, I had the feeling he [Michael Perry] was the most dangerous person I have ever seen in my life (…) …and he looks like a kid, like a lost kid. He could be the best friend of James Dean. And he somehow touches your heart in a way. But at the same time, my instincts tell me he was the most dangerous of all of them that I’ve met. (…) I have no argument, I only have my instinct. (…) [Jason Burkett] looks intimidating, he’s big, he can be threatening, I’m fairly certain of that. But, I wouldn’t be afraid of him.»

«He denies it and that’s why the film doesn’t make any fuss over it. Although, in the car that he took possession of, he put signs on it, a big sign  “Gauge,” like 12 gauge shot gun, on one side, on one side window “AB” and on the other side window “23.” I asked him, “Mr. Burkett, does ‘AB’  signifie that you are a member of the Aryan Brotherhood and am I right in the assumption that the “23″  signifies the 23rd letter of the alphabet, ‘W,’ for White Supremacy?” He fell silent for a moment and he said, “No, no, I have no affiliation with the Aryan Brotherhood.” I left it at that and it’s not in the film. You see, he still has an appeal going on for a re-trial and the last thing I would like to do is include certain suspicions that are not very viable and would make him look very bad.»

«I do not want to judge, but you see, I have read 800 pages of the case file of all the first statements of witnesses and forensic evidence and I have read the entire transcript of the entire trial. Many hundreds of pages and more and I think, I believe, the question of innocence and guilt has been settled by a court of law properly.»

Source

Dynamo in the machinery of night

«I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked,
dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix,
angelheaded hipsters burning for the ancient heavenly connection to the starry dynamo in the machinery of night (…)»

- Allen Ginsberg, “Howl”, intro.

Becoming-falcon

«A fusion of man and bird.»

- James Dickey, on the book’s jacket cover

.

«The Peregrine is not a book about bird-watching, it is a book about becoming a bird.»

- Robert Macfarlane, introduction to the NYRB Classics edition.

.

« – I can recommend a book that I have gotten into, “The Peregrine” by a British writer named J.A. Baker, about watching Peregrine falcons. But it is a phenomenal, phenomenal book of great poetry and intensity of observation. One of the finest books I’ve read in many, many, many years.»

- Werner Herzog, interview

.

«Alguém me falou… de viver o seu “travessão”. (…) Eu não entendi. “Travessão”? Do que falavam? Ele está na nossa lápide. Há a nossa data de nascimento e o dia de nossa morte, e um pequeno travessão entre ambas. Ele representa a nossa vida. Tudo o que ocorreu entre o nosso nascimento e morte. Como viver o travessão? Estou a dedicar-me a isso agora. (…) Parar, observar os pássaros. Quando a gente desperta dessa forma para a vida, quando nos sentimos bem com a vida, começamos a observar o que os pássaros fazem, o que os patos fazem, assim como os beija-flores. Caramba! Há muitos pássaros.»

- Fred Allen, a retired “Death House” captain, in “Into the Abyss”, documentary by Werner Herzog.

.

«For years I saw them only as a tremor at the edge of vision. They know suffering and joy in simple states not possible for us.  Their lives quicken and warm to a pulse our hearts can never reach.  They race to oblivion.  They are old before we have finished growing.»

«Wherever he goes, this winter, I will follow him. I will share the fear, and the exaltation, and the boredom, of the hunting life. I will follow him till my predatory human shape no longer darkens in terror the shaken kaleidoscope of colour that stains the deep fovea of his brilliant eye. My pagan head shall sink into the winter land, and there be purified.»

«I have always longed to be a part of the outward life, to be out there at the edge of things, to let the human taint wash away in emptiness and silence as the fox sloughs his smell into the cold unworldliness of water; to return to the town as a stranger.»

«East of my home, the long ridge lies across the skyline like the low hull of a submarine. Above it, the eastern sky is bright with reflections of distant water, and there is a feeling of sails beyond land. Hill trees mass together in a dark–spired forest, but when I move toward them they slowly fan apart, the sky descends between, and they are solitary oaks and elms, each with its own wide territory of winter shadow. The calmness, the solitude of horizons lures me toward them, through them, and on to others. They layer the memory like strata.»

«The peregrine lives in a pouring-away world of no attachment, a world of wakes and tilting, of sinking planes of land and water.  The peregrine sees and remembers patterns we do not know exist: the neat squares of orchard and woodland, the endlessly varying quadrilateral shapes of fields.  He finds his way across the land by a succession of remembered symmetries… He sees maps of black and white.»

«A falcon peregrine, sable on a white shield of sky, circled over from the sea.  She slowed, and drifted aimlessly, as though the air above the land was thick and heavy.  She dropped.  The beaches flared and roared with salvos of white wings.  The sky shredded up, was torn by whirling birds.  The falcon rose and fell, like a black billhook in splinters of white wood.  She slashed and ripped the air, but could not strike.»

«Starlings rose into the sky like black searchlight beams, and wavered aimlessly about, seeking the hawk.  Woodpigeons began to come back from the east like the survivors of  a battle. … From every wood and covert, as far as I could see, flock after flock went roaring up into the sky… The peregrine was clearing the entire hill of its pigeons, stooping at each wood in turn, sweeping along the rides, flicking between the trees, switchbacking from orchard to orchard, riding along the rim of the sky in a tremendous serration of rebounding dives and ascensions.  Suddenly it ended.  He mounted like a rocket, curved over in splendid parabola, dived down through the cumulus of pigeons.  One bird fell back, gashed dead, astonished, like a man falling out of a tree.  The ground came up and crushed it.»

«And for the watcher, sheltered for centuries from such hunger and such rage, such agony and such fear, there is the  memory of that sabring fall from the sky, and the vicarious joy of the guiltless hunter who kills only through his familiar, and wills him to be fed.»

«I found myself crouching over the kill, like a mantling hawk.  My eyes turned quickly about, alert for the walking heads of men.  Unconsciously I was imitating the movements of a hawk, as in some primitive ritual; the hunter becoming the thing he hunts.  I looked into the wood.  In a lair of shadow the peregrine was crouching, watching me, gripping the neck of a dead branch.  We live, in these days in the open, the same ecstatic fearful life.  We shun men.  We hate their suddenly uplifted arms, the insanity of their flailing gestures, their erratic scissoring gait, their aimless stumbling ways, the tombstone whiteness of their faces.»

«No pain, no death, is more terrible to a wild creature than its fear of man. … We are the killers.  We stink of death. We carry it with us.  It sticks to us like frost.  We cannot tear it away.»

«Like all human beings, I seem to walk within a hoop of red-hot iron, a hundred yards across, that sears away all life.»

«Swiftly now he is resigning his savagery to the night that rises round us like dark water. His great eyes look into mine… I know he will not fly now. I climb over the wall and stand before him. And he sleeps.»

- J. A. Baker, “The Peregrine”, about the peregrine falcon.

Sensuous aristocrats

«He seemed like the living darkness upon her, she was in the embrace of the strong darkness. He held her enclosed, soft, unutterably soft, and with the unrelaxing softness of fate, the relentless softness of fecundity. She quivered, and quivered, like a tense thing that is struck. But he held her all the time, soft, unending, like darkness closed upon her, omnipresent as the night. He kissed her, and she quivered as if she were being destroyed, shattered. The lighted vessel vibrated, and broke in her soul, the light fell, struggled, and went dark. She was all dark, will-less, having only the receptive will.

He kissed her, with his soft, enveloping kisses, and she responded to them completely, her mind, her soul gone out. Darkness cleaving to darkness, she hung close to him, pressed herself into soft flow of his kiss, pressed herself down, down to the source and core of his kiss, herself covered and enveloped in the warm, fecund flow of his kiss, that travelled over her, flowed over her, covered her, flowed over the last fibre of her, so they were one stream, one dark fecundity, and she clung at the core of him, with her lips holding open the very bottommost source of him.

So they stood in the utter, dark kiss, that triumphed over them both, subjected them, knitted them into one fecund nucleus of the fluid darkness.

It was bliss, it was the nucleolating of the fecund darkness. Once the vessel had vibrated till it was shattered, the light of consciousness gone, then the darkness reigned, and the unutterable satisfaction.

They stood enjoying the unmitigated kiss, taking it, giving to it endlessly, and still it was not exhausted. Their veins fluttered, their blood ran together as one stream.

Till gradually a sleep, a heaviness settled on them, a drowse, and out of the drowse, a small light of consciousness woke up. (…)

“The stupid, artificial, exaggerated town, fuming its lights. It does not exist really. It rests upon the unlimited darkness, like a gleam of coloured oil on dark water, but what is it?—nothing, just nothing.”

In the tram, in the train, she felt the same. The lights, the civic uniform was a trick played, the people as they moved or sat were only dummies exposed. She could see, beneath their pale, wooden pretence of composure and civic purposefulness, the dark stream that contained them all. They were like little paper ships in their motion. But in reality each one was a dark, blind, eager wave urging blindly forward, dark with the same homogeneous desire. And all their talk and all their behaviour was sham, they were dressed-up creatures. She was reminded of the Invisible Man, who was a piece of darkness made visible only by his clothes.

During the next weeks, all the time she went about in the same dark richness, her eyes dilated and shining like the eyes of a wild animal, a curious half-smile which seemed to be gibing at the civic pretence of all the human life about her.

“What are you, you pale citizens?” her face seemed to say, gleaming. “You subdued beast in sheep’s clothing, you primeval darkness falsified to a social mechanism.”

She went about in the sensual sub-consciousness all the time, mocking at the ready-made, artificial daylight of the rest.

“They assume selves as they assume suits of clothing,” she said to herself, looking in mocking contempt at the stiffened, neutralized men. “They think it better to be clerks or professors than to be the dark, fertile beings that exist in the potential darkness. What do you think you are?” her soul asked of the professor as she sat opposite him in class. “What do you think you are, as you sit there in your gown and your spectacles? You are a lurking, blood-sniffing creature with eyes peering out of the jungle darkness, snuffing for your desires. That is what you are, though nobody would believe it, and you would be the very last to allow it.”

Her soul mocked at all this pretence. Herself, she kept on pretending. She dressed herself and made herself fine, she attended her lectures and scribbled her notes. But all in a mood of superficial, mocking facility. She understood well enough their two-and-two-make-four tricks. She was as clever as they were. But care!—did she care about their monkey tricks of knowledge or learning or civic deportment? She did not care in the least. (…)

She was free as a leopard that sends up its raucous cry in the night. She had the potent, dark stream of her own blood, she had the glimmering core of fecundity, she had her mate, her complement, her sharer in fruition. So, she had all, everything. (…)

He too was free. He knew no one in this town, he had no civic self to maintain. He was free. Their trams and markets and theatres and public meetings were a shaken kaleidoscope to him, he watched as a lion or a tiger may lie with narrowed eyes watching the people pass before its cage, the kaleidoscopic unreality of people, or a leopard lie blinking, watching the incomprehensible feats of the keepers. He despised it all—it was all non-existent. Their good professors, their good clergymen, their good political speakers, their good, earnest women—all the time he felt his soul was grinning, grinning at the sight of them. So many performing puppets, all wood and rag for the performance!

He watched the citizen, a pillar of society, a model, saw the stiff goat’s legs, which have become almost stiffened to wood in the desire to make them puppet in their action, he saw the trousers formed to the puppet-action: man’s legs, but man’s legs become rigid and deformed, ugly, mechanical. (…)

She was caught up, entangled in the powerful vibration of the night. The man, what was he?—a dark, powerful vibration that encompassed her. She passed away as on a dark wind, far, far away, into the pristine darkness of paradise, into the original immortality. She entered the dark fields of immortality.

When she rose, she felt strangely free, strong. She was not ashamed,—why should she be? He was walking beside her, the man who had been with her. She had taken him, they had been together. Whither they had gone, she did not know. But it was as if she had received another nature. She belonged to the eternal, changeless place into which they had leapt together.

Her soul was sure and indifferent of the opinion of the world of artificial light. As they went up the steps of the foot-bridge over the railway, and met the train-passengers, she felt herself belonging to another world, she walked past them immune, a whole darkness dividing her from them. When she went into the lighted dining-room at home, she was impervious to the lights and the eyes of her parents. Her everyday self was just the same. She merely had another, stronger self that knew the darkness.

This curious separate strength, that existed in darkness and pride of night, never forsook her. She had never been more herself. It could not occur to her that anybody (…) should have anything at all to do with her permanent self. As for her temporal, social self, she let it look after itself.

Her whole soul was implicated with Skrebensky—not the young man of the world, but the undifferentiated man he was. She was perfectly sure of herself, perfectly strong, stronger than all the world. The world was not strong—she was strong. The world existed only in a secondary sense:—she existed supremely. (…)

They were perfect, therefore nothing else existed. The world was a world of servants whom one civilly ignored. Wherever they went, they were the sensuous aristocrats, warm, bright, glancing with pure pride of the senses.»

- D. H. Lawrence, “The Rainbow

Hunting

«She took her gun again and went to look for the fox. For he had lifted his eyes upon her, and his knowing look seemed to have entered her brain. She did not so much think of him: she was possessed by him. She saw his dark, shrewd, unabashed eye looking into her, knowing her. She felt him invisibly master her spirit. She knew the way he lowered his chin as he looked up, she knew his muzzle, the golden brown, and the greyish white. And again she saw him glance over his shoulder at her, half inviting, half contemptuous and cunning. So she went, with her great startled eyes glowing, her gun under her arm, along the wood edge. Meanwhile the night fell, and a great moon rose above the pine trees. (…)

But whenever she fell into her half-musing, when she was half rapt and half intelligently aware of what passed under her vision, then it was the fox which somehow dominated her unconsciousness, possessed the blank half of her musing. And so it was for weeks, and months. No matter whether she had been climbing the trees for the apples, or beating down the last of the damsons, or whether she had been digging out the ditch from the duck-pond, or clearing out the barn, when she had finished, or when she straightened herself, and pushed the wisps of her hair away again from her forehead, and pursed up her mouth again in an odd, screwed fashion, much too old for her years, there was sure to come over her mind the old spell of the fox, as it came when he was looking at her. It was as if she could smell him at these times. And it always recurred, at unexpected moments, just as she was going to sleep at night, or just as she was pouring the water into the tea-pot to make tea — it was the fox, it came over her like a spell.

So the months passed. She still looked for him unconsciously when she went towards the wood. He had become a settled effect in her spirit, a state permanently established, not continuous, but always recurring. She did not know what she felt or thought: only the state came over her, as when he looked at her. (…)

He was identified with the fox — and he was here in full presence. She need not go after him any more. There in the shadow of her corner she gave herself up to a warm, relaxed peace, almost like sleep, accepting the spell that was on her. But she wished to remain hidden. She was only fully at peace whilst he forgot her, talking to Banford. Hidden in the shadow of the corner, she need not any more be divided in herself, trying to keep up two planes of consciousness. She could at last lapse into the odour of the fox.

For the youth, sitting before the fire in his uniform, sent a faint but distinct odour into the room, indefinable, but something like a wild creature. March no longer tried to reserve herself from it. She was still and soft in her corner like a passive creature in its cave. (…)

She was so curiously silent and obliterated. It seemed to him he had not really seen her. He felt he should not know her if he met her in the road.

That night March dreamed vividly. She dreamed she heard a singing outside which she could not understand, a singing that roamed round the house, in the fields, and in the darkness. It moved her so that she felt she must weep. She went out, and suddenly she knew it was the fox singing. He was very yellow and bright, like corn. She went nearer to him, but he ran away and ceased singing. He seemed near, and she wanted to touch him. She stretched out her hand, but suddenly he bit her wrist, and at the same instant, as she drew back, the fox, turning round to bound away, whisked his brush across her face, and it seemed his brush was on fire, for it seared and burned her mouth with a great pain. She awoke with the pain of it, and lay trembling as if she were really seared. (…)

He would have to go gently. He would have to catch her as you catch a deer or a woodcock when you go out shooting. It’s no good walking out into the forest and saying to the deer: ‘Please fall to my gun.’ No, it is a slow, subtle battle. When you really go out to get a deer, you gather yourself together, you coil yourself inside yourself, and you advance secretly, before dawn, into the mountains. It is not so much what you do, when you go out hunting, as how you feel. You have to be subtle and cunning and absolutely fatally ready. It becomes like a fate. Your own fate overtakes and determines the fate of the deer you are hunting. First of all, even before you come in sight of your quarry, there is a strange battle, like mesmerism. Your own soul, as a hunter, has gone out to fasten on the soul of the deer, even before you see any deer. And the soul of the deer fights to escape. Even before the deer has any wind of you, it is so. It is a subtle, profound battle of wills which takes place in the invisible. And it is a battle never finished till your bullet goes home. When you are REALLY worked up to the true pitch, and you come at last into range, you don’t then aim as you do when you are firing at a bottle. It is your own WILL which carries the bullet into the heart of your quarry. The bullet’s flight home is a sheer projection of your own fate into the fate of the deer. It happens like a supreme wish, a supreme act of volition, not as a dodge of cleverness.

He was a huntsman in spirit, not a farmer, and not a soldier stuck in a regiment. And it was as a young hunter that he wanted to bring down March as his quarry, to make her his wife. So he gathered himself subtly together, seemed to withdraw into a kind of invisibility. (…)

In a sort of semi-dream she seemed to be hearing the fox singing round the house in the wind, singing wildly and sweetly and like a madness. (…)

‘You’ll stay a moment,’ he said. ‘Just a moment.’ And he put his hand on her shoulder. She turned her face from him. ‘I’m sure you don’t really think I’m like the fox,’ he said, with the same softness and with a suggestion of laughter in his tone, a subtle mockery. ‘Do you now?’ And he drew her gently towards him and kissed her neck, softly. She winced and trembled and hung away. But his strong, young arm held her, and he kissed her softly again, still on the neck, for her face was averted.

‘Won’t you answer my question? Won’t you now?’ came his soft, lingering voice. He was trying to draw her near to kiss her face. And he kissed her cheek softly, near the ear. (…)

He felt there was a secret bond, a secret thread between him and her, something very exclusive, which shut out everybody else and made him and her possess each other in secret. (…)

No, he wouldn’t let her exert her love towards him. No, she had to be passive, to acquiesce, and to be submerged under the surface of love. She had to be like the seaweeds she saw as she peered down from the boat, swaying forever delicately under water, with all their delicate fibrils put tenderly out upon the flood, sensitive, utterly sensitive and receptive within the shadowy sea, and never, never rising and looking forth above water while they lived. Never. Never looking forth from the water until they died, only then washing, corpses, upon the surface. But while they lived, always submerged, always beneath the wave. Beneath the wave they might have powerful roots, stronger than iron; they might be tenacious and dangerous in their soft waving within the flood. Beneath the water they might be stronger, more indestructible than resistant oak trees are on land. But it was always under-water, always under-water. And she, being a woman, must be like that. (…)

And she had failed. She knew that, even in her small way, she had failed. She had failed to satisfy her own feeling of responsibility. It was so difficult. It seemed so grand and easy at first. And the more you tried, the more difficult it became. It had seemed so easy to make one beloved creature happy. And the more you tried, the worse the failure. It was terrible. She had been all her life reaching, reaching, and what she reached for seemed so near, until she had stretched to her utmost limit. And then it was always beyond her.

Always beyond her, vaguely, unrealizably beyond her, and she was left with nothingness at last. The life she reached for, the happiness she reached for, the well-being she reached for all slipped back, became unreal, the farther she stretched her hand. She wanted some goal, some finality — and there was none. Always this ghastly reaching, reaching, striving for something that might be just beyond. (…)

But at the very point where she most wanted success, in the anguished effort to make some one beloved human being happy and perfect, there the failure was almost catastrophic. You wanted to make your beloved happy, and his happiness seemed always achievable. If only you did just this, that, and the other. And you did this, that, and the other, in all good faith, and every time the failure became a little more ghastly. You could love yourself to ribbons and strive and strain yourself to the bone, and things would go from bad to worse, bad to worse, as far as happiness went. The awful mistake of happiness. (…)

The more you reached after the fatal flower of happiness, which trembles so blue and lovely in a crevice just beyond your grasp, the more fearfully you became aware of the ghastly and awful gulf of the precipice below you, into which you will inevitably plunge, as into the bottomless pit, if you reach any farther. You pluck flower after flower — it is never THE flower. The flower itself — its calyx is a horrible gulf, it is the bottomless pit.

That is the whole history of the search for happiness, whether it be your own or somebody else’s that you want to win. It ends, and it always ends, in the ghastly sense of the bottomless nothingness into which you will inevitably fall if you strain any farther.

And women? — what goal can any woman conceive, except happiness? Just happiness for herself and the whole world. That, and nothing else. And so, she assumes the responsibility and sets off towards her goal. She can see it there, at the foot of the rainbow. Or she can see it a little way beyond, in the blue distance. Not far, not far.

But the end of the rainbow is a bottomless gulf down which you can fall forever without arriving, and the blue distance is a void pit which can swallow you and all your efforts into its emptiness, and still be no emptier. You and all your efforts. So, the illusion of attainable happiness! (…)

She wanted to see, to know, to understand. She wanted to be alone: with him at her side.

And he! He did not want her to watch any more, to see any more, to understand any more. He wanted to veil her woman’s spirit, as Orientals veil the woman’s face. He wanted her to commit herself to him, and to put her independent spirit to sleep. He wanted to take away from her all her effort, all that seemed her very raison d’être. He wanted to make her submit, yield, blindly pass away out of all her strenuous consciousness. He wanted to take away her consciousness, and make her just his woman. Just his woman.

And she was so tired, so tired, like a child that wants to go to sleep, but which fights against sleep as if sleep were death. She seemed to stretch her eyes wider in the obstinate effort and tension of keeping awake. She WOULD keep awake. She WOULD know. She WOULD consider and judge and decide. She would have the reins of her own life between her own hands. She WOULD be an independent woman to the last. But she was so tired, so tired of everything. And sleep seemed near. And there was such rest in the boy. (…)

He wanted her asleep, at peace in him. He wanted her at peace asleep in him. And THERE she was, dying with the strain of her own wakefulness. Yet she would not sleep: no, never. (…)

He believed that as they crossed the seas (…), she would go to sleep. She would close her eyes at last and give in to him.

And then he would have her, and he would have his own life at last. He chafed, feeling he hadn’t got his own life. He would never have it till she yielded and slept in him. Then he would have all his own life as a young man and a male, and she would have all her own life as a woman and a female. There would be no more of this awful straining. She would not be a man any more, an independent woman with a man’s responsibility. Nay, even the responsibility for her own soul she would have to commit to him. He knew it was so, and obstinately held out against her, waiting for the surrender.»

- D. H. Lawrence, “The Fox

Deux noires

«Le noir est la couleur la plus essentielle. […]. Il faut respecter le noir. Rien ne le prostitue. Il ne plaît pas aux yeux et n’éveille aucune sensualité. Il est agent de l’esprit bien plus que la belle couleur de la palette ou du prisme.»

- Odilon Redon, “À soi-même“, 1913.

Odilon Redon, Oeil ballon (1878) et L’ Araignée souriante (1881)

Uma ética do irrelevante

«Será que eu posso dizer pra vocês que ainda que o cristalino e o orgânico sejam duas linhas – que isso não constitui uma dualidade? Vejam bem: de um lado, o cristalino; e do outro, o orgânico - mas não formam uma dualidade, porque o conceito de dualidade, o conceito de contradição, o conceito de oposição pertencem ao mundo orgânico, ou seja: quando nós estamos mergulhados no mundo orgânico, uma série de conceitos – oposição, contradição – desencadeia-se desse mundo. Então, quando você usa esses conceitos, eles pertencem a esse mundo orgânico. Quando eu falo cristalino e orgânico, entre os dois não há uma oposição – porque a oposição pertence ao orgânico.

A base da aula (foram menos de “15 minutos” para explicar) é a distância que existe entre uma vida CRISTALINA e uma vida ORGÂNICA. (…)

O homem entrou no século XX com a soberba de que ele teria todas as suas questões resolvidas. Ele entrou com a soberba do inconsciente freudiano e da revolução marxista, (não é?) Os sinos bateram no inicio do século… e os homens acharam, então, que concluiriam o século com todas as suas questões resolvidas! Foi exatamente o contrário: foi o século dos fracassos, das decepções. Então é exatamente isso que estou apontando  – é a vida! Qual é a saída da vida? Todas as saídas da vida pela representação orgânica fracassaram e fracassarão, quer dizer, A VIDA SÓ TEM UMA SAÍDA: encontrar-se com ela própria - encontrar-se com sua postura cristalina. É isso que eu estou dizendo!

A ARTE é CONTINGENTE. Esse enunciado – a arte é contingente - está associado com o que eu disse na aula passada   – que cada um de nós tem que ADMINISTRAR sua própria vida - no sentido de que uma obra de arte – se ela não for produzida… ela simplesmente não foi produzida! Se o artista não a produzir, ninguém a produzirá! Se o artista recebe os meios para produzir, quer dizer, para produzir alguma coisa nova para a humanidade e não a produz – ninguém a produzirá! A arte é contingente: ela não tem que aparecer; ela aparece – se for produzida! Então, todos aqueles que têm uma potência, uma possibilidade ou um sonho, uma inquietação, uma inclinação para mergulhar nos mares do cristalino… que o faça! (…)

Leibniz tem uma formação de filosofia oriental muito grande, ele tem até um texto sobre a filosofia zen – e o que ele está dizendo é que a natureza da alma é inquieta - ela é inquieta; ela é uma TENSÃO. Uma tensão da vida – ela tende para essa inquietude! Por isso, o VIVO está constantemente abrindo novas superfícies: ele vive abrindo novas superfícies! Quando um ” ser vivo ” ou ” um homem ” cai numa tristeza profunda – ele perde a inquietude: é a possibilidade da morte! Então, Leibniz se opõe a esse budismo que prega uma quietude impossível pra alma; impossível pra alma! A alma é como um nadador - um ” nadador ” sem mar: ela quer mergulhar, ela quer conhecer as ondas! A vida é isso! A vida é isso! A vida é uma paixão pela inquietude. É uma paixão pela inquietude; é um desejo - quase permanente - de variação. Isso é vida! Quando esse processo se congela - é a crise da morte! (…)

Dizem que quem mora ao lado de um moinho a água, jamais ouve o barulho do rio… é que, exatamente, ele sai do campo da percepção. Isso daqui é pra vocês compreenderem que temos uma pequena camada de apercepção e um infinito de pequenas percepções - essa noção é o primeiro mergulho no infinito [...]

Nós vivemos mergulhados no quase sofri; no quase amei; no quase tive raiva; nós vivemos mergulhados no quase, (não é?). Aquilo, de repente, se desfaz…

A nossa alma é essa confusão de micro-percepções. O que nos permite dizer que a nossa alma é constituída por um fundo sombrio. Eu queria que vocês marcassem esse conceito – FUNDO SOMBRIO. É assim o fundo da nossa alma! Os barrocos diziam fuscum subnigrum. A nossa alma é isso: um fundo sombrio. Ela é… os murmúrios do povo, as orações dos crentes, os volteios das ondas, o barulho das estrelas, os gritos das moléculas – isso é o fundo da nossa alma! Ela é, então, um fundo sombrio – e esse fundo sombrio é exatamente aquilo que os pintores barrocos colocavam no fundo dos seus quadros. Você pega uma tela do Caravaggio: o fundo da tela é marrom e vermelho; e marrom e vermelho é o fundo sombrio. Ou melhor, todos os pintores barrocos produziram fundos sombrios nas suas telas – porque queriam mostrar que daquele fundo sombrio se ergueriam as percepções claras. (…) Nós sabemos que somos constituídos por uma noite infinita e escura; e que dessa noite infinita e escura saem pequenas luzes que formam a nossa vida consciente. Então, todos nós nos identificamos no fundo sombrio e nos diferenciamos nas percepções claras. A partir disso, eu estou dizendo pra vocês que existem infinitas mônadas, mas nenhuma mônada é igual à outra – porque elas variam nas suas percepções claras; elas diferem nas suas percepções claras! (…)

A nossa alma – ainda que ela seja finita - contém dentro dela o INFINITO do mundo inteiro.

Então, ela contém esse imenso mundo todo dentro dela – TODO DENTRO DELA! Não sei como a gente não se engasga!? Aliás… a gente se engasga: dá pra engasgar! A gente sente que alguma coisa grandiosa atravessa a gente… A gente sente isso! (…)

“As pequenas percepções são os componentes de cada percepção, elas são como que alfinetes, aguilhões,  – as pequenas percepções – , que constituem o estado da alma por excelência, a inquietude.” Nós estamos aqui dentro de uma percepção clara, mas dentro de nós estão piscando as pequenas percepções como aguilhões, estão alfinetando nosso corpo, pra que a gente mude de percepção. Por isso, na nossa vida, a gente está eternamente em estado de passagem, sempre em estado de passagem, nós nunca estamos propriamente localizados, nós estamos em corredores de luz, prontos pra passar para outro tipo de percepção. (…)

Espinoza (…) produz um método para aumentar a potência do nosso entendimento, para que nós aumentemos a potência do nosso entendimento, para aumentar o poder dos nossos clarões! Isso se chama autômato espiritual - lá pela quinta aula eu volto a isso… Essa questão do autômato espiritual são forças que vêm de fora – e que aumentam a potência do nosso entendimento. (…) A arte é isso! A arte – quando você ouve uma ópera, Der Ring des Nibelungen, do Wagner, quando você ouve uma ópera, quando um filme, quando você uma tela, quando um texto – aquilo libera vibrações do seu espírito, e ai o seu espírito aumenta a capacidade intelectual e se apaixona, cada vez mais, pelos caminhos de luz! (…)

Artaud fez um roteiro (eu estou esquecido do nome do roteiro, viu?), e o roteiro caiu nas mãos de uma menina – uma cineasta chamada Germaine Dulac - e ela deu um caminhou para o roteiro do Artaud. .., encaminhou o roteiro dele pra uma linha que o deixou indignado. É aí, então, que ele vai dizer que o cinema são vibrações para nos forçar a pensar. Ele via isso no cinema; embora o cinema tenha sofrido um desvio – um desvio propriamente fascista, um desvio de Hollywood. Desviou-se completamente! Mas ele, como todas as artes…

A arte não é aquilo com que se lida apenas com fins de entretenimento e para ter pequenos prazeres orgânicos. A arte é cristalina. A arte é pra entrar em composições de vibrações e fazer com que você pense. A arte é para produzir pensamento! É para produzir um homem superior! Fazer da arte um campo de entretenimento é uma ilusão, é uma tolice orgânica – uma tolice orgânica insuportável! E é isso que vocês conhecem; que vocês sabem que existe, (não é?) A arte orgânica não é arte! É apenas alguma coisa que se faz antes do jantar, pra ganhar fome: você vai ao teatro, vai ao cinema, vai não sei o quê… e depois vai jantar. A arte não é isso! (…)

Por exemplo: um homem com a sua mulher amada. A mulher sai. O ato de a mulher sair, já produz nele uma inquietude – uma inquietude micro perceptiva - que ele não tem como relevante. Se ela demorar… aquelas micro percepções, aqueles ordinários se juntam… e formam um relevante - um CLARÃO – e ele se torna ansioso. É o melhor exemplo para vocês entenderem! O que quer dizer que todos os relevantes são constituídos por ordinários. Os ordinários são percepções que você não percebe - não percebe!

E agora eu volto a citar aquele cineasta chamado Ozu. O Ozu diz que a nossa vida cotidiana é feita de um conjunto de séries de ordinários, uma série de ordinários; ou seja: a nossa vida cotidiana é feita da série do almoço, da série do sono, da série do descanso, da série do ouvir a música, de ouvir as notícias do rádio, de conversar com um amigo, de olhar pela janela… Cada série dessas é uma série de ordinários que nós sequer damos conta do que estamos fazendo. E o Ozu, esse cineasta japonês, diz que esse é o processo da vida cotidiana e que se os homens conseguissem fazer de suas vidas uma série de ordinários – sem tornar nenhum ordinário relevante – eles nunca sofreriam. Por quê? Porque o que nos produz sofrimento é uma determinada série de ordinários [para a qual] nós damos grande relevância: a doença, a morte – tudo isso são séries de ordinários. O cinema de Ozu é simultaneamente uma Estética e uma Ética - porque o que ele quer mostrar [com o cinema dele], é que o que complica a vida do homem é que ele mistura a série de ordinários: é a hora da filha – e nós misturamos a hora da filha com a hora do dinheiro; misturamos a hora do dinheiro com a hora do amor; misturamos as séries, e aquilo produz em nós uma profunda confusão, um profundo sofrimento. Se nós fizermos do nosso cotidiano séries de ordinários - nós buscaremos relevantes em outros lugares; por exemplo, na ARTE.

O que estou colocando pra vocês é uma coisa também do Leibniz, que diz que o homem é o único ser vivo que complica as séries - por isso o seu grande sofrimento! O homem sofre porque complica as séries: na hora da série do amor, ele atravessa com a série do dinheiro; na hora da série da tristeza, ele atravessa com a série da ansiedade – complica tudo! Não é preciso dizer isso pra vocês, porque vocês sabem mais do que eu, basta vocês se olharem… (Não é?)

A questão do Ozu e a do Leibniz é a mesma - de que esses sofrimentos que nós temos na vida são por não sabermos conviver com as séries dos ordinários, e vivermos querendo tornar relevantes coisas que não são. De um lado, então… O que eu vou dizer agora é inteiramente filosófico! De um lado, nós temos os agenciamentos de afetos do Espinoza; e, de outro, as relações diferenciadas do Leibniz: afetos em Spinoza e relações diferenciadas no Leibniz. (…)

As nossas percepções claras – todas elas – são referidas ao nosso organismo! Por quê? Porque o organismo… (A força? Als: Plástica!) …o organismo tem interesses, ele tem necessidades, e ele tem que efetuar a sua existência em termos de utilidade. Então, o organismo constitui para ele um conjunto de hábitos, que é o que a gente chama de reconhecimento. Por exemplo, os homens de uma mesma sociedade, quando se encontram, se reconhecem uns aos outros – porque estão mergulhados no hábito. Ou seja, a percepção esta mergulhada no hábito. Essa percepção mergulhada no hábito chama-se – clichê. A nossa vida é uma reprodução de clichês: nós vamos reproduzindo clichês o tempo inteiro. O tempo todo nós vamos reproduzindo clichês… porque na hora que nós sairmos dos clichês, nós não somos reconhecidos pelo outro: o outro não nos reconhece. Então, até por comodidade, nós nos mantemos nesses clichês. (…)

Nós achamos que se sairmos dos clichês nós cairemos no caos – sair no clichê-cair no caos – e é exatamente isso! Sai do clichê, mergulha no caos. Mas sair do clichê e mergulhar no caos não é infelicidade. A infelicidade é permanecer nos clichês! O que nos faz sofrer exatamente é que nós fazermos da nossa vida uma reprodução constante dos mecanismos do hábito. É isso que causa em nós um sofrimento insuportável, porque os hábitos, os clichês trazem uma unidade de congelamento que não suportam as passagens e os processos. Então, como a vida da gente é uma permanente passagem, um permanente processo, nós nos resguardamos nos clichês, ou seja, nós nos resguardamos nesses campos do reconhecimento, como se isso trouxesse pra nós uma proteção. Atenção, esse guarda-chuva dos clichês não nos protege, mesmo que em cima do guarda-chuva esteja escrito CAOS. A gente escreve em cima do guarda-chuva CAOS, abre o guarda-chuva e fica protegido. Não adianta! Eu estou dizendo pra vocês que a única experiência possível para produzir uma libertação e uma alegria, é o confronto com o CAOS – que eu vou mostrar pra vocês na próxima aula. Eu coloco um confronto com o infinito, ou seja, a única saída para nós é nos tornarmos criadores.

O Leibniz - eu coloquei isso na aula passada – se defrontou com um escritor da razão humanista – não falei isso, o Voltaire? Ele se confrontou com o Voltaire, porque o Leibniz dizia que esse mundo que nós vivemos é o melhor dos mundos, e o melhor dos mundos porque neste mundo aqui pode haver CRIAÇÃO, ou seja, todos os homens têm o poder de criar e de inventar. Agora – só há possibilidade da criação e da invenção se você quebrar as forças do clichê.

Uma percepção como a de Cézanne é semelhante à do Ozu. O que o Cézanne queria ver nas suas naturezas mortas e nas suas maçãs eram as vibrações do tempo e do pensamento: o tempo e o pensamento vibrando. Ou seja, o grande artista, o ” artista enquanto tal “, não tem como questão representar aquilo que observa, mas liberar o INVISÍVEL da natureza – e esse invisível são as FORÇAS DO TEMPO e as FORÇAS DO PENSAMENTO. Então, para você fazer essa experimentação, você tem que quebrar todos os clichês instalados na sua alma. Dá-se a isso o nome de percepto. Há, então, uma diferença entre percepto e percepção: a percepção é utilitária, é interessada. Eu aqui posso até citar pra vocês, porque assim fica fácil para se compreender, certas experiências com drogas. As drogas tiram o homem da percepção utilitária - porque elas alteram o tempo. Só que a droga não te conduz para a arte; não conduz! Eu vou colocar pra vocês… O que a prática do percepto faz, é romper com o domínio das percepções utilitárias; e no momento em que o domínio do utilitário, o domínio do clichê se rompe, você mergulha como que no CAOS, você mergulha no caos, e lá – no caos - você vai fazer duas coisas – erguer alguma coisa nova ou se perder nesse caos. (…)

O infinito é o pensamento antigo. A nossa questão é o infinito – é mergulhar no infinito. A questão do pensamento moderno é mergulhar no infinito.

Cada mônada – a mônada é a alma! – tem dentro dela o infinito do mundo. Cada mônada contém, dentro dela, o infinito do mundo inteiro. E sempre que essa mônada se manifesta – ela expressa esse infinito do mundo inteiro. Mas ela expressa esse infinito do mundo inteiro em pequenas percepções e em raras percepções claras. Sempre que nós nos expressarmos, no entanto, é o mundo inteiro que está sendo expresso por nós. Então, o conceito de MÔNADA, que é o conceito do mergulho no infinito que nós vamos fazer na próxima aula… Nós vamos começar a mergulhar no infinito; vamos fazer a primeira experiência de infinito; nós vamos encontrar aqueles que tentaram impedir esse mergulho, Platão, etc., através dessa noção de mônada que estou colocando. A mônada é alguma coisa finita que contém o infinito do mundo inteiro. Então, é o paradoxo total! Cada um de nós carrega consigo o infinito do mundo inteiro, no sentido de que as coisas presentes estão grávidas de futuro. (…) Todas, todas! Cada mônada carrega todas as mônadas com ela. Isso se chama Harmonia UNIVERSAL ou Harmonia PRÉ-ESTABELECIDA. Ou seja, há uma harmonia na natureza. Se você tocar numa coisa – eu toquei nessa mesa – significa que eu toquei no universo inteiro – porque todas as coisas estão conjugadas umas com as outras. Isso se chama harmonia universal. Então, cada um de nós, no seu fundo sombrio (Olha, agora são os conceitos exatos, hein!?) tem um marulho - o ruído, o rumor - do universo inteiro. Então, à noite, quando nós começamos a desocupar a nossa alma e a alma vai se abrindo, nós mergulhamos no fundo sombrio, ou seja, nós mergulhamos no UNIVERSO INTEIRO. Um mergulho assim de uma beleza excepcional.»

- Cláudio Ulpiano, Aula de 19/01/1996.

O rio corre ao contrário

«Foi aqui que os dois viram e ouviram o movimento, lento e profundo, seguindo para leste, contra a corrente, no fio da superfície ainda rígida ( – O rio corre ao contrário – disse serenamente um dos forçados), um movimento vindo de baixo com um cavo e débil rumor subaquático, que ressoava – embora nenhum deles no camião fosse capaz de fazer tal comparação – como um comboio do metropolitano ao passar debaixo da rua, o que revelava uma terrível e secreta velocidade.

Era como se a própria água se compusesse de três camadas separadas e distintas. A superfície branda e desapressada levava uma babugem espumosa e destroços miniaturais de raminhos, evitando, como por um cálculo perverso, o jorro e a fúria da própria enchente. Sob esta, por sua vez, esgueirava-se o ribeirinho de origem, murmurando na direcção contrária, correndo despreocupado e sem empeço ao longo do curso estabelecido para servir os seus fins liliputianos, tal como um carreiro de formigas entre os carris por onde passa um expresso, que as deixa despreocupadas com o seu poder e a sua fúria, como se Saturno fosse varrido por um ciclone. (…)

Então o forçado esgrouviado deu conta de outro som. Não o ouviu logo à primeira. Subitamente teve consciência de que sempre o ouvira, um som tão fora do alcance da sua experiência e dos seus poderes de assimilação que o olvidara até esse momento, tal como uma formiga ou uma pulga ignora o som da avalancha que a arrasta. (…)

- Que é isto? – perguntou o forçado. Um negro agachado junto de uma fogueira respondeu-lhe:
- É ele. É o Velho Homem!».

- William Faulkner, “The Old Man”, p. 47-48, p. 61.

I am not appealing for any man’s verdict

«We aren’t even trying to interpret, to say that this means that. 5

And we are looking least of all for a structure with formal oppositions and a fully constructed Signifier; one can always come up with binary oppositions like “bent head-straightened head” or “portrait-sonority” and bi-univocal relations like “bent head-portrait” or “straightened head-sonority.”

But that’s stupid as long as one doesn’t see where the system is coming from and going to, how it becomes, and what element is going to play the role of heterogeneity, a saturating body that makes the whole assembly flow away and that breaks the symbolic structure, no less than it breaks hermeneutic interpretation, the ordinary association of ideas, and the imaginary archetype. Because we don’t see much difference among all these things (who could tell what the difference is between a structural, differential opposition and an imaginary archetype whose role is to differentiate itself?).

We believe only in a Kafka that is neither imaginary nor symbolic. We believe only in one or more Kafka machines that are neither structure nor phantasm. We believe only in a Kafka experimentation that is without interpretation or significance and rests only on tests of experience: “I am not appealing for any man’s verdict, I am only imparting knowledge, I am only making a report. To you also, honored Members of the Academy, I have only made a report.” (…)

Desire is not form, but a procedure, a process.»

- Deleuze & Guattari, “Kafka…”

Tout tremble, toujours, toujours

«Je vous écris du bout du monde. Il faut que vous le sachiez. Souvent les arbres tremblent. On recueille les feuilles. Elles ont un nombre fou de nervures. Mais à quoi bon? Plus rien entre elles et I’arbre, et nous nous dispersons gênées. Est-ce que la vie sur terre ne pourrait pas se poursuivre sans vent? Ou faut-il que tout tremble, toujours, toujours?
Il y a aussi des remuements souterrains, et dans la maison comme des colères qui viendraient au-devant de vous, comme des êtres sévères qui voudraient arracher des confessions. On ne voit rien, que ce qu’il importe si peu de voir. Rien, et cependant on tremble. Pourquoi?»

[Eu vos escrevo do fim do mundo. É preciso que vocês o saibam. Muitas vezes, as árvores tremem. Nós recolhemos as folhas. Elas têm um número insano de nervuras. Bem, mas para quê? Nada mais entre elas e a árvore, e nós nos dispersamos perturbados. Será que a vida sobre a terra não se poderia prosseguir sem vento? Ou é necessário que tudo trema, sempre, sempre?
Há também remoinhos subterrâneos, e dentro da casa como cóleras que viriam adiante de vós, como seres severos que desejariam arrebatar confissões. Nós não vemos nada, senão que importa pouco ver. Nada, e no entanto nós trememos. Porquê?]

- Henri Michaux, “Plume précédé de lointain intérieur”, 1938.

The absolute thesis

«Criticism can be spared the reproach of [327] fantastication [Schwarmerei] just as little as can dogmatism, if, like the latter, it transcends the vocation of man and tries to represent the ultimate goal as attainable. But allow me to review matters a little.

If an activity no longer limited by objects, and wholly absolute, is no longer accompanied by consciousness; if unlimited activity is identical with absolute repose; if the supreme moment of being is closest to not-being; then criticism is bound for self-annihilation just as much as dogmatism is. If dogmatism demands that I vanish in the absolute object, then criticism must demand, on the contrary, that everything called object shall vanish in the intellectual intuition of myself. In either case, every object is lost for me, and therewith also the consciousness of myself as subject. My reality vanishes in the infinite reality. These conclusions seem to be inevitable as soon as we presuppose that both systems are intent upon the dissolution of that contrast [Widerspruch] between subject and object, upon absolute identity. I cannot do away with the subject without at the same time doing away with the object as such, and, on the same account, with all consciousness of self; and I cannot do away with the object without also doing away with the subject as such, that is, with all its personality. Yet that presupposition is absolutely inevitable. It is inevitable because all philosophy demands absolute thesis as the goal of all synthesis.* Absolute thesis, however, is thinkable only through absolute identity. [328] Hence both systems necessarily strive for absolute identity. There is the difference, though, that criticism is intent immediately upon absolute identity of the subject, and only mediately upon conformity of the object with the subject, while dogmatism is immediately intent upon the identity of an absolute object, and only mediately upon conformity of the subject with the absolute object. Criticism, faithful to its principle, tries synthetically to connect happiness with morality; dogmatism’s effort is to connect morality with happiness. The dogmatist says: insofar as I strive for happiness, for conformity of my subject with the objective world, I am also striving, mediately, for the identity of my essence: I act morally. On the contrary says the critical philosopher, insofar as I act morally I strive immediately for the absolute identity of my essence, and thereby mediately also for the identity of the objective and subjective in me, for bliss. Still, in both systems morality and happiness are two different principles, which I can unite only synthetically (as ground and consequence)** only as long as I am still approaching the ultimate goal, the absolute thesis. If I should ever reach it, then the two lines on which the infinite progressus runs, morality and happiness, would meet in one point; they would cease to be morality and happiness, that is, two different principles. They would be united in one principle which must, therefore be higher than the principle either of absolute being or of absolute beatitude. [329] If both systems strive for the perfecting of human knowledge by one absolute principle, this must be the point of agreement between both systems. For if all controversy ceases in the absolute, the controversy between different systems must cease in it too, or rather all systems must terminate in it; they must vanish in it as contradictory systems. If dogmatism is the system that turns the absolute into an object, then it necessarily terminates where the subject ceases to be subject, that is, ceases to be opposed to the object. The original opposition between the two principles of dogmatism and criticism has always been revealed in the particular systems of philosophy. But the point of agreement between the two opposite fundamental systems has not always been grasped. Having grasped it in the result of our abstract investigation, we can now descend to those particular systems; they will confirm our result.

He who has reflected upon Stoicism and Epicureanism, the two most opposite moral systems, has readily found that both meet in the same ultimate goal. The Stoic who strove for independence from the power of objects strove just as much for beatitude as the Epicurean who thrust himself into the arms of the world. One made himself independent of sensuous needs by satisfying none, the other by satisfying all of them. The one sought to attain the ultimate end—absolute beatitude — metaphysically, by way of abstraction from all sensuality; the other physically, by complete satisfaction of sensuality. But the Epicurean turned metaphysicist because his task of gaining bliss by successive satisfaction of single needs was infinte. The Stoic turned physicist because his abstraction from all sensuality could come to pass only gradually, in time. The one wanted to reach the ultimate goal by regressus, the other by progressus. Still, both of them were striving for the same end, the end of absolute beatitude and total contentment.

[330] He who has reflected upon idealism and realism, the two most opposite theoretical systems, has found by himself that both can come to pass only in the approach to the absolute, yet that both must unite in the absolute, that is, must cease as opposite systems. One used to say that God intuits the things in themselves. If this were to signify anything reasonable, it would mean that in God is the most perfect realism. Yet realism, conceived in its perfection, necessarily and just because it is perfect realism, becomes idealism. For perfect realism comes to pass only where the objects cease to be objects, that is, appearances, opposed to the subject—in short, only where the representation is identical with the represented objects, hence where subject and object are absolutely identical. Therefore that realism in the deity by which it intuits the things in themselves is nothing else than the most perfect idealism, by which the deity intuits nothing but itself and its own reality. Both idealism and realism are subdivided into objective and subjective. Objective realism is subjective idealism, and objective idealism is subjective realism. This distinction must disappear as soon as the contradiction disappears between subject and object, as soon as I do not posit as merely ideal in myself that which I posit as real in the object, and as merely ideal in the object that which I posit as real in myself, in short, as soon as object and subject are identical.*

He who has reflected upon freedom and necessity has found for himself that these two principles must be united in the absolute: [331] freedom, because the absolute acts by unconditional autonomy [Selbstmacht], and necessity, because it acts only according to the laws of its own being, the inner necessity of its essence. In the absolute there is no longer any will that could have reality independently of those acts. Absolute freedom and absolute necessity are identical.**

Thus it is confirmed throughout that all contesting principles are unified and all contradicting systems become identical as soon as one rises to the absolute. All the more urgent becomes your question, Wherein does criticism excel dogmatism, if both meet anyway in the same ultimate goal, in the last aim of all philosophizing?

Still, my dear friend, is not your question answered already in that very result? Or does that result not yield quite naturally this further conclusion, that in order to differ from dogmatism criticism must not proceed along with dogmatism as far as the attainment of the ultimate goal. Dogmatism and criticism can hold their own as contradicting systems only while approaching the ultimate goal. On this very account, criticism must regard the ultimate goal merely as the object of an endless task. Criticism itself necessarily turns into dogmatism as soon as it sets up the ultimate goal as realized (in an object), or as realizable (at any particular time).

The absolute, if represented as realized (as existing), becomes objective; it becomes an object of knowledge and [332] therewith ceases to be an object of freedom. And nothing is left for the finite subject but to annihilate itself as subject in order to become identical, through such self-annihilation, with that object. Philosophy is abandoned to all the horrors of ecstasy [Schwarmerei].

And if criticism represents the ultimate goal as realizable, then, though it does not set up the absolute as an object of knowledge, yet it must leave a free hand to the faculty of imagination, which always anticipates actuality [Wirklichkeit], and which, standing halfway between the cognitive and the realizing faculty, takes a hand at the point where cognition ceases and realization has not yet begun. The faculty of imagination,* in order to represent the absolute as realizable, must now represent it as realized, thus lapsing into the same enthusiasm [Schwarmerei] which produces the apparent mysticism.

Criticism, therefore, differs from dogmatism, not in the ultimate goal which both of them set up, but in the approach to it, in the realization of it, in the spirit of criticism’s own practical postulates. And philosophy inquires into the ultimate aim of our human vocation only in order to be able to answer the much more urgent question as to our vocation [Bestimmung] itself. Only the immanent use which we [333] make of the principle of the absolute in practical philosophy for the knowledge of our vocation gives us the right to proceed unto the absolute. In this matter of the ultimate end, even dogmatism, by its practical intention, is distinguished from blind dogmaticism, which uses the absolute as a constitutive principle for our knowledge, while dogmatism uses it merely as a constitutive principle for our vocation.

How do the two systems differ in the spirit of their practical postulates? This, dear friend, is the question from which I started and to which I now return. And this is the result of this whole investigation: quite like criticism, dogmatism cannot attain the absolute as an object through theoretical knowledge, because an absolute object tolerates no subject beside it, and theoretical philosophy is based upon the very conflict between subject and object. Therefore nothing is left for both systems except to make the absolute, which could not be an object of knowledge, an object of action, or, to demand the action by which the absolute is realized.* In this necessary action both systems unite.

[334] This action as such, therefore, cannot in turn distinguish dogmatism from criticism. They can differ only in the spirit of the action and only insofar as this spirit demands the realization of the absolute as an object. Now, I cannot realize any objective causality without abrogating, in turn, a subjective causality. I cannot posit any activity in the object without positing passivity in myself. What I convey to the object I take away from myself, and vice versa. All these are propositions which can be proved most rigorously in philosophy, and of which everyone can give illustrations in the most common (moral) experience.

Consequently, if I presuppose the absolute as object of my knowledge, it exists independently of my causality, that is, I exist as dependent on its causality. Its causality annihilates mine. Whither shall I flee from its power? Only by assuming absolute passivity in myself is it possible to take for real an absolute activity of an object, but then all the horros of enthusiasm befall me.

In dogmatism my vocation [Bestimmung] is to annihilate all free causality in me; to let absolute causality act in me, but not to act myself; to narrow more and more the limits of my freedom in order more and more to widen those of the objective world; in short, my destiny is the utmost unlimited passivity. While dogmatism solves the theoretical conflict between subject and object by [335] demanding that the subject cease to be subject for the absolute object, that is, that it cease to be something [implicitly or explicitly] opposed to it,’ criticism on the other hand must solve the conflict of theoretical philosophy by the practical demand that the absolute cease to be object for me. This demand I can fulfill only through an infinite striving toward the realization of the absolute in myself, only through unlimited activity. Now, every subjective causality does away with an objective one. Whereas I determine myself through autonomy, I determine objects through heteronomy. In positing activity in myself, I posit passivity in the object. The more subjective, the less objective!

Hence, if I posit all in the subject, I thus deny all of the object. Absolute causality in me does away with all objective causality as objective for me. In widening the limits of my world, I narrow those of the objective world. If my world as mine no longer had any limits, then all objective causality as such would be annihilated for me (by mine).* I should be absolute. However, criticism would deteriorate into is if it should represent this ultimate goal as attainable at all (even though not as attained). Therefore it makes a mere practical use of the idea for the determination of the moral being. If criticism stops there, it is certain to be eternally distinct from dogmatism. In criticism, my vocation is to strive for immutable selfhood, unconditional freedom, unlimited activity. Bel is the supreme demand of criticism.**

(…)

Let us rejoice in the conviction of having advanced to the last great problem to which any philosophy can advance. We feel freer in our spirit if we now return from the state of speculation to the enjoyment and exploration of nature without fear that an ever recurring anxiety of our unsatisfied spirit might lead us hack into that unnatural state. The ideas to which our speculation has risen cease to be objects of an idle occupation that tires our spirit all too soon; they become the law of our life, and, as they themselves change into life and existence and become objects of experience, they free us forever from the painful enterprise of ascertaining their reality by way of speculation a priori.

We shall not complain, but be glad finally to have reached the crossroad where the parting of our ways is unavoidable, glad to have penetrated the mystery of our spirit, by virtue of which the just becomes free by himself, while the unjust trembles by himself in fear of a justice which he did not find in himself and had to assign to another world, to the hands of an avenging judge. Henceforth, the wise man will never have recourse to mysteries wherein to hide his principles from profane eye . It is a crime against humanity to hide principles which are universally comunicable. But nature herself has set bounds to this communicability. For the worthy she has reserved a philosophy that becomes esoteric by itself because it cannot be learned, recited like a litany, feigned, nor contained in dead words which secret enemies or spies might pick up) This philosophy is a symbol for the union of free spirits, a symbol by which they all recognize each other, and one that they need not hide, since for them alone it is intelligible, whereas for others it will be an eternal riddle.»
.
- Schelling, “The Unconditional in Human Knowledge”, 9th and 10th letters, p.186-196.

When seeing too concretely means not seeing at all

As early as March 1796, Schelling pointed out the fundamental mistake of a theology or philosophy that

«…takes refuge in a God outside everything that exists, a God the idea of whom is nothing but a composite of general abstractions»

«This idea (to which Christianity lent its countenance owing to and in contrast with the Christian habit of seeing things very concretely) got such a hold of men’s minds that they could no longer understand the ancient philosophers, Plato and Aristotle, nor the later ones, Descartes (who already had a few predecessors among the Scholastics), his pupil Spinoza, Malebranche, and still later the best interpreter of Spinoza, Jacobi, and finally Kant.»

- Schelling (1775-1854), letter to Obereit, 12 March 1796.

L’Εחfaחt Saυνage


“L’Εחfaחt Saυνage” (1970) avec Jean-Pierre Cargol. Βased οn a real life case, recοrded in Jean-Μarc Gaspard Ιtard’s “Μemοire et Rappοrt sυr Victοr de L’Ανeyrοn, The WiΙd ChiΙd” (1806). Françοis Trυffaυt himseΙf plays Dr. Jean Ιtard.

«Doctor, I know he doesn’t understand us, but can he hear us?

He hears us but he doesn’t listen, just as he sees without looking.

We’ll teach him to look and to listen. (…)

In the village, I’ve seen him turn around when a nut was cracked behind him.

Write this: “Indifferent to loud noises whereas he turns around when a nut is cracked behind him. (…)

“He often turns when someone speaks behind him.

Oh!

As if he placed the sound. Especially the sound “O”. (…) We have agreed to exercise his attentiveness to the sound of “O”. (…)

I must awaken his hearing, which is understandably dull. Before, his ears served only to alert him to falling fruit or the approach of a dangerous animal.»

«Look at him, Madame Guêrin. This morning I moved the objects.

Have you noticed, Doctor? He has a passion for order.

That proves his memory can be trained. (…)

I shouldn’t have neglected his natural inclination for order. (…)

«When he succeeds, I reward him. When he fails, I punish him. Yet I can’t say I have inspired a sense of justice in him. He obeys me and corrects himself out of fear or hope of reward and not out of a sense of moral order. To obtain less ambiguous results, I must do an abominable thing. I will test Victor’s heart with a flagrant piece of injustice by punishing him for no reason
after he succeeds right before my eyes. By putting him forcibly in the dark closet, I shall administrate punishment as odious as it is unjust precisely to see if his reaction is one of rebellion. (…) To the closet! Go, Victor! Go! Go, Victor! You’re right. You’re right to rebel. I wish that my pupil could have understood me at this moment. I would have told him that his bite filled my soul with joy. How could I rejoice half-heartedly? I had evidence that what is just and unjust was no longer alien to Victor’s heart. By provoking the sentiment, I had elevated the savage man to the stature of a moral being by the most noble of his attributes.»

I want to avoid Victor making each arrangement by memory, and I achieve this by constantly
changing the drawings around.»

«For the present his emotions appear unaffected. Despite the ill-treatment he endured
at the institute, no one ever saw him cry.
- Doctor, it’s hot enough. I couldn’t stand it.
- He can. You should’ve seen him pick up glowing embers with his fingers.
- I’m afraid he’ll melt like a piece of sugar.
- I want to soften him up. What he’ll lose in strength he’ll gain in sensitivity. (…)

- It’s the first time I’ve seen him sneeze.
- Me too.
- It must be the first time. Look how frightened he is. (…)

- What’s wrong? He’s exhausted.
- Doctor, his nose is bleeding. (…) You make him study from morning to night. You turn his only pleasure into exercises. His meals, his walks, everything. You want him to catch up
in one fell swoop. He works ten times more than a normal child. (…)

Today, for the first time, Victor wept.»

«Nothing gives him more joy than to roam in the countryside. (…) It is curious and moving to see the joy in his eyes at the sight of hills and woods. The windows barely seem wide enough for his eager gaze. (…)

Victor has always shown a marked preference for water and the way he drinks it shows he finds great pleasure in it. He stands by the window gazing upon the countryside as if in this delectable moment this child of nature sought to reunite the two blessings to survive his loss of freedom – a drink of pure water, the sight of sunlight on the countryside. (…)

For an interminable moment I thought what I’d dreaded since Victor came to live with us had happened. That his fancy for the freedom of the fields had prevailed over his newfound needs
and burgeoning affection. (…)

I can affirm to His Excellency he had full use of his senses. He furnished constant proof
of attention and memory. He could compare, discern and judge, and apply his understanding
to objects used in his instruction. This child of the woods endured the confinement of apartments and all the happy changes came about in nine months. (…)

My boy has come home all by himself!»

Il faut la recherche

«PLACE DU CHÂTELET – L’INCONNU – NANA FAIT DE LA PHILOSOPHIE SANS LE SAVOIR

(…)

-          Nana : C’est drôle, tout à coup je ne sais pas quoi dire. Ça m’arrive très souvent. Je sais ce que je veux dire. Je réfléchis avant de le dire pour savoir si c’est bien ça qu’il faut dire, mais au moment de le dire, pouf, je ne suis plus capable de le dire.
-          Le philosophe : Oui, évidemment. Écoutez, vous avez lu “Les Trois Mousquetaires”?
-          Nana : Non, mais j’ai vu le film. Pourquoi ?
-          Le philosophe : Parce que, vous voyez, il y a là-bas Porthos – d’ailleurs c’est pas dans “Les Trois Mousquetaires”, c’est dans “Vingt Ans Après” – Porthos le grand, le fort, un peu bête, il n’a jamais pensé de sa vie, vous comprenez? Alors une fois, il faut qu’il mette une bombe dans un souterrain pour la faire éclater. Il le fait, il place sa bombe, il allume la mèche et puis il se sauve, naturellement. Et en courant, tout à coup, il se met à penser. Il pense à quoi? Il se demande comment il est possible qu’il puisse mettre un pied devant l’autre – ça vous est arrivé aussi, sans doute. Alors il s’arrête de courir, de marcher, il n’peut plus, il n’peut plus avancer. Tout explose, le souterrain lui tombe dessus, il le retient avec ses épaules, il est assez fort. Mais finalement, au bout d’un jour, deux jours, je n’sais pas, il est écrasé, il meurt. En somme, la première fois qu’il a pensé il en est mort.
-          Nana : Pourquoi vous me racontez des histoires comme ça?
-          Le philosophe : Comme ça, un peu pour parler.
-          Nana : Mais pourquoi est-ce qu’il faut toujours parler ? Moi, je trouve que très souvent on devrait se taire, vivre en silence. Plus on parle, plus les mots ne veulent rien dire…
-          Le philosophe : Peut-être, mais est-ce qu’on peut ?
-          Nana : Je n’sais pas, moi.
-          Le philosophe : J’ai toujours été frappé par ceci, c’est qu’on ne peut pas vivre sans parler.
-          Nana : Pourtant, ça serait incroyable de vivre sans parler.
-          Le philosophe : Oui, ça serait beau, hein ? Ça serait beau, c’est comme si on s’aimerait plus. Seulement c’est pas possible. On n’y est jamais arrivé.
-          Nana : Mais pourquoi ? Les mots devraient exprimer exactement ce qu’on veut dire. Est-ce qu’ils nous trahissent ?
-          Le philosophe : Il y a ça, mais nous nous les trahissons aussi. On doit pouvoir arriver à dire ce qu’on a à dire puisque qu’on arrive à bien écrire. Enfin, c’est tout de même extraordinaire qu’un bonhomme comme Platon, qu’on puisse encore tout de même le com… Mais c’est vrai qu’on le comprend ! On peut le comprendre ! Et pourtant, il a écrit en grec il y a 2500 ans. Enfin, personne ne sait plus la langue de cette époque-là, c’est pas vrai on ne sait plus exactement. Pourtant il en passe quelque chose, donc on doit arriver à bien s’exprimer. Et il le faut.
-          Nana : Et pourquoi faut-il s’exprimer ? Pour se comprendre ?
-          Le philosophe : Il faut qu’on pense, pour penser il faut parler, on ne pense pas autrement, et pour communiquer il faut parler, c’est la vie humaine.
-          Nana : Oui, mais en même temps c’est très difficile. Moi, je trouve que la vie devrait être facile, au contraire. Vous voyez votre histoire des “Trois Mousquetaires”, c’est peut être très très beau, mais c’est terrible.
-          Le philosophe : C’est terrible oui, mais c’est une indication. Je crois qu’on arrive à bien parler que quand on a renoncé à la vie pendant un certain temps, c’est presque le prix.
-          Nana : Mais l’art de parler, c’est mortel.
-          Le philosophe : Oui mais parler c’est presque une résurrection par rapport à la vie, en ce sens que quand on parle c’est une autre vie que quand on n’parle pas, vous comprenez ? Et alors pour vivre en parlant, il faut avoir passé par la mort de la vie sans parler, vous voyez ? Je ne sais pas si je m’explique bien, mais il y a une sorte d’ascèse en somme qui fait qu’on ne peut bien parler que quand on regarde la vie avec détachement.
-          Nana : Pourtant la vie de tous les jours, on ne peut pas la vivre avec, je n’sais pas moi, avec…
-          Le philosophe : Avec détachement ! Oui, mais alors on balance justement, c’est pour ça que l’on va du silence à la parole. On balance entre les deux parce que c’est le mouvement de la vie qui est qu’on est dans la vie quotidienne et puis on s’en élève vers une vie, appelons-la supérieure, c’est pas bête de le dire parce que c’est la vie avec la pensée. Mais cette vie avec la pensée suppose qu’on a tué la vie trop quotidienne, la vie trop élémentaire.
-          Nana : Oui, mais est-ce que penser et parler, c’est pareil ?
-          Le philosophe : Je le crois, je le crois. C’était dit dans Platon, remarquez. C’est une vieille idée. Mais je crois qu’on ne peut pas distinguer dans la pensée ce qui serait la pensée et les mots pour l’exprimer. Analysez la conscience, vous n’arriverez pas à saisir autrement que par des mots un moment de pensée.
-          Nana : Parler alors c’est un peu risquer de mentir.
-          Le philosophe : Oui, parce que le mensonge, c’est un des moyens de la recherche, je crois. Il y a peu de différence entre l’erreur et le mensonge.
-          Nana : Oui, mais comment…
-          Le philosophe : Naturellement nous ne parlons pas du mensonge cru, ordinaire, qui fait que je vais vous dire “Je viendrai demain à cinq heures” et puis je ne viens pas parce que je n’ai pas voulu venir demain à cinq heures. Vous comprenez, ça c’est des trucs… Mais le mensonge subtil, c’est souvent très peu distinct d’une erreur, quelque chose on cherche et puis on ne trouve pas le mot juste. Et c’est ce que vous disiez tout a l’heure, c’est pour cela que ça vous arrivait de ne plus savoir quoi dire, c’est parce que, à ce moment-là, vous aviez peur de ne pas trouver le mot juste, moi je crois que c’est ça.
-          Nana : Oui, mais comment être sûr d’avoir trouvé le mot juste ?
-          Le philosophe : Ben, il faut travailler. Ca ne vient qu’à la force. Dire ce qui faut de façon à ce que ce soit juste, c’est-à-dire que ça ne blesse pas, que ça dise ce qu’il faut dire, que ça fasse ce qu’il faut que ça fasse, sans blesser, sans meurtrir.
-          Nana : Oui, il faut un peu essayer d’être de bonne foi. Une fois quelqu’un m’a dit : la vérité est dans tout, et même un peu dans l’erreur.
-          Le philosophe : C’est vrai, c’est vrai, c’est ce qu’on n’a pas vu tout de suite en France, je crois, au XVIIème siècle, quand on a cru qu’on pouvait éviter l’erreur, notamment le mensonge, mais l’erreur, qu’on pouvait vivre dans la vérité, comme ça, directement, je crois que c’est pas possible. Pourquoi il y a eu Kant, il y a eu Hegel, la philosophie allemande ? C’est pour nous ramener dans la vie, à savoir nous faire accepter qu’il faut passer par l’erreur pour arriver à la vérité.
-          Nana : Et qu’est ce que vous pensez de l’amour ?
-          Le philosophe : Il a fallu qu’on introduise le corps, et vous n’avez qu’à voir, Leibniz a introduit le contingent, les vérités contingentes à coté des vérités nécessaires, c’est la vie quotidienne, et de plus en plus voilà ce qui s’est développé dans la philosophie allemande, c’est-à-dire on pense dans la vie avec les servitudes de la vie, les erreurs de la vie, et puis faut se débrouiller avec ça. C’est vrai.
-          Nana : Est-ce que l’amour ne devrait pas être la seule chose vraie ?
-          Le philosophe : Oui mais il faudrait que l’amour soit toujours vrai, or est-ce que vous connaissez quelqu’un vous qui sait tout de suite ce qu’il aime ? C’est pas vrai. Quand vous avez vingt ans, vous ne savez pas ce que vous aimez. Vous savez des bribes, vous attrapez, par exemple, dans votre expérience, vous dites j’aime ceci, c’est souvent mélangé. Mais pour arriver à vous constituer entièrement avec simplement ce que vous aimez, il faut la maturité, c’est-à-dire il faut la recherche, c’est ça la vérité de la vie. C’est pourquoi l’amour est une solution, mais à la condition qu’il soit vrai.»

- “Vivre Sa Vie: Film en douze tableaux”, Jean-Luc Godard, 1962.

De la nobleza y excelencia del sexo femenino

Para melhor entender este texto, é necessário um entendimento não sexista em geral e não feminista em particular, mas antes hermafrodita, sem o qual será apenas di-vertido.

———————————————————————————————

«La mía es una tesis inaudita, pero en modo alguno contraria a la verdad, que concierne a la nobleza y aún más, a la excelencia del sexo femenino, y esta tesis la he abordado con audacia y sin pudor, aunque no sin cierto temor habida cuenta de mis posibilidades.
Debo confesar que en más de una ocasión y en mi fuero interno mi audacia tuvo que combatir contra mis escrúpulos. Pues si querer abrazar, en un único discurso, los innumerables méritos de las mujeres, sus virtudes y su absoluta superioridad es un plan enteramente ambicioso y audaz, pretender acordarles, además, la preeminencia sobre los hombres ya es completamente chocante, colmo de la vergüenza y cosa propia, al parecer, de espíritus afeminados; quizás por esta razón tan pocos autores se aventuraron a dejar por escrito la alabanza de las mujeres y que entre ellos ni uno solo, hasta el día de hoy, se haya atrevido a afirmar su superioridad sobre los hombres.

Mas yo entiendo que es injusto y sacrílego pasar en silencio por encima de una verdad tan obvia y que a un sexo tan noble le sean negadas las alabanzas que merece defraudando de este modo sus méritos y su gloria. Y a pesar de las dudas y los sentimientos contradictorios que me llenaban de ansiedad, el temor de ser tan injusto como sacrílego triunfó sobre mis escrúpulos dándome suficiente audacia como para coger la pluma, pues temí ser más audaz aún si guardaba silencio. Interpreté como un presagio feliz que el cielo me hubiera reservado para una empresa tal, empresa negligida hasta aquel momento por la turba de los sabios.

Por tanto, voy a revelar la gloria de la mujer sin ocultar la consideración que merece y, lejos de ruborizarme por haber abordado un tema así, otorgando mi preferencia a las mujeres por encima de los hombres y, lejos de pensar que por ello deba ser vituperado, apenas me atrevería a pedir perdón por haber tratado de un asunto tan noble haciendo uso de un estilo más modesto del conveniente si no tuviera como excusas el poco tiempo de que disponía, la dificultad del tema, la justeza de la causa y el hecho de que ni la adulación ni la lisonja me han empujado a esta empresa; estas circunstancias explican que haya preferido presentar mis palabras de alabanza no a través de imagenes hábiles o ficciones encantadoras, sino ofreciendo mi tesis en sí misma, fundamentándola sobre la razón, la autoridad, los ejemplos y los testimonios que se extraen de las Santas Escrituras y de los dos derechos.

A ti, serenísima Margarita, ofrezco la obra que a ti fue consagrada y prometida; a ti, que por nobleza de nacimiento, esplendor de virtudes, gloria de elevados hechos, no tienes parangón en el mundo todo entre tus más ilustres contemporáneos esclarecidos por Apolo, Diana, el Día, la Aurora y Vulcano, esas cinco divinidades; a ti, que has sido exaltada con un tal cúmulo de virtudes que, por tu vida y costumbres, superas todas las alabanzas dirigidas al sexo femenino, de quien tú eres ejemplo vivo e irrefutable testimonio. A ti, pues, ofrezco esta obra para que, como un Sol, hagas brillar de forma deslumbrante el honor y la gloria de este sexo que es el tuyo.

Salud y dicha a ti, y entre todas las mujeres más ilustres y de más elevados linajes a ti el honor, la gloria y la absoluta perfección. (…)

Si dejamos aparte el alma de esencia divina y entramos en todo cuanto constituye el ser humano, deberemos reconocer que la ilustre especie femenina es infinitamente superior, me atrevería a decir, a la burda gente masculina. (…)

La mujer ha sido creada tan superior al hombre como superior es el nombre que ha recibido. Pues mientras Adán significa tierra, Eva debiera traducirse como vida ; en este sentido, tan superior es la vida sobre la tierra como la mujer es superior al hombre. (…)

Prosigamos ahora nuestro discurso: si consideramos la materia de su creación, la mujer es superior al hombre, pues su creación no exigió una materia inanimada o un limo vil, sino una materia purificada, dotada de alma y vida, esto es, un alma razonable, partícipe de la divina inteligencia. A esto cabe añadir que Dios creó al hombre tomando una tierra que, por su propia naturaleza y mediando la influencia celeste, produce animales de toda especie, sin embargo a la mujer la creó Dios mismo, al margen de toda influencia celeste y de toda acción espontánea de la naturaleza, sin contribución de fuerza alguna; y si en ella se descubre una cohesion absoluta, entera y perfecta, veremos que el hombre tuvo que perder la costilla que sirvió para crear a la mujer, Eva. Y esto aconteció durante el sueño de Adán, sueño tan profundo que ni siquiera notó que le había sido sacada una costilla, costilla que Dios sacó del hombre para dársela a la mujer. En consecuencia, si el hombre es una obra de la naturaleza, la mujer es una creación de Dios. Y cabe decir que, generalmente, la mujer es más visitada por el esplendor divino que el hombre y que con frecuencia es más colmada del mismo, como se puede constatar si consideramos su primor y extraordinaria belleza. (…)

En primer lugar, sabemos con certeza que Dios bendijo al hombre a causa de la mujer, como si el hombre hubiese sido juzgado indigno de recibir la bendición antes de que la mujer fuera creada. Éste es el sentido del proverbio de Salomón: Aquél que halla una buena mujer halla la dicha, es una gracia que ha recibido del Señor , y del pasaje del Eclesiástico: feliz el esposo cuya mujer es buena, doblado será el número de sus años . Ningún hombre podrá ser comparado en dignidad al que haya sido hallado digno de tener una buena mujer, que es, como dice el Eclesiástico: una gracia que supera toda gracia . Por eso Salomón, en los Proverbios, la llama corona del hombre y, Pablo, gloria del hombre . Mas la gloria es, por definición, el cumplimiento y el punto de perfección del ser que preservera en su ser y se deleita en su fin cuando ya nada le puede ser añadido para aumentar su perfección. La mujer es, por tanto, el cumplimiento, la perfección, la bondad, la bendición y la gloria del hombre y, según Agustín, la primera compañía del género humano en su condición mortal. Por eso todo hombre la debe amar necesariamente, pues aquél que no la ame, aquél que muestre odio hacia ella, no sólo queda excluido de todas las virtudes y de todas las gracias sino que incluso queda despojado de su caracter humano.

Tal vez convendría mencionar aquí los misterios de la Cábala, que explican cómo Abraam, tras haber obtenido la bendición de Dios a causa de su mujer Sarah, fue llamado Abraham, diciéndonos que la letra “h” añadida al nombre del hombre fue tomada del nombre de la mujer ; asimismo nos dicen que la bendición vino a Jacob de una mujer, su madre, que la había adquirido . En las santas escrituras abundan pasajes similares a estos, pero no es este el lugar apropiado para desarrollarlos. Así pues, la bendición fue dada a causa de la mujer, y la ley a causa del hombre, y fue ésta una ley de cólera y maldición, pues fue al hombre a quien había sido prohibido comer del fruto del árbol y no a la mujer: fue el hombre quien trajo la muerte, no la mujer. Y todos nosotros hemos pecado en Adan, no en Eva, y soportamos la carga del pecado original no por la falta de nuestra madre, que es mujer, sino por la de nuestro padre, que es hombre. Y por eso la antigua ley ordenaba la circuncisión en los machos y advertía que se dejara a las mujeres sin circuncidar , pues, sin duda, la intención era castigar el pecado original en el sexo que había pecado. Diré además que Dios no castigó a la mujer por haber comido, sino por haber dado ocasión al hombre de hacer el mal, cosa que ella hizo por ignorancia e impulsada por la tentación del diablo. Así pues, el hombre pecó con completo conocimiento, mientras que la mujer cayó en el error por ignorancia y porque fue engañada.

Ella fue la primera a quien tentó el diablo, pues sabía que era la más excelente entre todas las criaturas, y por eso, según palabras de Bernardo, el diablo, viendo su admirable belleza y entendiendo que era tal y como la había conocido ante la luz divina, cuando por encima de todos los ángeles ella gozaba de la conversación de Dios, tomó a la mujer, en razón de su excelencia, como único objeto de celos.

Por eso Cristo, que nace a nuestro mundo en la más gran humildad para expiar por medio de esa humildad el pecado del primer padre, tomó el sexo masculino, más humilde, y no el sexo femenino, más elevado y noble. (…)

Añadiremos a este testimonio un privilegio natural entre los animales: el hecho de que el rey de todos los animales y el más noble de entre ellos, el águila, siempre es hembra y jamás es macho. Los egipcios nos han contado por su parte que no existía más que un fénix y que era hembra. Por el contrario, la serpiente “reyezuelo”, llamada basilisco, la más funesta de todas las serpientes venenosas, siempre es macho y jamás puede nacer como hembra.
Cabe decir además que la excelencia, la bondad y la inocencia del sexo femenino pueden ser ampliamente demostradas por el hecho de que los hombres son el origen de todos los males, lo cual puede decirse muy rara vez de las mujeres. (…)

En efecto, sólo los malos maridos tienen malas mujeres pues, por buenas que sean, se corrompen por los defectos de sus maridos. Si a las mujeres les hubiera estado permitido hacer leyes y escribir relatos históricos, piensa en la cantidad de tragedias que hubieran podido escribir sobre la maldad inconmensurable de los hombres, entre los que encontraríamos una turba de homicidas, ladrones, raptores, falsarios, incendiarios, traidores. Incluso en tiempos de Josué y del rey David los hombres cometían sus latrocinios en grupos tan numerosos que siempre había entre ellos jefes de banda, de los que aun hoy podemos encontrar en buen número. Y, asimismo, todas las prisiones están llenas de hombres, y los patíbulos rebosan por todas partes cadáveres de hombre.

Por el contrario, las mujeres han inventado todas las artes liberales, y cada virtud, y cada beneficio, como lo muestran inmejorablemente los nombres femeninos de estas artes y de estas virtudes. (…)

En cuanto a Abraham, por más que la escritura lo haya llamado justo a causa de su fe, pues creyó en Dios, tuvo, sin embargo, que someterse a su esposa Sara, y recibió de la voz de Dios la siguiente orden: Lo que te diga Sara, cumplelo en todas sus palabras . (…)

Mas, para que nadie dude que las mujeres tienen las mismas posibilidades que los hombres, demostrémoslo con ejemplos, y así descubriremos que no hay hazaña, sea cual sea el talento, realizada por los hombres que no haya sido llevada a cabo por las mujeres con igual brillo. (…) Salustio nos da a conocer a Sempronia y a la jurisconsulta Calpurnia, y si en nuestros días no se hubiese prohibido a las mujeres cultivarse, aún hoy mujeres muy instruídas pasarían por ser más inteligentes que los hombres.

¿Y qué decir del hecho de que las mujeres parece que sin dificultades superen naturalmente a los especialistas de todas las disciplinas? ¿No se jactan los gramáticos de ser los maestros del buen lenguaje? Pero ese buen lenguaje, ¿acaso no lo aprendemos más de nuestras nodrizas y madres que de los gramáticos? ¿No fue su madre, Cornelia, la que formó la notable elocuencia de los gracos? ¿No fue su madre quien enseño el griego a Sili, hijo del rey escita Aripito? Los niños nacidos en colonias extranjeras, ¿acaso no conservaron siempre su lengua materna? ¿Por qué razón Platón y Quintiliano recomendaron prestar tanto cuidado a la selección de una buena nodriza para los niños sino para que les enseñasen una lengua y una conversación correcta y distinguida?
Ocupémonos ahora de cuestiones frívolas y de las fábulas de los poetas, así como de las disputas palabreras de los dialécticos. ¿Acaso no los superan las mujeres en todos los terrenos? En ninguna parte existe un orador dotado con un talento tan grande que sea capaz de superar en persuasión a la última de las prostitutas. (…)

Así pues, los hechos que he citado para gloria de las mujeres son menos numerosos que los que he silenciado, pues no soy tan ambicioso como para pretender contener en un tratado tan pequeño toda la excelencia y todas las infinitas virtudes de las mujeres. Nadie es capaz de resumir las infinitas alabanzas que merecen las mujeres, ellas, que están en el origen de nuestro ser, ellas, que aseguran la conservación del género humano, el cual estaría sin ellas abocado a la pérdida, ellas, de quien depende toda familia y todo estado.
Todo esto no era ignorado por el fundador de Roma, el cual, careciendo de mujeres, no dudó en emprender una guerra sin cuartel contra los Sabinos a fin de raptar a todas sus hijas, pues sabía que un poder como el suyo estaba expuesto a un rápido fin sin la intervención de las mujeres. Cuando finalmente los Sabinos se apoderaron del Capitolio y una cruda batalla y sangrientos enfrentamientos se sucedían en el foro, las mujeres acudieron para interponerse entre los dos ejércitos poniendo fin al combate; finalmente hicieron la paz y concluyeron un tratado que marcó el principio de una perpetua amistad. Por esta razón Rómulo dió el nombre de las mujeres a las Curias y, con el convenio de los romanos, fue estipulado en los registros oficiales que la mujer no tuviera que moler ni cocinar, y que estuviera prohibido a la esposa y a su marido aceptar donaciones el uno del otro, pues todos sus bienes eran comunes. Y desde ese momento se siguió la costumbre de que el joven marido, cuando introducía a su esposa en la casa, le dijese: Dónde tú estás, yo soy, significando con ello: Dónde tú eres soberano, yo soy soberana. Tú eres el amo, yo la ama. (…)

Un texto legal dice: Una esposa resplandece con la gloria de su marido, hasta el punto de alcanzar el esplendor y el grado de dignidad de su esposo. Por eso la mujer de un emperador se llama emperatriz, la de un rey, reina, la de un príncipe, princesa, y será ilustre sea cual sea su nacimiento. (…)

Antiguos legisladores y teóricos del estado como Licurgo y Platón, hombres de peso por su sabiduría y enteramente competentes por su conocimiento, sabiendo, merced a los secretos de la filosofía, que las mujeres no son inferiores a los hombres ni por excelencia de espíritu, ni por fuerza fisica, ni por dignidad de la naturaleza, sino que por el contrario son tan aptas para todo como ellos, decidieron que las mujeres se ejercitaran con los hombres en la lucha, en la gimnasia y en todo lo concerniente a la formación militar, el arco, la honda, el lanzamiento de piedras, las flechas, en las justas de armas, tanto a caballo como a pie, y para saber disponer el campo, las líneas de batalla y para dirigir ejércitos: en resumen, sometieron a hombres y mujeres a idénticos ejercicios.

Si leemos a los historiadores antiguos dignos de crédito, descubriremos que en Getulia, entre los Bactrios, y en Galicia, era costumbre que los hombres se entregaran al ocio mientras las mujeres cultivaban la tierra, construían, comerciaban, montaban a caballo, combatían y, en definitiva, practicaban todas las actividades corrientes de los hombres de hoy. (…)

Pero en nuestros días, la excesiva tiranía de los hombres ha prevalecido sobre el derecho divino y las leyes naturales, y la libertad que fue otorgada a las mujeres les es prohibida por medio de leyes injustas, suprimida por la costumbre y el hábito, reducida a la nada por la educación. En efecto, apenas nace, la mujer es mantenida en el ocio y postergada en la casa desde sus primeros años y, como si fuera incapaz de funciones más importantes, no tiene más porvenir que la aguja y el hilo. Después, cuando alcanza la pubertad, se la entrega al celoso poder de un marido o se la encierra para siempre en un claustro de religiosas. Los cargos publicos les están prohibidos por la ley; ni tan sólo a las más prudentes de entre ellas les está permitido aplicar una acción de justicia. Son excluidas del ámbito de la justicia, de los juicios, de la adopción, del derecho de ser oposición, de la administración, del derecho de tutela, de los asuntos de sucesión y de los procesos criminales. Se las excluye también de la predicación de la palabra de Dios, contradiciendo con ello a la escritura, en la que el Espíritu Santo, por boca de Joel, les prometió: También vuestras hijas profetizarán , como sucedió efectivamente en los tiempos de los apóstoles, cuando enseñaban públicamente, como sabemos de Ana, esposa de Simeón , de las hijas de Felipe y de Priscila, esposa de Aquila.

Pero nuestros nuevos legisladores tienen tan mala fe que no tienen en cuenta el mandato de Dios, y han decretado según su propia tradición que las mujeres, antaño siempre consideradas como naturalmente eminentes y de una destacable nobleza, son de condición inferior a los hombres, como los vencidos ante los vencedores, y esto sin ninguna razón o necesidad natural o divina, sino tan sólo por presión de la costumbre, de la educación, del azar o de cualquier situación tiránica.

Otros se apoyan en la religión para ejercer su autoridad sobre las mujeres, y fundamentando su tiranía en las santas escrituras tienen constantemente en la boca la maldición dirigida a Eva: Estarás bajo el poder de tu marido y él te dominara . Si se les responde que Cristo ha puesto fin a esta maldición, objetarán invocando las palabras de Pedro y añadiendo las de Pablo: Que las mujeres estén sometidas a los hombres, que las mujeres estén calladas en la iglesia , pero quien conozca los diversos tropos de la escritura y sus diversos modos de expresión, verá facilmente que estas frases tan sólo se contradicen en apariencia. En efecto, hay un orden en la iglesia que coloca a los hombres por delante de las mujeres en lo concerniente al ministerio, así como los judíos han sido colocados antes que los griegos en lo concerniente a la promesa. Sin embargo, Dios no muestra ninguna preferencia por nadie, pues en Cristo no hay ni sexo masculino ni sexo femenino, sino una criatura nueva . A esto hay que añadir que muchas ofensas contra las mujeres han sido atribuidas a los hombres por su dureza de corazón , como por ejemplo los repudios que en otro tiempo les estuvieron permitidos a los judíos, pero estas ofensas no disimulan en modo alguno la dignidad de las mujeres, pues si sus maridos faltan a su deber o cometen una falta, las mujeres tienen poder para pedir un juicio que traiga la vergüenza sobre ellos. La Reina de Saba hubo de juzgar a los hombres de Jerusalén . Así pues, aquéllos que justificados por la fe se han hecho hijos de Abraham, es decir, hijos de la promesa , están bajo el poder de la mujer y sometidos al mandato que Dios dio a Abraham: “Sea lo que sea lo que te diga tu mujer Sara, obedece sus palabras” .

Ahora, para resumir lo dicho hasta ahora con la mayor brevedad posible, diré como conclusión que he mostrado la preeminencia del sexo femenino a partir de su nombre, orden, lugar y materia de su creación, y que la dignidad superior al hombre la ha recibido la mujer de Dios. He proseguido mi demostración apoyándome a la vez en la naturaleza, en las leyes humanas, en diversas autoridades, en diversos razonamientos y en diversos ejemplos. Sin embargo, por abundante que haya sido mi argumento, he dejado muchos puntos por tratar, pues lo que me ha movido a escribir no ha sido ni la ambición ni el deseo de hacerme valer, sino el deber de hacer honor a la verdad. Temía que guardando silencio me atormentase la sensación de haber cometido una suerte de sacrilegio por robar con un silencio impío las alabanzas que le son debidas a un sexo tan celoso de Dios, como si hubiese enterrado bajo tierra un tesoro que me ha sido confiado.

Si alguien, siendo más minucioso que yo, descubriese un argumento que yo no haya contemplado y juzgase que sería bueno añadirlo a esta obra, lo consideraré no como una acusación a mi obra, que es buena, sino como una contribución a la misma en la medida que la mejorará por su talento y su saber.

Y para que esta obra no acabe siendo un volumen demasiado grueso, he aquí su fin.»

- Cornelius Agrippa (1486-1535), “De la nobleza y excelencia del sexo femenino”

Bells are ringing


“Bells Are Ringing”, Lhasa de Sela

Bells are ringing
All through the drowned town
In the empty streets
And a hundred miles around

Bells are ringing
Birds are flying upside down
My heart has been lost
for too long

Bells are ringing
And ships will be leaving
This was my home
Nothing’s moving, nothing is breathing

Bells are ringing
Ringing me from sleep
My sleep was not restful
But my dreaming was deep

Bells are ringing
And we both know
There’s nothing left to do
But walk out there and go

You could lean your head down
And rest it on my knee
You could tell me a story
That does not end this way

Bells are ringing
and we both know
There’s nothing left to do
But walk out there and go.

Bells are ringing…

Talk as if words were sounds and matter

«Il faut confronter les idées vagues avec des images claires.»

«That’s where I understood the three basic inequalities of capitalism (…): no difference in intellectual and manual work, between town and country, (…) between farming and industry.

«Talk as if words were sounds and matter.

«Art doesn’t reproduce the visible. It makes visible. But the aesthetic effect is imaginary.
Yes, but the imaginary doesn’t reflect reality. It’s the reality of the reflection.

«For everything we see, we must consider three things: the position of the seeing eye, of the object seen and of the source of light. Perhaps reality hasn’t yet appeared to anyone. As for us… we demand the unity of politics and art. The unity of content and form, the unity of a revolutionary content. And… an artistic form as perfect as possible. Works lacking artistic value, no matter how politically advanced, are ineffective.

«I’m breaking with an attitude wide spread in the university, which is to consider the others, the ones we address, as mere receivers.

«- Now it seems to me that doing manual labour beforehand… helped me pass the exams.
- That helped you understand what I said, talking about philosophy?
- A little. In June… I think there’s a link. In June, I didn’t do anything physical and failed.
I think there’s a possible link.

«It’s not silence that scares me, but sound and fury.

- Script do filme “La Chinoise” de Godard.

C’est le petit livre rouge

“Mao Mao”, song by Claude Channes (Godard, “La Chinoise”,1968)

Le Vietnam brûle et moi je hurle Mao Mao
Johnson rigole et moi je vole Mao Mao
Le napalm coule et moi je roule Mao Mao
Les villes crèvent et moi je rêve Mao Mao
Les putains crient et moi je ris Mao Mao
Le riz est fou et moi je joue Mao Mao

C’est le petit livre rouge
Qui fait que tout enfin bouge

L’impérialisme dicte partout sa loi
La révolution n’est pas un dîner
La bombe A est un tigre en papier
Les masses sont les véritables héros

Les Ricains tuent et moi je mue Mao Mao
Les fous sont rois et moi je bois Mao Mao
Les bombes tonnent et moi je sonne Mao Mao
Les bébés fuient et moi je fuis Mao Mao
Les Russes mangent et moi je danse Mao Mao
Giap dénonce, je renonce Mao Mao

C’est le petit livre rouge
Qui fait que tout enfin bouge

La base de l’armée, c’est le soldat
Le vrai pouvoir est au bout du fusil
Les monstres seront tous anéantis
L’ennemi ne périt pas de lui-même

Mao Mao
Mao Mao
Mao Mao
Mao Mao

Rules for ordinary conversation

«In his essay “On Duties”, Cicero remarked that nobody, to his knowledge, had yet set down the rules for ordinary conversation, though many had done so for public speaking.

He had a shot at it himself, and quickly arrived at the sort of list that self-help authors have been echoing ever since.

The rules we learn from Cicero are these:

speak clearly;

speak easily but not too much, especially when others want their turn;

do not interrupt;

be courteous;

deal seriously with serious matters and gracefully with lighter ones;

never criticise people behind their backs;

stick to subjects of general interest;

do not talk about yourself;

and, above all, never lose your temper.»

- “The art of conversation“, The Economist, Dec 19th 2006.

Un système centré en l’ indétermination

«C’est donc le plan des images-mouvement.

Supposons, tiens je lui donne un nom : c’est le plan de consistance. Pourquoi ? Comme ça, on va voir qu’il se passe ensuite des choses. Qu’est ce qui peut se passer ? Je le garde mon plan. Passons à un mode lyrique. Je dirais de ce plan qu’il est l’ensemble de toutes possibilités. Hors de lui il n’y a rien. Il est l’ensemble de toutes possibilités. Je dirais aussi qu’il est la matière de toute réalité.
-  Il est l’ensemble de toutes possibilités, c’est à dire tout ce qui est possible est une image sur ce plan.
-  Il est la matière de toute réalité, à savoir tout ce qui agit et qui réagit et qui par la même est réel, est sur ce plan.

C’est en même temps qu’il est l’ensemble de toutes possibilités et la matière de toute réalité. Enfin, pour autant que la loi, et qu’on appelle loi, le rapport d’une action et d’une réaction, je dis qu’il est la forme de toute nécessité. Voilà que j’ai comme “chanté” ce plan : ensemble de toutes possibilités, matière de toutes réalité, forme de toutes nécessités.

Là, alors, pure association d’idées, ça me rappelle quelque chose. Vous ça pourrait vous rappeler autre chose, moi ça me rappelle quelque chose, uniquement parce que je suis prof de philosophie. Ça me rappelle quelque chose qui à première vue, n’a rien à voir. je me rappelle : On nous dit qu’il y a un cas où un même concept désigne l’ensemble du possible, la matière du réel et la forme du nécessaire.

-  Ce concept c’est le concept d’un être, en latin ens, “ce qui est”, “ens”, le concept d’un être tel que sa réalité ou son existence découle de sa possibilité et dans la mesure où elle découle de sa possibilité, en découle nécessairement.

-  Et cet être tel que son existence découle de sa possibilité et découlant de sa possibilité en découle nécessairement, c’est quoi ? C’est le concept de Dieu. Et les philosophes latins, ou ceux du moyen âge l’appelaient : Ens originanum, l’Etre originaire : Dieu. Bon. C’est bien ça. Mon plan matériel, c’est Dieu, c’est l’être originaire ! C’est bien. C’est bien parce que je n’ai plus besoin de Dieu, déjà. J’ai besoin d’un écran, je n’ai pas besoin de Dieu, j’ai besoin d’un écran.

-  Dieu c’est l’écran. C’est à dire que c’est mon plan de consistance. C’est l’Ens originarium, c’est à dire l’ensemble de toutes possibilités en tant que constituant le Tout de la réalité, et le constituant, le constitue nécessairement. L’unité du possible, du réel, et du nécessaire.

Voilà. Vous voyez ce plan. Pourquoi est ce que j’ai fait cette addition ? Pour vous faire sentir, par delà les mots, pour vous faire sentir que ce plan n’était pas une petite chose, mais était une chose grandiose. Que ce plan, constitué d’images-mouvement, agissant et variant les unes en fonction des autres, sur toutes leurs faces et dans toutes leurs parties, ce plan était à la lettre “..”, c’est à dire il était Dieu. Alors vous comprenez, si on me dit : est ce que tu crois en Dieu ? je réponds Oui ! Je crois qu’il y a un ensemble infini d’images variant les unes en fonction des autres, sur toutes leurs faces et dans toutes leurs parties, et à cet égard je me dis : “tiens je suis un pur spinoziste”. Tout ça est déjà très fatiguant. Alors je me dis : qu’est-ce qui peut se passer sur ce plan ? Du coup je ne l’appelle plus plan de consistance. Je barre consistance. Je m’étais trompé. Il faut l’appeler plan d’immanence. Il n’y a rien en dehors de ce plan, ce plan est partout, tout est sur ce plan. Vous, moi, la salle, le monde !

Il n’y a rien qui n’agisse sur rien, ou plutôt il n’y à rien qui n’agisse ou inter-agisse avec les autres points. On l’a dit tout le temps, les physiciens l’ont dit, chaque point de l’univers est en interaction. Bon les molécules, trés bien, ça m’est égal. C’était vous, sur le plan tout à l’heure, mais c’est aussi bien les molécules. Il n’y a qu’a vous transformer en molécules, en atomes. Je ne fais aucune différence d’échelle. J’en suis dans l’Être originaire. C’est une merveille ! On est en train de nager dans un plan d’immanence où les images que vous considérez, ce ne seront, de toutes manières des images. Vous me direz qu’une image ça se réfère à quelque chose. Pas au point où on en est. Ce n’est pas une image pour quelqu’un. Comment ce serait une image pour quelqu’un, vous “êtes” une image !

J’ai défini l’image par le plan, je ne l’ai pas défini par rapport à quelqu’un. Vous êtes une image, et si vous êtes composé d’atomes, les atomes, c’est des images. Bon, si je prends le système entier des atomes, je n’ai strictement rien à changer, c’est le même plan d’immanence. Un atome agit sur un autre atome. C’est deux images qui varient l’une en fonction de l’autre, en toutes leurs parties et sur toute leurs faces. Et qu’est-ce qu’on appelle un phénomène d’ondulation ?

-  L’ondulation c’est l’image-mouvement. L’ondulation c’est le véhicule de l’action, de l’interaction entre deux atomes, deux parties d’atomes, tout ce que vous voulez. Donc que ce soit vous, que ce ne soit pas vous, vous changez toutes les échelles, vous n’avez rien à changer de votre plan d’immanence défini comme être originaire, Ens originaire, c’est à dire le Dieu.

Question : inaudible J’ai fait une imprudence, j’ai été trop vite

Consistance, je m’étais trompé, où ça sera pour plus tard. Je m’étais trompé. C’est immanence, vous allez voir. Immanence il n’y a pas de contraire, il n’y aura jamais de transcendance, ou si peut-être . Ha si il va y en avoir. Mais ce sera hors du plan. C’est qu’il n’y a pas qu’un plan, vous comprenez. Il va y en avoir pour l’année. Donc vous rayer consistance.

C’est uniquement plan d’immanence, c’est Dieu, et nous reconnaissons ce Dieu là, et vous en faites partie, et même vos atomes. Vos atomes sont des dieux. Pourquoi est-ce que j’appelle ça Dieu ? je l’ai dit puisque c’est l’unité du possible du réel et du nécessaire, et que, là, si vous avez fait de la philosophie, tout le monde, n’importe qui, tout philosophe a toujours appelé Dieu :”l’unité du possible, du réel et du nécessaire, c’est à dire l’être tel que son existence, que sa réalité découle nécessairement de sa possibilité.
-  C’est même ce qu’on appelle en philosophie, je ne recule jamais l’occasion de vous apprendre quelque chose, la preuve ontologique de l’existence de Dieu, qui prend sa date et qui prend sa formulation parfaite avec le philosophe Descartes au dix-septième siècle.

Maintenant si vous voulez que je fasse une parenthèse et que je vous raconte la preuve ontologique de l’existence de Dieu, qui est imparable, qui vous fera croire à un autre Dieu, mais ça va me nuire. Non je ne peux pas le dire parce que si je vous apprend la vraie preuve de l’existence de Dieu, qui ne peut pas convenir au plan d’immanence, vous allez croire à l’autre Dieu. Or il ne faut pas !

Qu’est-ce qui peut arriver sur ce plan d’immanence ? il n’est rien d’autre que l’ensemble des images-mouvement en interaction. Plan d’immanence ou écran. Comme disait quelqu’un spirituellement , c’est l’écran total ! ça ne vous fait pas rire. Les filles savent ce que c’est l’écran total, mais les garçons…Qu’est-ce qui peut se passer. Là je retombe sur Bergson, mais d’une certaine manière ça y était déjà dans Bergson, chapitre un de “Matière et Mémoire”. Bergson n’emploie pas ce terme de plan d’immanence, il n’emploie pas le mot, mais peu importe. “Sur ce plan d’immanence, on doit bien constater qu’il y a certaines images particulières”. Attention, quand on fait de la philosophie on n’a pas le droit de changer les conditions d’un problème. Il nous dit : d’accord, sur ce plan d’immanence, il y a certaines images particulières. Bon. Il y a une chose dont il n’a pas le droit, à supposer qu’il y ait des images particulières, il n’aura pas le droit de les définir par d’autres termes que ceux qu’impliquent le plan d’immanence.

-  Or plan d’immanence implique uniquement : image, action, réaction. Ça forme un ensemble puisque les actions et les réactions ne se distinguent pas des images. Les images-mouvement sont l’ensemble des actions et réactions qu’elles exercent les unes sur les autres. C’est même par là qu’elles varient continuellement. Donc si je dis qu’il y a des images privilégiées, particulières, je n’ai pas le droit de dire tout d’un coup qu’elles ont une âme, ou qu’elle ont une conscience. Je ne sais pas ce que c’est que la conscience. Mon plan d’immanence n’implique pas la conscience. Comment je vais les définir ?

Bergson les définit d’une manière étonnante. Il nous dit : “ce sont des images qui présentent, uniquement entre les actions qu’elles subissent – de la part des autres images” – moi, image, je reçois des actions, des autres images, et j’ai des réactions sur les autres images. Action réaction. Image mouvement. Image-mouvement ça veut dire ensembles d’actions et de réactions. Et bien il y a des images très bizarres parce que, entre l’action qu’elles subissent, qu’elles reçoivent, et la réaction qu’elles exécutent, il y a quoi ? Justement il n’y a rien ! C’est à dire qu’il y a un intervalle. Il y a un intervalle!

Dans le cas des autres images vous avez, au contraire, voilà mon image – elle reçoit une action venue d’une autre image, et elle réagit. Une feuille d’arbre, le vent, le vent est une image. Le vent, la feuille d’arbre, la feuille d’arbre tombe, arrachée par le vent. Ou bien si elle tient, c’est en fonction d’une autre image, son pédoncule et elle bouge. La réaction s’enchaîne avec l’action. Là il y a des images très spéciales. Supposez qu’il y ait des images très spéciales. Elles reçoivent des actions et la réaction est à retardement. Vous voyez que je n’introduis rien de nouveau. J’introduis uniquement – et mon plan d’immanence me le permet – je me dis c’est curieux, il y a des intervalleles. J’introduis un intervalle, c’est à dire, à la lettre rien, entre une action et une réaction.

-  Il y a des intervalles, il y a certaines images telles que lorsqu’elles reçoivent une action, elles ne réagissent pas tout de suite. Il faut attendre. Voilà un nouveau concept : intervalle. Le plan d’immanence ne comprend pas seulement des images en actions et en réactions constantes et perpétuelles, ils comprend aussi des intervalles entre des actions et des réactions. C’est ces images spéciales – remarquez que du coup je fais une comparaison, je fais une parenthèse – ce que j’ai toujours aimé ici c’est la possibilité de parler à toutes sortes de publics simultanément – les uns laissent tomber lorsque ça ne les concerne plus.

Mais je pense à ceux qui sont philosophes.J’ouvre trés rapidement une parenthèse. On a toujours dit que Sartre, et Sartre lui-même n’a pas cessé d’attaquer trés violemment Bergson. Mais ce qui me frappe, c’est que ce n’est jamais comme les gens disent, parce que si vous prenez le début de “l’Etre et le Néant”, à mon avis c’est exactement la même chose que le premier chapitre de “Matière et Mémoire”. A un point très étonnant, car Sartre qu’est ce qu’il nous dit ? Sauf que je préfère la présentation bergsonienne à la présentation sartrienne.

Qu’est-ce qu’il nous dit, Sartre, au début de “l’Etre et le Néant”, il nous dit au début de ce beau livre, il y a le monde et ce monde je l’appelle l’en-soi. Là aussi on ne va pas discuter. Avant de savoir si c’est une bonne idée, il faut attendre, on va voir ce qu’il va en tirer. “Il y a l’en soi”. Et il dit : “et dans ce monde “en soi “qui ne m’a pas attendu pour exister, et qui a attendu personne pour exister dans ce monde “en soi”, il y a des sujets qui naissent. Et là Sartre fait surgir tout son appareil métaphorique à lui, là les concepts sont toujours en rapport avec des métaphores, des petites bulles montent à la surface. Les petites bulles vous avez dejà senti, c’est nous, c’est vous, c’est moi, les petites bulles qui montent dans l’”en soi”. Et ces petites bulles ça va être des sujets. Vous, moi, ou des consciences. Mais il ne se donne pas la conscience, Sartre. Il se donne des petites bulles. Alors cet “en soi” ça va être une espèce de marais à la Sartre, ce n’est pas un beau plan comme le mien, un plan bien sec, c’est une espèce de marais où il y a des bulles qui montent. Qu’est-ce que c’est, ces bulles ? Si il dit : c’est l’homme, tout est fichu. L’homme qu’est-ce que ça veut dire, l’homme quoi ? Il s’agit d’engendrer l’homme conceptuellement. Il emploie une expression parfaite, il dit que ce sont de petits lacs de non-êtres, de petits lacs de non-être qui viennent s’installer là, sur le plan.

C’est absolument, sous autre appareil métaphorique, c’est absolument l’histoire de Bergson. Son plan d’immanence avec des images variables qui agissent et réagissent sur toutes leurs faces et dans toutes leurs parties, et puis certaines images privilégiées qui se définissent uniquement par intervalle entre l’action subie et l’a reaction exécutée. Cet intervalle, cet écart, c’est l’équivalent des petits lacs de non-être. A la lettre, c’est du rien. Il se trouve que ce “rien”, il va faire quelque chose. Qu’est-ce qu’il va faire ? Il va faire trois choses. Je reprends. Là je mets toutes mes petites images, cette infinités d’images. Et puis, les images particulières, pour simplifier, j’en mets deux. bien J’ai le droit, encore une fois, de les avoir mis sur mon plan d’immanence puisque rien, je n’introduis que un écart entre une action et une réaction. Si on me dit d’où il vient cet écart ? je ne sais pas moi, je n’en sais rien, ne pensons pas à ça pour le moment. Accordez moi cet écart puisque je ne me donne rien que de l’action et de la réaction. Je n’ai rien introduit en douce.

Très important, la loi de la philosophie et des concepts c’est de s’éviter toute opération de prestidigitation où on file en-dessous quelque chose qu’on aurait pas le droit de se donner. Je les ai là, je n’ai introduit qu’un écart, seulement encore une fois, qu’est ce que cet écart introduit de nouveau ? Selon Bergson il introduit trois choses nouvelles.

-  Première chose nouvelle. Mon plan ne change pas, il comprend simplement ces images particulières, il reste le plan d’immanence de toutes les images possibles, mais parmi toutes les images possibles, sont possibles de telles images. Si elles sont possibles, elles sont réelles, on l’a vu tout à l’heure en fonction de l’être originaire. Qu’est-ce qui se passe ? Elles vont constituer des images privilégiées en quel sens ? C’est que, sans doute, toutes les autres images continuent à varier les unes en fonction des autres, sur toutes leurs faces et dans toutes leurs parties, ça ça continue, ça ne disparaît pas, ça continue, le monde continue.

Mais en même temps, le plan d’immanence, il va lui arriver des choses. En même temps ça ne supprime rien de ce que je viens de dire, le plan d’immanence, il continue pareil, mais en plus s’y joint quelque chose. La première chose qui va s’y joindre, c’est que toutes les autres images continuent à varier les unes pour les autres, les unes en fonction des autres, mais aussi, en même temps, elles s’organisent de manière à varier toutes, ou du moins une partie d’entre elles – quitte à préciser ce que veut dire ” une partie d’entre elles “-, une partie d’entre elles vont se mettre à varier en fonction de l’image privilégiée.

-  En d’autres termes un second système se joint, n’annule pas, mais un second système se joint au premier système. D’une part les images continuent à varier les unes par rapport aux autres sur toutes leurs faces et dans toutes leurs parties, mais d’autre part, en même temps, un certain nombre de ces images se mettent à varier par rapport à l’image privilégiée et en fonction de l’image privilégiée. Quelles images ? je dis certaines images se mettent à varier. En effet, il suffira que l’image privilégiée se déplace, pour que un certain nombre d’images varient en fonction du déplacement. Voilà que les images n’appartiennent plus seulement à un système où elles varient les unes par rapport aux autres, elles appartiennent à un autre système en plus où elles varient par rapport à l’image privilégie définie par intervalle, c’est à dire qui constitue un centre.

-  Centre en fonction duquel les images qui agissent sur l’image privilégiée, varient. Toutes les images qui agissent sur cette image privilégiée vont varier en fonction de cette image privilégiée qui, dès lors, est érigée en centre. Centre de quoi ? Centre de perception. Ça n’annule pas le premier système de la variation universelle. Ça joint au système de la variation universelle, un autre système où elles varient en fonction du centre. Ce centre est défini comment ? Uniquement intervalle entre action et réaction.

-  C’est pourquoi Bergson pourra l’appeler “centre d’indétermination“. C’est un centre d’indétermination puisqu’il se définit uniquement en ceci : la réaction ne s’enchaîne plus immédiatement avec l’action suivie. Dès que vous avez un tel centre d’indétermination, le monde des images, où un certain nombre d’images s’organisent en tendant certaines faces vers le centre privilégié. Le centre privilégié sera dit : percevoir. Il perçoit. Et en effet, qu’il perçoit, qu’est-ce que ça a d’étonnant ? Qu’est-ce que ça voulait dire, il y a intervalle entre l’action et la réaction ? Il y a intervalle entre l’action subie et la réaction exécutée ? ça voulait dire que cette image est constituée de manière très spéciale. Elle a condamné certaines de ses parties. Certaines parties de cette image spéciale ont acquis une immobilité relative. Tout se passe comme si certaines parties de cette image privilégiée avaient acquis une immobilité relative. Et en même temps, d’autres parties de l’image privilégiée, ont acquis une force active développée, une possibilité de mouvement développée. C’est une espèce de compensation.

Au lieu d’avoir action-réaction, vous avez les actions reçues qui sont saisies par des parties de l’image qui ont acquis une immobilité relative, les réactions exécutées sont exécutées par des parties de l’image qui ont acquis des degrés de liberté ou de puissance particuliers. C’est compris dans l’intervalle, c’est l’effet immédiat de l’intervalle. Si vous vous donnez intervalle entre action et réaction, vous n’avez plus enchaînement direct de l’action subie et de la réaction exécutée, c’est à dire que l’action subie va être recueillie sur certaines faces de l’image privilégiée, lesquelles faces sont condamnées à une immobilité relative pour recevoir l’action, pour recevoir l’excitation, et la réaction exécutée qui se fait attendre, la réaction retardée, va être assurée par d’autres parties de l’image, qui elles, du coup, disposent de degrés de liberté supérieurs.
-  Tout ça c’est le phénomène de l’écart.

Qu’est-ce que j’ai, donc ? Si je me donne ces images privilégiées définies par écart entre action et réaction j’ai déjà deux effets :
-  Premier effet : les images qui agissent sur cette image privilégiée s’incurvent, en quelque sorte, c’est à dire se mettent à varier en fonction de l’image privilégiée. On dira que l’image privilégiée perçoit. Il y a des images-perception. Les images-perception, ce sont les images, en tant que elles ne varient plus toutes les unes en fonction des autres sur toutes leurs faces et en fonction de leurs parties, l’image-perception, ce sera les images en tant qu’elles varient par rapport à une image privilégiée c’est à dire par rapport à un centre d’indétermination.

-  Voilà que sur mon plan d’immanence, je dispose d’images-perception. L’image-mouvement est devenue image-perception par rapport au centre d’indétermination.

Ça implique quoi ? Encore une fois le centre d’indétermination est constitué de telle sorte que certaines de ses parties ont pris une immobilité relative, ce qu’on appellera dans notre langage: organe des sens. Et c’est par ces parties immobilisées relativement, que l’image privilégiée va percevoir les excitations

Les images-perception par rapport à un centre. Si je prends un autre centre, la même opération se fera. Et là mon plan – je ne sors pas du plan d’immanence, tout cela se fait sur le plan de l’immanence. Je n’ai plus simplement un monde d’images-mouvement en perpétuelle variation, en variation universelle, j’ai en plus des images-perception autour des centres d’indétermination, en variation par rapport aux centres d’indétermination. Voilà.

-  Deuxième point, que je termine vite, 2ème point, parce que ça s’enchaîne très bien, je l’ai presque déjà dit. L’image privilégiée a condamné certaines de ses parties à l’immobilité pour précisément transformer les images-mouvement en images-perception. Ҫa n’empêche pas que les images-mouvements, elles continuent leur affaire, hein! Simplement, un système, un système centré s’est ajouté au système acentré du plan d’immanence. Il ne l’a pas supprimé. Je reviens à mon affaire d’intervalle. Donc, les parties immobilisées, elles reçoivent l’excitation reçue et l’image privilégiée, elle réagit pas tout de suite. Intervalle. Cet intervalle, c’est là que Bergson devient génial, cet intervalle, c’est le cerveau.

Le cerveau, c’est uniquement l’intervalle entre l’action subie et la réaction exécutée. Cherchez pas ce que c’est, c’est pas difficile. Alors, c’est de la matière, le cerveau, oui. C’est de la matière intervalle, ça veut dire quoi ? Eh ben, ça veut dire que quand on a un cerveau, au lieu de recevoir une excitation qui va s’enchaîner avec la réaction, il y a un intervalle. Il y a une coupure.

Cette coupure, comment elle se fait ? Parce que le cerveau comme matière, comme matière extrêmement complexe, va assurer une espèce de dispersion de l’excitation reçue, le cerveau va être un analyseur. Il va faire avec une excitation, il va la traduire en micro-excitations. Dès lors, j’ai le temps, je gagne du temps. Donc, ça peut se justifier matériellement mais vous en avez assez dit quand vous dites : le cerveau, c’est un intervalle.
-  Votre cerveau, c’est rien d’autre que l’intervalle entre les actions que vous subissez et les réactions que vous avez exécutées.

Bon, en d’autres termes, cet intervalle et l’immobilisation des parties receptives vous permet quoi ? Gagner du temps, pour quoi faire ? Pour organiser une réaction qui, par nature, sera imprévisible. Vous avez gagné du temps.

Vous pouvez dès lors réagir d’une manière qu’on appellera intelligente, mais c’est pas ça qui compte. Qu’est-ce que c’est une réaction intelligente ? Une réaction intelligente, c’est une réaction qui a pris le temps, où vous n’étiez pas forcés d’enchaîner l’a réaction à l’action subie. Vous avez eu le temps, le cerveau a assuré la division de l’excitation reçue en microexcitations. Dès lors, vous pouvez faire une intégration des microexcitations. Vous pouvez les intégrer dans un comportement, inattendu, imprévisible qui va parer, qui va parer par l’excitation subie ou qui va répondre à l’excitation reçue au lieu de s’enchaîner avec elle. Il fallait rien que ce petit phénomène de l’écart cérébral.

Donc, là je dirai, au lieu que la réaction s’enchaîne à l’action subie, la réaction va “innover” par rapport à l’action subie. C’est elle qui va devenir une véritable action. Et je dirai de ces images privilégiées, elles agissent. Elles ne se contentent pas de réagir aux excitations subies, elles agissent. C’est-à-dire, l’excitation subie étant devenue une excitation perçue, elles vont pouvoir répondre à l’excitation perçue par une conduite dite adaptée. En d’autres termes, j’avais tout à l’heure, en fonction du centre d’indétermination, des images-perception. J’ai maintenant des images-action. Sur mon plan, je résume. Voilà mes images privilégiées. J’en prends deux.

Je dirai : l’incurvation des autres images autour du centre d’indétermination de l’image privilégiée va constituer les images-perceptions sur le plan d’immanence.

2ème aspect : l’action subie qui est retenue par la partie immobilisée, c’est-à-dire l’organe des sens va permettre grâce à l’intervalle, une riposte consistant en action nouvelle, en réponse adaptée. Déjà, image-action. Là, vous aviez image-perception. Un dernier effort car il y a encore quelque chose qui se passe dans ces images. Tout repose sur l’intervalle.

Là vous avez, 1er terme de l’intervalle : les excitations sont bloquées sur des surfaces de l’image relativement immobilisée. Là, vous avez : une action nouvelle sort grâce à l’écart. Une action adaptée nouvelle sort grâce à l’écart. Mais entre les deux, qu’est-ce qui peut arriver ? Qu’est-ce qui se glisse entre les deux ? Qu’est-ce qui vient s’insérer entre ces deux pôles – l’excitation reçue, l’action qui va servir de réponse? Ce qui se glisse, ce qui s’introduit et dans quel cas ? Lorsque l’excitation, par exemple pénètre. Là vous avez, organe de réception de l’image privilégiée. Là, vous avez, organe moteur de l’image privilégiée. Qu’est-ce qui se glisse entre la perception et l’action, quand l’excitation – il arrive que l’excitation pénètre l’image privilégiée ? Elle passe dedans. Elle va s’insérer entre la surface de réception et les surfaces d’action ou de réaction.

Eh ben, ce qui passe, ce qui pénètre dans l’image privilégiée, c’est ce que, elle appellerait si elle savait parler, elle appellerait une affection. C’est ça qui vient s’introduire dans l’écart. Et ce n’est plus un « je perçois », ce n’est plus un « je fais » ou plutôt x, centre d’indétermination. Ce n ’est plus un x perçoit, un x fait, c’est « je sens », x sent. Il sent quoi ? Il sent quelque chose en lui. Il se saisit du dedans. Qu’est-ce qu’il se saisit du dedans ? Il se saisit du dedans comme pénétré par telle excitation, telle qui dès lors, lorsqu’elle a pénétré dans le centre d’indétermination , dans l’image privilégiée, s’appellera une affection. Elle se “sent” du dedans ; et c’est ce sentir intérieur, qu’on appelle une affection. Bon, je résume tout.

J’étais parti d’un plan d’immanence défini par l’image-mouvement ou par l’ensemble infini des images-mouvements. Ҫa subsiste, ça n’est pas supprimé, mais dans ce plan d’immanence des images-mouvements se forment ou sont donnés, peu importe, des centres d’indétermination uniquement définis par écart entre action et réaction. Si vous vous donnez de tels centres d’indétermination définis par écart action/ réaction, les images-mouvements du plan d’immanence, donnent lieu à trois types d’images et seulement trois. Là on est sûr, hein ! On a tout fait puisque on se donnait l’écart. Là, il y a un côté de l’écart, l’autre côté de l’écart, entre les deux. Donc, on est sûr que c’est complet. A moins que l’un de vous ait une idée formidable et : “dit non, il y a encore un quatrième” et je vois pas un écart, il y a deux limites et puis quelque chose ou plutôt un rien entre les deux ».

Ben, ce qui vient combler le rien, pas combler d’ailleurs, ce qui s’insère entre les deux, dans le rien c’est l’image-affection. Je me commets du temps. Centre d’indétermination, je peux dire : je perçois le monde, du moins une partie du monde. Je peux dire, j’agis sur le monde et je peux dire : j’éprouve et je sens : image-perception, image-action, image-affection.

Voilà que nous avons fait une genèse et comme dans toute genèse, il faut dire ce qu’on se donne. Nous nous sommes donnés plan d’immanence des images-mouvements, certaines images présentant un écart entre action et réaction. Si nous nous sommes donnés tout cela sur le plan de l’immanence, nous avons obtenu quatre catégories d’images qui ne sont pas égales. Les images-mouvements dans le système de la variation universelle et s’y joignant, la division des images-mouvements en trois types d’images : images-perception en trois types d’images, par rapport oui, c’est-à-dire, je m’exprime mieux, l’image-mouvement rapportée à l’image spéciale, centre d’indétermination va donner lieu à trois types d’images et seulement trois :
-  image-perception,
-  image-action,
-  image-affection. Un point, c’est tout. Il ne peut rien y avoir d’autre. Vous me direz mais quand même, il a plein d’autres choses. S’il y a autre chose, c’est qu’il y a autre chose que mon plan d’immanence.

Pour le moment, si je m’en tiens à mon plan d’immanence des images-mouvements, c’est déjà beaucoup, je n’obtiens que des images-mouvements et leur division relative, c’est-à-dire dans la mesure encore une fois où elles sont rapportées à des centres d’indétermination, leur division tripartite en image-perception, image-action, image-affection, oh ! mais qu’est-ce qui se passe à ce niveau-là ? Sentez ! C’est comme ça que je voudrais que vous travailliez enfin si vous acceptiez. On fait une pause et on se dit, il faut quelque chose. Il faut se faire relayer, il faut se faire relayer, il faudrait quand même mieux asseoir cette histoire du plan d’immanence avec les images, bon. Les trois types d’images qui naissent. Il faudrait d’abord que vous ayiez très bien compris ça, donc il faut réfléchir d’ici la semaine prochaine. Est-ce que vous avez très bien compris, tout ça, bon. Et puis au besoin, parfois c’est en compliquant encore qu’on comprend, hein. C’était pas assez difficile pour qu’on comprenne hein, ça arrive ça. C’est trop facile, alors ça paraissait trop simple. Euh, s’il y a quelque chose, si vous voyez pas bien, il faut que, je veux dire, il faut que ça arrive à aller pour vous, comme de soi. Ce monde-là que je vous propose, vous faites semblant de l’accepter. Ce plan d’immanence où tout bouge, tout va vite, tout et cetera. Ces centres d’indétermination qui surgissent et puis alors, ce qui se passe. Si vous voulez, si vous me donnez un centre d’indétermination forcément, il va y avoir,
-  premièrement organisation d’images-perception sur le plan d’immanence.
-  Deuxièmement, organisation d’images-actions.
-  Troisièmement, organisation d’images-affections. Si c’est pas pour vous limpide, c’est que, je sais pas. Si c’est pas pour vous limpide, il faut recommencer. Mais, pour être sûr que ce soit limpide, heureusement, il y a quelque chose.

- Il semble qu’il devrait y avoir une interaction, parce que l’écart disparaît, il me semble quand il y a l’affect ?

-  Ah non, surtout il ne remplit pas. Non, comment dire ; il s’insère ou bien alors il remplit en tant qu’affect mais il n’est ni action ni perception. Il est sentiment. Je sens, je sens en moi.

Donc, ça ne modifie pas… ( inaudible)

Ҫa laisse l’écart entre l’action subie et la réaction exécutée, ça laisse absolument intact. Bien plus, quand j’ai un affect, je ne sais pas que faire. Et je ne sais pas que percevoir. Je ne sais plus quand j’ai un affect, je ne sais plus ce que je perçois et je ne sais pas que faire.

Même, là vous faites bien, du coup je lis je crois, pourvu que ça tombe bien, hélas je n’en suis pas sûr. Je lis un texte de Bergson quand il parle de l’affect. Il me semble qu’il dit ça, pourvu qu’il dise ça. Voilà, attendez, il faut se méfier : « j’examine les conditions où les affections se produisent. Je trouve qu’elles viennent toujours s’intercaler entre des ébranlements que je reçois du dehors et des mouvements que je vais exécuter. Elles s’intercalent dans l’écart, elles s’intercalent, elles viennent toujours s’intercaler entre des ébranlements que je reçois du dehors et des mouvements que je vais exécuter. Comme si elles devaient exercer une influence mal déterminée sur la démarche finale. Mal déterminée, il en dit trop là hein, mais on va corriger le texte. Je passe mes différentes affections en revue. Il me semble que chacune d’elles contient à sa manière une invitation à agir, avec en même temps l’autorisation d’attendre et même de ne rien faire. Il est beau ce texte. “Je regarde de plus près. Je découvre des mouvements commencés mais non pas exécutés. L’indication d’une décision plus ou moins utile mais non pas la contrainte qui exclut le choix. J’en suis à, oui, prenons un exemple : quelqu’un entre dans la pièce et il ne me plaît pas. Non, prenons l’exemple poli : quelqu’un entre et il me plaît beaucoup. Je le perçois, euh bon. Je le perçois, qu’est-ce ça que veut dire ? Bon, je réagis à ce que je perçois. Je réagis de manière inhabituelle, par exemple une créature de rêve entre. (dans la salle : « encore ! ») Ben, je pourrais prendre l’exemple inverse mais comme.. Une créature de rêve entre, j’ai comme, vous savez le… Je ne m’avance pas, bon, qu’est-ce que c’est l’affection ? C’est pas de la perception, c’est je sens en moi, je sens en moi quoi ? Mais quelque chose qui trouble ma perception, qu’est-ce que c’est, qu’est-ce que c’est que ça ? Qu’est-ce que c’est qu’une perception comme mal ajustée, hein. Et puis, quant à l’action, je sais pas quoi faire. Qu’est-ce que… euh, j’avance, je recule. Je fais semblant de ne pas l’avoir vue. C’est une affection. Ҫa consiste en quoi ? Je me sens du dedans. Ce n’est pas une perception, ce n’est pas une action. Si bien que ça compromet pas du tout l’écart, ça vient pas le remplir. Si vous voulez, comment dire ça, ça l’occupe sans le remplir. Ouais, c’est ça. Alors, cherchons une confirmation. J’en ai une qui vient de tout à fait ailleurs. Il y a quelque chose d’extraordinaire. Alors là, je prends un texte que je voudrais aujourd’hui on aura pas le temps mais raison de plus pour la prochaine fois, je voudrais que vous le lisiez.

C’est un truc très bizarre de Beckett. Truc très bizarre de Beckett, Beckett a fait un film. Beckett a fait un film où il est allé cherché le vieux Buster Keaton pour le jouer. (dans la salle : le titre, c’est ?) Et ce film, c’est, vous le trouverez, on peut le trouver génial. Moi, je le trouve génial, formidable. Vous savez que le rêve de Beckett, c’est de faire beaucoup de télévision ; il n’a pas beaucoup l’occasion, non. Mais si on le laissait faire, il ferait des choses très… Mais il n’a pas l’énergie de Marguerite Duras, Beckett. Je dis pas ça contre Marguerite Duras, je regrette que Beckett n’ait pas l’énergie de faire ce qu’il veut faire au cinéma. Enfin, il a été chercher le vieux Buster Keaton qui était furieux parce qu’il a trouvé le film exécrable sauf à la fin. Et puis, Keaton, il n’était pas content parce qu’il était tout le temps pris de dos. Et Keaton, il disait : « j’ai quand même une tête intéressante, pourquoi il me prend de dos, cet idiot-là ».

Enfin, ça allait assez mal entre Buster Keaton et Beckett mais ça ne fait rien, le film est prodigieux et implique quelque chose, je vous l’annonce pour comprendre pourquoi je le place là, quelque chose qui va précisément peut-être nous faire comprendre ce plan d’immanence. Voilà ce que je voudrais.

Bon ben, je voulais commencer mais il faut que j’aille voir au secrétariat cette histoire de salle. Donc vous vous reposez, et puis je reviens, je reviens. Simplement, comment rejoindre…

Yolande : Je voudrais savoir, je me demande si on est obligé de poser le plan d’immanence avant pour arriver à ce à quoi on est arrivé. C’est-à-dire, on est parti d’un philosophe qui s’appelle Bergson et en fait, enfin, je fais comme si je ne le connaissais pas du tout ; c’est-à-dire que ça me donne l’impression qu’on est entrain d’écrire un processus biologique. Et moi je dirais, c’est parce que, biologiquement, il y a un intervalle dans l’image que grâce à cet intervalle, on va réussir à définir un plan d’immanence.

Bonne question, c’est une bonne question. J’appelle bonne question toute question à laquelle je peux répondre… Mauvaise question, toute question à laquelle je ne sais pas répondre. Très bonne question.

-  Tu réponds facilement

Non, non, non, parce que tu vois, c’est un peu ce que j’ai essayé de faire sentir mais pas assez. C’est que l’avantage de partir du plan d’immanence défini uniquement comme brassage de toutes les images les unes par rapport aux autres, c’est que quelque soit le niveau ou l’échelle considérée, ça ne change rien. Je veux dire, si tu me dis cerveau, je dis d’accord. C’est une image parmi les images. J’appelle image ce qui reçoit des actions et ce qui a des réactions. En vertu de ce qui précède. Donc, le cerveau, c’est pas en tant que donnée biologique, le cerveau d’accord, c’est une image. D’où la force de Bergson quand il dit, ben comment voulez-vous qu’il y ait des images dans le cerveau ? Le cerveau, c’est une image,bon. La bêtise c’est de croire qu’il est idéaliste. Si vous prenez le texte, c’est pas ça du tout qui l’intéresse. C’est ce monde d’univers en soi de la variation universelle. Or le cerveau, c’est une image. Si tu me dis atome, d’accord, atome c’est une image. Si tu me dis moi, je dis toi, c’est une image. Alors, elles ne sont pas du même niveau. En tant qu’images, elles sont toutes sur le plan de l’immanence.

Alors, c’est pas du tout que le cerveau soit biologique ou que l’atome soit physique, sub-physique qui m’intéresse. Ce qui m’intéresse, c’est que quelque soit le terme considéré, en tant qu’image, il appartient avec toutes les autres images, au plan d’immanence. Et tu diras, à ce moment-là, je prends n’importe quelle proposition folle : un électron percute un cerveau. Ҫa veut dire : image qui agit sur autre image.

-  Non, mais je disais pas ça pour opposer des images à des choses réelles si tu veux. C’est pas de cet ordre-là, c’est plutôt une position comment dire, parce qu’on a toujours considéré qu’il y avait un monde et qu’à partir du moment où il y avait de l’humain, c’est un observateur. Et moi je voudrais dire le contraire, c’est parce qu’il y a de l’humain qu’il peut y avoir ce monde-là, tu vois.

Ah oui, là Bergson. Alors, là il faut distinguer Bergson dans le premier chapitre de ses Mémoires… C’est possible ? Non, c’est une trahison. Tu lui flanques tout en l’air. Tu as le droit, ça. Ҫa reviendrait à dire, “je ne veux pas de ce problème-là”. Si on reprends ce que je viens de dire, mais tu le flanques complètement en l’air. Il n’y a pour le moment, il ne se donne aucun sujet, aucun objet. Il ne se donne rien. Il se donne ensemble d’images, en variations les uns par rapport aux autres.

Tu diras, pourquoi il se donne ça ? Alors là, ça rejoindrait en effet si j’arrive un jour avant de prendre ma retraite, si j’arrive à faire le cours [que] je rêve sur qu’est-ce que la philosophie ? Pour moi, c’est très joli de dire qu’un philosophe, il crée des concepts. Mais d’où vient cette création ? Qu’est-ce qui fait qu’il a envie ? Qu’est-ce que c’est ? Alors, il y a les pages de Nietzsche très belles pour dire finalement, la philosophie, c’est une histoire de goût au plus profond. Alors, évidemment, quand on vous dit ça vite, euh on en tire une platitude et une bêtise. Bon, la philosophie, c’est comme l’art, les goûts et les couleurs etc ! Non, il faut bien qu’il y ait des pulsions à la base des concepts. Il faut bien, pourquoi Bergson a besoin de faire ça ? alors que rien ne le destinait, hein. Si on prend l”Essai sur les données immédiates”, son livre précédent, il allait dans une direction complètement autre. Là, et ensuite, il digèrera jamais : le premier chapitre de “Matière et mémoire” est un cas extraordinaire dans toute la littérature. Non, tout la littérature, c’est le sommet de l’oeuvre d’un auteur, sommet tellement haut, tellement étrange, tellement insolite que lui-même ne saura pas qu’en faire. Si vous voulez, il y a des cas comme ça. Dans la littérature, il y a des textes au besoin pas longs ; tout d’un coup un auteur va à tel point dans une telle direction inattendue, on se dit : “mais bon dieu, ça crève tout cette histoire” et après il saura jamais qu’en faire. C’est des livres, c’est des livres rarissimes, c’est les plus beaux livres de quelqu’un ; alors, ou bien il se tait ou bien après il revient à un truc, quelque chose de plus familier et ça, ce premier chapitre de “Matière et mémoire”, moi je m’en lasse pas parce que c’est pour moi un texte qui est suspendu. Personne n’a pu l’utiliser, c’est pour ça mon rêve c’est de l’utiliser. Bergson après, a donné dans de tout à fait autres directions. Très très bizarre, pourquoi il a fait ça ? Qu’est-ce qu’il lui a pris ? Oh il doit être, je ne sais pas, c’est très curieux… oui ?

Anne Querrien : C’est-à-dire qu’il faudrait quand même privilégier la dimension du temps, c’est-à-dire qu’on ne pourrait pas observer l’intervalle si après(…)

A mon avis, oui et non. Ce serait fâcheux si c’était ça. Il y aurait quelque chose qui irait pas. Tu as raison en partie mais tu n’as besoin que d’un temps absolument homogène et spatialisé. Tu as besoin d’un temps extérieur qui est le temps de la succession.

Oui

Et de la succession uniquement équidistante. Tu as besoin non pas de temps mais tu as besoin d’une succession d’instants. Oui mais, c’est pas important… Ah si, c’est très important. Oui mais attends, non.

anne Querrien : Ce qui a d’important, c’est qu’on pourrait privilégier, en fait on a besoin tout d’un coup de privilégier une dimension. Moi je dis le temps là parce que tu as pris des métaphores, tu as utilisé un vocabulaire où tu disais la réaction ne succède pas uniquement à l’action ; donc tu as utilisé un vocabulaire temporel, du temps. Mais il suffit de privilégier une dimension, pas nécessairement le temps et c’est par rapport à une dimension du système qui se met à être quelque chose comme ça pour le reste, que tout le raisonnement se passe, qu’il peut y avoir de l’intervalle.

C’est pas gênant, ça. C’est pas le temps. Si tu veux, à ce moment-là, en effet c’est une correction, on fait une petite correction. Ce plan d’immanence, c’est un bloc espace-temps. Le temps étant uniquement défini comme succession d’instants. Or, le temps est manifestement autre chose qu’une succession d’instants. Euh, donc je dirais,moi, il n’y a aucun besoin de temps. Il y a le temps si tu veux, oui, comme variable indépendante. Alors, dans la mesure où, ou bien il n’y a pas d’autre temps et il n’y a rien à dire sur le temps ou bien le temps est autre chose qu’une variable indépendante, c’est-à-dire une succession d’instants et à ce moment-là, tu ne t’es rien donné du temps. Tu as simplement le temps comme série de coupes. En effet, le plan d’immanence, tu as raison, le plan d’immanence se déplace lui-même sur une ligne de successions. D’accord ça, d’accord. Mais je l’avais presque compris sans penser à ce que tu dis en disant : votre plan d’immanence, il est à n dimension. Ce n’est pas un temps, c’est une dimension du plan. Il est à n dimension et il se déplace.

Anne Querrien Oui, moi je me pose des questions, peut-être que je sais pas répondre scientifiquement, hein mais ça vaudrait le coup. C’est que, il semble que quand on écoute Stenghers là et Prigogine parler de leur composition chimique et tout ça, je disais est-ce que, éventuellement, à partir du moment où il y a effectivement certaines molécules ou je ne sais pas, certaines parties d’un truc qui ont cette capacité donc d’intervalle dont on a parlé, le phénomène de concentration n’est pas automatique. Il faudrait leur poser la question mais c’est…

Est-ce que c’est pas automatique ? Si, c’est automatique.

-  Mathématiquement automatique.

Evidemment ! Evidemment, bien plus, l’incurvation perceptive, la distanciation active et l’occupation affective peuvent être traitées comme trois phénomènes mathématiques avec cette seule différence que les mathématiques n’ont aucun privilège. Je peux le traduire aussi bien en termes physiques, électroniques je ne sais pas, en termes biologiques, cerveau etc. Là, tous les langages sont équivalents puisque c’est normal ; puisqu’encore une fois nous sommes en Dieu. Je peux le dire théologiquement, j’ai essayé de le dire théologiquement. Alors là, il faut voir en quoi c’est la Trinité, image-perception, image-action, image… Euh, c’est un système comme c’est l’originaire, c’est…

Mais dans l’intervalle-là, dans l’affection va se constituer de la mémoire

Non.

AQ : Ben, parce que, il arrive tout le temps-là des images sur la surface de perception, il en passe dans l’intervalle ; il y a quelque chose qui est occupé et la durée de l’intervalle, on ne l’a connait pas, elle est indéterminée et il se passe quelque chose-là. Des choses qui se composent entre elles en fait ne (inaudible)

S’il y a des choses qui viennent remplir l’écart, elles viennent d’ailleurs. S’il y a de la mémoire, elle vient d’ailleurs. Pourquoi ? Parce que. Je n’ai pas les moyens avec mon plan d’immanence et mon universelle variation d’engendrer quoi que ce soit qui soit autre chose qu’une succession instantanée.

AQ : Oui mais il y en a une parce que l’intervalle, il est variable…

Il est indéterminé, c’est des centres d’indétermination.

AQ ; S’il est indéterminé, eh bien, il peut se passer quelque chose, là.

Il peut, tu le dis toi-même, il peut. Mais, comme tu ne te donnes, sur le plan d’immanence, tu ne peux avoir que des centres d’indétermination, toute détermination vient d’ailleurs. Tu ne peux absolument pas déterminer ton centre d’indétermination au niveau du plan d’immanence sinon tout est fichu. Puisque c’est un moyen – bien plus, il faut surtout pas – puisque c’est un moyen de donner un statut objectif à l’indétermination. Ҫa consiste à dire : attention, l’indétermination, ce n’est pas un manque de détermination ! Ҫa n’a pas besoin de détermination. Il y a une existence en soi de l’indéterminé. C’est ça qui compte. Quand ensuite l’indéterminé sera déterminé, mais ça, on aura l’occasion d’en parler cette année, ce sera avec Kant – ça se rejoint, ça va bien ensemble. Quand l’indéterminé reçoit une détermination, c’est que (simplement il faudra que ce soit nécessaire), on ne sera plus sur le plan d’immanence.

GD ; Il y aura une composition entre le plan d’immanence et quelque chose = x et la détermination. Et sans doute la détermination ce sera le temps, ce sera le vrai temps, ça d’accord ! D’accord sur tout ça mais pour le moment, on n’a rien de tout ça.

Quel était cet autre écrivain dont tu voulais parler ?

Quoi ? Quel était à part Bergson, cet autre écrivain à part dont tu disais qu’il était arrivé à un tel niveau… A un tel niveau, je pense à Melville. Melville, c’est quelque chose qui… Où tout d’un coup il fait… Lui, c’est son dernier livre. Un livre qui ressemble tellement à rien. On se dit : bon, qu’est-ce qu’il voulait, où est-ce qu’il voulait aller. Généralement, quand on arrive devant des livres d’un tel génie, on se dit, mais où est-ce qu’il veut aller, qu’est-ce qu’il est entrain de faire. Euh, on n’a pas de réponse parce que le type arrête. Alors Bergson, il n’a pas arrêté. C’est pas que ce soit pas beau le reste, c’est merveilleux, c’est même génial mais euh, non il y aura quelque chose qui n’aura surgi que là, que dans ce premier chapitre.

C’est Billy Budd de Melville ? Non, c’est “Confidence man” euh, bon. Alors je voudrais juste lancer parce que j’aimerais bien que vous le lisiez, ça c’est facile à trouver. Voilà, j’ai fait mon premier titre de répétition et là je ne vous ai pas trompés, je me suis répété beaucoup sur l’année dernière. Là je fais un petit titre nouveau que je continuerai vraiment la prochaine fois mais je voudrais juste le goût d’aller voir vous-même.

Je dis donc, deuxième point que je veux traiter : qu’est-ce que c’est que cet ouvrage étrange de Beckett qui s’appelle Film et donc Beckett a donné une transcription par écrit, que vous trouvez dans les éditions de “Comédies et Actes Divers” où il y a deux choses : une chose pour la télévision admirable, prodigieuse qui s’appelle “Dit Joe” comme quand je dis : dis donc un tel, hein ? “Dit Joe”, qui là, est une pièce pour la télé et un film avec Buster Keaton qui s’appelle “Film”.

Et dans “Film”, Beckett explique non pas ce qu’il a voulu faire, bien plus, il divise en plusieurs parties – là je vous demande d’autant plus de lire le texte que moi je voudrais le diviser en d’autres parties, pas du tout pour faire mieux que Beckett, mais parce que Beckett, il divise en parties, vu ce qu’il veut faire avec la caméra. Et puis, moi j’ai l’impression que ça se divise aussi en parties assez différentes et je dis tout de suite les trois parties qui me paraissent importantes.

Le film me paraît construit sur trois figures. Trois figures : -1ère figure : Buster Keaton est perpétuellement vu de dos et s’enfuit dans une rue, la caméra étant derrière lui. Il monte un escalier et la caméra le suit dans les mêmes conditions. On va voir quelles conditions, mais toujours le prenant de dos. C’est là que Buster Keaton exprime des regrets, n’est-ce pas, sur son visage intéressant. Il ne savait pas qu’il a une nuque et un dos qui sont également prodigieux, bon voilà. Je groupe dans la 1ère figure la partie dans la rue et dans l’escalier. Il arrive dans une chambre, et la chambre nous est présentée, Beckett précise bien : il s’agit de présenter à la fois l’homme dans la chambre – l’homme s’appelle O – et donc, la chambre telle qu’elle est vue par l’homme. La caméra s’appelle OE, oeil. Il s’agit donc de présenter la chambre vue par O et vue par OE. Il va se passer des choses que je préciserai la prochaine fois et

-3ème figure : dans la chambre, euh, O est toujours vu par la caméra de dos, sauf on verra, dans certaines circonstances exceptionnelles.

-  En gros, 3ème figure : la caméra fait un mouvement extrêmement simple géométriquement mais dont on verra la complexité en fait et finit par être en face de O, c’est-à-dire de Keaton. OE pour la première fois se trouve en face de O. A ce moment-là, la caméra prend un visage, est le double de Keaton. OE-Keaton-caméra prend un air épouvanté, non qu’est-ce que je dis, pardon. OE, la caméra, le double de Keaton prend un air intense d’intérêt, intéressé ; O prend un air d’épouvante. O meurt.

Bien, vous me direz, c’est pas grand chose. Appelons ça du cinéma expérimental, ça a toute la sévérité, l’abstraction et le caractère de recherche de ce qu’on appellerait du cinéma expérimental. Simplement, qu’est-ce qu’il expérimente ? Je le précise mais je voudrais beaucoup que, d’ici la semaine prochaine vous ayiez fait les schémas vous-mêmes parce que, il donne un certain nombre de schémas mais c’est pas facile du tout. Voilà, 1ère chose. 1ère convention pour la première figure, 1ère figure, c’est, caméra dans le dos, Keaton fuyant soit dans la rue, soit montant l’escalier. Beckett dit, il y a une convention. La caméra le prend par derrière et il ne faut pas que l’angle, sentez, c’est par là que l’on va retrouver notre plan mais sous une autre figure. C’est par là que j’en ai tellement besoin.

Ҫa, vous comprenez, je rêve, on ferait un cours et puis un exercice pratique. Un exercice pratique, un petit jeu, ça c’est l’exercice pratique, hein. La convention est celle-ci pour la première figure, hein. Donc, fuite de Keaton, hein. Qu’on ne voit que de dos. La caméra est de côté ; là, il y a un mur que frôle Keaton ; là, il y a un trottoir. La caméra, elle est sur le bord du trottoir. Elle prend Keaton de dos et sous un angle qui ne doit en aucun cas, cet angle-là, dépasser 45°.

Hein, vous suivez la chose. Si l’angle dépasse 45°, il y a donc un problème du mouvement de la caméra et du mouvement de Keaton. Si l’angle dépasse 45°, Keaton entre en état de panique, que Beckett appelle l’angoisse d’être perçu. L’angoisse d’être perçu. Si elle est inférieure à 45°, Keaton mène sa vie, c’est-à-dire poursuit sa fuite : c’est l’angle d’immunité. Pensez à un animal peureux, un cheval par exemple. Pensez au champ de vision d’un cheval. Il a des problèmes de vision, tout à fait. C’est l’angle d’immunité. Or, la caméra au début, je précise dans la première figure, Keaton n’est pas là.

La caméra est là et il y a la rue. Et la caméra, elle est toute gamine, elle regarde des choses dans la rue. Et elle ne prend Keaton que là alors qu’elle est là, un peu derrière. Elle ne le saisit que quand il est là de son trajet, sous un angle plus grand que 45°. Et Keaton, c’est ça qui mettait tellement en rage Keaton, ce que demandait Beckett, c’est que à ce moment-là, Keaton se protège la figure. Il fallait même qu’il ait un mouchoir, il a exigé d’avoir son petit canotier, Keaton, parce que là, il voulait pas. Alors, Beckett a dit d’accord à condition qu’il ait un mouchoir. Alors, il étend le mouchoir, il se cache et il s’immobilise. La caméra est forcée dans ce cas, elle a pris Keaton à un angle supérieur à 45°, elle va reculer avec complaisance pour atteindre un angle inférieur. Keaton se rassure et se met à filer. (coupure) Je dirais, vous allez comprendre tout de suite pourquoi : agir, puisque la seule action du film, pour le moment c’est la fuite le long du mur, à condition de ne pas être perçu. S’il est perçu, immobilisation. Catastrophe, il se cache. Voilà pour la première figure.

2ème figure : le problème change. Ҫa continue. L’ancien subsiste mais s’y ajoute un autre problème. Beckett nous dit, c’est le problème de la double perception. Il faut à la fois que la chambre soit vue par OE, et soit vue par O. O, c’est le personnage, OE, c’est la caméra. Et Beckett se demande comment, pour son compte, il va régler la différence des images suivant que c’est la chambre vue par Keaton, la chambre vue par la caméra. Bon, qu’est-ce que Keaton fait dans la chambre ? Il supprime tout ce qui peut être perçu et tout ce qui peut percevoir. En effet, la chambre contient un chat, un chien, un poisson, une fenêtre, une tablette et l’instrument essentiel dans toute oeuvre de Beckett, une berceuse.

L’activité de Keaton dans la chambre va être, ouvrir la fenêtre, couvrir le miroir, chasser le – il précise je ne comprends pas pourquoi, sauf que c’est un effet comique – le chat est nettement plus grand que le chien. Peut-être qu’on trouvera un jour, peut-être que l’un de vous va avoir l’idée pourquoi il tient tellement à ce que le chat soit beaucoup plus grand que le chien. Alors, il chasse le chien, il chasse le chat. Il y a eu des ennuis au tournage parce qu’il a laissé tomber le chien qui avait peur de Keaton qui avait peur du coup, alors pour courir après le chien, c’est pas terrible ; mais enfin, le cinéma c’est toujours comme ça, il y a toujours des difficultés. Alors, il met le chien à la porte, il retourne mettre le chat, le chien rentre. Enfin, ça se complique. Il met tout ça à la porte, il couvre avec son manteau, il couvre la cage du perroquet, il couvre, il ferme la porte à clef, bref. Il supprime à la fois tout ce qui perçoit et tout ce qui est perceptible.

Bon, je dirais, cette seconde figure, ce n’est plus l’angle d’immunité qui permet d’agir quoique l’angle d’immunité continue. Cette seconde figure, c’est le problème de la double perception. Et c’est le stade, il me semble pour moi – c’est par là que ce texte, j’en ai un vif besoin – ça va être le stade de l’image-action. Enfin, jusque-là, la caméra était très gentille, OE a été très gentille avec O. 2 ou 3 fois, OE a dépassé l’angle d’immunité mais tout de suite s’est rabattue ou a reculé. Keaton étant dans tous ses états est en train de blottir, de se cacher. Là enfin quand il a supprimé de tout ce qui pouvait être perçu et tout ce qui pouvait percevoir, il se planque dans sa berceuse, enfin le bonheur, il est toujours vu de dos par la caméra à moins de 45°. Mettons, là il faudrait que je fasse un triangle isocèle pour que ça marque le maximum. Vous voyez, OE est là, O est là dans sa berceuse. C’est récréatif, vous voyez, c’est exactement ça un exercice pratique. Vous voyez, on aura tout fait aujourd’hui, l’abstrait et puis l’exercice pratique. Et voilà que, il s’endort, il s’endort de quel sommeil ? Il s’endort du sommeil de Beckett, du sommeil beckettien. OE, lâchement en profite, esquissé par derrière.

Ҫa complique la 3ème figure, vous voyez la force ; l’angle d’immunité était de 45° dans la 1ère figure, pourquoi ? Parce que, il y avait le mur. En fait, l’angle d’immunité, ce que la caméra peut faire, c’est 90°. A l’intérieur de là, il n’y a pas angoisse d’être perçu. Voilà qu’elle dépasse ; il s’est endormi l’autre avec sa berceuse et il dépasse, il va en face. Evidemment, au plus profond de son sommeil donc, c’est la 1ère fois qu’on voit le visage de Keaton. Enfin, on voit sa tête, et il n’a qu’un seul oeil. Vision monoculaire, évidemment très important ça. C’est pas pour rajouter un bandeau, c’est parce que les conditions de vision monoculaire et l’angle d’immunité vaut en fonction d’un vision monoculaire. Donc, très important. Et la caméra s’approche, elle s’approche, lentement. Il se réveille, horreur. Horreur sur son visage. La caméra redescend, revient. Ouf, il montre tous les signes d’agitation O et rassuré, il se rendort. La caméra impitoyable, qu’est-ce que c’est, que cette loi de la nécessité, de l’inexorable ? Revient et là, elle ne va plus le lâcher. Et on la voit, la caméra c’est le double, même bandeau. C’est le double de Keaton, c’est Keaton lui-même avec simplement cette différence, à un pôle en tant que Keaton-OE a cet air d’attention extrême, comme d’attention qui attend quelque chose. O, Keaton O a l’air de maximum de l’horreur et de la terreur. Et enfin, il met sa tête dans ses mains pour se protéger tout en se balaçant dans la fameuse berceuse. ça continue, ça continue, ça continue jusqu’à ce que le mouvement de la berceuse meurt.

Qu’est-ce que c’est cette 3ème figure ? Je termine là-dessus parce que je voudrais bien que vous y réfléchissiez. D’abord, si je donnais le schéma complet, le schéma complet on le verra la prochaine fois, c’est donc ceci : jusque-là, vous avez l’angle d’immunité, ensuite il est dépassé. Qu’est-ce qu’il veut dire là, Beckett ? Je prends son texte, que vous y pensiez, hein. Son texte, il nous dit quoi ? Il aime bien partir d’une formule philosophique ; ça nous convient très très bien hein, et puis il en fait ce qu’il veut. Il a le droit. Il lance, ça c’est tout à fait l’humour Beckett – faire servir la philosophie à d’aussi belles choses : « esse est percipi ».

Il aime beaucoup le latin, Beckett : « Esse est percipi », c’est-à-dire : être, c’est être perçu. C’est une formule célèbre en philosophie puisque c’est comme un grand cri de guerre lancé par Berkeley. Par Berkeley à la fin du 17ème et au début du 18ème siècle. Etre, c’est être perçu. Ce qui est, si vous voulez une définition de l’image, un statut de l’image ; l’image, c’est esse est percipi. Euh, et Beckett enchaîne. Oui, tout de suite, si vous êtes le moins du monde beckettien, vous savez que le problème beckettien par excellence c’est : comment arriver à ne pas percevoir et ne pas être perçu ? “Film” tente d’explorer cette direction. Et Beckett nous dit : perçu de soi et ce n’est pas par hasard que là, il donne à son style, lui qui est un grand styliste, une espèce de formulation très philosophique, très théorique : « Perçu de soi, subsiste l’être soustrait à toute perception étrangère, animale, humaine ou divine ». C’est-à-dire, comprenez, s’il n’y a plus que moi percevant moi, subsiste l’être qui n’est plus perçu par quelque chose d’autre. Ni dieu, ni animal, ni rien du tout. Il continue. La recherche du non-être par suppression de toute perception étrangère achoppe sur l’insupprimable perception de soi.

On comprend ce qu’il veut dire, bon ! Je suppose que je me propose de ne plus rien percevoir et de ne plus être perçu par quoi que ce soit ni qui que ce soit. Rêve beckettien. Mais voilà, subsiste le plus insupportable : la perception de moi par moi. Je me perçois. Comment faire ? Donc, “Film” est un commentaire de” esse est percipi”. Comment ne plus être ? Si esse est percipi, ne plus être – à supposer que ce soit notre rêve – c’est ne plus être perçu. D’accord, je ne serai plus perçu. Mais comment faire pour que je ne sois plus perçu par moi-même ? Vous direz, se tuer. Non, c’est pas ça. Il y a-t-il moyen de ne plus être perçu par soi-même, c’est à dire de ne plus être sans pour ça recourir à ce moyen qu’on peut dire grossier ? Alors je dis juste, reprenez les 3 figures.

-  1ère figure : la fuite dans la rue et dans l’escalier. L’angle d’immunité qui me garantit de quoi ? Qui me garantit contre les perceptions qui m’arrêteraient. Contre les perceptions étrangères qui m’arrêteraient. Je dis, et on verra ça la prochaine fois ; c’est le statut de l’image-action. Ҫa renvoie à l’angle d’immunité : ne pas dépasser 45° dans le dos sinon, je ne peux plus rien faire. Je ne peux plus rien faire.

-  2ème figure : dans la chambre, on a vu, un nouveau problème se joint – celui de la double perception. La même chose et toujours, il n’y a pas de perception simple. La même chose est toujours objet de double perception, au moins possible. C’est même ça ce qui travaille la perception. Je n’ai pas une perception sans quelqu’un d’autre aussi perçoive ce que je perçois ou, ce qui revient au même, puisse percevoir ce que je perçois. Il n’y a pas de perception qui soit la mienne. Toute perception est au moins une double perception possible. Voilà le problème : je dirais, cette seconde figure, c’est le problème de l’image-perception.

-  3ème figure, facile. Vous n’avez qu’à… L’angle d’immunité est franchi. La question de la double perception est liquidée. Il n’y a plus rien à percevoir et il n’y a plus personne pour percevoir. Keaton lui-même est dans sa berceuse, il a fermé les yeux. Hein, c’est comme deux stades, le problème de l’action a été réglé, le problème de la perception a été réglé. Qu’est-ce qui va se passer ? Qu’est-ce que c’est le 3ème stade ? Evidemment, c’est l’image-affection. Il ne s’agit plus du tout de l’élément de la perception, là. La caméra vient en face. C’est le face à face. Ҫa renvoie exactement, c’est la seule manière de représenter avec une caméra le « je me sens du dedans ». Keaton en est au point où plus rien n’est à percevoir et il ne peut plus être perçu ; mais voilà, il se perçoit encore lui-même. En d’autres termes, il se sent. Comment ne plus me sentir moi-même ? D’où, un Keaton va être caméra, un Keaton va être sous la caméra mais cette fois face à face. Ҫa va être cette fois-ci, l’image-affection. Comment supprimer l’image-affection ? Qu’est-ce que signifie ce cinéma ? Je dirais, peut-on supprimer l’image-action ? Et à quelles conditions ? Oui, en dépassant l’angle d’immunité. Il y a un angle d’immunité.

Deuxièmement : peut-on supprimer l’image-perception ? Oui, en cassant le mécanisme de la double perception qui est à la base de toute perception.

Troisièmement : peut-on casser l’image-affection pour enfin avoir la paix ? C’est ce que Beckett appelle : échapper au plaisir du percipi et du percipere. Ah, c’est son style, c’est du pur Beckett, ça. Il parle des gens qui sont tout entiers livrés au plaisir du percipi et du percipere. Quand on voit les gens dans la rue, on ne peut pas ne pas penser à cette formule de Beckett. Vous êtes au plaisir du percipi – tiens celui là… Et puis l’autre vous regarde en même temps, c’est la perception double, etc. Et aussi il y a le plaisir de l’agir et de l’être agi etc et puis il y a le plaisir des affections, de sentir, le plaisir de se sentir soi-même. Eh bien, est-ce qu’on peut échapper à tous ces plaisirs. En d’autres termes, c’est le vide de l’extinction universelle. Alors, ça nous servira beaucoup parce que je fais un pas en avant.

Dans mes histoires de signes, est-ce qu’il n’y aura pas des signes particuliers d’extinction ? Très important comme problème quand on abordera – là je lance, on en aura besoin plus tard, c’est pour finir aujourd’hui.

Il y aura des signes d’extinction. Est-ce que Beckett, ce serait, ” Film” de Beckett ce serait pas le film qui érige l’ensemble des signes d’extinction car si je fais une courte et dernière parenthèse sur le cinéma, c’est beaucoup plus important la manière dont s’éteignent les images que la manière dont elles commencent. Il est bien connu que chez les grands auteurs de cinéma, ce qui compte c’est la manière dont ils terminent les plans beaucoup plus que la manière dont ils commencent un plan. Il y a sûrement des signes de commencement mais on aura à voir si c’est symétrique. Signe de commencement, c’est pas symétrique d’un signe d’extinction. Tout comme il y a une clochette pour dire, l’école commence et une clochette qui dit, l’école finit ; ça c’est pas des signes mais c’est des signes très dérivés. Mais dans les signes vraiment signes, est-ce qu’il n’y a pas des signes d’extinction ? des derniers soupirs qui sont des signes tout à fait curieux, des signes particuliers ? Et dans notre classification des signes telle que j’en rêve, il ne faudra pas tenir un grand compte des signes d’extinction. Voilà. Donc, la semaine prochaine, on commentera ce texte de Beckett.»

- Deleuze, 2/11/1982

Sikhism

The quality of a religion can be measured by what it forbids (even though, it was preferable to spread understanding without imposition).

Sikhism (sikh means “learner”) forbids:

Cutting hair: This is related to one of the 5 K’s or panj kakaar/kakke that all Sikhs (also called Khalsa Sikhs) are typically obliged to wear at all times, as commanded by the tenth Sikh Guru, who so ordered on the day of Baisakhi Amrit Sanskar in 1699. These five symbolic articles represent the ideals of Sikhism, respectively, self-development, non-discrimination, honesty, meditating on God, and never bowing to tyranny:

  • Kesh (uncut hair, usually tied and wrapped in the Sikh Turban, Dastar)
  • Kanga (a wooden comb, usually worn under the Dastar)
  • Katchera (specially made cotton underwear as a reminder of the commitment to purity)
  • Kara (a steel bracelet, which is a symbol of the ever-living)
  • Kirpan (a curved sharp dagger)

Intoxication: Consumption of alcohol, drugs, tobacco, and other intoxicants is not allowed. However the Nihangs of Punjab take an infusion of cannabis to assist meditation.

Premarital or extramarital sexual relations: In Sikhism, the spouses must be physically faithful to one another.

Blind spirituality: Superstitions and rituals should not be observed or followed, including pilgrimages, fasting and ritual purification; circumcision; idols & grave worship; compulsory wearing of the veil for women; etc.

Material obsession: Obsession with material wealth is not encouraged in Sikhism.

Reclusive living: A Sikh is encouraged NOT to live as a recluse, beggar, yogi, monastic (monk/nun) or celibate.

Worthless talk: Bragging, lying, slander, “back-stabbing”, etc. are not permitted. The Guru Granth Sahib tells the Sikh, “Your mouth has not stopped slandering and gossiping about others. Your service is useless and fruitless.”

Priestly class: Sikhism does not have priests, they were abolished by Guru Gobind Singh (the 10th Guru of Sikhism). The only position he left was a Granthi to look after the Guru Granth Sahib, any Sikh is free to become Granthi or read from the Guru Granth Sahib.

Eating creatures killed in a ritualistic manner (Kutha meat): The ritual animal sacrifice to celebrate holy occasions, halal, kosher, etc. – where the animal is killed slowly by ritually slicing the throat and letting it bleed while praying -, is forbidden. The meat eaten by Sikhs is known as Jhatka meat.

Discrimination based on family name, social class (caste) or gender: A family often selects a name for a child by opening the book “Gurū garanath sāhib” to a random page and choosing a name that begins with the first letter of the first word on the left page. All Sikh girls are given the last name Kaur (prince”) and all Sikh boys are given the last name Singh (“lion”). This was established in order to eliminate the basis for discrimination (family name, caste association, village or clan identifiers, academic or social stratification factors, woman identity dependent on his husband or father). The practice of sati (widows throwing themselves on the funeral pyre of their husbands) was abolished. A Sikh woman does not change her name when she marries. In “Sri Guru Granth Sahib”, an important text of Sikhism, Guru Nanak Dev Ji states: «From woman, man is born; within woman, man is conceived; to woman he is engaged and married. / Woman becomes his friend; through woman, the future generations come. / When his woman dies, he seeks another woman; to woman he is bound. / So why call her inferior? From her, kings are born. / From woman, woman is born; without woman, there would be no one at all.»

Repetitiveness is boring

«Here is the program of a healthy (…) movement.
It is revolutionary because it is anti-dogmatic, strongly innovative and against prejudice.
We put the valorization of revolutionary fight above everything and all.
The other problems – bureaucratic, administrative, juridical, scholastic, colonial, etc. -, we find them when we have created the ruling class.
.
We demand – for the political problem:
a) Universal suffrage polled on a regional basis, with proportional representation and voting and electoral office eligibility for women.
b) A minimum age for the voting electorate of 18 years; that for the office holders at 25 years.
c) The abolition of the Senate.
d) The convocation of a National Assembly for a three-years duration, for which its primary responsibility will be to form a constitution of the State.
e) The formation of a National Council of experts for labor, for industy, for transportation, for the public health, for communications, etc. Selections to be made from the collective professionals or of tradesmen with legislative powers, and elected directly to a General Commission with ministerial powers.
.
We demand – for the social problems:
a) The quick enactment of a law of the State that sanctions an eight-hour workday for all workers.
b) A minimum wage.
c) The participation of workers’ representatives in the functions of industry commissions.
d) To show the same confidence in the labor unions (that prove to be technically and morally worthy) as is given to industry executives or public servants.
e) The rapid and complete systemization of the railways and of all the transport industries.
f) A necessary modification of the insurance laws to invalidate the minimum retirement age; we propose to lower it from 65 to 55 years of age. (…)
.
We demand – for the financial problem:
a) A strong progressive tax on capital that will truly expropriate a portion of all wealth.
b) The seizure of all the possessions of the religious congregations and the abolition of all the bishoprics, which constitute an enormous liability on the Nation and on the privileges of the poor.
c) The revision of all military contracts and the seizure of 85 percent of the profits therein.»
.

- Originally published in “Il Popolo d’Italia“, 6 June 1919.

 

«We are socialists, we are enemies of today’s capitalistic economic system for the exploitation of the economically weak, with its unfair salaries, with its unseemly evaluation of a human being according to wealth and property instead of responsibility and performance, and we are all determined to destroy this system under all conditions»

- A. H., speech of May 1, 1927.

.

A crise económica ajudou tal ideologia a chegar ao poder. Num curto espaço de tempo, granjearam a grande maioria do eleitorado. Tudo à conta de dizer o que o povo quer ouvir, alimentando as invejas pequeninas, encarnando o papel do Desejado (Messias, Sebastião ou Grande Chefe). E é sempre um novo ídolo o que se pede para carregar às costas.

The perfect drug

«People who live in the valleys need drugs; people who live in the peaks don’t need them.»

- Osho

In his early days as Acharya Rajneesh, a correspondent once asked Osho for his “Ten Commandments”. In reply, Osho noted that it was a difficult matter because he was against any kind of commandment but, “just for fun”, set out the following:

  1. Never obey anyone’s command unless it is coming from within you also.
  2. There is no God other than life itself.
  3. Truth is within you, do not search for it elsewhere.
  4. Love is prayer.
  5. To become a nothingness is the door to truth. Nothingness itself is the means, the goal and attainment.
  6. Life is now and here.
  7. Live wakefully.
  8. Do not swim – float.
  9. Die each moment so that you can be new each moment.
  10. Do not search. That which is, is. Stop and see.

Osho about his talks:

“How to give people a taste of meditation was my basic reason to speak, so I can go on speaking eternally — it does not matter what I am saying. All that matters is that I give you a few chances to be silent, which you find difficult on your own in the beginning.”
“These discourses are the foundations of your meditation.”
“I am making you aware of silences without any effort on your part. My speaking is for the first time being used as a strategy to create silence in you.”
“These discourses are the foundations of your meditation. Sitting with me in these discourses is nothing but creating more and more meditativeness in you. I don’t speak to teach something; I speak to create something. These are not lectures; these are simply a device for you to become silent, because if you are told to become silent without making any effort you will find great difficulty.”
“I don’t have any doctrine; my talking is really a process of dehypnosis. Just listening to me, slowly, slowly you will be free of all the programs that the society has forced you to believe in.”
“These questions and answers are really just a game to help you to get rid of words, thoughts.”
“These are not ordinary discourses or talks. I am not interested in any philosophy or any political ideology. I am interested directly in transforming you.”
“I have been a teacher of philosophy for nine years, and finding that there was nothing except words, I entered into the world of mysticism. There I have found what was missing in all the philosophies, in all the logical treatises. But now it is impossible to say it. Still I speak. I have been speaking for thirty years continuously – round and round, hoping that somebody may get caught into the net of words and may be pulled out of the misery in which he is drowning. The words can do that much. They can pull you out of your logical world, your linguistic world, your world of philosophies. That too is great. Half the work is done, the remaining can be done by meditation.”
“I am not a master orator. I have never learned oratory. I just know how to communicate simply, straightforwardly, with human beings. I am simply talking to you. I am not an orator. Orators are politicians; orators are missionaries. I am not a missionary; I am not trying to convince anything; I am not trying to attract voters to me. I am simply talking to you. And I know that if you can talk heart to heart, it reaches to the deepest core of human beings. But I am not an orator.
The real question is not the understanding, but to become silent. Hearing is not the point, becoming silent is the point. So many times what happens is that what you have understood becomes a barrier, and it is good to listen to something that you do not understand at all; then thinking cannot interfere. When something is not understood there is no way for thoughts to move; they simply stop.”
 
“So when I say “listen” I am not saying “be attentive” – because in attention there is tension. The very word is out of “tension” – “attention” means “at tension.” Your mind is narrowed. When I say “listen,” I mean be relaxed, open; become a sponge. Soak it up. Let it sink into you. Listen to me as you listen to the birds singing in the trees or to the sound of running water. There is no meaning in it. Or, listen to me as you listen to music. Music has no intellectual meaning. You listen to it – you simply drink it, you let it in, you allow it into your very innermost core. And you enjoy it. If somebody later on asks if you remember what music you have heard, you will not be able to say anything. You will say, “I enjoyed it, it was beautiful, it was something that thrilled me to the very core. I was refreshed through it. I became more alive through it, I felt a sudden joy bursting in my heart.” But these are the impacts that happen to you: there is nothing to say about the music. Listen to me as you do to music.
So don’t be worried. If you forget, good. I am not saying these things to be remembered. I am not here to make you knowledgeable, professional pundits, no. I am not here to give you a memory training. But an upsurge of understanding can happen. You can respond. To whatsoever I am saying you can respond, you can vibrate with it. And that will be real hearing. That is the first step.”
 
The art of listening is based on silence in the mind, so that the mind does not interfere, it simply allows whatever is coming to you. I am not saying you have to agree with it. Listening does not mean that you have to agree with it, neither does it mean that you have to disagree with it. The art of listening is just pure listening, factual, undistorted. And once you have listened then comes the point whether you agree or not, but the first thing is to listen.”

One has to learn very earnestly the art of listening. It is a difficult art, and the greatest difficulty is that everybody thinks he knows it. Just because you can hear, you think you can also listen. And these are two differing things, so different that unless you start listening you will never know the difference.”

“I am speaking to you and I am fully aware from where these words are coming they are coming from my nothingness. I don’t find any other place from where they are coming. Nothingness is not nothing. Nothingness is all. And to recognize nothingness as all, as an experience, is the only way to find your unity with the universe.”
“I have to start with your language, and slowly slowly, you will start learning my language. I am bilingual and I will make you also bilingual. There are two languages: the language of words and the language of silence. Right now I have to use the language of words to translate the poetry of silence, the music of silence. Later on, when you have developed a little meditativeness, you will be able to understand the poetry of silence.”
“I am a drunkard. You may believe it or not, but I am a drunkard. (…)Religion is a sort of intoxication. This has to be understood because without a deep intoxication, your life will never have any meaning. It will remain superficial prose and will never become a poem. You will walk but you will never be able to dance, and unless you dance you have missed. Unless you dance with such abundance, with such forgetfulness that you disappear in it, that the dancer is lost and only the dance remains… only then. And only then will you be able to know what life is.
I remember:
Once Alexander the Great asked Diogenes, “You are so learned, you know so much. Can’t you tell me something about God, what God is?”
Diogenes waited for a moment and then said, “Give me one day’s time.”
Alexander came the next day but again Diogenes said, “Give me two days’ time.” And it happened again, and he said, “Give me three days’ time,” and then four days and then five days, and then six days and the whole week was gone.
Alexander was annoyed and said, “What do you mean? If you don’t know the answer you should have told me before. If you know, then what is the explanation for the delay?”
Diogenes said, “That moment you asked me, I thought that I knew. But the more I tried to catch hold of it, the more it became elusive. The more I thought about it, the farther away it was. Right now, I don’t know anything, and the only thing I can say to you,” said Diogenes, “is that those who think they know God, they know not.”

Religion is a complicated joke. If you don’t laugh at all you have missed the point; if you only laugh you have missed the point again. It is a very complicated joke. And the whole of life is a great cosmic joke. It is not a serious phenomenon — take it seriously and you will go on missing it. It is understood only through laughter.

Have you not observed that man is the only animal who laughs? Aristotle says man is the rational animal. That may not be true – because ants are very rational and bees are very rational. In fact, compared to ants, man looks almost irrational. And a computer is very rational – compared to a computer, man is very irrational.

My definition of man is that man is the laughing animal. No computer laughs, no ant laughs, no bee laughs. If you come across a dog laughing you will be so scared! Or a buffalo suddenly laughs: you may have a heart attack. It is only man who can laugh, it is the highest peak of growth.

And it is through laughter that you will reach to God – because it is only through the highest that is in you that you can reach the ultimate. Laughter has to become the bridge. Laugh your way to God. I don’t say pray your way to God, I say laugh your way to God. If you can laugh you will be able to love. If you can laugh you will be able to relax. Laughter relaxes like nothing else. So all jokes to me are prayers – that’s why I tell them.”

«I’m against all fictions»

………………………………………………………………………………………………………..

Osho é, para mim, uma espécie de Frei Tomás: “Faz o que ele diz, não faças o que ele faz”. Os seus pensamentos e palavras são zen, mas as acções mantiveram-se teológicas.

As normas de conduta, a detecção de metais, o “snif test”, a condução do satsang a partir de um palco, a disciplina dietética e higiénica, a redoma de ar condicionado, o imobilismo auto-imposto, os caprichos luxuosos (que, mais não seja, pecam por serem simbólicos), as técnicas e os ambientes artificiais de meditação e de iniciação (tudo isso tresanda a “fake”) – são directivas de um pequeno ditador vaidoso consigo próprio.

Em suma, Osho não combateu o bastante a primeira das ficções, a primeira das teologias, aquela que dá origem a todas as outras: a mitomania, o culto pessoal. Um anarquista espiritual como Chuang Tsé faz Osho parecer ortodoxo e conservador.

Não obstante, Osho foi um pensador inteligente e um sintetizador de múltiplas referências que merece ser lido.

Y a-t-il des amours univoques?

«L’idéal de Spinoza – je l’ai pas rappelé mais j’en profite pour le rappeler là – c’est vraiment que le monde de l’inadéquat et de la passion, c’est le monde des signes équivoques, c’est le monde des signes obscurs et équivoques, or toi tu as développé à la Miller c’est l’exemple même d’un signe obscur, hors pour Spinoza là, Spinoza est sans aucune trace, vous vous traînez dans le premier genre de connaissance, vous vous traînez dans la pire des existences tant que vous en restez à des signes équivoques ces signes ne sont pas ceux de la sexualité, soit ceux de la théologie, soit ceux de n’importe quoi d’autre, peu importe d’où viennent ces signes, que ce soit des signes du prophète, ou les signes de l’amant, c’est du pareil au même. C’est du pareil au même c’est le monde des signes équivoques. Hors au contraire toute la montée vers le second genre et le troisième genre de connaissance, c’est supprimer au maximum qui dira toujours au maximum en vertu de la loi des proportions, on est condamnés bien sûr, il y aura toujours des signes équivoques, on sera toujours sous leur loi, c’est la même loi que la loi de la mort.

Mais le plus que vous pourrez substituer aux signes équivoques, le domaine des expressions univoques, et c’est tellement … alors le problème du sexe, le monde du sexe ben évidemment Spinoza n’aurait pas écrit un livre sur le monde du sexe. Pourquoi il n’aurait pas écrit sur le monde du sexe ? Pourquoi que pour Spinoza là, je [...] je n’ai pas besoin de remplacer c’est évident là qu’il nous dit quelque chose là-dessus, il nous dirait : “Oh mais ça existe, la sexualité, ça existe… mais c’est votre affaire : est ce que vous en faites la part principale de votre existence ou une part relativement secondaire.” Pourquoi lui, il dirait pour son compte, évidemment c’est aussi question de tempérament, de nature, je crois que Spinoza était fondamentalement un chaste, comme tous les philosophes d’abord, et particulièrement lui. Pourquoi ? Pourquoi, c’est très ancré si vous voulez du point de vue du Spinozisme.

- C’est que pour lui, la sexualité est inséparable de l’obscurité des signes. Si il y avait une sexualité univoque, à ça, il serait complètement pour, c’est pas, il n’est pas contre la sexualité, si vous pouviez tirer et vivre dans la sexualité des expressions univoques, il vous dirait : “Allez-y, c’est ça qu’il faut faire.” Mais voilà, il se trouve, a-t-il tort ou a-t-il raison ? Y a-t-il des amours univoques? Il semblerait plutôt, et il semble que l’on soit allé tout à fait dans ce sens que loin de découvrir des ressources d’univocité dans la sexualité, on a au contraire laissé proliférer l’équivocité du sexuel et que ça été une des plus belle réussite de la psychanalyse de développer en tout sens l’extraordinaire équivocité du sexuel. Alors les critères de Spinoza là, il s’agit de les comprendre avant. Spinoza dirait : Ça m’intéresse pas beaucoup” il dirait : “ vous privilégiez la sexualité …faut pas privilègier la sexualité parce que si vous vous en tenez aux signes équivoques, vous en trouvez partout, faut pas vous en faire. Vous pouvez être aussi bien prophète, vous pouvez être pervers, c’est pas la peine d’aller chercher des trucs sur… sur la bisexualité par exemple, ou sur le mystère du sexe Ou sur le mystère de la naissance. Les signes prenez les où vous voulez, si vous aimez les signes équivoques. Mais une fois dit que le Spinozisme, c’est vrai ce que je vous proposais… le seul point d’interprétation auquel j’ai tenu depuis le début de ces séances sur Spinoza, si vraiment le spinozisme c’est un effort pratique qui nous dit, pour ceux qui seraient d’accord avec un tel projet, avec une telle tentative, il nous dit quelque chose que vous comprenez … ce qui fait votre chagrin, votre angoisse c’est précisément que vous vivez dans un monde de signes équivoques.
- Et ce que je vous propose, moi Spinoza, c’est une espèce d’effort concret pour substituer à ce monde de l’obscur, à ce monde de la nuit, à ce monde du signe équivoque, un monde d’une autre nature que vous allez extraire du premier, vous n’allez pas opposer du dehors, vous allez extraire du premier avec beaucoup de précautions et qui est un monde d’expressions univoques. Là : Spinoza serait assez moderne, assez comme nous quand à la sexualité, il pense lui qu’il n’y a pas. Qu’il n’y a pas d’expression univoque du sexuel …d’accord ça vient du dehors, ça vient du dehors. C’est-à-dire allez-y, mais que ça ne soit pas la plus grande partie de vous même, parce que si c’est la plus grande partie de vous même, à ce moment-là, quand viendra la mort, ou bien plus quand viendra l’impuissance, l’impuissance légitime de l’âge, quand viendra tout ça, eh bien vous perdrez la plus grande partie de vous-même même. Oui, l’idée de Spinoza est très curieuse, c’est que finalement, “sera la plus grande partie de moi-même, ce que j’aurai fait durant mon existence comme étant la plus grande partie de moi-même.”

Si vous voulez, l’idée de Spinoza très curieuse c’est que finalement sera la plus grande partie de moi-même ce que j’aurais fait durant mon existence comme étant la plus grande partie de moi-même. Alors si je prends une partie mortelle, si je fais d’une partie mortelle la plus grande partie de moi-même, et bien à la limite je meurs tout entier en mourant et je meurs avec désespoir

- Deleuze, Cours, 17/03/1981

Le temps

«Os gonzos é o eixo em torno do qual a porta gira. Cardo, em latim, indica a subordinação do tempo aos pontos precisamente cardinais por onde passam os movimentos periódicos que ele mede. Restando o tempo em seus gonzos, ele é subordinado ao movimento: ele é a medida do movimento, intervalo ou número. Assim é o tempo para a filosofia antiga.

Mas o tempo fora de seus gonzos significa a reversão da relação movimento-tempo. É o movimento, agora, que se subordina ao tempo. Tudo muda, mesmo o movimento. Muda-se de labirinto. O labirinto não é mais um círculo, ou uma espiral que traduziria suas complicações,  mas um  fio,  uma  linha reta (…). O tempo não mais se relaciona ao movimento que ele mede, mas o movimento se relaciona ao tempo que o condiciona: é a primeira grande reversão kantiana na Crítica da Razão Pura.»

- Deleuze, “Quatro Fórmulas…”

……………………………………………………………………………………………………………………………………..
«…comment est-ce que la philosophie de Kant pose un temps qui est en train de sortir de ses gonds. Les gonds c’était cette espèce de pivot autour duquel tournait le temps, en d’autres termes, dans une certaine tradition antique, le temps est fondamentalement subordonné à quelque chose qui se passe en lui, et ce quelque chose on peut le déterminer comme étant le changement, subordination du temps au changement, le temps va donc mesurer le changement de ce qui change, ou bien, ce qui revient au même à un autre niveau, il va être subordonné au mouvement, subordination du temps au mouvement, je dis que ça revient au même à un autre niveau parce que le mouvement en tant que mouvement local est la forme la plus pure du changement, c’est à dire la forme parfaite du changement; ça renvoie à des choses d’Aristote et qui couvrent toute la philosophie grecque. Ou bien, ce qui revient au même à un autre niveau encore, subordination du temps au cours du monde, et c’est en ce sens qu’apparaît la définition classique chez les Grecs : le temps c’est le nombre du mouvement. Qu’est-ce que ça implique ? Ça implique une subordination du temps au changement, au mouvement, au cours du monde. Ça implique le temps est comme ployé, il est mis en cercle. C’est un temps, indépendamment ou non des questions de l’éternel retour qui se posent d’une toute autre manière, le temps est cyclique. Et en effet, dans la mesure où il est le nombre du mouvement, il va mesurer le mouvement des planètes – voir tous les thèmes de Platon sur les huit mouvements des huit planètes – et le grand cercle qui va mesurer le temps qu’il faut pour que les huit planètes se retrouvent dans la même position respective, les huit cercles du monde, il y aura donc un grand cercle des cercles dont le point sera assigné par le retour des planètes à la même position relative, il y aura l’année du monde. Or ce temps mis en cercle ne fait qu’un avec le temps subordonné au changement, eu mouvement et au cours du monde, et c’est la grande idée qui traverse toute la philosophie antique : le temps comme image de l’éternité. Le cercle du temps, en tant qu’il mesure le mouvement planétaire, et le retour du même, c’est précisément ce temps mis en cercle. Dans le Timée on avait de très belles pages sur l’arc du Démiurge qui met en cercle, cette activité de ployer.
Or, ce temps comme image de l’éternité, la figure cyclique du temps subordonné au mouvement et dont le secret va être le retour périodique des planètes dans la même position relative les unes par rapport aux autres, c’est bien un temps qui est l’image de l’éternité. Je dirais que tout le temps de l’antiquité est frappé d’un caractère modal, et en effet le mot apparaît tout le temps : le temps est un mode et non pas un être. Pas plus que le nombre n’est un être, c’est un mode par rapport à ce qu’il quantifie, de même le temps est un mode par rapport à ce qu’il mesure.

Évidemment, il ne s’agit pas de prendre Kant comme ça, ça ne se passe pas seulement dans sa tête, il y a une très longue évolution scientifique qui va trouver là son expression philosophique, mais elle avait déjà trouvé, sans doute avec Newton, une expression scientifique. Tout se passe comme si le temps se déployait, mais “se déployait” il faut le prendre au sens strict, c’est à dire se déroulait, c’est à dire perdait sa forme cyclique. Qu’est-ce que ça veut dire que le temps devient ligne droite pure. C’est exactement comme si vous teniez un ressort en rond et que vous le lâchez.
Le temps devient ligne droite pure. Ça me rappelle Borgès, le véritable labyrinthe c’est la ligne droite. Quand le temps devient ligne droite, qu’est-ce que ça veut dire et qu’est-ce que ça implique comme changement ?
Toujours pour parler musique, je dirais qu’avec Kant le temps acquiert un caractère tonal, il cesse d’être modal. On ne peut pas trouver d’autres images pour indiquer la violence d’une telle opération par rapport à la pensée que, vraiment, le cercle qui saute, comme un ressort qui se détend, qui devient pure ligne droite. Vous voyez la ligne cyclique, quand le temps est cyclique, c’est une ligne qui borne le monde et rien que dire que le temps devient ligne droite ça veut dire qu’il ne borne plus le monde, il va le traverser. Dans le premier cas, le temps cyclique c’est un temps qui borne et qui donc opère – ce qui pour les Grecs a toujours été l’acte suprême -, opère la limitation. Lorsque le temps devient ligne droite, il ne borne plus le monde, il le traverse, il n’est plus une limite au sens de limitation, il est limite au sens de : c’est au bout, il ne cesse pas d’être au bout, c’est au sens de passage à la limite. Le même mot “limite” change radicalement de sens, ce n’est plus l’opération qui limite quelque chose, c’est au contraire le terme vers lequel quelque chose tend, et à la fois la tendance et ce vers quoi ça tend, c’est ça le temps. Comment expliquer ça.
Il s’agit juste d’assigner l’importance de ce temps devenu ligne droite. Là ce n’est pas une simplification, ça change tout dans l’atmosphère même du temps et dans l’opération du temps. La manière la plus simple c’est de s’adresser à un poète qui se réclame de Kant. C’est Holderlin. Pour le moment notre problème c’est uniquement de dire quelle importance a ce changement lorsque le temps cesse d’être circulaire, d’être un cycle pour devenir ligne droite. Il faut avoir à l’esprit qu’Holderlin se réclame de Kant et à la fois, a beaucoup de choses à dire sur ce qui arrive lorsque le temps devient ligne droite.
Holderlin pose le problème au niveau de la tragédie grecque, et notamment il oppose la tragédie grecque telle qu’elle apparaît dans Eschyle et la tragédie grecque telle qu’elle apparaît avec Sophocle, et avant tout dans Oedipe et dans Antigone. Le schéma que développe Holderlin, et que d’autres commentateurs de Sophocle ont repris ensuite, vous allez voir tout de suite qu’il concerne le cœur même de notre problème. Ça revient à nous dire qu’il y a un certain tragique grec qui est le tragique du temps cyclique. On le trouve très bien dans Eschyle. Qu’est-ce que c’est le cycle du temps tragique ? Le cycle du temps tragique c’est, en gros, comme trois arcs de cercle de valeurs inégales; il y a le moment de la limitation; la limitation ce n’est rien que la justice, c’est la part assignée à chacun. Et puis il y a la transgression de la limitation, l’acte qui transgresse.
Le moment de la limite c’est le grand Agamemnon, c’est la beauté de la limitation royale. Puis il y a la transgression de la limite, c’est à dire l’acte de la démesure : c’est Clytemnestre assassine Agamemnon. Puis il y a la longue réparation, et le cycle du temps tragique c’est ce cycle là de la limitation, de la transgression et de la réparation. La réparation c’est Oreste qui vengera Agamemnon. Il y aura rétablissement de l’équilibre de la limite qui a été un moment outrepassé. Remarquez que ce temps tragique est assez décalqué sur le temps astronomique puisque dans le temps astronomique vous avez la sphère des fixes qui est précisément la sphère de la belle limitation, vous avez les planètes et le mouvement des planètes qui, d’une certaine manière brise la limite, puis vous avez la réparation, c’est à dire le rétablissement de la justice puisque les planètes se retrouveront dans la même position.
Et dans cette formule du fameux destin tragique, comme on dit, c’est fait dès le début, et lorsque la tragédie commence c’est déjà fait : comme dit le texte même d’Eschyle, au moment où Agamemnon rentre dans son palais et va être assassiné par Clytemnestre, c’est déjà fait. Mais au moment où Clytemnestre l’assassine, acte de démesure et d’injustice, de violation de la limite, la réparation est déjà là. C’est cette espèce de destin cyclique. Le temps est courbe. Tandis que dans des pages splendides, Holderlin dit : qu’est-ce que c’est la nouveauté de Sophocle ? En quoi est-ce que Sophocle finalement fonde le tragique moderne ? Il est le premier à décourber le temps. C’est le temps de Oedipe. Il dit qu’avant Sophocle, dans le tragique grec, c’est l’homme qui se dérobe à la limite. Vous voyez, dans la limite-limitation, l’homme transgresse la limite et par là même il se dérobe à la limite; mais Oedipe on ne peut plus dire que c’est l’atmosphère de quelqu’un qui transgresse la limite, qui se dérobe à la limite. Dans le cas d’Oedipe, c’est la limite qui se dérobe. Où est-elle ? C’est la limite qui devient passage à la limite. Formule splendide de Holderlin : dans Oedipe, le début et la fin ne riment plus. Et la rime c’est précisément l’arc du ploiement du temps de telle manière que début et fin riment l’un avec l’autre. Il y a eu réparation de l’injustice. Dans Oedipe le temps est devenu une ligne droite qui va être la ligne sur laquelle Oedipe erre. La longue errance d’Oedipe. Il n’y aura plus réparation, ne serait-ce que sous la forme d’une mort brutale. Oedipe est en perpétuel sursis, il va parcourir sa ligne droite du temps. En d’autres termes, il est traversé par une ligne droite qui l’entraîne. Vers quoi ? Rien. Heidegger pourra dire plus tard que c’est vers la mort. La ligne droite du temps Heidegger en tirera pour son compte l’idée, qui n’est pas sans être kantienne, l’idée d’une espèce d’être-pour-la-mort.
On voit bien en effet que dans le cas de Oedipe, dans la tragédie de Sophocle, le début et la fin ne riment pas, et bien plus il y a un instant zéro. Holderlin ajoute que ce temps décourbé, tel que le début et la fin ne riment plus ensemble, c’est un temps marqué par une césure, et justement c’est parce qu’il y a une césure dans ce temps, donc un présent pur, que il y aura – et c’est cette césure qui va le distribuer -, un avant et un après, et c’est cet avant et cet après qui ne riment pas.
Au schéma du temps cyclique se substitue un temps comme ligne droite, marqué par une césure, césure qui distribue un avant et un après non symétriques. C’est très important pour nous car le temps comme ligne droite a en lui la possibilité de distribuer un avant et un après non symétriques, de produire un avant et un après non symétriques à partir d’une césure. Cette césure on peut l’appeler le présent pur. Or l’analyse d’Holderlin est admirable car il essaie de montrer que cette forme du temps, césure distributrice d’un avant et d’un après, donc forme linéaire de ce temps marquée par un présent pur en fonction duquel se produit dans le temps un passé et un futur, et bien ce temps est celui de la conscience moderne du temps par opposition à la conscience antique.
Puisque j’ai emprunté la formule à Hamlet, ça me frappe, indépendamment des dates, à quel point tout le schéma qu’Holderlin construit pour nous faire comprendre ce qu’il considère être la nouveauté de Oedipe, à quel point ça s’applique à Hamlet. Pour ceux qui se rappellent Hamlet, c’est curieux à quel point c’est un temps linéaire où quelque chose se dérobe constamment, ce n’est plus Hamlet qui se dérobe à la limite, c’est la limite qui se dérobe à Hamlet, comme si elle filait la ligne droite. Et il y a une césure. Pour Oedipe, Holderlin assigne le moment de la césure à ceci : l’intervention de Tirésias, l’intervention du devin. Il va constituer l’instant pur, le présent pur à partir duquel se produit sur la ligne droite un passé et un futur, c’est à dire un avant et un après qui ne riment plus ensemble. Et dans Hamlet il y a un moment qui me paraît extraordinaire : Hamlet hésite beaucoup dans sa tâche de venger son père : à la lettre la limite se dérobe. Quand il hésite beaucoup pour venger son père c’est la même histoire qu’Oedipe. Pendant longtemps c’est le temps comme de l’avant, mais on ne peut pas dire encore “de l’avant’ puisque l’avant et l’après ne sont distribués que par la césure c’est à dire le moment du présent pur; et puis son beau-père qui veut le liquider, l’envoie dans un voyage en mer. Alors le voyage en mer est tellement fondamental que Hamlet en revient en disant : “il y a en moi quelque chose de dangereux“, ce qu’il n’aurait jamais dit avant, comme si le voyage en mer l’a rendu capable de quelque chose dont auparavant il n’était pas capable. Le voyage en mer a fait fonction de césure et a distribué sur la ligne droite du temps un avant et un après non coïncidables, non symétriques.
On va voir tout ça dans ce texte tellement beau, obscur mais beau de Holderlin : “A la limite extrême du déchirement il ne reste en effet plus rien que les conditions du temps ou de l’espace (là Holderlin parle kantien). A cette limite l’homme oublie soi-même parce qu’il est tout entier à l’intérieur du moment. Le Dieu oublie parce qu’il n’est rien que temps. Et de part et d’autre on est infidèle, etc …” Le détournement catégorique, c’est quoi ? C’est que tant que le temps est cyclique, il y a une espèce de rapport Dieu-homme qui ne fait qu’un avec le destin dans la tragédie grecque. Quand le temps se met en ligne droite, c’est aussi bien quelque chose qui sépare. Dans le commentaire très beau de Holderlin c’est le double détournement dans le même tracé du temps linéaire qui va séparer l’homme et Dieu, Dieu se détourne de l’homme qui se détourne de Dieu. Ce pourquoi Oedipe est dit par Sophocle “atheos”, qui ne veut pas dire athée, mais le séparé de Dieu. Si bien que Dieu n’est plus le maître du temps, qui courbe le temps, et l’homme n’est plus lui-même ???? en cercle dans une espèce d’harmonie avec Dieu, dans cette espèce de rapport avec Dieu, l’homme n’est plus que la césure qui empêche que l’avant et l’après riment ensemble, qui distribue un avant et un après qui ne riment pas ensemble.
Je voudrais juste un commencement de sentiment sur l’importance de ce temps qui se met en ligne droite. Ça ne veut pas du tout dire une simplification de la figure du temps, je voudrais que vous sentiez au contraire une intense complication de la figure du temps. Le temps n’est plus subordonné à quelque chose qui se passe en lui, c’est au contraire tout le reste qui se subordonne au temps. Dieu lui-même n’est plus que le temps vide. L’homme n’est plus que césure dans le temps. Dans “la critique de la raison pure”, il y a un passage très célèbre, également très très beau, qui s’intitule “les anticipations de la perception”. Je voudrais juste montrer que, à un tout autre niveau, Kant nous raconte une histoire qui est la même que celle que Holderlin a raconté après. Mais ce n’est pas à propos de la tragédie grecque. Il se trouve bizarrement que c’est à propos de la physique scientifique. Il y a douze pages extraordinaires intitulées donc “les anticipations de la perception”. Kant nous dit que l’espace et le temps ce sont ce qu’on appelle des grandeurs extensibles. Qu’est-ce que ça veut dire une grandeur extensible ? Ce n’est pas compliqué, pour parler latin une grandeur extensible c’est celle qui répond à la formule “partes extra partes“, l’extériorité des parties, à savoir une grandeur extensive c’est celle dont on appréhende les parties successivement si bien que, toute quantité étant à la fois multiplicité et unité – lorsque vous dites, par exemple, ceci a vingt mètres, c’est l’unité d’une multiplicité -, on définira la grandeur extensible ou la grandeur extensive de la manière suivante : la multiplicité renvoie à une réunion de parties en un tout. C’est ça une quantité extensive. Or le temps c’est comme ça : une minute, une autre minute, une autre minute, et puis vous dites que ça y est, que c’est une heure de passée. Vous voyez la succession des parties dans l’appréhension, la réunion en un tout : une heure. L’espace et le temps sont des quantités extensives, pas de difficulté. Kant ajoute : mais voilà, le réel dans l’espace et dans le temps – vous vous rappelez le réel dans l’espace et dans le temps c’est ce qui apparaît dans l’espace et dans le temps, c’est le phénomène puisque chez Kant le phénomène n’est plus une apparence, c’est le fait d’apparaître -, le réel en tant qu’il apparaît dans l’espace et dans le temps, sans doute il a aussi une quantité extensive, par exemple la table occupe un espace, elle a une quantité extensive, il y a l’espace de la table. Il n’y a plus à revenir sur ce point; c’est même ce que Kant appelle une synthèse. Mais le réel dans l’espace et dans le temps n’a pas seulement une quantité extensive, il a aussi une quantité intensive. Qu’est-ce que c’est une quantité intensive ? C’est ce qui remplit l’espace et le temps à tel ou tel degré.
On voit tout de suite la différence entre quantité extensive et quantité intensive puisque un même espace extensif pourra être également rempli à des degrés divers. Exemple : le même espace peut être rempli par un rouge plus ou moins intense, la même pièce peut être remplie par une chaleur plus ou moins intense, le même volume peut être rempli par une matière plus ou moins dense. La question ce n’est pas du tout si il y a du vide dans l’espace et dans le temps. Kant va même distinguer fondamentalement les deux questions : est-ce qu’on peut concevoir du vide dans l’espace et dans le temps, et une autre question, à savoir que l’espace et le temps peuvent être remplis sans qu’il y ait de vide en eux, peuvent être remplis à des degrés divers. Alors qu’est-ce que c’est que la quantité intensive du réel en tant qu’il remplit l’espace et le temps ? Bien plus, il n’y a pas seulement un réel qui remplit l’espace et le temps, il y a un réel de l’espace et du temps, c’est la quantité intensive. Par opposition à ce qu’on vient de dire de la quantité extensive, les deux caractères fondamentaux de la quantité intensive selon Kant – et ce sera très important pour toutes les théories ultérieures de l’intensité -, premier caractère : l’appréhension d’une quantité intensive est instantanée, c’est à dire que son unité ne vient plus de la somme de ses parties successives, l’unité d’une quantité intensive quelconque est appréhendée dans l’instant. Ce qui revient à dire que quand je dis “il fait trente degrés”, la chaleur trente degrés n’est pas la somme de trois fois 10°, que c’est au niveau des quantités extensives que trente c’est 10+10+10, mais trente degrés ce n’est pas trois fois, une chaleur de trente degrés ce n’est pas trois chaleurs de dix degrés. En d’autres termes, les règles de l’addition, de la soustraction ne valent pas pour les quantités intensives. L’appréhension de l’unité d’une quantité intensive quelconque se fait dans l’instant. Deuxième caractère : la multiplicité contenue dans une multiplicité intensive ne renvoie plus à une succession de parties extérieures les unes aux autres, mais renvoie à un rapprochement variable du degré zéro. Je peux dire que chaque fois qu’il y a quelque chose qui remplit l’espace et le temps, je dirais ou plutôt Kant dirait qu’il se trouve devant une intuition empirique. Intuition, vous vous rappelez c’est la faculté de recevoir ce qui est donné, or le donné est donné dans l’espace et dans le temps, donc l’intuition ce n’est pas du tout une faculté magique, c’est la faculté de réceptivité. Je reçois quelque chose qui est donné, et en ce sens j’ai une intuition empirique. Mais dans la mesure où ce qui est donné a une quantité intensive, c’est à dire un degré, je le saisis dans un rapport à sa production à partir de zéro, ou son extinction … ou le réel qui remplit l’espace et le temps, du point de vue de sa quantité intensive est saisi comme produit à partir du degré zéro ou comme s’éteignant c’est à dire rejoignant le degré zéro.
A ce moment-là la question n’est pas du tout de savoir s’il y a un espace et un temps vides, la question c’est de savoir que de toutes manières il y a une conscience vide de l’espace et du temps. Et il y a une conscience vide de l’espace et du temps comme étant la conscience déterminée par et en fonction du degré zéro comme principe de la production de tout réel dans l’espace et dans le temps-production à partir de zéro ou principe de l’extinction. Je ne voudrais pas faire de rapprochements trop forcés, mais au niveau physique de l’intensité chez Kant, vous pouvez faire ce que Holderlin ????????, à savoir la ligne droite du temps marquée d’une césure qui est l’intuition = 0; ce qu’il appellera l’intuition formelle vide, à partir de laquelle le réel qui remplit l’espace et le temps sera produit, et c’est cette intuition = 0, cette intuition vide qui forme la césure. C’est en fonction de cette césure, de ce degré zéro impliqué par toute quantité intensive, qui est naturellement en corrélation avec le temps comme forme vide, comme ligne pure. Donc sur le temps comme ligne pure se marque la césure du degré zéro qui va faire que l’avant et l’après ne riment plus ensemble. Encore une fois la question ce n’est pas : y a-t-il un temps et un espace vides, la question c’est que il y a une conscience vide du temps, en vertu de la nature du temps lui-même. En d’autres termes Dieu est devenu temps, en même temps que l’homme devenait césure. C’est difficile, on ne comprend rien, mais c’est beau. Voilà tout ce que je voulais dire sur le temps qui sort de ses gonds.
La quantité intensive opère une synthèse entre le degré zéro qu’elle implique à partir duquel elle est produite, et le temps comme ligne pure ou forme vide. La quantité intensive comme degré du réel qui remplit un espace et un temps opère la synthèse entre un degré zéro à partir duquel ce réel est produit ou dans lequel il s’éteint, d’autre part le temps comme forme vide ou ligne pure. Si bien que il y aura complémentarité entre la fonction de césure que la conscience intensive joue dans le temps et la forme linéaire vide que le temps prend. D’où comme dira Holderlin : l’homme (la conscience du temps) n’est plus que césure, Dieu n’est plus que temps vide. C’est le double détournement. Kant n’allait pas jusque là, pour une raison simple que je précise : en effet Kant soustrayait Dieu et l’âme de la connaissance. Il leur donnait une fonction dans le champ de la connaissance, mais Dieu et l’âme n’étaient pas en tant que tels connus puisqu’on ne connaît que des phénomènes, on ne connaît que ce qui apparaît. Seulement il ne supprimait ni Dieu ni l’âme puisqu’il allait leur donner une toute autre fonction, une fonction pratique, morale. Mais du point de vue de la connaissance, Dieu passe par le temps vide tout comme l’âme passe par la césure.
Est-ce que ça va mieux ? Le véritable vécu c’est absolument de l’abstrait. L’abstrait c’est le vécu. Je dirais presque que dès que vous atteignez au vécu, vous atteignez au plus vivant de l’abstrait. En d’autres termes, le vécu ne représente rien. Et vous ne pourrez vivre que de l’abstrait et jamais personne n’a vécu autre chose que de l’abstrait. Je ne vis pas la représentation de mon cœur, je vis une ligne temporelle qui est complètement abstraite. Quoi de plus abstrait qu’un rythme ?
Pour les stoïciens, ils sont à la fois tellement nouveaux par rapport à l’antiquité, et en même temps ils n’ont rien à voir, ils emploient “limite” dans un tout autre sens. La limite chez eux ce n’est plus ni la limite des philosophes de type platonicien, ce n’est pas non plus l’autre limite … Les anticipations de la perception chez Kant, ça veut dire une chose très simple, c’est que vous ne pouvez rien dire sur la perception, a priori, s’il y a une couleur qu’on appelle le rouge et une autre qu’on appelle le vert, ça c’est du donné, vous ne pouvez pas le dire indépendamment de l’expérience, c’est donné dans l’expérience. Il y a deux choses que vous pouvez dire a priori, c’est : quoi que ce soit qui soit donné dans l’espace et dans le temps, ce qui est donné dans l’espace et dans le temps est une quantité extensive, mais a aussi un degré, c’est à dire une quantité intensive. Ça c’est un jugement a priori. A savoir rien ne viendrait remplit l’espace et le temps comme quantités extensives si ce qui vient les remplir n’avait aussi un degré. Donc j’anticipe la perception puisque là j’ai une détermination, c’est la seule chose a priori que je puisse dire. Donc il y a anticipation. Chez Epicure ce n’est pas du tout dans ce sens. La définition du temps épicurien ne sera même pas la nouveauté d’une forme du temps stoïcien, c’est typiquement le temps modal. Là je voudrais bien que Gilles Chatelet enchaîne et dise, de son point de vue un peu mathématique, en quoi précisément cette conception du temps comme ligne droite est fondamentale.
Gilles Chatelet (résumé parce que bande inaudible) : Chez Platon on a un temps qui est créé, c’est à dire qu’il y a une transcendance quelque part qui est au-dessus du temps et qui, en corrélation avec lui, a une dimension supérieure. Ce temps de Platon mesure les périodes, c’est un ensemble de périodes et il assure la répétition des identités dans les astres, le calendrier. Ce qui est fondamental à retenir c’est que le temps est un nombre. Ce temps, par dessus le marché mesure l’ordre. Le temps chez Platon décrit l’ordre, par exemple le chaos n’a pas de temps. Le temps est une espèce de calendrier d’expression de l’ordre du monde : c’est un système de repères de l’ordre, il est dans le monde, c’est un être mondain.
Chez Aristote tout est posé par le mouvement et le temps est dans le mouvement, il est intérieur à la masse. Le temps est rattaché aux corps. Le temps sera purement astrologique, mais on doit à Aristote la notion de temps éternel, infini et uniforme. Mais chez Platon et Aristote on a une représentation cyclique.
Chez Plotin il y a un opérateur abstrait qui s’appelle l’un, qui n’a aucune qualification et il y a quelque chose qui se dégrade dès qu’on sort de l’un. Le temps mesure certainement la dégradation par rapport à l’éternité. Plotin dit que le temps c’est l’addition irréparable de l’être à lui-même. Le temps est une chute, i.e une dégradation, et Plotin parle d’aspiration vers Dieu. La figure mathématique qui s’accorderait avec ce que dit Plotin s’appelle une droite projective, le temps est une droite, mais une droite recourbée. Ce n’est pas un cercle non plus. C’est un cercle moins un point (l’un). Le temps chez Plotin serait une espèce de temps projectif, il y a déjà l’idée de l’irréversible. Chez Plotin le temps découle de l’un et l’un est transcendant au temps. Le temps n’est pas exactement un être cosmique, c’est l’âme qui apprécie le temps en tant que … Le temps est déjà un équivalent de l’éternité, il n’a ni commencement ni fin et le point hors du cercle n’est pas dans le temps, l’un est au-dessus, on ne commence jamais. C’est assez paradoxal.
Chez Kant le temps devient une condition de possibilité des phénomènes. La successivité des phénomènes implique le temps, donc c’est le temps qui est transcendant. Le temps est ce qu’on appelle une multiplicité, c’est clairement dit, il est unidimensionnel et surtout il est ordonné. A la fin il dit qu’il tend à la droite. Or qu’est-ce que c’est qu’une droite ? … Le temps comme paramètre donne la trajectoire … La droite réelle c’est une fonction, le temps devient condition d’une fonction; ce n’est pas l’image de la représentation, c’est la fonction elle-même. Il y a la susceptibilité d’y avoir une fonction du temps. En quoi est-ce que Kant c’est complètement moderne ? Parce que la temporalité c’est définir la topologie … droite … Mais l’idée essentielle de Kant c’est que l’espace abstrait qui est là est pur paramètre.
Il y a deux choses dans Kant : premièrement une révolution technologique au sens où il est clairement affirmé que le temps est une droite réelle, mais il y a aussi une notion de fonction.
Gilles Deleuze : Tu dis quelque chose de très important, à savoir qu’avec Kant le temps cesse d’être nombre ou mesure et devient paramètre. Je voudrais que tu expliques la différence entre un nombre ou une mesure et un paramètre ?
G. Chatelet : Le paramètre n’est pas un résultat. Un nombre, pour les Grecs, c’est simplement une mesure, ici la mesure du temps est possible parce que … En mathématique paramètre ça n’a pas de définition, c’est simplement une notion. Le temps devenu paramètre n’est plus un résultat, il devient donnée initiale. Un paramètre c’est ce qui est donné, ce qui varie.
Deleuze : Je crois que ça revient exactement au même : dire que le temps cesse d’être un nombre ou le temps cesse de mesurer quelque chose et donc est subordonné à ce qu’il mesure, et le temps devient un paramètre, le temps est rapporté à un problème de constitution. Quand je disais que le temps se décourbe, devient ligne droite .. Il y a quelque chose d’équivalent dans cette conception moderne du temps où c’est en même temps qu’apparaît une forme vide du temps paramétrique et que il y a complémentarité avec quelque chose qui fait fonction, ou bien de césure dans la tragédie, ou bien de coupure dans l’instrumentation mathématique. Je suis juste un peu embêté par le rôle clé que Gilles Chatelet donne à Plotin. Dans l’antiquité c’est beaucoup plus compliqué qu’on ne l’a dit jusqu’à présent. Il y avait en fait deux directions et les deux directions avaient au moins quelque chose de commun : dans les deux directions le temps n’a qu’un caractère modal et jamais un caractère ????? Or, les deux directions c’est le temps comme nombre du mouvement, donc subordonné au cosmos physique, subordonné à la phusis, et puis là Plotin rompt, mais il n’est pas le premier à rompre, et lui fait une conception du temps qui est subordonné non pas à la phusis mais à l’âme. Je ne serais pas tout à fait d’accord avec Gilles Chatelet sur l’importance de ce point, de Plotin, et d’une part les deux tentatives : le temps subordonné à l’âme, le temps subordonné à la phusis maintiennent et ont au moins en commun d’affirmer un caractère purement et uniquement modal du temps, donc le temps comme image de l’éternité, un caractère secondaire et dérivé du temps, et les deux ont un point de convergence dans la théorie antique de l’âme du monde. Je ne ferais pas de Plotin un …
Comptesse : intervention inaudible.
Gilles : Transcendant à propos de Kant. Encore une fois il y a deux notions. La notion kantienne c’est transcendantal, le temps est transcendantal, mais toute la notion kantienne de transcendantal est faite pour réfuter la notion classique de transcendant. Le transcendantal c’est surtout pas du transcendant.
Je voudrais passer très vite au second point. Je vais très vite. Je dirais que la seconde formule que je voudrais appliquer à Kant c’est … mais penser le temps c’est vraiment le plus difficile – c’est la phase de la philosophie comme philosophie critique, comme philosophie moderne définie par Kant sous la forme d’une philosophie critique. Dans la philosophie classique, qu’est-ce que c’est que l’autre de la pensée. L’autre de la pensée c’est avant tout l’espace. C’est l’espace. L’espace est conçu comme limitation. Il était conçu comme obstacle et résistance, il est aussi limitation. Pourquoi ? Parce que il se trouve que ma pensée est rapportée à une substance pensante elle-même inétendue, la pensée est l’attribut d’une substance pensante elle-même inétendue, mais cette substance pensante est finie en corps. Elle est finie en corps : c’est le fameux problème qui empoisonnera la philosophie classique à savoir l’union de l’âme comme substance pensante et du corps comme substance étendue. Et le fait que l’âme soit finie en corps, bien que l’âme soit en elle-même inétendue (vous voyez que c’est un problème inextricable : comment est-ce que quelque chose d’inétendu peut être fini dans quelque chose d’étendu, ça va donner toutes sortes de paradoxes), cela introduit en effet une limitation fondamentale de la pensée puisque ça va être la source de toutes les erreurs, de toutes les illusions qui non seulement font obstacle à la pensée, mais limitent la pensée. Troisième caractère : si l’espace est l’autre de la pensée, je dis que c’est un autre de, à la lettre, de l’altérité. La substance étendue est autre que la substance pensante bien qu’elle soit unisubstantiellement supposée, d’où la position bien connue de Descartes dans laquelle il y avait trois substances : la substance pensante, la substance étendue et l’union de la substance pensante et de la substance étendue. Avec la transformation kantienne tout change d’aspect. Pourquoi ? On se souvient du temps devenu ligne droite, et je ne peux plus dire que ce qui est important c’est l’espace comme obstacle ou résistance à la pensée, ou comme limitation de la pensée. Là c’est le temps qui cesse d’être subordonné à l’espace, il prend une indépendance en même temps qu’il acquiert cette forme qu’on a vu, cette forme pure, et ce n’est pas lui qui prend la place de l’espace, il n’est pas obstacle à la pensée, il est la limite qui travaille la pensée du dedans. A la notion de limitation externe se substitue la notion de limite interne. Le temps est la limite qui travaille la pensée, qui traverse la pensée de part en part, il est la limite inhérente, limite intérieure à la pensée, alors que dans la philosophie classique c’est l’espace qui est déterminé comme limitation extérieure de la pensée.
Donc tout se passe comme si la pensée avait son “ennemi” en soi. Elle ne le reçoit pas du dehors. Là il y a une espèce de changement fondamental. Penser le temps ça veut dire substituer au schéma classique d’une limitation extérieure de la pensée par l’étendue, l’idée très très étrange d’une limite intérieure de la pensée qui la travaille du dedans, qui ne vient pas du tout du dehors, qui ne vient pas du tout de l’opacité d’une substance. Comme si dans la pensée il y avait quelque chose d’impossible à penser. Comme si la pensée était travaillée du dedans par quelque chose qu’elle ne peut pas penser. Dès lors le problème, chez Kant, ne sera plus celui de l’union de l’âme et du corps, c’est à dire de l’union de deux substances dont l’une est étendue et l’autre inétendue. Le problème ce ne sera plus l’union de deux substances distinctes, ce sera la coexistence et la synthèse de deux formes (c’est complètement différent deux formes et deux substances) d’un seul et même sujet. Au lieu de l’union de deux substances, la synthèse de deux formes du même sujet, ce qui implique que le sujet n’est pas substance.
Qu’est-ce que c’est que ces deux formes qui vont avoir à s’unir – je ne peux même plus dire dans le même sujet puisque la substance ne sera pas inhérente au sujet -, ce sont deux formes pour un même sujet. Voilà que ce sujet va être traversé par cette ligne du temps; le sujet est comme traversé par deux formes et lui-même n’est rien d’autre que la synthèse, à savoir le point le plus mystérieux, la synthèse de ces deux formes. Qu’est-ce que c’est que ces deux formes ? C’est d’une part la forme de la pensée, et d’autre part la forme de la limite interne de la pensée. Qu’est-ce que ça veut dire concrètement ? La forme de la pensée c’est premièrement l’acte de “je pense”, le “je pense” comme acte ou comme détermination. Dire “je pense” c’est déterminer quelque chose. Quoi ? On verra après.
Forme de la pensée égal, au sens le plus universel “je pense” à savoir que c’est la pensée en tant qu’elle se rapporte à un sujet; mais je n’ai pas le droit de dire que c’est une substance. Deuxième détermination de forme de la pensée : c’est que, comme dit Kant, “je pense” c’est la représentation la plus pauvre, c’est la pensée la plus pauvre qui accompagne toutes les pensées. Moi = moi, c’est le “je” de “je pense”. Le “je pense” c’est la forme universelle de la détermination, mais en un sens je ne détermine rien et dans “je pense” la détermination est à vide.
Concrètement les actes de pensée ce sont des concepts. On a vu que les actes a priori de pensée ce sont des concepts particuliers que l’on appelle catégories. Donc forme de la pensée c’est l’ensemble du “je pense” et des catégories, l’ensemble du “je pense” et de ce que le “je pense”, à savoir les catégories ou les prédicats de l’objet tel quel. C’est ça formes de la pensée. Kant dira aussi bien formes de la spontanéité, quand “je pense” c’est l’acte de la détermination et cela implique une activité qui est l’activité de la pensée. Kant réservera le mot spontanéité pour qualifier la forme de la pensée dans ces deux cas.
Mais qu’est-ce qu’il y a d’autre que ces deux formes de la pensée ? On a vu la forme de la réceptivité ou la forme de l’intuition. La forme de l’intuition c’est là aussi deux choses, tout comme tout à l’heure on a vu que la forme de la pensée c’est le moi, le “je” de “je pense” et c’est aussi le concept comme acte de la pensée, les concepts a priori, c’est à dire les catégories, les formes de la réceptivité c’est l’espace et le temps.
Il y deux fois deux formes. La dernière fois je disais que l’espace c’est la forme de l’extériorité, le temps c’est la forme d’intériorité, ça n’empêche pas que ces deux formes là ont en commun d’être deux formes de l’intuition ou des formes de la réceptivité. La forme de la réceptivité est double : forme d’extériorité = espace, forme de l’intériorité = temps, mais les deux c’est la forme de réceptivité. D’autre part il y a la forme de spontanéité qui est le “je pense” et les catégories. Vous voyez, c’est très important, ça se dédouble : vous avez une première grande dualité : forme d’intuition et forme de spontanéité, forme de réceptivité et forme de spontanéité, et chacune de ces deux grandes formes a deux aspects. La forme de réceptivité a deux aspects : extériorité-espace, intériorité-temps, la forme de spontanéité a deux aspects : le moi du “je pense”, le je = je, et les concepts que je pense, les concepts a priori.
Le problème de Kant c’est comment un même sujet, moi, peut-il avoir deux formes irréductibles l’une à l’autre (irréductibilité de l’espace et du temps d’une part, et du concept de l’autre part), comment un même sujet peut-il avoir deux formes, principalement la forme du temps et la forme de la pensée, et que d’après la forme du temps, il est réceptif, il est accepté, et d’après la forme de la pensée il est spontané, il est déterminant, il opère des déterminations. Il ne s’agit plus du tout de savoir comment est-ce que l’âme est unie au corps, la réponse de l’union de l’âme et du corps découlera évidemment du problème ainsi remanié, à savoir la synthèse de deux formes irréductibles d’un même sujet, ou pour un sujet. Ce qui revient à dire que pour un même sujet la forme de la spontanéité de penser et la forme de réceptivité du temps.
C’est par là que le temps est déjà auteur de la pensée. Et la synthèse kantienne est évidente : la synthèse c’est quelque chose qui sépare ou qui déchire et cette espèce de moi kantien est déchiré par ces deux formes qui le traversent et qui sont complètement irréductibles l’une à l’autre. Alors d’où vient l’harmonie, comment ça peut fonctionner ce sujet claudiquant mais qui ne pense rien sans que ce qu’il pense ait un correspondant dans l’espace et dans le temps, qui ne trouve rien dans l’espace et dans le temps sans que ça n’ait un correspondant dans la pensée, et pourtant l’espace et le temps et la pensée sont deux formes absolument hétérogènes. C’est à la lettre un sujet qui est fondamentalement fêlé, il est traversé par une espèce de ligne qui est précisément la ligne du temps. Si bien que je dirais, en troisième point, que dans la philosophie classique l’autre de la pensée c’était l’autre de l’altérité; avec Kant commence quelque chose d’absolument nouveau : l’autre dans la pensée. C’est un autre de l’aliénation. Bien sûr Kant n’emploie pas ce mot, mais les post-kantiens produiront une théorie fondamentale de l’aliénation qui se révélera dans son état le plus parfait chez Hegel.
La différence entre l’autre de l’altérité, qui est vraiment un autre extérieur qui fait obstacle à la pensée, c’est l’autre de l’aliénation qui est cette limite intérieure.
Qu’est-ce que c’est que cette aliénation ? L’aliénation du sujet chez Kant, c’est précisément ce fait qu’il soit comme déchiré par la dualité des deux formes qui lui appartiennent l’une autant que l’autre, forme de la réceptivité et forme de la spontanéité. Du coup on est presque sur le point de comprendre ce que pourrait vouloir dire l’expression “je est un autre”. “Je est un autre” c’est d’abord une expression de Rimbaud, c’est dans les lettres. Le contexte est le plus classique possible, il est purement aristotélicien car les deux fois où Rimbaud commente la formule “je est un autre”, il lance cette formule avec comme appui philosophique une philosophie extrêmement classique. C’est évident que Rimbaud a eu un prof qui lui a fait un cours sur Aristote. C’est la lettre II dans la Pléiade, 1971 : “Je est un autre. Tant pis pour le bois qui se trouve violon”. Lettre à Paul Dominique : “Car je est un autre. Si le tigre s’éveille … J’assiste à l’éclosion de ma pensée, je la regarde, je l’étudie”.
Aristote nous dit qu’il y a la matière et puis qu’il y a la forme qui informe la matière. La matière c’est le cuivre, le clairon c’est le cuivre qui a été coulé dans cette forme. C’est on ne peut plus classique, et Rimbaud s’assimile à une matière et dit : la pensée me forme. Dans l’autre exemple, le bois devient violon, on lui donne la forme du violon et il reçoit des capacités.
Rimbaud en tire la formule “je est un autre” qui crève évidemment le contexte. Son affaire c’est de trouver le poème, l’acte poétique approprié. C’est Kant qui va faire le travail philosophique qui correspond à la formule “je est un autre”.
Il faut partir à tout prix, car Kant se réfère à ça, sans même le dire, il faut partir du cogito chez Descartes. Je voudrais évidemment vous épargner un cours sur Descartes, mais tout vient de cette formule : “je pense donc je suis”, je suis une chose qui pense. C’est exactement ça le cheminement cartésien, mais on le résume par “je pense donc je suis”. Mais la formule complète c’est “je pense donc je suis”, sous-entendu car pour penser il faut être, je suis quoi ? Je suis une chose qui pense. Vous voyez le progrès : je pense, je suis, je suis une chose qui pense. Je pense = détermination. Je suis c’est la position de quelque chose indéterminé; je suis une chose qui pense, la chose en tant que déterminée. Vous me suivez, il y a trois termes : une détermination : je pense, une chose à déterminer, à savoir une existence ou un être, troisièmement le déterminé, soit la chose pensable.
La détermination détermine quelque chose à déterminer. Vous me direz que s’il n’y a que ça, ça va pas loin. J’ai donc bien trois choses : je pense, je suis, je suis une chose qui pense. Le “je pense” détermine le “je suis” comme chose qui pense. A première vue ça apparaît comme impeccable. Et voilà que Kant arrive et dit : rien du tout, il a oublié un terme, ce n’est pas du tout assez compliqué. Et Kant va corriger, il dit, d’accord je pense = détermination – et là on est en plein dans l’avenir de la philosophie allemande -, pour penser il faut être, d’accord, donc la détermination implique quelque chose d’indéterminé qui est à déterminer par la détermination. J’ai besoin de cette formule compliquée pour une chose très simple. Vous voyez, je pense donc je suis, c’est tout simple, je pense c’est une détermination, la détermination implique quelque chose d’indéterminé qui est justement à déterminer par la détermination. Donc, je pense, je suis, ça marche. Là dessus il fait une coupure, une césure : il dit : je pense donc je suis, très bien, mais vous ne pouvez pas en tirer “je suis une chose qui pense”. Kant a vu une faille là où l’autre croyait être dans une espèce de continuité qu’on ne pouvait pas lui refuser.
Pourquoi est-ce que ça marche de “je pense” à “je suis” ? Encore une fois, d’accord la détermination implique quelque chose d’indéterminé à déterminer par la détermination. Mais, dit Kant, ça nous dit pas encore la forme, sous quelle forme l’indéterminé (c’est à dire le je suis) est déterminable par la détermination.
… La détermination, l’existence indéterminée, l’existence déterminée par la détermination, et Descartes pensait avoir un continuum de la pensée. La détermination c’était “je pense”, l’existence indéterminée c’était “je suis”, la détermination déterminait l’indéterminé : je suis une chose qui pense. Kant dit : je pense = détermination, je suis = existence indéterminée impliquée par le je pense; pour qu’il y ait détermination il faut bien qu’il y ait quelque chose à déterminer. Mais voilà, encore faudrait-il nous dire sous quelle forme l’indéterminé, le à déterminer, ce qui doit être déterminé, ancre faudrait-il nous dire sous quelle forme l’existence indéterminée est déterminable par la détermination. Descartes n’a oublié qu’une chose, c’était de définir la forme du déterminable. Donc il n’y avait pas trois termes, la détermination, l’indéterminé et le déterminé, il y avait quatre termes: la détermination, l’indéterminé, la forme déterminable et le déterminé.
Si vous comprenez ça vous avez tout compris parce que vous avez la réponse de Kant. Sous quelle forme l’existence indéterminée telle qu’elle est impliquée par le je pense, sous quelle forme est-elle déterminée ?
Le “je pense” est une détermination, c’est à dire un acte de la spontanéité. Il implique un “je suis”, mais un “je suis” complètement indéterminé. Descartes nous disait : eh bien oui c’est complètement indéterminé, mais qu’est-ce que ça fait ? Puisque la détermination “je pense” suffit à déterminer son déterminé, “je suis une chose qui pense” … Ce qu’il a oublié c’est que “je pense” c’est une détermination qui implique quelque chose d’indéterminé, mais aussi ça ne nous dit pas sous quelle forme le “je suis” est déterminable par la détermination “je pense”. Réponse de Kant : la forme sous laquelle le “je suis” est déterminable c’est évidemment la forme du temps. Ça va être la forme du temps; et vous allez tomber sur ce paradoxe que Kant va définir lui-même d’une formule admirable : le paradoxe du sens intime, le paradoxe du sens intérieur, à savoir la détermination active “je pense” détermine mon existence, la détermination active “je pense” détermine activement mon existence, mais elle ne peut déterminer mon existence que sous la forme du déterminable, c’est à dire sous la forme d’un être passif dans l’espace et dans le temps. Donc “je” est bien un acte, mais un acte que je ne peux que me représenter en tant que je suis un être passif. Je est un autre. Donc je est transcendantal.
En d’autres termes, la détermination active du “je pense” ne peut déterminer mon existence que sous la forme de l’existence d’un être passif dans l’espace et dans le temps. Ce qui revient à dire que c’est le même sujet qui a pris deux formes, la forme du temps et la forme de la pensée, et la forme de la pensée ne peut déterminer l’existence du sujet que comme l’existence d’un être passif.»

- Deleuze, 21/03/1978

‘Onde não entra o sol, entra o médico’

«A NIGHT AMONG THE PINES

FROM Bleymard after dinner, although it was already late, I set out to scale a portion of the Lozere. An ill-marked stony drove-road guided me forward; and I met nearly half-a-dozen bullock-carts descending from the woods, each laden with a whole pine-tree for the winter’s firing. At the top of the woods, which do not climb very high upon this cold ridge, I struck leftward by a path among the pines, until I hit on a dell of green turf, where a streamlet made a little spout over some stones to serve me for a water-tap. ‘In a more sacred or sequestered bower . . . nor nymph nor faunus haunted.’ The trees were not old, but they grew thickly round the glade: there was no outlook, except north-eastward upon distant hill-tops, or straight upward to the sky; and the encampment felt secure and private like a room. By the time I had made my arrangements and fed Modestine, the day was already beginning to decline. I buckled myself to the knees into my sack and made a hearty meal; and as soon as the sun went down, I pulled my cap over my eyes and fell asleep.

Night is a dead monotonous period under a roof; but in the open world it passes lightly, with its stars and dews and perfumes, and the hours are marked by changes in the face of Nature. What seems a kind of temporal death to people choked between walls and curtains, is only a light and living slumber to the man who sleeps afield. All night long he can hear Nature breathing deeply and freely; even as she takes her rest, she turns and smiles; and there is one stirring hour unknown to those who dwell in houses, when a wakeful influence goes abroad over the sleeping hemisphere, and all the outdoor world are on their feet. It is then that the cock first crows, not this time to announce the dawn, but like a cheerful watchman speeding the course of night. Cattle awake on the meadows; sheep break their fast on dewy hillsides, and change to a new lair among the ferns; and houseless men, who have lain down with the fowls, open their dim eyes and behold the beauty of the night.

At what inaudible summons, at what gentle touch of Nature, are all these sleepers thus recalled in the same hour to life? Do the stars rain down an influence, or do we share some thrill of mother earth below our resting bodies? Even shepherds and old country- folk, who are the deepest read in these arcana, have not a guess as to the means or purpose of this nightly resurrection. Towards two in the morning they declare the thing takes place; and neither know nor inquire further. And at least it is a pleasant incident. We are disturbed in our slumber only, like the luxurious Montaigne, ‘that we may the better and more sensibly relish it.’ We have a moment to look upon the stars. And there is a special pleasure for some minds in the reflection that we share the impulse with all outdoor creatures in our neighbourhood, that we have escaped out of the Bastille of civilisation, and are become, for the time being, a mere kindly animal and a sheep of Nature’s flock.

When that hour came to me among the pines, I wakened thirsty. My tin was standing by me half full of water. I emptied it at a draught; and feeling broad awake after this internal cold aspersion, sat upright to make a cigarette. The stars were clear, coloured, and jewel-like, but not frosty. A faint silvery vapour stood for the Milky Way. All around me the black fir-points stood upright and stock-still. By the whiteness of the pack-saddle, I could see Modestine walking round and round at the length of her tether; I could hear her steadily munching at the sward; but there was not another sound, save the indescribable quiet talk of the runnel over the stones. I lay lazily smoking and studying the colour of the sky, as we call the void of space, from where it showed a reddish grey behind the pines to where it showed a glossy blue-black between the stars.

As if to be more like a pedlar, I wear a silver ring. This I could see faintly shining as I raised or lowered the cigarette; and at each whiff the inside of my hand was illuminated, and became for a second the highest light in the landscape.

A faint wind, more like a moving coolness than a stream of air, passed down the glade from time to time; so that even in my great chamber the air was being renewed all night long. I thought with horror of the inn at Chasserades and the congregated nightcaps; with horror of the nocturnal prowesses of clerks and students, of hot theatres and pass-keys and close rooms. I have not often enjoyed a more serene possession of myself, nor felt more independent of material aids. The outer world, from which we cower into our houses, seemed after all a gentle habitable place; and night after night a man’s bed, it seemed, was laid and waiting for him in the fields, where God keeps an open house. I thought I had rediscovered one of those truths which are revealed to savages and hid from political economists: at the least, I had discovered a new pleasure for myself. And yet even while I was exulting in my solitude I became aware of a strange lack. I wished a companion to lie near me in the starlight, silent and not moving, but ever within touch. For there is a fellowship more quiet even than solitude, and which, rightly understood, is solitude made perfect. And to live out of doors with the woman a man loves is of all lives the most complete and free.

As I thus lay, between content and longing, a faint noise stole towards me through the pines. I thought, at first, it was the crowing of cocks or the barking of dogs at some very distant farm; but steadily and gradually it took articulate shape in my ears, until I became aware that a passenger was going by upon the high- road in the valley, and singing loudly as he went. There was more of good-will than grace in his performance; but he trolled with ample lungs; and the sound of his voice took hold upon the hillside and set the air shaking in the leafy glens. I have heard people passing by night in sleeping cities; some of them sang; one, I remember, played loudly on the bagpipes. I have heard the rattle of a cart or carriage spring up suddenly after hours of stillness, and pass, for some minutes, within the range of my hearing as I lay abed. There is a romance about all who are abroad in the black hours, and with something of a thrill we try to guess their business. But here the romance was double: first, this glad passenger, lit internally with wine, who sent up his voice in music through the night; and then I, on the other hand, buckled into my sack, and smoking alone in the pine-woods between four and five thousand feet towards the stars.

When I awoke again (Sunday, 29th September), many of the stars had disappeared; only the stronger companions of the night still burned visibly overhead; and away towards the east I saw a faint haze of light upon the horizon, such as had been the Milky Way when I was last awake. Day was at hand. I lit my lantern, and by its glow-worm light put on my boots and gaiters; then I broke up some bread for Modestine, filled my can at the water-tap, and lit my spirit- lamp to boil myself some chocolate. The blue darkness lay long in the glade where I had so sweetly slumbered; but soon there was a broad streak of orange melting into gold along the mountain-tops of Vivarais. A solemn glee possessed my mind at this gradual and lovely coming in of day. I heard the runnel with delight; I looked round me for something beautiful and unexpected; but the still black pine-trees, the hollow glade, the munching ass, remained unchanged in figure. Nothing had altered but the light, and that, indeed, shed over all a spirit of life and of breathing peace, and moved me to a strange exhilaration.

I drank my water-chocolate, which was hot if it was not rich, and strolled here and there, and up and down about the glade. While I was thus delaying, a gush of steady wind, as long as a heavy sigh, poured direct out of the quarter of the morning.»

- Robert Louis Stevenson, “A night among the pines” in “Travels with a Donkey in the Cevennes”, p. 26, 27.

Sociedade do envelhecimento

«O homem precisa de dormir.»

«Writing that springs from the surface of existence — when there is no other way and the deeper wells have dried up — is nothing, and collapses the moment a truer emotion makes that surface shake. That is why one can never be alone enough when one writes, why there can never be enough silence around one when one writes, why even night is not night enough

- Kafka

“Men thrive by sleep, not long but deep”

- Provérbio galês

“A good laugh and a long sleep are the best cures in the doctor’s book”

- Provérbio irlandês

.

A chamada “sociedade do conhecimento” que subordina os corpos (não só os humanos) à exposição permanente ao electromagnetismo das máquinas tecnológicas é, na realidade, uma sociedade do envelhecimento.

Por que razão? A luz brilhante dos écrans (mas também a poluição magnética invisível, porém, sensível, que os aparelhos electrónicos emitem) inibem a libertação de melatonina pela glândula pineal, desregulando, quer o ritmo circadiano de vigília e sono (cuja actuação regular nos dá a sensação de repouso), quer os processos naturais anti-envelhecimento e anti-degeneração celular e neuronal, uma vez que a melatonina é um poderoso anti-oxidante (agente anti-envelhecimento e anti-cancro) que, por preferir a escuridão para actuar, ganhou o cognome de “hormona das trevas”.

Quando é que a noite é mais intensa? Do meio-dia à meia-noite, o Sol investe em declinar (ou, melhor dizendo, a Terra investe em subir) e escurecer a atmosfera; da meia-noite em diante, o Sol empenha-se em subir (e a Terra em descer) e o céu vai gradualmente aclarando, mesmo antes do nascer do Sol ser visível.

Assim, a noite é mais intensa entre o pôr-do-sol e a meia-noite. Era a este período que os antigos apelidavam de “sono de beleza”, ainda hoje recomendado a futebolistas e modelos, por razões de desempenho, saúde e formosura.

Supõe-se, desconhecendo se existem ou não investigações que o hajam concluído, que a produção de melatonina atinge máximos durante esta fase do dia.

Produzem-se consequências nefastas sobre o corpo das crianças, em fase de enraizamento de hábitos, quando estas desregulam o seu ritmo circadiano natural para ficarem até mais tarde a ver televisão, ligadas ao computador, a jogar vídeo-jogos ou simplesmente acordadas, a fazer seja o que for. Nos adultos, também se fazem notar os efeitos, sob a forma de insónia, stress, acumulação de cansaço (sem sensação de repouso), falhas de memória, distúrbios alimentares, disfunções sexuais, depressão, desordens do sistema imunológico, debilidade e degeneração de diversos órgãos vitais, anemia energética.

Os horários tardios são fomentados por diversos factores: o agenda setting dos programas de televisão; o artifício de trocar a hora sideral pelo atraso de 1 hora da hora de Inverno; e cada vez mais, pelos serões de trabalho prolongados (actualmente, promovidos pela propaganda governativa). Está longe de ser bom para a produtividade de um país forçar os organismos a ritmos contra-natura e pró-envelhecimento, à custa do consumo desmesurado de estimulantes (“um café para acordar”, nicotina, etc.).

Acresce ainda a poluição luminosa nocturna, que, em vez de ser objecto de jurisdição mais apertada, é promovida como postal turístico (Las Vegas, vistas-satélite nocturnas no Google Earth, etc.). Por todo o lado, holofotes, esse signo de campo de concentração, que dá continuidade ao fascismo em nome da segurança, da vigilância, do reality-show… em detrimento da saúde e beleza (a “justificação estética da existência”).

Na História, abundam os casos de governantes/legisladores/sacerdotes (Júlio, Gregório…) que alteraram os calendários e os horários de toda uma civilização. Independentemente de o terem feito para o bem ou para o mal dos que governavam, certo é que a gestão do tempo sempre foi assunto de vital interesse para os poderes. Como se, de algum modo, intuíssem que, quem for mestre na adequação do corpo vivo ao tempo cósmico é também mestre da sua própria energia.

Não pretendemos, contudo, instituir um dogma horário. É possível que certas pessoas sejam mais matutinas e outras mais vespertinas, consoante a hora do seu nascimento e os seus hábitos arreigados. Cada qual deverá encontrar o horário que mais maximiza a sua energia.

No que à minha experimentação corporal diz respeito, comprovo a eficácia dos costumes da sabedoria popular, salvaguardando as variações horárias da luz natural ao longo das estações:

- “Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer”;

- “Levanta-te às seis, almoça-te às dez, jantarás às seis, deita-te às dez: viverás dez vezes dez”;

- “Uma hora de sono antes da meia-noite vale por três depois” (provérbio inglês);

- “Fica até às nove e és meu amigo; até às dez, não tem mal; mas se ficas até às onze, és meu inimigo.” (provérbio dinamarquês);

- “Às nove: ceia o rico e deita-se o pobre”;

- “O sono é uma medicina” (provérbio inglês).

Por isso, considero uma contrariedade que me obriguem a falhar o meu recolher obrigatório. É como se me tirassem alimento da boca.

Os Antigos Egípcios acreditavam que o nome de uma criança devia ser escolhido com extremo cuidado, pois aquele iria ditar o seu destino. Pela minha parte, quer isso se deva ao meu nome ou não, o facto é que tenho uma relação muito especial (medicinal) com o sono, e, de algum modo, sinto-me destinada a devolver-lhe algum do prestígio que a civilização entendeu retirar-lhe.

Para esse menosprezo, contribuíram ideologias religiosas cujos discursos dão relevância ao despertar (por exemplo, Buda quer dizer “Desperto”) e que abominam o sono como um estado inferior à vigília, assim como também o século do culto às “Luzes” e a euforia da electrificação pós-Edison.

Na realidade, o sono toma parte no despertar. Quando não se deixam os homens repousar, quando não cuidam do equilíbrio subtil entre movimento e repouso, eles vivem permanentemente “zombies”, nem dormindo profundamente, nem profundamente despertos, somente dormentes, letárgicos. E, a menos que os deixem dormir (“dormir como um cão num moinho”, diz um provérbio irlandês), não vão realmente acordar.

A física moderna (incluindo a medicina e a biologia) deveria tomar em elevada consideração que é nas trevas do vácuo que viaja a luz. Primeiro yin, depois yang.

Just give me time

«From around the age of six I have been mad about sketching the forms of life.

By the time I was fifty, I had published a lot of drawings,

but until the age of seventy, nothing that I drew was worthy of attention.

At the age of seventy-three, I began to grasp the real structures of birds, animals, insects and fish, and of the way plants grow.

If I go on trying, at eighty I hope to have apprehended them still better,

and at ninety I shall have penetrated to their true nature,

so that at one hundred years I will have achieved a truly marvelous understanding of them,

and at one hundred and more, I will have reached the stage where every dot and every stroke I paint will be alive.

May Heaven, that grants long life, give the chance to prove the truth of my words.»

- Hokusai, autobiographical postscript to One Hundred Views of Mount Fuji, written in 1835, at age 75. Constantly seeking to produce better work, he apparently exclaimed on his deathbed: “If only Heaven will give me just another ten years… just another five more years, then I could become a real painter”. Hokusai died on May 10, 1849.

Improvisar o acto gratuito

«O ato gratuito

Muitas vezes, o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem conseqüências, são imprevisíveis. O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. Ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trabalho, pelo amor, pelos prazeres, pelos táxis e ônibus, pela nossa vida diária enfim – que esta é toda paga, isto é, tem o seu preço.

Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquíssimas, estava eu escrevendo à máquina – quando alguma coisa em mim aconteceu. Era o profundo cansaço da luta.

E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordara. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar idéias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Então a sede estranha e profunda me apareceu. Eu precisava – precisava com urgência – de um ato de liberdade: do ato que é por si só. Um ato que manifestasse fora de mim o que eu não precisava pagar. Não digo pagar com dinheiro mas sim, de um modo mais amplo, pagar o alto preço que custa viver.

Então minha própria sede guiou-me. Eram 2 horas da tarde de verão. Interrompi meu trabalho, mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um táxi que passava e disse ao chofer: vamos ao Jardim Botânico. “Que rua?”, perguntou ele. “O senhor não está entendendo”, expliquei-lhe, “não quero ir ao bairro e sim ao Jardim do bairro.” Não sei por quê olhou-me um instante com atenção.
Deixei abertas as vidraças do carro, que corria muito, e eu já começara minha liberdade deixando que um vento fortíssimo me desalinhasse os cabelos e me batesse no rosto grato de olhos entrefechados de felicidade.

Eu ia ao Jardim Botânico para quê? Só para olhar. Só para ver. Só para sentir. Só para viver. Saltei do táxi e atravessei os largos portões. A sombra logo me acolheu. Fiquei parada. Lá a vida verde era larga. Eu não via ali nenhuma avareza: tudo se dava por inteiro ao vento, no ar, à vida, tudo se erguia em direção ao céu. E mais: dava também o seu mistério.

O mistério me rodeava. Olhei arbustos frágeis recém-plantados. Olhei uma árvores de tronco nodoso e escruo, tão largo que me seria impossível abraçá-lo. Por dentro dessa madeira de rocha, através de raízes pesadas e duras como garras – como é que corria a seiva, essa coisa quase intangível que é a vida? Havia seiva em tudo como há sangue em nosso corpo.

De propósito não vou descrever o que vi: cada pessoa tem que descobrir sozinha. Apenas lembrarei que havia sombras oscilantes, secretas. De passagem falarei de leve na liberdade dos pássaros. E na minha liberdade. Mas é só. O resto era o verde úmido subindo em mim pelas minhas raízes incógnitas. Eu andava, andava. Às vezes parava. Já me afastara muito do portão de entrada, não o via mais, pois entrara em tantas alamedas. Eu sentia um medo bom – como um estremecimento apenas perceptível de alma – um medo bom de talvez estar perdida e nunca mais, porém nunca mais! achar a porta de saída.

Havia naquela alameda um chafariz de onde a água corria sem parar. Era uma cara de pedra e de sua boca jorrava a água. Bebi. Molhei-me toda. Sem me incomodar: esse exagero estava de acordo com a abundância do Jardim.

O chão estava às vezes coberto de bolinhas de ararueira, daquelas que caem em abundância nas calçadas da nossa infância e que pisamos, não sei por que, com enorme prazer. Repeti então o esmagamento das bolinhas e de novo senti o misterioso gosto bom. Estava com um cansaço benfazejo, era hora de voltar, o sol já estava mais fraco.

Voltarei num dia de chuva – só para ver o gotejante jardim submerso.

Nota: Peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em braile para os cegos que não traduza este. Não quero ferir os olhos que não vêem.»

- Clarice Lispector, “A descoberta do mundo”, pág. 410.

The desert of speaking

The Hebrew word midbar (desert) comes from the same root as m’daber (to speak).

The biblical book of Numbers, in Hebrew, is called Bamidbar, which means “in the desert”.

This appears as the fourth word of the opening line:

“And the Lord spoke unto Moshe in the desert of Sinai (B’midbar Sini).”

Deus-Mercado

«Esto es un antecedente de las Naturalezas Muertas. Personas y animales aparecen en la cuadro, pero la parte principal la ocupan las cosas inanimadas. (…) ¿Cuál es la razón de que las cosas inanimadas se conviertan en lo principal del cuadro? (…)

La pintura, primero en Flandes y en Holanda, se aparta de los motivos religiosos, para no rebajar su carácter elevado. La pintura no quiere rebajar lo elevado, y con ello no puede evitar elevar lo quotidiano. La pintura no quiere humanizar lo divino, y puede suceder que objetos fabricados por el hombre sean divinizados por ella. Lo inimaginable no debe representarse con falsas imágenes, y puede suceder que fabricaciones humanas se transporten a lo inimaginable. (…)

La palabra “fetiche”, en su origen una creación portuguesa, llegó en el siglo XVII, en pleno auge de las Naturalezas Muertas, a Holanda. Marinos narraban que en las costas de África había religiones que veneraban objetos elegidos arbitrariamente, como si fueran divinidades. Fetiches. Cosas que tienen algo divino – y no sólo significan. Tres siglos después, en 1906, escribe Marcel Mauss:

“El término ‘fetiche’ debe abandonarse definitivamente, no corresponde a nada preciso.”

De esta manera parece como si los europeos hubieran inventado una práctica religiosa que enseguida apartaron de ellos muy lejos, relegándola a los confines de su imperio comercial. Pero la palabra “fetiche” ha vuelto envolviendo con su aura cada objeto. La palabra “fetiche” designa algo que no tiene que existir, pero que tiene la fuerza de referirse a algo, apoyado en la nueva circulación monetaria.

Los europeos, los protestantes sobre todo, rechazaban totalmente que a un objeto se le pudiera atribuir una fuerza divina. Se rodeaban cada vez de más objetos, con el riesgo de convertirse en paganos. Por encima de todo: las cosas no deben tener valor por la fe, sino valor de mercado – ¿cómo fundar un comercio mundial sobre la base de la fe? Las cosas han de tener un valor que permita contabilizarlas. Una cantidad de frutos exóticos a cambio de cristal de Venecia. Cristal de Venezia a cambio de porcelana china, y así sucesivamente. Para el comercio las cosas han de significar algo, no les basta con ser. Ya no se puede pedir a la verdad mostrarse ella misma. (…)

Finalmente los objetos dan testimonio de sus fabricantes que en el acto de la producción revelan algo de su propia persona. Sin embargo, los fabricantes no aparecen con su objeto. Cuando se miran las cosas, los hombres que las fabrican resultan no-imaginables. La persona que las mira, resulta a sí mismo no-imaginable. Es el punto de partida para una nueva visión del ser humano.»

- Script do filme “Stilleben” (1997) de Harun Farocki.

Crítica tecnológica

City symbols
Four representations of the town or city: Clockwise, from upper left,

– Early Chinese ideogram for “village,” 1300-612 BC;
– Assyrian bas-relief showing scenes of city life, c. 1600 BC;
– Egyptian hieroglyph for “city,” 3110-2884 BC;
– Icelandic drawing of the “heavenly city of Jerusalem,” 13th century AD.

Images by Norman Crowe in Nature and the Idea of a Man-Made World, MIT Press.

«O símbolo egípcio para “cidade”: um círculo e uma cruz. Geralmente, quando dois caminhos se cruzavam constituía-se uma cidade. Os militares chegam ao cruzamento, para controlar dois caminhos num só ponto. O mercador chega, para vender aos viajantes que vêm de dois caminhos. O viajante é obrigado a parar. Assim se constitui uma cidade. Uma imagem agradável: o viajante faz pausa num cruzamento para se inteirar dos outros possíveis destinos e origens. É desta tomada de consciência que surge a cidade. A escolha entre dois caminhos: a bifurcação. Dois é a expressão mais pequena do plural. Com dois símbolos podemos representar o número maior. Para a direita é com o pé direito e para a esquerda com o pé esquerdo. O lugar de onde se vem é o corpo. Na bifurcação, iluminada pelos holofotes, encontra-se o leito de onde nasceu a cidade. Na bifurcação, uma estrela indica o caminho.

Em 1861, já existia a primeira metralhadora, na Guerra Civil da América. Tinha uma manivela para mudar os canos das balas. O construtor, Gatling, aqui com a sua mão na manivela, justificou a sua invenção afirmando que queria salvar as vidas dos soldados. Um método de racionalização. Mas como uma metralhadora se pode matar mais gente, são, assim, precisos exércitos maiores e não mais pequenos. Quando os produtos são feitos pela máquina, são precisos menos operários, mas maiores mercados. (…)

Até à Grande Guerra, os europeus testaram a metralhadora nas suas colónias. Os alemães usaram-na contra os Hereros e os Hottentotten. Esta é uma arma Maxim, usada pelos ingleses, na Índia. Em 1898, perto de Omdurman, no Sudão, a prova do seu poder de fogo: 7000 soldados islâmicos do Movimento Dervish foram dizimados por metralhadoras. Uma testemunha disse: não foi uma batalha, mas uma execução. (…)

Um veículo armado, já na altura chamado tanque, veio mexer de novo com a guerra, que estava estagnada desde a metralhadora. Os primeiros veículos armados foram veículos agrícolas modificados. (…) Tal como a metralhadora, o tanque impôs-se aos militares. O tanque marcou o início da motorização do exército, e terminou com um século de hierarquias: entre os soldados a pé e os que seguem a cavalo. Esta imagem demonstra o fim do cavalo e o início da motorização em massa. (…)

A regularidade da máquina envergonha a mão insegura do artesão. O trabalhador tem de ser substituído. O cartão perfurado para o “tear de Jacquard”, através do qual se podem padronizar desenhos. O tear é controlado por cartões perfurados, como os que se usam nas calculadoras. A matemática controla o trabalho de mão. O nascimento dos computadores derivado da tecelagem. Um modelo do tear de Jacquard, de 1728, era capaz de tecer padrões e imagens. Jacquard construiu um tear com 25 metros de altura e mandou tecer um retrato seu. Os pregos de metal recolhem-se ou são bloqueados pelos cartões furados. Abrindo ou fechando uma cor em particular. A tecelagem está intimamente ligada à matemática. (…) “A fábrica de ideias não é senão Como a peça de um mestre tecelão, Onde um pedal põe mil fios em movimento, As lançadeiras andam num vaivém. Os fios correm sem os ver ninguém. Um gesto produz mil cruzamentos.” Assim falou Mefistófoles, disfarçado de professor, a um estudante. Ele fala sobre a mecanização do pensamento através da Lógica. O tear de Jacquard decompõe a imagem em pontos e alinha-os, tal como funciona uma televisão. (…)

Até a mais ínfima história da cultura faz referência que os humanos e os animais com coluna vertebral e articulações são incapazes de fazer uma rotação de 360°. A fiação é, portanto, um acontecimento histórico singular. O ser humano com uma coluna rígida e articulações tece pequenas fibras numa teia infinita envolvendo-as. O movimento giratório proporcionou o pré-requisito para a produção contínua. Diz-se que o movimento dos planetas serviu de protótipo para o movimento da roda do fiar. mas eu prefiro dizer: é porque os humanos já tinham inventado o torno, que puderam reconhecer o movimento dos planetas. O engenho de combustão também acciona o impulso da explosão de gás num movimento de rotação. (…) O ritmo do processo e a rotação infinita do trabalho fundem-se num só. (…)

Imagens da fábrica de automóveis Phänomen, 1937. Cada imagem mostra uma peça com a cabeça do trabalhador inclinada, ao fundo. Não há esforço visível, a distorcer o rosto. É um catálogo. Lábios cerrados, uma sobrancelha levantada: um comportamento responsável. Antes da era da linha de montagem: (…) Os primeiros carros foram feitos à unidade, por operários. Ferreiros, caldeireiros, ferradores, latoeiros, mestres seleiros, pintores e cocheiros. Como aconteceu à madeira, estas profissões desapareceram da indústria automóvel. 1934 na Opel: o fantasma do trabalhador operário. Os vidreiros dançam como se fossem camponeses ou vindimadores. Pela última vez, o trabalho vem de um ritmo que também pode ser dançado. O ferreiro teve que se afastar da estampagem. A prensa de metal substituiu o operário que tinha de fazer os chassis. A laca de nitrogénio, aplicada com pistolas, tornaram supérfluos os pintores.

Este é o desenho mais antigo que se conhece de um mecanismo de rotação. Um relevo egípcio, de 300 A.C. Um desenho baseado no relevo, mostra a sua aplicação prática. O trabalhador da direita segura Uma correia enrolada à volta da peça. Ele empurra-a para lá e para cá, transformando este movimento numa rotação. O sistema de correia: Mais tarde a correia passou a ser puxada por um pedal. Esta técnica manteve-se até ao século XIX. Esta corrente para transferir energia é a percursora da transmissão por correia, que faz os trabalhadores das primeiras indústrias parecerem brinquedos mecânicos. Repare nos pés. Normalmente encontramos imagens em que o pé controla a ferramenta. Mais tarde, o pé fica relegado para tarefas rudes, para a força ou o movimento. Creio que os trabalhadores da indústria admiravam os futebolistas uma vez que estes usam os pés para fazer um trabalho minucioso. Os futebolistas usam os seus pés para tarefas, que, normalmente, estão reservadas às mãos. O facto de lhes lembrar como tinham eles sido antes, com os pés, emociona-os mais do que a perda de algo actual.

O inglês, Maudsley, construiu o primeiro torno de cortar roscas, em 1 800 que fazia girar o material quando o torno por ele passava. Marx escreveu acerca disso: Este engenho mecânico não substitui somente a máquina, mas sim a própria mão humana. (…)

Consideremos o seguinte facto: O computador, a desintegração nuclear e o controlo remoto de foguetões foram todos desenvolvidos numa época em que nunca tinha havido tantos escravos em solo alemão como dantes. (…) O trabalhador, que prepara e monitoriza, está em vias de extinção desde que as máquinas estão ligadas a computadores. Antigas calculadoras: rodas com números. Infinitude e medição. Ritmo rígido e repetição. Dantes, era necessário um grande esforço mecânico para a solução técnica de um problema de cálculo. Só quando os sistemas mecânicos foram substituídos pela electricidade, foi possível uma aproximação à leveza do pensamento. Desde que o trabalho é calculado, e que o olho, ouvido e o nariz do trabalhador deixaram de ser precisos, as máquinas assemelham-se cada vez mais a bens domésticos. (…) Brevemente, poderemos admirar motores como quem vê montras. (…) Conduzir, a expressão de mobilidade e liberdade, está sob vigilância. O primeiro trabalho a ser quase inteiramente substituído pela máquina foi o da indústria têxtil. (…)

No seu livro, “A máquina vs. o Homem”, David Noble descreve o processo do chamado “record-playback”, testado nos EUA,após a 2a Guerra Mundial. Significa que o técnico trabalha uma peça na máquina e os seus movimentos são registados numa banda magnética. Depois, de acordo com este registo, a máquina repete os movimentos. Os técnicos da fábrica criam o programa, usando as mãos e olhos. A máquina copia. Sem programador, matemática, linguagem de programação ou computador. Um processo de modelo e cópia. (…)

Os militares e os gestores desprezam processos de produção ainda baseados no conhecimento do trabalhador. (…) A história da tecnologia prefere descrever o desenvolvimento como uma linha de A a B. Ela devia descrever que os outros caminhos existiram e quem decidiu contra eles. A Guerra Civil, nos EUA, fez crescer os caminhos-de-ferro, a 1ª Grande Guerra, o automóvel. A 2a Grande Guerra, o avião. (…) O comboio, meio de transporte da primeira revolução industrial. O comboio faz a ligação de percursos e horários pré-determinados. O comboio não é flexível e tem um comando central. O carro, o transporte da segunda revolução industrial. O carro faz a ligação de uma vasta rede de percursos possíveis em horários livremente determinados. O carro é flexível e tem um comando descentralizado. O veículo carris-estrada. Dos trabalhadores e engenheiros ingleses. Eu prefiro não lhe chamar tecnologia “alternativa”, mas sim, crítica tecnológica, prática. Ela liga os dois sistemas de transporte. (…)

A maioria dos carros de hoje são construídos para que se tornem inúteis depois de 3 ou 4 anos. Perde-se, por isso, muita energia nas reparações. O nosso “Jiffy” foi construído por uma cooperativa e deverá durar mais ou menos 10-15 anos. A cabina é de fibra de vidro e retirámos o motor de um “Mini”, que reparámos e renovámos. Funciona como novo, agora. Construímo-lo para poder ser reparado. Geralmente, há problemas com a embraiagem, por exemplo. Por isso a colocamos aqui, de fácil acesso e reparação. Por isso, o carro deverá durar 10-15 anos. Este movimento não vingou nas grandes empresas. Mas com o apoio dos governos locais e das universidades e dos sindicatos, ela continua em grupos pequenos. (…) No seu livro, “Produtos para a paz, em vez de armas para a morte” Mike Cooley conta a história deste movimento. Ele descreve possíveis caminhos alternativos do pensamento e desenvolvimento tecnológico. (…) O produtor dominaria a produção. O talento e a invenção do artesão e do trabalhador intelectual estariam envolvidas simultaneamente, continuando o desenvolvimento do próprio processo. Isto criaria uma ligação entre a inteligência humana e a tecnologia avançada. É possível imaginar que esta tecnologia, baseada na interacção da mão com a mente, usando a observação, possa ser utilizada em áreas perigosas, como nas minas e na prevenção de acidentes. Filmámos esta demonstração num centro de pesquisa nuclear. Cada pessoa activa gasta, hoje, um terço do seu tempo e dinheiro em carros e ruas. Como na Idade Média, as pessoas despendiam um terço do seu tempo e dos seus recursos em catedrais.»

- Script do filme “As You See” de Harun Farocki.