Um dia

«Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.»

- Sophia de Mello Breyner

Força de trabalho

«What a waste it would be, what a hateful sorry loss if you spent your life
amid the pleasures of the flesh just to bear a few children in sorrow
to the world (…). What a sad misuse of your sacred hands, (…) to be
slaves to the sordid business of women’s work.»

- Pierre Abelard, fourth letter to Heloise.

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«1. RECONSTITUIÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO
Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças. Elas enchem lancheiras e tarros e pastas de escola com latas e buchas e fruta embrulhada num pano limpo. Elas lavam os lençóis e as camisas que hão-de suar-se outra vez. Elas esfregam o chão de joelhos com escova de piaçaba e sabão amarelo e correm com os insectos a que não venham adoecer os seus enquanto dormem. Elas brigam nos mercados e praças por mais barato. Elas contam centavos. Elas costuram e enfiam malhas em agulhas de pau com as lãs que hão-de manter no corpo o calor da comida que elas fazem. Elas vêm com um cântaro de água à cinta e um molho de gravetos na cabeça. Elas limpam as pias e as tinas e as coelheiras e os currais. Elas acendem o lume. Elas migam hortaliça. Elas desencardem o fundo dos tachos. Elas passajam meias e calças e camisas e outra vez meias. Elas areiam o fogão com palha de aço. Elas calcorreiam a cidade a pé e à chuva porque naquele bairro os macacos são caros. Elas correm esbaforidas para não perder o comboio, o barco. Elas pousam o cesto e abrem a porta com a mão vermelha. Elas põem a tranca no palheiro. Elas enterram o dedo mínimo na galinha a ver se tem ovo. Elas acendem o lume. Elas mexem o arroz com um garfo de zinco. Elas lambem a ponta do fio de linha para virar a camisa. Elas enchem os pratos. Elas pousam o alguidar na borda da pia para aguentar. Elas arredam a coberta da cama. Elas abrem-se para um homem cansado. Elas também dormem.

2. REPRODUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO
Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná-los para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençóis com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrelaçam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vêm trazer um borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.

3. PRODUÇÃO
Elas sobem para cima de um caixote, que ainda são pequenas para chegar à bancada de descamar o peixe. Elas mondam, os dedos tolhidos de frieira e urtiga. Elas fazem descer a lâmina de cortar o coiro. Elas sopram nos dedos a aquecê-los, esfregam os olhos, voltam a pôr as mãos por detrás da lente a acertar os fios da matriz do transístor. Elas espremem as tetas da vaca para o balde apertado entre as pernas. Elas fecham num dia as pregas de papel de mil pacotes de bolacha. Elas acertam em duzentos casacos a postura da manga onde cravar o botão. Elas limpam o suor da testa com a manga e a foice rebrilha ao sol por cima da cabeça e da seara. Elas ouvem a matraca de dez teares enquanto a peça cresce diante, o fio amandado de braço a braço aberto. Elas cortam os dedos nas primeiras vinte cinco latas até calejar bem. Elas fazem a agulha passar para cá e lá em cruz na tela do tapete. Elas vigiam a última fileira de garrafas, caladas, à espera da sirene. Elas carregam o cesto de azeitona à cabeça já sem cantar, até que o sol se ponha.

4. SERVIÇOS
Elas carregam no botão da caixa e fazem quinhentos trocos miúdos. Elas metem a cavilha, dizem outro número e passam a vigésima chamada. Elas mexem panelões que lhes chegam à cinta. Elas descem doze caixotes de lixo já noite fechada. Elas fazem todas as camas e despejos de uma família alheia. Elas picam bilhetes metidas numa caixa de vidro. Elas batem à máquina palavras que não entendem. Elas arquivam por ordem alfabética duas mil fichas e vinte e cinco ofícios. Elas vão outra vez buscar a gaveta das luvas para o balcão a ver se há aquele verde. Elas aspiram do pó antes das nove doze assoalhadas e cento e dez degraus de alcatifa. Elas entram na praça manhã cedo, já vindas da lota ajoujadas com o peixe para as bancadas. Elas acertam as bainhas de joelhos, a boca cheia de alfinetes. Elas põem trinta e duas arrastadeiras e tiram sessenta temperaturas. Elas pintam unhas de homem. Elas guardam sanitas e fazem renda em pequenos cubículos sem janela.

5. TRANSMISSÃO DE IDEOLOGIA
Coisas que elas dizem:
- Se mexes aí, corto-ta.
- Isso não são coisas de menina.
- O meu homem não quer.
- Estuda, que se tiveres um empregozinho sempre é uma ajuda.
- A mulher quer-se é em casa.
- Isto já vai do destino de cada um.
- Deus não quiz.
- Mas o senhor padre disse-me que assim não.
- Dá um beijinho à senhora que é tão boazinha para a gente.
- Você sabe que eu não sou dessas.
- Estás a dar cabo do teu futuro com uns e com outros.
- Deixa-te disso, o que é preciso é sossego e paz de espírito.
- Comprei uns jeans bestiais, pá.
- Sempre dá para uma televisão daquelas novas.
- Cada um no seu lugar.
- Julgas que ele depois casa contigo?
- Sempre há-de haver pobres e ricos.
- Se tu gostasses de mim não andavas com aquela cabra a gastar o nosso.
- Põe o comer ao teu irmão que está a fazer os trabalhos.
- Sempre é homem.

6. PRODUÇÃO DE DESEJO
Elas olham para o espelho muito tempo. Elas choram. Elas suspiram por um rapaz aloirado, por duas travessas para o cabelo cravejadas de pedrinhas, um anel com pérola. Elas limpam com algodão húmido as dobras da vagina da menina pensando, coitadinha. Elas escondem os panos sujos de sangue carregadas de uma grande tristeza sem razão. Elas sonham três noites a fio com um homem que só viram de relance à porta do café. Elas trazem no saco das compras uma pequena caixa de plástico que serve para pintar a borda dos olhos de azul. Elas inventam histórias de comadres como quem aventura. Elas compram às escondidas cadernos de romances em fotografias. Elas namoram muito. Elas namoram pouco. Elas não dormem a pensar em pequenas cortinas com folhos. Elas arrancam os primeiros cabelos brancos com uma pinça comprada na drogaria. Elas gritam a despropósito e agarram-se aos filhos acabados de sovar. Elas andam na vida sem a mãe saber, por mais três vestidos e um par de botas. Elas pagam a letra da moto ao que lhes bate. Elas não falam dessas coisas. Elas chamam de noite nomes que não vêm. Elas ficam absortas com a mola da roupa entre os dentes a olhar o gato sentado no telhado entre as sardinheiras. Elas queriam outra coisa.

7. REVOLUÇÃO
Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram. Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui nos cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrabaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada. Elas estenderam roupas a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.»

- MARIA VELHO DA COSTA, “Elas” in “Cravo”, Dezembro de 1975.

Vamos, pasto de serpentes

«”Preparem o caminho da serpente!”, ouviu-se gritar. “Preparem o caminho para a grande Madame!” – “Estamos prontos”, foi a resposta, “estamos prontos!” E nós preparávamos o caminho, famosos operários de partir pedra, saímos marchando da floresta. “Vamos!”, gritou o nosso comandante alegremente, “vamos, pasto de serpentes!” Levantámos imediatamente os martelos e começou o maior martelar de sempre por milhas em redor. Não era permitido parar, só mudar de uma mão para a outra. Tinham-nos prometido a chegada da nossa serpente pela tardinha e nessa altura tudo tinha de estar reduzido a pó, a nossa serpente não era capaz de resistir à mais pequena pedra. Onde há outra assim sensível? É uma serpente sem par, foi muito mimada com o nosso trabalho e agora não há ninguém que se lhe compare. Nós não percebemos, deploramos o facto de ela se continuar a chamar serpente. Podia chamar-se pelo menos Madame – se bem que como Madame ela também não teria igual. Mas isso não é problema nosso; o nosso trabalho é fazer pó.»

- Kafka, “Diários”.

Ouroborus-Synosius by Theodoros Pelecanos-1478
Ouroborus. Folio 196 of Codex Parisinus graecus 2327, a copy made by Theodoros Pelecanos (Pelekanos) of Corfu in Khandak, Iraklio, Crete, in 1478, of a lost manuscript of an early medieval tract which was attributed to Synosius (Synesius) of Cyrene (d. 412). The text of the tract is attributed to Stephanus of Alexandria (7th century).

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«Simpática serpiente, por qué te quedas tan lejos, acércate, más cerca, ya basta, no sigas, quédate ahí. Oh, para ti no existen los límites. Cómo voy a mandar en ti si no sabes de límites. Será un trabajo duro. Empiezo pidiéndote que te enrosques y formes anillos. He dicho que te enrosques y tú te estiras toda. ¿Es que no me entiendes? No me entiendes. Y sin embargo hablo clarísimamente: ¡Que te enrosques! Nada, no lo comprendes. Bueno, te lo enseño con esta vara. Primero tienes que describir un gran círculo, luego en su interior y pegado a él, otro, y así sucesivamente. Si al final todavía tienes la cabecita levantada, la vas dejando caer poco a poco al compás de la melodía que tocaré después con la flauta, y cuando yo acabe la música, tú también has de estar inmóvil, con la cabeza metida en el último círculo.»

- Kafka
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Mehen_game-5th-6th_dynasty_2575-2150bc
Mehen (egyptian snake game), 5-6th dynasty, 2575-2150 century BC

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«Adam’s first domestic pet after the expulsion from Paradise was the serpent.»

- Kafka, “Blue Octavo Notebooks”

Easiness

«Assume a virtue if you have it not.
That monster, custom, who all sense doth eat
Of habits evil, is angel yet in this,
That to the use of actions fair and good
He likewise gives a frock or livery,
That aptly is put on. Refrain tonight,
And that shall lend a kind of easiness
To the next abstinence; the next more easy;
For use almost can change the stamp of nature…»

- Shakespeare, “Hamlet”, Act III, Scene IV, 181-9.

A moda dos artigos

«Há quem diga, como se se tratasse de um dogma, que a publicação de artigos em revistas internacionais – de classe A, escritos em inglês, com referee e disponibilizados em qualquer “plataforma” on-line – constitui o grande objectivo da vida de investigadores, novos ou velhos. Porquê? Por ser essa a única forma de alcançar a referida internacionalização. (…)

Que se desenganem os convertidos a esta moda. Apesar de ela se impor a bem da informação difundida pelos instrumentos tecnológicos mais avançados, da internacionalização e da dita excelência, não é assim que se procede “lá fora”. Posso testemunhar, pelo menos nas áreas que conheço, ligadas ao ensino e à investigação da História e das Ciências Sociais, que a publicação de livros continua a preponderar na avaliação individual dos professores e na formação dos estudantes, da licenciatura ao doutoramento. E, quando assim não é, chovem as críticas. (…)

Se é através dos grandes livros que nos podemos formar, se são eles que devem estar na base de um ensino crítico e vigilante, como explicar a generalização de uma moda em que só os artigos – escritos ainda por cima numa língua como o inglês, que se internacionalizou à custa da sua própria simplificação – parecem contar?

São três as explicações referidas até aqui: tendência para uma hegemonia dos modelos de comunicação baseados em artigos e em investigações colectivas, impostos pelas ciências ditas exactas ou de laboratório; uma falsa ideia do que acontece “lá fora”, num mundo globalizado de matriz anglo-americana; e um fascínio pelos meios de comunicação e de circulação da informação que potenciam leituras fragmentadas e descontínuas, em detrimento da consulta aprofundada da obra de fôlego, do livro, no seu formato mais clássico e em suporte de papel.

Nas Humanidades e nas Ciências Sociais, a sobrevalorização dos artigos decorre, também, de outros factores, com consequências bem gravosas. Por um lado, tal exagero encontra-se directamente associado a uma ideia bem provinciana de que será possível reduzir o conhecimento a uma espécie de grande base de dados de consulta electrónica, incluindo nela as próprias revistas. Trata-se, no fundo, da tradução da ideia pacóvia de que “está tudo na Internet”, logo, a nossa presença ou se faz através desse meio ou não se faz. Ora, não haverá aqui, mais um vez, uma enorme confusão? É que disponibilizar livros ou artigos em formato digital não implicará nunca colocá-los no mesmo plano. Por outro lado, importa desfazer uma espécie de fascínio pelo quantitativo: mais concretamente, o número de ocorrências, enquanto autor ou objecto de uma citação, dificilmente pode ser tomado como indicador de um contributo para a inovação. De tudo isto, fica arredado o pensamento individual, de autor, desenvolvido, durante anos a fio, num livro, bem como a responsabilidade de julgar pela qualidade e não pela quantidade.

A todo este elenco de razões acrescenta-se ainda o facto da inexistência de bibliotecas de trabalho, devidamente equipadas, em Portugal. Uma simples visita às que se encontram disponíveis para as áreas de História e Ciências Sociais é mais do que esclarecedora do atraso em que nos encontramos. Ora, estas são de construção morosa e financeiramente muito exigentes. Em Lisboa, por exemplo, valeria a pena deixar de continuar a brincar às pequenas bibliotecas e desenvolver uma política científica de concentração de recursos. Num panorama de grande atraso, compreende-se o fascínio pelas bases de dados, logo, pelas revistas; consideradas uma espécie de compensação frente à falta de livros e de bibliotecas minimamente apetrechadas. Mas mais uma vez se confundem alhos com bugalhos. Ainda por cima, note-se de passagem, o próprio ensino universitário raras vezes se organiza em função da leitura de livros. O que sucede é que estes são substituídos – com enormes implicações numa pobre formação dos alunos – pelas fotocópias de partes de livros, pelos artigos, por apontamentos ou pelo livro único. Tudo isto num enorme desrespeito pelos direitos de autor, pelo trabalho de editores e livreiros, mas também como única forma de resolver o preço elevado dos mesmos livros.

Neste panorama, e por todas as razões apontadas, será possível pensar na existência de uma cultura dominante, monopolizada pela prática das universidades e dos centros de investigação, que destruiu a centralidade do livro. Ora, é contra toda esta cultura dominante que me insurjo. Claro que defendo que a escrita de livros, individuais, escritos em português ou noutras línguas, deverá ser disponibilizada numa variedade de suportes e completada por outros “géneros”: artigos, recensões, capítulos, organização de obras colectivas, traduções, cuja valorização é urgente reconhecer como peça essencial da famigerada internacionalização, etc. Mas não estou disposto a aceitar que os critérios de avaliação de professores e investigadores possam prescindir da elaboração e da leitura dos livros de autor, bem como da sua centralidade. Fui neles formado, é a partir deles que ensino e continuarei a ensinar.»

- Vitorino Magalhães Godinho, in “O livro: contra a corrente?“, Público, 11.07.2012