Sabes que a fuga
não é exactamente
esses braços na penúria
essa breve de gente.
Mas antes as sete vidas
de um gato no telhado
que ousa nas descidas
assaltar o próprio fado.
Por isso, meu amor,
tu que mudaste de cena,
anda ver a nova cor
desta tua açucena.
Alarga a janela do peito
para fazer corrente de ar
nesta rua que dá direito
ao teu ânimo circular.
Vem alcançar a medula
que leva até à saída
desse estado que anula
a tua pobre doce vida.
O mundo canta lá fora
o valor dos acordados,
mas é mudo a toda a hora
p’ros que dormem tapados.
