O puré fuchsia é a mais recente invenção da minha cozinha improvisada.
Tentava desenhar um prato que primasse por níveis bombásticos de Ferro para compensar a anemia, quando os ingredientes acabaram por misturar-se ao acaso e dar origem a um tal puré.
A ementa completa, especialmente concebida para ferropénicos, consistia em:
- um citrino antes da refeição (a vitamina C aumenta a absorção de Ferro);
- como bebida, limonada com melaço (o açucar branco refinado é inibidor da absorção do tão desejado mineral);
- sopa de abóbora com espinafres (ambos ricos em Fe);
- puré de batata (ou arroz branco) regado com sumo de beterraba ou coberto/decorado com rodelas de beterraba crua, para acompanhar iscas de novilho grelhadas (tudo muito férreo).
Entretanto, outro dos meus achados foi o étimo da palavra “pénico”, do latim “paene” (falta, quase), prefixando termos como península (quase-ilha), penumbra (quase-sombra), etc.
E eu: ferro, quase.
