Desejo e sexo

  • «Se eu dirigisse o mundo poria as pessoas criadoras a uma dieta de pão e água e daria aos broncos toda a comida e bebida que quisessem, envenená-los-ia satisfazendo-lhes os desejos. A comida é veneno para o espírito. A comida não satisfaz a fome, nem a bebida a sede. O alimento, sexual ou de outro género, satisfaz apenas os apetites. A fome é uma coisa diferente. Ninguém pode satisfazer a fome. A fome é o barómetro da alma. […] Um minuto depois do meio-dia começa a noite, dizem os Chineses. […] A noite caiu. Já não tenho fome […]». – MILLER (Henry). Sexus. Rio de Janeiro: Círculo de Leitores, 1975. P. 491.
  • «Quanto ao espírito do Yoga tântrico, poderá ser caracterizado da melhor forma por esta expressão contida num texto: “Que necessidade tenho eu de uma mulher exterior? Tenho uma mulher em mim.”» – EVOLA (Julius). A Metafísica do Sexo (ISBN: 972-699-377-6). Lisboa: Vega, 1993. P. 321.
  • «Numa região do hipotálamo existem feixes de fibras nervosas que parecem desempenhar um papel essencial no sistema de recompensa do organismo. Se se estimular por meio de descargas eléctricas numa cobaia um destes feixes, o animal desata a comer com voracidade. Em presença de animais do sexo oposto copulará com frenesim. Se lhe deixarmos a possibilidade de ele próprio estimular este centro de prazer, ele próprio entregar-se-á, até à exaustão, a esta actividade narcisista levando a frequência dos estímulos até 8.000 por dia!» – ROSNAY (Joel de). O Macroscópio: Para uma Visão Global. Lisboa: Arcádia, 1977. P. 65.
  • «On fait parfois comme si les gens ne pouvaient pas s’exprimer. Mais, en fait, ils n’arrêtent pas de s’exprimer. Les couples maudits sont ceux où la femme ne peut pas être distraite ou fatiguée sans que l’homme dise «Qu’est-ce que tu as ? exprime-toi… », et l’homme sans que la femme…, etc. La radio, la télévision ont fait déborder le couple, l’ont essaimé partout, et nous sommes transpercés de paroles inutiles, de quantités démentes de paroles et d’images. La bêtise n’est jamais muette ni aveugle. Si bien que le problème n’est plus de faire que les gens s’expriment, mais de leur ménager des vacuoles de solitude et de silence à partir desquelles ils auraient enfin quelque chose à dire. Les forces de répression n’empêchent pas les gens de s’exprimer, elles les forcent au contraire à s’exprimer. Douceur de n’avoir rien à dire, droit ne n’avoir rien à dire, puisque c’est la condition pour que se forme quelque chose de rare ou de raréfié qui mériterait un peu d’être dit» – DELEUZE, Les intercesseurs“. L’Autre Journal, n° 8, Octobre 1985. Entrevista por Antoine Dulaure e Claire Parnet. Re-publicado em Pourparlers. Paris: Minuit, 1990.

 

  • «Não posso dar ao prazer qualquer valor positivo, porque o prazer parece-me interromper o processo imanente do desejo; o prazer parece-me estar do lado dos estratos e da organização; é no mesmo movimento que o desejo é apresentado como submetido de dentro à lei e escandido de fora pelos prazeres; nos dois casos, há negação de um campo de imanência próprio do desejo. (…) Há no amor cortês a constituição de um plano de imanência ou de um corpo sem órgãos, no qual o desejo, que de nada carece, resguarda-se tanto quanto possível de prazeres que viriam interromper seu processo.» – DELEUZE, Gilles. “Désir et plaisir”. Magazine Littéraire nº 325, Oct. 1994: p. 57-65.
  • «Há uma trans-sexualidade microscópica presente por todo o lado, que faz que a mulher tenha em si tantos homens como o homem, e o homem mulheres, capazes de entrar, uns com os outros, umas com as outras, em relações de produção de desejo que subvertem a ordem estatística dos sexos. Fazer amor não é ser-se um só, nem mesmo dois, mas cem mil. As máquinas desejantes e o sexo não-humano, são precisamente isto: nem um, nem mesmo dois, mas n… sexos. A esquizo-análise e a análise variável dos ‘n’ sexos num sujeito, para lá da representação antropomórfica que a sociedade lhe impõe e que ele próprio atribui à sua sexualidade.» – DELEUZE e GUATTARI. O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia (ISBN: 972-37-0181-2). Trad. Joana Moraes Varela e Manuel Carrilho. Lisboa: Assírio & Alvim, 1995. P. 306-8.
  • «I must confess that I am much more interested in problems about techniques of the self and things like that than sex…sex is boring.» – FOUCAULT (Michel), “On the Genealogy of Ethics: An Overview of Work in Progress.” The Foucault Reader. Ed. Paul Rabinow. New York: Pantheon, 1984, p. 340.
  • «E devemos pensar que um dia, talvez, numa outra economia dos corpos e dos prazeres, já não se compreenderá muito bem de que maneira os ardis da sexualidade e do poder que sustêm seu dispositivo conseguiram submeter-nos a essa austera monarquia do sexo, a ponto de votar-nos à tarefa infinita de forçar seu segredo e de extorquir a essa sombra as confissões mais verdadeiras. Ironia desse dispositivo: é preciso acreditarmos que nisso está nossa “libertação”» – Foucault, História da Sexualidade, vol. I.

 

  • «A sexualidade não é fundamentalmente aquilo de que o poder tem medo; mas (…) ela é, sem dúvida e antes de tudo, aquilo através do qual ele se exerce» – Foucault, “Não ao sexo rei”, entrevista a Bernard Henri-Lévy.
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