De Ofiusa a Lisboa

Há muito tempo atrás, existiu um reino conhecido pelo nome de Ofiusa, “terra de serpentes”. Esta terra localizava-se numa extremidade distante, junto a um grande mar desconhecido.

Segundo a lenda, este reino era governado por uma rainha, meio mulher, meio serpente. De olhar feiticeiro e voz meiga, possuía jeitos de menina e um incrível poder de sedução.

Tinha por hábito subir ao alto de um monte e gritar ao vento, para depois ouvir sua própria voz no eco: “Este é o meu reino! Só eu governo aqui, mais ninguém! Nenhum ser humano se atreverá a pôr aqui os pés: ai de quem ousar, pois, as minhas serpentes, não o deixarão respirar um minuto sequer!”

Por muito tempo quase ninguém se atreveu realmente a entrar nesse reino. Acreditava-se que a sua costa era amaldiçoada tanto pelos deuses como pelos homens. E os poucos que se arriscavam eram seduzidos pela rainha e nunca mais retornavam. Porém, um dia, vindo de muito longe, um herói chamado Ulisses, aportou na terra das serpentes.

A rainha apaixonou-se imediatamente e fez de tudo para impedi-lo de ir embora. Ulisses, muito habilmente, fingiu deixar-se levar pelos encantos da rainha, até que seus companheiros descansassem e pudessem novamente zarpar.

Como ficou deslumbrado com as belezas naturais que viu, subiu a um monte, e assim como fazia a rainha das Serpentes, gritou ao vento: “Aqui edificarei a cidade mais bela do Universo, e dar-lhe-ei o meu próprio nome. Será Ulisseia, capital do Mundo!”

Ulisses, no entanto, acabou por ir embora, assim que os seus barcos estavam abastecidos e os homens descansados. Fugiu da rainha que correu atrás dele desesperada. Dizem que os seus braços serpenteando atrás do herói acabaram por formar sete colinas rumando em direcção ao mar. Ulisses foi-se, mas a lenda ficou.

Possíveis corruptelas do nome de Ulisses: Ulissipo ou Olissipo.

A História afirma que Lisboa teria sido fundada pelos Fenícios por volta de uns 3200 anos atrás, tornando-se um porto de escala para os povos mediterrânicos que comercializavam com os do norte da Europa. Os Fenícios a teriam chamado de Alis Hubbo, que quer dizer “enseada amena”.

Localizava-se a cidade desde a colina onde hoje se encontra o Castelo de São Jorge até junto ao rio que era chamado de Daghi ou Taghi, que significa “boa pesca”.

Não só os Fenícios passaram por aqui, como também Gregos e Cartagineses. Foi ocupada pelos romanos, com a ajuda dos habitantes locais, tendo sido acrescentado ao nome Olissipo mais duas palavras, passando a chamar-se Olisipo Felicitas Júlia.

Os seus cidadãos ganharam a cidadania romana pelo apoio dado aos romanos quando da ocupação da Lusitânia. Além de se tornarem cidadãos romanos também não pagavam impostos. A cidade passa a ser parte da província romana chamada Lusitânia, cuja capital era na actual cidade de Mérida (Eméritas Augusta), na actual Espanha.

No declínio do Império Romano, Olisipo era uma das primeiras cidades a abraçarem uma nova fé, conhecida então como cristianismo. Sofreu invasões de Alamos e Vândalos, fez parte do reino dos Suevos e acabou por ser tomada pelos Visigodos de Toledo (Espanha). Mas em 719 Olissipo foi tomada pelos mouros, que a chamaram de Lissabona, ou Al Lixbuna.

Em 1147, Lissabona deixa de ser Lissabona. D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal expulsa os mouros e ocupa a cidade. Mas não é ainda altura para Lisboa se tornar capital, o que só acontece em 1255, devido à sua localização estratégica.

E a História segue adiante… muitos séculos mais.

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