O «Barata diz que tem… Ha-Ha-Ha Ho-Ho-Ho…»

«Costumava dizer que descansava de umas coisas a fazer outras. (…) Descansar para mim é o variar. Agora, que já estou velhote, não consigo descansar tanto.»

«Uma das grandes coisas que se aprende com as crianças é o entusiasmo, a alegria, a curiosidade e uma coisa que infelizmente as condições da nossa vida adulta muitas vezes impedem, dificultam e obstaculizam que é a necessidade de dispormos de tempo para em conjunto descobrirmos o mundo. Isso é o que há de mais gratificante.»

«O destino da filosofia não é simplesmente ser aprendida. Há uma coisa, para mim fundamental, que é recuperarmos a dimensão do pensar, que não é um exclusivo dos filósofos e que era capaz de não ser mau que todos exercitássemos com alguma atenção. (…) Com muita apreensão vejo o que nos últimos anos tem acontecido por exemplo em relação ao ensino da Filosofia. Repare, o pensar é uma actividade transversal: o cientista pensa, o gestor pensa, o artista pensa, o jardineiro pensa. Não se trata aqui da defesa corporativa do espaçozinho da filosofia, mas a verdade é que a forma como tem vindo a ser tratado nos últimos tempos, em termos orgânicos e institucionais, o espaço da filosofia no nosso ensino secundário, justifica profundas apreensões quanto à insensibilidade, desatenção, para não dizer outras coisas, relativamente à importância formativa deste exercício do pensar no espaço educativo. (…) E não se trata de os filósofos darem receitas de como se pensa, mas talvez de serem animadores, os estimuladores de um exercício de pensar para o qual todos nós temos de ser convocados e somos convocados naturalmente

«Se olharmos para a história, quando se faz determinado tipo de imposição de modelos que não têm muito a ver com a realidade que está a ser vivida, trabalhada e transformada pelas diferentes colectividades humanas, normalmente dá mau resultado. Portanto, é com grande tristeza que vejo a sistemática alienação da responsabilidade de soberania para instâncias que ninguém sabe exactamente o que são, mas que são disputadas pelos grandes interesses a nível mundial para terem aí a sua hegemonia na condução das grandes linhas políticas e económicas, assim como vejo com grande tristeza a maneira como o povo português do qual faço parte, com algum desinteresse e desatenção, embarca numa coisa que de certeza não era a única alternativa a uma construção europeia séria.»

Excertos de uma entrevista a Barata-Moura (Notícias Magazine, 11.Mai.2008)

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3 thoughts on “O «Barata diz que tem… Ha-Ha-Ha Ho-Ho-Ho…»

  1. Uma coisa sempre preocupante é ver os jovens dizer que “filosofia é uma seca”, “matemática é uma seca”, etc…

    Há algo de muito errado nisto tudo. Porque basicamente “aprender é uma seca”. E enquanto as coisas estiverem a funcionar e os alvos (estudantes) pensarem assim e andarem com as motivações trocadas não vamos a lado nenhum.

    Que saudades da Mafaldinha que passou os 5 anos dela ansiosa porque só queria ir para a escola para aprender a ler!…

  2. Não será uma questão de desajuste das matérias e metodologias às circunstâncias?

    Na infância e primeira adolescência – salvo casos precoces – o pensamento abstracto do indivíduo ainda está pouco formado. Piaget tem páginas notáveis sobre o pensamento ligado ao concreto da criança. As crianças adoram FAZER e DESCOBRIR, mais que ler e repetir. Há um excesso de teoria e um défice de prática nas escolas e na sociedade em geral. Os cursos supostamente profissionais pecam pelo mesmo e são os próprios professores afectos a eles que o reconhecem: uma fantochada que disfarça a falta de investimento em infra-estruturas que exigem.

    Já me apontaram com um tom de censura o facto de as “entreter” pelo facto de lhes dar actividades práticas de que elas gostam, ao ponto de pedirem para vir para a minha aula quando não têm outras (em parte, também pela importância que tem as relações de grupo para eles), o que recuso por falta de espaço. O mais engraçado é que me censuraram uma actividade que, noutros países ou noutras escolas, se usa para o ensino da Matemática: o “origami” (para a sua realização, tem que se falar em vértices, arestas, triângulos, quadrados, ângulos, eixos de simetria, tangentes, etc.).

    Depois, como não sou moralista além da conta, assisto à felicidade com que alguns alunos vêm mostrar-me as caricaturas, os modelos automobilísticos “tuning” ou os desenhos eróticos que eles FIZERAM com as suas próprias mãos. E desde que FAÇAM e cada vez melhor, qualquer tema serve.

  3. eu detestei filosofia porque a professora k eu tive matou a disciplina. aquela mulher era tudo menos professora.

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