Casa helicoidal

«Os apartamentos da casa helicoidal tomarão a forma de fatias de bolo. Será possível alargá-los ou reduzi-los, deslocando partições móveis. A gradação da altura dos pisos impede um número limitado de quartos, uma vez que o inquilino pode solicitar o uso de uma secção adjacente nos níveis superiores ou inferiores. Graças a esta configuração, três apartamentos de quatro divisões podem ser transformados em um apartamento de doze divisões, em menos de seis horas».

– Citado em Debord, “Teoria da Deriva”, 1958.

Indiferente a acordos ortográficos

Herder, “Ensaio sobre a Origem da Linguagem”, 1772:

«Quanto mais viva estiver uma língua, quanto menos se tiver pensado em aprisioná-la num alfabeto, quanto mais perto estiver da sua origem, ou seja, do som natural pleno e indiferenciado, menos susceptível será de ser reduzida a escrito, muito menos com cerca de vinte letras; as mais das vezes, aliás, será mesmo impossível aos estranhos pronunciá-la». – P31

«Para nós são as vogais que constituem o que há de primordial, de mais vivo, o eixo da língua. Por que razão não as escreviam os Hebreus? Porque era impossível escrevê-las. (….) Haverá alguma coisa de menos susceptível de ser escrito que as sonoridades naturais inarticuladas? (…) A linguagem resultou, não de letras da gramática de Deus [cf. Nietzsche sobre Deus e a gramática], mas sim das sonoridades selvagens de órgãos livres». – P33-34

Beleza

«A beleza, Monsieur, não é tanto uma qualidade do objecto considerado quanto um efeito produzido naquele que a considera. Se os nossos olhos fossem mais fortes ou mais fracos, se a compleição do nosso corpo fosse outra, as coisas que nos parecem belas nos pareceriam feias e aquelas que nos parecem feias tornar-se-iam belas. A mais bela mão vista ao microscópio parecerá horrível. Certos objectos que, vistos de longe, são belos, são feios quando os vemos de perto, de maneira que as coisas consideradas nelas mesmas ou na sua relação com Deus não são nem belas nem feias».

– Spinoza, Lettre LIV a Monsieur Hugo Boxel, Septembre 1674, p. 291.