Falácias da educação

«A nossa política educacional baseia-se em duas enormes falácias. A primeira é a que considera o intelecto como uma caixa habitada por ideias autónomas, cujos números podem aumentar-se pelo simples processo de abrir a tampa da caixa e introduzir-lhes novas ideias. A segunda falácia, é que, todas as mentes são semelhantes e podem lucrar como o mesmo sistema de ensino. Todos os sistemas oficiais de educação são sistemas para bombear os mesmos conhecimentos pelos mesmos métodos, para dentro de mentes radicalmente diferentes.

Sendo as mentes organismos vivos e não caixotes do lixo, irremediavelmente dissimilares e não uniformes, os sistemas oficiais de educação não são como seria de esperar, particularmente afortunados. Que as esperanças dos educadores ardorosos da época democrática cheguem alguma vez a ser cumpridas parece extremamente duvidoso. Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja.

O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio».

Aldous Huxley, “Sobre a Democracia e outros Estudos”, 1927.

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2 thoughts on “Falácias da educação

  1. Desgraçada! Eu vim aqui hoje “por acaso” ver se isto ainda existia porque estava convencido que tinhas desligado a ficha, e afinal descubro um mês de posts em atraso!! Ando aqui a vaguear agora há imenso tempo! Isto NÃO SE FAZ!

    Qualquer dia temos de tomar um chá para falar de teorias de educação. Realmente nunca tive pedagógicas, mas os putos todos os dias me surpreendem com qualquer coisa contra a norma do que me foi dito para fazer…

  2. Poderá “ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio” ser “instruí-lo”? A palavra instruir é parente de “semear”…e se a isso associarmos o facto da palavra “aluno” ser uma evolução da ideia de “alimentado”…o aluno será “o alimentado” e o instrutor “aquele que semeia”. Uma ideia radicalmente diferente da de educação…não? Talvez seja mais afim da de destino: a de contribuir para que os homens se cumpram..ou seja, ajudá-los a “tornarem-se o que realmente são”, como disse o Aldus, mas por exemplo também o Nietzsche.

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