Don’t you think maybe it’s about time?

WALKING

«You can fight the fire that’s in your head
Lay it down, the hour has come to end
Walk around without her just for a bit
Looking back upon the way things had been

Man, I’ve been wasting so much time
Walking the same street every night
Don’t you think maybe it’s about time?

You can light the fire that’s in your head
Put it off, tomorrow will come instead
We don’t watch the tower that tells us when
Pull the wicked flower out from its bed

Man’s been wasting so much time
Sending the children out to fight
Don’t you think maybe it’s about time?»

‘Stupidity is never of the other, is mine… Stupidity is thinking’

Derrida’s reading of Deleuze’s “Difference and Repetition” argues that Man’s capacity for stupidity, or bêtise (which signifies stupidity, bestiality, and dumbness) is what separates him from the animals. It is stupidity, bestiality, that makes us different from animals: bêtise implies not an error, not a bad judgement, but rather an inability to judge”. Deleuze writes “bêtise is human and not bestial, not animal”, in a similar fashion to Lacan’s argument that bestiality relates only to humans, since, paradoxically, it cannot be applied to animals. Derrida claims that Deleuze here does not break free from “the hegemonic tradition from Descartes to Levinas, including Lacan and Heidegger”. Derrida suggests that the idea of the unconscious, which Deleuze cannot disqualify, dissolves the boundaries between the animal and human that Deleuze had attempted to erect with “stupidity”.

Perceptos por perto, afectos ao longe

Ontem, deitei-me após algumas leituras sobre afélio e periélio (Hélio, Sol), apogeu e perigeu (Gea, Terra), aposelene e periselene (Selene, Lua), e respectivos sufixos gregos: “apo” para longe e “peri” para perto, no que respeita à posição relativa de um astro ou satélite em órbita ao redor de outro.

O afélio da Terra marca o Verão. O seu periélio, o Inverno. É curioso que, quando a Terra está mais perto do Sol, faça mais frio…

O maior apogeu e o menor perigeu da Lua ocorrem em Fevereiro/Março (Primavera). O menor apogeu e o maior perigeu da Lua em Setembro (Outono).

“Apogeu” é sinónimo de plenitude, clímax, auge. “Perigeu” soa próximo de “perigo”. Que perigo nos traz a Primavera? Lembrar Hölderlin: «onde mora o perigo, cresce também o que salva». Não é esta frase sinónima daquela outra, de Heidegger: «Na ruína está presente, surdamente, a reconquista»? Será perigo os ovos que chocam, o não saber o que vem, o começar do zero?

Hoje, acordei com algo a insinuar-se no pensamento: na posição do afélio, o afecto; na posição do periélio, o percepto. Afélio-afecto: a máxima extensão e largura, máxima potência. Periélio-percepto: ver tão ao perto que há perigo de choque.

afelio-perielio

 

Pensar que, com excepção do Outono, que é um mundo de tons, tonalidades, uma estação tonal, todas as outras são variantes de “ver”, verdade: Prima-vera (“primeira verdade”), Ver-ão (aumentativo, “verdade maior”), In-ver-no (“verdade no interior”). A verdade no interior (contenção) é um gelo, comparando com a verdade que aumenta, se expande, e aquece. Perceptos gelados. Afectos calorosos.

O bicho-caça-às-cinco-horas

«O Cosmo como máquina abstrata e cada mundo como agenciamento concreto que o efectua. Reduzir-se a uma ou várias linhas abstractas, que vão continuar e conjugar-se com outras, para produzir imediatamente, directamente, um mundo, no qual é o mundo que entra em devir e nós nos tornamos todo mundo».

«É todo o agenciamento em seu conjunto individuado que é uma hecceidade; é ele que se define por uma longitude e uma latitude, por velocidades e afectos, independentemente das formas e dos sujeitos que pertencem tão somente a outro plano. É o próprio lobo, ou o cavalo, ou a criança que param de ser sujeitos para se tornarem acontecimentos em agenciamentos que não se separam de uma hora, de uma estação, de uma atmosfera, de um ar, de uma vida. (…) A rua compõe-se com o cavalo, como o rato que agoniza compõe-se com o ar, e o bicho e a lua cheia se compõem juntos. (…) O clima, o vento, a estação, a hora não são de uma natureza diferente das coisas, dos bichos ou das pessoas que os povoam, os seguem, dormem neles ou neles acordam. E é de uma só vez que é preciso ler: o bicho-caça-às-cinco-horas. Devir-tarde, devir-noite de um animal, núpcias de sangue».

«Saltar de um agenciamento a um outro, em prol de um esvaecimento, transpondo um vazio.»

«O plano de consistência não pára de se extrair do plano de organização, de levar partículas a fugirem para fora dos estratos, de embaralhar as formas a golpe de velocidade ou lentidão, de quebrar as funções à força de agenciamentos, de microagenciamentos».

«Não será preciso guardar um mínimo de estratos, um mínimo de formas e de funções, um mínimo de sujeito para dele extrair materiais, afectos, agenciamentos? Assim, devemos opor os dois planos como dois pólos abstratos: por exemplo, ao plano organizacional transcendente de uma música ocidental fundada nas formas sonoras e seu desenvolvimento, opomos um plano de consistência imanente da música oriental, feita de velocidades e lentidões, de movimentos e repouso».

«As inovações fundamentais do romantismo consistiram nisso: não havia mais partes substanciais correspondendo a formas, meios correspondendo a códigos, uma matéria em caos que se encontraria ordenada nas formas e pelos códigos. As partes eram antes como agenciamentos que se faziam e se desfaziam na superfície. A própria forma tornava-se uma grande forma em desenvolvimento contínuo, reunião das forças da terra que enfeixava todas as partes. A própria matéria não era mais um caos a ser submetido e organizado, mas a matéria em movimento de uma variação contínua. O universal havia se tornado relação, variação. Variação contínua da matéria e desenvolvimento contínuo da forma. Através dos agenciamentos, matéria e forma entravam assim numa nova relação: a matéria deixava de ser uma matéria de conteúdo para tornar-se matéria de expressão, a forma deixava de ser um código domando as forças do caos para tornar-se ela própria força, conjunto das forças da terra».

«O CsO já está a caminho desde que o corpo se cansou dos órgãos e quer licenciá-los, ou antes, os perde. Longa procissão: — do corpo hipocondríaco, cujos órgãos são destruídos, a destruição já está concluída, nada mais acontece (…); — do corpo paranóico, cujos órgãos não cessam de ser atacados por influências, mas também restaurados por energias exteriores (…); — do corpo esquizo, acedendo a uma luta interior ativa que ele mesmo desenvolve contra os órgãos, chegando à catatonia; e depois o corpo drogado, esquizo experimental (…); — do corpo masoquista, mal compreendido a partir da dor e que é antes de mais nada uma questão de CsO (…). Mas por que este desfile lúgubre de corpos costurados, vitrificados, catatonizados, aspirados, posto que o CsO é também pleno de alegria, de êxtase, de dança? Então, por que estes exemplos? Por que é necessário passar por eles? Corpos esvaziados em lugar de plenos. Que aconteceu? Você agiu com a prudência necessária? Não digo sabedoria, mas prudência como dose, como regra imanente à experimentação: injeções de prudência. Muitos são derrotados nesta batalha. Será tão triste e perigoso não mais suportar os olhos para ver, os pulmões para respirar, a boca para engolir, a língua para falar, o cérebro para pensar, o ânus e a laringe, a cabeça e as pernas? Por que não caminhar com a cabeça, cantar com o sinus, ver com a pele, respirar com o ventre, Coisa simples, Entidade, Corpo pleno, Viagem imóvel, Anorexia, Visão cutânea, Yoga, Krishna, Love, Experimentação. Onde a psicanálise diz: Pare, reencontre o seu eu, seria preciso dizer: vamos mais longe, não encontramos ainda nosso CsO, não desfizemos ainda suficientemente nosso eu. Substituir a anamnese pelo esquecimento, a interpretação pela experimentação. Encontre seu corpo sem órgãos, saiba fazê-lo, é uma questão de vida ou de morte, de juventude e de velhice, de tristeza e de alegria. É aí que tudo se decide.»

«Como criar para si CsO sem que seja o CsO canceroso de um fascista em nós, ou o CsO vazio de um drogado, de um paranóico ou de um hipocondríaco?»

«Aquilo que o drogado obtém, o que o masoquista obtém, poderia também ser obtido de outra maneira nas condições do plano: no extremo, drogar-se sem droga, embriagar-se com água pura, como na experimentação de Henry Miller?»

– Deleuze