A tensão do diálogo

«Há cisão, distância intransponível entre os dois lados do discurso; (…) só podemos aproximar-nos afastando-nos. (…) Daí a inflexibilidade lógica, a necessidade mais forte de ter razão (…). A força do inimigo que tem sempre razão, e que vive dentro das personagens. (…)

A distância que separa os interlocutores nunca é intransponível, só se torna intransponível para aquele que se obstina em transpô-la com a ajuda do discurso em que reina a dualidade (…). Estas conversas em momento algum são diálogos. As personagens não são interlocutores; as palavras não podem ser trocadas e nunca têm, apesar de comuns pelo sentido, o mesmo alcance ou a mesma realidade (…).

O momento em que os homens se tornam capazes de diálogo: é necessário que haja a sorte de um encontro fortuito, e também a simplicidade do encontro (…).

Não se pode dialogar a partir de uma grande infelicidade, tal como duas grandes infelicidades não poderiam conversar juntas».

– M. Blanchot, “A dor do diálogo” in “O Livro por Vir”, p.164-166.

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