A luz da Caniceira

 
«Deeper meaning resides in the fairy tales told to me in my childhood than in any truth that is taught in life.»

– Schiller, “On the Aesthetic Education of Man”.

 

Reza a lenda que, em terras de Alcácer do Sal, uma mãe solteira teve um filho ilegítimo. Assim que este nasceu, lançou-o ao forno onde cozia o pão, por medo da condenação pelos residentes locais. A alma penada do menino recém-nascido transformou-se então numa luz que errava pelos caminhos e só era visível durante a noite, perseguindo e causando pânico aos noctívagos. Brilhante e intermitente como uma lâmpada, a luz possuía o tamanho de um punho cerrado. Diz-se que um homem que andava à noite a cavalgar na Herdade da Palma viu a luz e, praguejando sem querer, ofendeu-a. De imediato, o cavaleiro sentiu uma bofetada que lhe deixou na fronte a marca de uma queimadura.

Adaptado da tradição oral

 

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