Schiuuu…

Que falar ia dar azar, já se sabia. Perdida a infinita paz de espírito, outra vez enleada em problemas finitos. É conveniente tornar a cultivar o silêncio que tanto prezo. De certa forma, no silêncio reside o maior amante. E, na sua perda, o maior castigo. Pronto, acabou-se toda a “punição confessional”, o julgamento do Ego-Estado, estou farta desta “porcaria”. Ser o ponto de um possível desaparecimento.

——————————————

«Silence is so accurate.»

– Mark Rothko

——————————————

«In Greek, a fable was also called mythos, myth, from which is derived Latin mutus, mute. For speech was born in the mute age as a mental language (…)»

– Jacques Rancière, “Mute Speech: Literature, Critical Theory, and Politics”

——————————————

«Mi Amado las montañas,
los valles solitarios nemorosos,
las ínsulas extrañas,
los ríos sonorosos,
el silbo de los aires amorosos,

la noche sosegada
en par de los levantes de la aurora,
la música callada,
la soledad sonora,
la cena que recrea y enamora.»

– S. Juan de la Cruz

——————————————

In AD 362, at Delphos, Pythia made her last prophecy. She said to Oribasius of Pergamum (personal physician of the Roman Emperor Julian, The Apostate):

“Report to the emperor, fallen is [the] splendid hall, Phoebus no longer has [his] house. Neither the prophesying laurel nor the well will talk anymore, silent also the babbling water”.

——————————————

 

«Music is the wine that fills the cup of silence».

– Robert Fripp

——————————————

Music is the literature of the heart; it commences where speech ends.

– Alphonse de Lamartine

——————————————

«When words leave off, music begins.»

– Heinrich Heine

——————————————

«The notes I handle no better than many pianists. But the pauses between the notes – ah, that is where the art resides!»

– Artur Schnabel

——————————————

«Music is love in search of a word.»

– Sidney Lanier

——————————————

After silence, that which comes nearest to expressing the inexpressible is music.

– Aldous Huxley, Music at Night and Other Essays

——————————————

«…Enlightenment happens in silence. That’s why my whole effort here is to make you as silent as possible».

– Osho

——————————————

«When silence comes, minds disappears».

– Osho

——————————————

«Nietzsche pensa o silêncio a partir da amizade, como se não pudesse falar do próprio silêncio, falar O silêncio senão na amizade, por amizade. A palavra arruína a amizade, corrompe ao falar, degrada, denigre, dês-fala (dé-parle) (verredete) a amizade, mas faz-lhe este mal por causa da verdade. Se é preciso calar-se entre amigos, a respeito dos amigos, é também para não dizer a verdade, uma verdade mortífera (T. 2. 252 Silentium. Não se deve falar dos seus amigos, senão fazem-vos perder o sentimento de amizade (sons verredet man sich das Gefuhl de Freundschaft) Não que os amigos se devam calar, entre si ou a respeito dos seus amigos. É antes preciso que, na sua palavra, respire talvez o subentendido de um silêncio. Esta não é senão uma maneira de falar: secreta, discreta, descontínua, aforística, elíptica, apenas o tempo disjunto de confessar a verdade que é preciso esconder, escondendo-a para salvar a vida, porque ela é mortal.»

– Derrida, “Políticas da Amizade”, subcapítulo “Esta verdade louca: o justo nome da amizade”.

——————————————

«Et ce double est plus qu’un écho, il est le souvenir d’un langage dont le théâtre a perdu le secret. (…) Et je veux avec l’hiéroglyphe d’un souffle retrouver une idée du théâtre sacrée.»

«Les mots seront pris dans un sens incantatoire, vraiment magique – pour leur forme, leurs émanations sensibles, et non plus seulement pour leur sens. (…) Ces manifestations plastiques de forces, ces interventions explosives d’une poésie et d’un humour chargés de désorganiser et de pulvériser les apparences, selon le principe anarchique, analogique de toute véritable poésie, ne posséderont leur vraie magie que dans une atmosphère de suggestion hypnotique où l’esprit est atteint par une pression directe sur les sens.»

– Antonin Artaud

——————————————

«L’air est rempli de nos cris. (Silence)
L’habitude est une grande sourdine.»

– Beckett, “En attendant Godot”

——————————————

«Destruímos sempre aquilo que mais amamos
em campo aberto, ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra»

– Oscar Wilde, Balada do Cárcere de Reading.

——————————————

«Falar? Oh, sou um leigo na alegria e quero falar!»

– Hölderlin, Hipérion, p. 73.

——————————————

«Não sou um orador enfadonho, sou um mau orador. Sou um péssimo orador. O meu discurso oral improvisado difere da minha prosa tanto como a larva difere do insecto completamente formado»

– Nabokov em entrevista televisiva.

——————————————

«The literary language that the writer uses to write a poem or a novel or an essay consists of a conventional symbolic system. What’s more, all language, whether written or spoken, is defined according to a certain number of historical, geopolitical, or if you prefer, national (regional) limits (…). I believe I can say that writing poems or novels was for me a way of expressing my refusal of a certain Italian or personal reality, at a given moment of my existence. But these poetic or novelistic mediations built a kind of symbolic wall, made of words, between life and me. (…) Perhaps the veritable tragedy of all poets is to apprehend the world only metaphorically, according to the rules of a magic which limits their appropriation of the world. For me, dialect was one way of approaching the people of the earth more carnally, and in the “Roman” novels the people’s dialect allowed me the same concrete and shall we say material approach».

– Pasolini, interview with Jean Duflot.

——————————————

Quand l’inconnu nous interpelle, quand la parole emprunte à l’oracle sa voix où ne parle rien d’actuel, mais qui force celui qui l’écoute à s’arracher à son présent pour en venir à lui-même comme à ce qui n’est pas encore, cette parole est souvent intolérante, d’une violence hautaine qui, dans sa rigueur et par sa sentence indiscutable, nous enlève à nous même en nous ignorant.

– Maurice Blanchot, “Une voix venue d’ailleurs”.

——————————————

«Better to keep your mouth shut and appear stupid than to open it and remove all doubt».

– Mark Twain

——————————————

«Indaga as palavras a partir das coisas, não as coisas a partir das palavras»

– Míson, um dos Sete Sábios Gregos (Diógenes Laércio, Vidas e Doutrinas dos Filósofos, I, 108).

——————————————

«Da vida, podemos tirar bastante facilmente muitos livros; mas dos livros, tiramos pouco, bem pouco da vida»

– Kafka a Janouch, p. 41.

——————————————

«Sabemos berrar muitas falsidades como se fossem verdadeiras; mas também sabemos, quando queremos, sibilar verdades»

– Hesíodo, Teogonia.

——————————————

«Não compreendem como, separando-se, estão em uníssono uns com os outros: uma trama de desacordos, precisamente como a do arco e da lira».

– Heráclito, A14, 4

——————————————

«As long as Orpheus could raise his voice in song, the Maenads could not kill him. Then they screamed, and their shrill cacophony drowned his music, and then their weapons found their mark, and he fell, and they tore him limb from limb. Screaming against Orpheus, we too become capable of murder».

– Salman Rushdie, “Step across the line”

——————————————

«Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te»

– Pitágoras.

——————————————

«O silêncio é o grito mais forte».

– Schopenhauer.

——————————————

«Quando os lábios estão imóveis, as palavras estão em ordem».

– António Gomes Santos, hãToino de Lírio, “Static Man“.

——————————————

«…o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e de outras coisas, em suma, a famosa “objectividade” moderna de mau gosto»

– Nietzsche, O Crepúsculo dos Ídolos, p. 76

——————————————

«Se uma pessoa empreender o estudo de qualquer coisa de sensível, quer esteja de boca aberta, a olhar para cima, quer de boca fechada, a olhar para baixo, jamais direi que ela tenha conhecimento – pois a ciência não tem nada a ver com tais processos».

– Platão, República, 529b.

——————————————

«One who knows does not speak; one who speaks does not know».

– Tao Te Ching

——————————————
«A quem pedir para arbitrar entre nós? Se pedir a alguém que concorda com o teu ponto de vista, ele ficará do teu lado. Como poderá ser árbitro? Se pedir a alguém que tem o meu ponto de vista, ele ficará do meu lado. Como poderá ser árbitro? Se pedir a alguém cuja opinião difere das nossas, ele será igualmente incapaz de decidir entre nós, dado que não partilha das nossas visões. E se pedir a alguém que concorda com nós os dois, ele será igualmente incapaz de decidir, pois participa de ambos os pontos de vista. Assim, nem eu nem tu nem nenhum homem pode decidir; como podemos depender uns dos outros? Palavras de argumentação são todas relativas».

– Chuang Tsé, cap. II

——————————————

«Numa recolha de fábulas da Antiguidade tardia, pode ler-se (…): “Os Atenienses tinham por costume chicotear copiosamente todo o candidato a filósofo, e se ele suportava pacientemente os golpes, então poderia ser considerado filósofo. Um dia, um dos que se tinha submetido à prova exclama depois de ter suportado os golpes em silêncio: ‘Sou bem digno de, no presente momento, ser chamado de filósofo!’. Mas responderam-lhe com justa razão: ‘Tê-lo-ias sido unicamente se não tivesses falado’.” A lição dessa fábula é que a filosofia tem certamente qualquer coisa a ver com a experiência do silêncio, mas a assunção dessa experiência não constitui de nenhuma maneira a identidade da filosofia. Esta está exposta no interior do silêncio, absolutamente sem identidade, ela suporta a ausência de nome, sem buscar, portanto, dentro dessa ausência, um nome para si mesma. O silêncio não é a sua palavra secreta, – a sua palavra tem antes, perfeitamente, o seu próprio silêncio» – p. 101

– Giorgio Agamben, Idée de la prose.

——————————————

«Deveis saber que, na realidade, as vossas ruidosas diversões são neste caso um autêntico atentado contra a filosofia. (…) Imitai apenas os jovens pitagóricos; eles tinham de manter silêncio durante cinco anos, como discípulos de uma autêntica filosofia»

– Nietzsche, O Futuro das Instituições de Ensino, p. 27.

——————————————

Se dizes o meu nome, desapareço.

– Enigma proposto no filme La Vitta é Bella de Benigni, de resposta «o silêncio».

——————————————

«Os escritores falam fedor»

– Kafka, “Diários”, 15 Dezembro 1910.

——————————————

«Toda a escrita é porcaria. (…) Todos aqueles que têm pontos de referência no espírito, quer dizer, num certo lado da cabeça, em pontos bem localizados do seu cérebro, todos aqueles que são senhores da sua língua, todos aqueles para quem existe altitudes na alma, e correntes no pensamento, aqueles que são os espíritos da época, e que nomearam essas correntes de pensamento – penso nas suas tarefas exactas e nesse ranger de autómato que espalha por todo o lado o seu espírito -, são porcos».

– Antonin Artaud, “O Pesa-Nervos”.

——————————————

«Renuncia aos livros, não te deixes distrair»

– Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio, p. 21.

——————————————

«Precisamos de nos libertar da prisão da educação pública e da política»

– Epicuro, Ditos [do Vaticano], nº 58.

——————————————

«Vede o que puseram em cima da minha mesa! (…) Sim, um livro! Mas na realidade, não é senão um objecto artificial, vazio e oco. É um volume em couro de imitação: couro que não é couro e um livro que não é um livro. Não é senão papel! Vede o interior. (…) Não tem nada lá dentro, absolutamente nada! (…) Tenho medo de tudo o que tem uma aparência artificial. (…) Não existe nada pior do que a aparência que perverte no seu contrário toda a acção»

– Kafka a Janouch, p. 194.

——————————————

«Só vivem as coisas que transportamos em nós. Tudo o resto é vaidade, nada mais que literatura, de que nada justifica a existência»

– Kafka a Janouch, p. 70.

——————————————

«O escrito não é mais do que as escórias do vivido»

– Kafka a Janouch, p. 53.

——————————————

«A leitura faz-vos virar a cabeça! (…) Tentamos encerrar a vida nos livros, como as aves canoras dentro das gaiolas. Mas não conseguimos. Pelo contrário! O homem, à custa das abstracções livrescas, não constrói mais do que um sistema em forma de gaiola, onde se tranca ele próprio. Os filósofos não são mais do que Papagenos de costumes vários, cada um no interior da sua gaiola»

– Kafka a Janouch, p. 30.

——————————————

«The world is a cell for citters to cit in»

– James Joyce, “Finnegan’s Wake”.

——————————————

«We do not talk – we bludgeon one another with facts and theories gleaned from cursory readings of newspapers, magazines and digests»

– Henry Miller.

——————————————

«Se não conseguirdes (…) sentir um desagrado físico diante de certas palavras e de certas frases da nossa gíria jornalística, abandonai de imediato as aspirações à cultura. (…) A desprezível mania de escrever livros (…). A horrível e perversa mania de escrever muito (…). Onde essa decadência se mostra numa medida maior e mais dolorosa é precisamente na literatura pedagógica (…). Todo o modo de tratar nas escolas os escritores antigos, todos os honrados comentários e as paráfrases dos nossos professores (…) não são mais que um salto no vazio»

– Nietzsche, O Futuro das Instituições de Ensino, p. 35.

——————————————

«Há cisão, distância intransponível entre os dois lados do discurso; (…) só podemos aproximar-nos afastando-nos. (…) Daí a inflexibilidade lógica, a necessidade mais forte de ter razão (…). A força do inimigo que tem sempre razão, e que vive dentro das personagens. (…)

A distância que separa os interlocutores nunca é intransponível, só se torna intransponível para aquele que se obstina em transpô-la com a ajuda do discurso em que reina a dualidade (…). Estas conversas em momento algum são diálogos. As personagens não são interlocutores; as palavras não podem ser trocadas e nunca têm, apesar de comuns pelo sentido, o mesmo alcance ou a mesma realidade (…)».

– M. Blanchot, “A dor do diálogo” in “O Livro por Vir”, p.164-166.

——————————————

«Se duas pessoas estão empenhadas em comunicar uma com a outra, não tem importância absolutamente nenhuma que a conversa se torne desconcertante. As pessoas que insistem na clareza e na lógica raramente conseguem fazer-se compreender. Estão sempre à procura de um “transmissor” mais perfeito, iludidas pela suposição de que a mente é o único instrumento para a permuta de pensamentos.

Quando uma pessoa começa realmente a falar, dá-se. Profere as palavras despreocupadamente, em vez de as contar como se fossem moedas, e não se importa com erros gramaticais ou factuais, contradições, mentiras, etc. Fala. Se falamos com alguém que sabe ouvir, esse alguém compreende-nos perfeitamente, mesmo que as palavras não façam sentido. Quando se consegue este género de conversa, há um casamento, quer estejamos a falar com um homem, quer com uma mulher. […]

Conversar, conversar verdadeiramente, é uma das mais expressivas manifestações da fome do homem por um casamento ilimitado. As pessoas sensitivas, as pessoas que sentem, querem unir-se de um modo mais profundo, mais subtil e mais durável do que é permitido pelos costumes e pelas convenções. […]

Quando o homem começar a permitir-se expressão completa, quando puder exprimir-se sem medo do ridículo, do ostracismo ou da perseguição, a primeira coisa que fará será derramar o seu amor. Ainda estamos no primeiro capítulo da história do amor humano.»

MILLER (Henry). “Sexus”, p. 342-343.

——————————————

«Não há fanatismo mais impiedoso que o dos proprietários da verdade. (…) Ditam sentenças de morte com a mesma tranquila objectividade com que encadeiam raciocínios em discursos»

– Octavio Paz, «El Ogro Filantrópico»

——————————————

«O modelo trabalho, que define a ferramenta, pertence ao aparelho de Estado. (…) O homem das sociedades primitivas não trabalhava propriamente [os índios sul-americanos preferiam a morte a trabalharem por conta de outrem, isto é, como escravos dos colonizadores, Portugueses e Espanhóis]. (…) Para que haja trabalho, é preciso uma captura da actividade pelo aparelho de Estado, uma semiotização da actividade pela escrita. Donde a afinidade signos-ferramentas, signos de escrita-organização de trabalho. (…) «O Estado moderno vai definir-se como “a organização racional e razoável de uma comunidade”. (…) É uma curiosa troca que se produz entre o Estado e a razão, mas essa troca é igualmente uma proposição analítica, visto que a razão realizada se confunde com o Estado de facto é o devir da razão. Na filosofia dita moderna e no Estado dito moderno ou racional, tudo gira em torno do legislador e do sujeito. (…) Obedece sempre, pois quanto mais obedeceres, mais serás senhor, visto que só obedecerás à razão pura, isto é, a ti mesmo… Desde que a filosofia se atribuiu o papel de fundamento, não parou de bendizer os poderes estabelecidos, e decalcar a sua doutrina das faculdades dos órgãos de poder do Estado. O senso comum, a unidade de todas as faculdades como centro do Cogito, é o consenso de Estado levado ao absoluto. Essa foi notadamente a grande operação da “crítica” kantiana, retomada e desenvolvida pelo hegelianismo. (…) Não deve surpreender que o filósofo se tenha tornado professor público ou funcionário de Estado. (…) O poeta pôde exercer, em relação ao Estado imperial arcaico, a função de domesticador de imagem»

– Deleuze e Guattari, ”Mille Plateaux”, plateau 12.

——————————————

«I would wish it on no one to be me.
Only I am capable of bearing myself.
To know so much, to have seen so much, and
To say nothing, just about nothing».

– Robert Walser

——————————————

«Não tenho nada a dizer a ninguém – nunca.»

– Kafka, “Diários”, 27 de Abril de 1915.

——————————————

«No extasía su canto, o no será más bien el solemne silencio (…)?»

– Kafka, “Josefina, a Cantora”.

——————————————

«É essa a minha escolha: falar, perguntar e responder sobretudo para mim mesmo»

– Platão, “República”, 528a.

——————————————

«Porque não tem sentido fazer perguntas? Lamentar-se significa fazer uma pergunta e esperar por uma resposta. Mas perguntas que não obtêm respostas no momento exacto em que são feitas nunca mais são respondidas. Não há nenhuma distância a separar quem faz a pergunta daquele que responde. Não há distância a transpor. Daí que não tem sentido fazer perguntas e esperar».

– Kafka, “Diários, p. 307.

——————————————

«Segundo o Zohar, no limite extremo do conhecimento situa-se o pronome interrogativo ‘O quê?’, para lá do qual não há mais resposta possível. “Quando um homem questiona”, escreve o autor do Zohar, “procurando discernir e conhecer etapa por etapa a última etapa, ele atinge o ‘O quê?’ (Mah, dentro do texto), quer dizer: Tu compreendeste ‘O quê?’ Tu discerniste ‘O quê?’ Tu procuraste ‘O quê?’. Mas tudo permanece ainda tão impenetrável como na origem”» – p. 37

– Giorgio Agamben, Idée de la prose.

——————————————

«O homem mergulha na multidão para afogar o clamor do seu próprio silêncio»

– Rabindranath Tagore.

——————————————

«Silence is the language of God, all else is poor translation.»

– Mawlana Jalal-al-Din Rumi.

——————————————

«Bebo chá para esquecer o ruído do mundo».

– Tien Yi-Heng

——————————————

«Two hands clap and there is a sound; what is the sound of one hand?»

Koan da tradição oral zen, atribuído a Hakuin Ekaku, 1686-1769.

——————————————

«Se escreves a tua vida, cada página deveria ter algo que nenhum homem tenha ouvido»

– Cioran.

——————————————

«Não via na noite pobres nem horas de pobreza, havia apenas silêncio a subir por mais profundo silêncio (…) e avancei no sossego absoluto, o eu caminhando e escrevendo-se, era um sobre si a meditar sobre a sua mais preciosa incógnita
– Por que não ficar aqui no tempo? – perguntei-me.

Pela primeira vez senti que o tempo prestava homenagem ao mais despossuído de nós, vivendo connosco»

Maria Gabriela Llansol, “O Senhor de Herbais”, p. 309.

——————————————

«As palavras foram dadas ao homem para esconderem o que ele pensa»

– C. M. Talleyraud

——————————————

«Parar de falar no momento certo é uma grande arte»

– Mozart, carta de 11 de Dezembro de 1787.

——————————————

«Ser gentil e modesto e manter a boca fechada. É este o conselho que te dou»

– Carta de Einstein a Mileva, citado em «Pulsar», Setembro 2005, p. 8.

——————————————

«O calado é o melhor».

Conselho da freira do Mosteiro de Santa Clara ao seu amigo judeu Simão Solis.

——————————————

«Venid y ved este lugar sagrado,
la casa del señor, el dulce puerto,
para el bullicio mundanal cerrado,
para el silencio y la virtud abierto»

– Ordem de Maria do Monte Carmelo (Carmelitas Descalzas).

——————————————

«O que é de todo exprimível, exprime-se claramente; aquilo de que não se pode falar, guarda-se em silêncio»

– Wittgenstein, “Tractatus Logico-Philosophicus”.

——————————————

Aquilo que, no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido e que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

– Juramento de Hipócrates.

——————————————

«If any objections to this wedding, speak now, Or forever, forever hold your peace»

– Fórmula matrimonial.

——————————————

«Les couples maudits sont ceux où la femme ne peut pas être distraite ou fatiguée sans que l’homme dise “Qu’est-ce que tu as? exprime-toi… “, et l’homme sans que la femme…, etc. La radio, la télévision ont fait déborder le couple, l’ont essaimé partout, et nous sommes transpercés de paroles inutiles, de quantités démentes de paroles et d’images. La bêtise n’est jamais muette ni aveugle. Si bien que le problème n’est plus de faire que les gens s’expriment, mais de leur ménager des vacuoles de solitude et de silence à partir desquelles ils auraient enfin quelque chose à dire. Les forces de répression n’empêchent pas les gens de s’exprimer, elles les forcent au contraire à s’exprimer. Douceur de n’avoir rien à dire, droit ne n’avoir rien à dire, puisque c’est la condition pour que se forme quelque chose de rare ou de raréfié qui mériterait un peu d’être dit».

[«Os casais malditos são aqueles em que a mulher não pode estar distraída ou fatigada sem que o homem diga “O que é que tens? Exprime-te…”, e do mesmo modo o homem sem que a mulher…, etc. (…).  A besta nunca está muda nem cega. O problema não é mais fazer com as pessoas se exprimam, mas cuidar dos vacúolos de solidão e de silêncio a partir dos quais têm enfim algo a dizer. As forças de repressão não impedem as pessoas de se exprimirem, pelo contrário, forçam-nas a exprimir-se. A doçura de não ter nada a dizer, o direito de não ter nada a dizer, pois que é essa a condição para que se forme algo de raro ou de rarificado que merece um pouco ser dita»].

– Deleuze, “Les intercesseurs”, Pourparlers.

——————————————

«O que é que se passou durante o silêncio, assaz longo, que se seguiu “A vontade de saber”? (…) Foucault faz a si próprio a objecção seguinte: “Cá estamos nós, sempre com a mesma incapacidade de transpor a linha, de passar para o outro lado… Sempre a mesma escolha, do lado do poder, daquilo que ele diz ou faz dizer…”»

– Deleuze, “Foucault”

——————————————

«Exprimir e morrer ou permanecer inexprimível e imortal»

– Pier Paolo Pasolini.

——————————————

«A sua imaginação, o seu teatro, aquilo a que ele chamava as suas ideias e os seus pensamentos se transformaram um dia (no dia em que uma rapariga veio beijá-lo na boca?) em discurso-arma, em poema-invectiva, em invenções verbo-balísticas, em máquinas de ensiferar, nesses instrumentos de morte cujo nome se fabrica e cujo cadáver se enterra, nessas palavras-projécteis que nunca mais deixarão de sair-lhe da boca e de brotar-lhe das mãos».

– Foucault, Eu, Pierre Rivière…, p. 214.

——————————————

«O cristianismo não é somente uma religião de salvação: é também uma religião confessional (…). O penitente é o ponto de convergência entre uma conduta penitencial claramente exibida, a autopunição e a revelação de si. Não se pode distinguir os atos pelos quais o penitente se pune daqueles pelos quais ele se revela. Existe um laço estreito entre a autopunição e a expressão voluntária de si. Esse laço aparece claramente em numerosos escritos».

– Foucault, “As Técnicas de Si”, “Dits et Écrits”, Vol. IV, pp. 783-813.

——————————————

«Receio que não nos conseguiremos livrar de Deus enquanto ainda acreditarmos na gramática»

– Nietzsche, “Crepúsculo dos Deuses”, cap. 2.

——————————————

«O texto é o deus poderoso que não permite ao verdadeiro teatro nascer»

– Artaud, Cartas aos Poderes.

——————————————

«O homem, no Ocidente, tornou-se um animal confidente»

– Foucault, “Histoire de la sexualité, I: La volonté de savoir”, p. 80.

——————————————

«Ver em vez de ler, verificar em vez de comentar. (…) Em vez de ser aquele de onde o discurso sai, estar antes no acaso do seu curso, uma pequena lacuna, o ponto do seu possível desaparecimento».

– Foucault, L’Ordre du Discours.

——————————————

«Palavra-buraco, escavada no seu centro por um buraco, desse buraco onde todas as outras palavras haverão de ser enterradas. (…) Nós não podemos dizê-lo, mas poderemos fazê-lo ressoar – imenso, sem fim, um gongo vazio».

– Marguerite Duras

——————————————

«Quanto mais viva estiver uma língua, quanto menos se tiver pensado em aprisioná-la num alfabeto, quanto mais perto estiver da sua origem, ou seja, do som natural pleno e indiferenciado, menos susceptível será de ser reduzida a escrito, muito menos com cerca de vinte letras; as mais das vezes, aliás, será mesmo impossível aos estranhos pronunciá-la». – P31

«Para nós são as vogais que constituem o que há de primordial, de mais vivo, o eixo da língua. Por que razão não as escreviam os Hebreus? Porque era impossível escrevê-las. (….) Haverá alguma coisa de menos susceptível de ser escrito que as sonoridades naturais inarticuladas? (…) A linguagem resultou, não de letras da gramática de Deus [cf. Nietzsche sobre Deus e a gramática], mas sim das sonoridades selvagens de órgãos livres». – P33-34

– Herder, “Ensaio sobre a Origem da Linguagem”, 1772.

——————————————

«A escrita alfabética não é feita para os analfabetos mas pelos analfabetos; passa pelos analfabetos, esses operários inconscientes.»

– Deleuze e Guattari, O Anti-Édipo, p. 216.

——————————————

«O segredo é a alma do negócio».

– Provérbio popular.

——————————————

«O silêncio é de ouro».

– Provérbio popular.

——————————————

«”Não fale assim. Você não sabe a energia que reside no silêncio.”»

– Kafka a Gustav Janouch.

——————————————

«Pela boca, morre o peixe»

– Provérbio popular.

——————————————
«Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. (…) Poderia cuidar que os peixes irracionais se tinham convertido em homens, e os homens, não em peixes, mas em feras»
– António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes, p. 204-5.
——————————————

«Foi-se-me tornando cada vez menos possível tratar qualquer tema elevado ou de carácter geral e utilizando para tanto os termos de que, no entanto, toda a gente correctamente se serve. Só de proferir as palavras “espírito”, “alma” ou “corpo” sentia um mal-estar inexplicável. No meu íntimo era-me impossível produzir um juízo sobre os assuntos da Corte, sobre os incidentes do Parlamento ou sobre qualquer coisa. (…) As palavras abstractas de que todavia a língua tem forçosamente de se servir para trazer até à luz um juízo, qualquer que ele seja, se me desfaziam na boca como cogumelos podres. (…) Todos os juízos que se fazem sem pensar e com uma segurança de sonâmbulo se me tornaram tão graves, precários, que tive de deixar de participar em tais conversas. (…) Tudo isto me parecia tão indemonstrável, tão falso, tão inconsistente. (…) Nada se deixava possuir por um conceito. (…) É uma coisa que não tem (e certamente não pode ter) nome, uma aparição que enche, como a um vaso, o ambiente que me rodeia com um fluxo transbordante de vida superior. Não me permito esperar que Você, sem um exemplo, me compreenda, e peço-lhe que seja indulgente para com a insignificância dos meus exemplos. Um regador, um rastelo abandonado no campo, um cão ao sol, um cemitério pobre, um estropiado, a casa de um camponês, tudo isto se pode tornar o recipiente da minha revelação. (…) Todas as palavras me parecem demasiado pobres para o exprimir».

– Hoffmansthal, Carta de Lord Chandos, p.25-29.

——————————————

«Tens o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disseres poderá ser usado contra ti em tribunal.»

– Lei de Miranda.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s