‘Caloiro, piolho, carraça, é tudo a mesma raça’

Homero interrogava-se sobre quem eram os seus pais e qual era a sua pátria. Recorre, para isso, a um oráculo, do qual recebe a resposta: “A ilha de Io é a pátria de tua mãe, mas ela receber-te-á morto. Tem cuidado, entretanto, com o enigma de homens jovens”.

Depois de um certo tempo, Homero chega à ilha. Enquanto está sentado num recife a descansar, vê aproximar-se alguns jovens pescadores e, apenas para meter conversa, pergunta-lhes se apanharam alguma coisa. Eles respondem: “O que vimos e apanhamos é o que largamos, e o que não vimos nem apanhamos é o que trazemos connosco”.

A adivinha constitui para Homero um desafio mortal, suficiente para lançar no desânimo o grande sábio, ao ponto de morrer por não ser capaz de a resolver.

Heráclito retoma esta tradicional narrativa grega (conhecida também de Aristóteles, que a narra com mais detalhes):

«Estão iludidos os homens quanto ao conhecimento das coisas visíveis, mais ou menos como Homero, o mais sábio de todos os helenos, pois enganaram-no meninos que, matando piolhos, lhe disseram: o que vimos e pegamos é o que largamos, e o que não vimos nem pegamos é o que trazemos connosco» (fragmento DK 22 B 56).

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