Shahada

Thanks to Miss Spring

 

 

“Alone”, by Martin Arnold (1959)

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Da vida nas altas montanhas

Rienfenstahl

“Das Blaue Licht” / “The Blue Light” (1932), de Leni Rienfenstahl.

People in Santa Maria, a village in the Italian Alps, vilify Junta, specially women, who believe her of being a witch. In full moon nights, a mysterious blue glow appears and Junta climbs the mountains to a cave high up. Many young men of the village have died trying to follow her. She is forced to live out of town, in to the mountains. Love makes her to share the secret of the blue light with Vigo, his beloved man, and he betrays it choosing wealth instead of love. This is one of the most achieved odes to the beauty and harmony of Nature, in contrast with the primary values of city people.

Da flauta flutuante

 

«I am the Faune and the Faune it’s me».

«I am feeling in the flesh, and not intellect in the flesh… Beauty cannot be discussed; beauty cannot be criticized. I love beauty because I feel it».

«I know that people are bad, because life is hard for them»

– Nijinsky.

 

«Fauno, a ilusão se escapa dos olhos azuis
E frios, como fonte em prantos, da mais casta
Toda suspiros, a outra, achas que ela contrasta
Qual brisa matinal quente no teu tosão?
Mas não! No lasso espasmo e na sufocação
Do calor, que a manhã combate, não murmura
Água se não a verte a minha flauta pura»

– Mallarmé, “L’Après-midi d’un faune”.

 

«E a mim o tronco duma árvore, caindo sobre o meu crânio, ter-me-ia morto, não tivesse Fauno, o protector dos homens de génio, com sua mão direita aparado o golpe. (…) Todo o gado se diverte na erva, quando as nonas de Dezembro voltarem a ti; a vila que observa o feriado desfruta do lazer nos campos, junto aos bois também livres da labuta. O lobo vagueia entre as ovelhas sem medo; as árvores abrem as portas das matas para ti, e o trabalhador se regozija por haver conquistado o abominável solo, numa dança tripla.»

– Horácio, Ode XVIII, “Um Hino”.

  

Pã (do grego “paein”, pastorear, também associado a “pan”, tudo) era chamado pelos Romanos de Lupercus, Silvano e Fauno (do latim “faunus”, favorável, tal como se dizia de um vento que soprava a favor). A Fauno atribuíam-se dons oraculares que eram comunicados aos que os desejavam por meio de sonhos, enquanto repousavam nos bosques. O deus era temido por todos aqueles que necessitavam atravessar as florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia predispunham-nos a pavores súbitos que eram atribuídos a Pã – daí o nome pânico.

A representação de Fauno, nas pinturas e esculturas antigas, mostra-o como um homem de barbas, com uma coroa de folhas sobre a cabeça, vestindo somente uma pele de cabras e segurando a cornucópia ou a flauta de bambu.

O seu festival, ligado à Primavera e à fertilidade viril, era celebrado nos dias 15, 16 e 17 de Fevereiro e era denominado de Lupercália. Pã era associado à caverna com o mesmo nome onde Rómulo e Remo foram amamentados por uma loba.

Nas Odes Píticas de Píndaro (ode III, 78), uma das referências literárias mais antigas a Pã, este é designado por “agente” ou “guardião” da Grande Deusa (Cíbele). A sua grande conquista amorosa foi Selene, a deusa lunar.

De acordo com Plutarco (“De defectu oraculorum”, “The Obsolescence of Oracles”), Pã seria o único deus grego que estaria morto: “Pan ho megas tethneke”. Mais tarde, Pascal (“Pensées”, 695) repetirá: «O Grande Pã morreu». Segundo Heidegger, existe uma conexão com a afirmação de Nietzsche: «Deus morreu».