De boas palavras, está o inferno cheio

«Alguns de vós credes que o índio é como um animal selvagem. Tal é um grande erro. (…) Explicar-lhes-ei à minha maneira como o índio vê as coisas. O homem branco tem mais palavras para vos dizer como as vêem, mas não são necessárias muitas palavras para falar verdade. (…) Os homens brancos têm demasiados chefes. Não se entendem uns com os outros. Não falam todos da mesma maneira. (…) Sempre tínhamos vivido numa região saudável, onde as montanhas eram altas e as águas frias e límpidas. Muitos dos nossos adoeceram e morreram, e enterrámo-los nesta terra estranha. (…) Não é uma terra sã. Não tem montanhas nem rios. A água é quente. A região não é boa para o gado. (…) Ouvi falar e falar mas não se faz nada. As boas palavras não duram muito, a não ser que se concretizem. As palavras não pagam os mortos do meu povo. Não pagam o meu território, dominado agora pelos homens brancos. Não protegem o túmulo do meu pai. Não pagam todos os meus cavalos, nem o meu gado. As boas palavras não me devolveram os meus filhos. As boas palavras não cumprem a promessa do vosso chefe de guerra. As boas palavras não dão saúde ao meu povo nem impedem que os meus continuem a morrer. As boas palavras não dão ao meu povo um lugar em que possa viver em paz e cuidar de si próprio. Estou cansado de conversa que não leva a nada. Fico com o coração doente ao lembrar-me de todas as boas palavras e de todas as promessas quebradas. Tem havido muita conversa por parte de homens que não tinham direito a falar. Provocaram-se muitos mal-entendidos (…). Perguntei a alguns grandes chefes brancos onde é que eles tinham adquirido a sua autoridade para dizer ao índio que tem de permanecer num determinado sítio enquanto vê os homens brancos irem para onde lhes apetece. Não me responderam. (…) Vejo os homens da minha raça tratados como foragidos, conduzidos de um território para outro, ou abatidos a tiro como animais. (…) Só pedimos as mesmas oportunidades para viver como todos os outros homens. (…) Permitam-me ser um homem livre – livre para viajar, livre para parar, livre para trabalhar, livre para negociar onde queira, livre para escolher os seus próprios mestres, livre para seguir a religião que lhe aprouver, livre para pensar, falar e agir por si próprio. (…) In-mut-too-yah-lat-lat falou pelo seu povo»

– «”Que todos os povos sejam um só povo”: uma visão índia dos assuntos índios», chefe índio Joseph.

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