Da flauta flutuante

 

«I am the Faune and the Faune it’s me».

«I am feeling in the flesh, and not intellect in the flesh… Beauty cannot be discussed; beauty cannot be criticized. I love beauty because I feel it».

«I know that people are bad, because life is hard for them»

– Nijinsky.

 

«Fauno, a ilusão se escapa dos olhos azuis
E frios, como fonte em prantos, da mais casta
Toda suspiros, a outra, achas que ela contrasta
Qual brisa matinal quente no teu tosão?
Mas não! No lasso espasmo e na sufocação
Do calor, que a manhã combate, não murmura
Água se não a verte a minha flauta pura»

– Mallarmé, “L’Après-midi d’un faune”.

 

«E a mim o tronco duma árvore, caindo sobre o meu crânio, ter-me-ia morto, não tivesse Fauno, o protector dos homens de génio, com sua mão direita aparado o golpe. (…) Todo o gado se diverte na erva, quando as nonas de Dezembro voltarem a ti; a vila que observa o feriado desfruta do lazer nos campos, junto aos bois também livres da labuta. O lobo vagueia entre as ovelhas sem medo; as árvores abrem as portas das matas para ti, e o trabalhador se regozija por haver conquistado o abominável solo, numa dança tripla.»

– Horácio, Ode XVIII, “Um Hino”.

  

Pã (do grego “paein”, pastorear, também associado a “pan”, tudo) era chamado pelos Romanos de Lupercus, Silvano e Fauno (do latim “faunus”, favorável, tal como se dizia de um vento que soprava a favor). A Fauno atribuíam-se dons oraculares que eram comunicados aos que os desejavam por meio de sonhos, enquanto repousavam nos bosques. O deus era temido por todos aqueles que necessitavam atravessar as florestas à noite, pois as trevas e a solidão da travessia predispunham-nos a pavores súbitos que eram atribuídos a Pã – daí o nome pânico.

A representação de Fauno, nas pinturas e esculturas antigas, mostra-o como um homem de barbas, com uma coroa de folhas sobre a cabeça, vestindo somente uma pele de cabras e segurando a cornucópia ou a flauta de bambu.

O seu festival, ligado à Primavera e à fertilidade viril, era celebrado nos dias 15, 16 e 17 de Fevereiro e era denominado de Lupercália. Pã era associado à caverna com o mesmo nome onde Rómulo e Remo foram amamentados por uma loba.

Nas Odes Píticas de Píndaro (ode III, 78), uma das referências literárias mais antigas a Pã, este é designado por “agente” ou “guardião” da Grande Deusa (Cíbele). A sua grande conquista amorosa foi Selene, a deusa lunar.

De acordo com Plutarco (“De defectu oraculorum”, “The Obsolescence of Oracles”), Pã seria o único deus grego que estaria morto: “Pan ho megas tethneke”. Mais tarde, Pascal (“Pensées”, 695) repetirá: «O Grande Pã morreu». Segundo Heidegger, existe uma conexão com a afirmação de Nietzsche: «Deus morreu».

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