Trabalhar para o Estado

«Será um acaso se, a cada vez que um “pensador” lança assim uma flecha, sempre há um homem de Estado, uma sombra ou uma imagem de homem de Estado que lhe dá conselho e admoestação, e quer fixar um “objetivo”? Jacques Rivière não hesita em responder a Artaud: trabalhe, trabalhe, isso se resolverá, o senhor chegará a encontrar um método, e a exprimir bem o que pensa de direito (Cogitatio universalis). (…)

É que o modelo trabalho, que define a ferramenta, pertence ao aparelho de Estado. Com freqüência se disse que o homem das sociedades primitivas não trabalhava propriamente, mesmo se suas atividades eram muito coercitivas e regradas; e tampouco o homem de guerra enquanto tal (…).

O elemento técnico torna-se ferramenta quando se abstrai do território e se assenta sobre a terra enquanto objeto; mas é ao mesmo tempo que o signo deixa de inscrever-se sobre o corpo, e se escreve sobre uma matéria objetiva imóvel. Para que haja trabalho, é preciso uma captura da atividade pelo aparelho de Estado, uma semiotização da atividade pela escrita.»

– Deleuze & Guattari, “Mille Plateaux”

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