O erro de Foucault

«…this little corner of the earth whose land, both above and below the surface, has strategic importance at a global level. For the people who inhabit this land, what is the point of searching, even at the cost of their own lives, for this thing whose possibility we have forgotten since the …Renaissance and the great crisis of Christianity, a political spirituality. I can already hear the French laughing, but I know that they are wrong».

– Michel Foucault, What Are the Iranians Dreaming About?


«Le mouvement iranien n’a pas subi cette ‘loi’ des révoltions qui ferait, paraît-il, ressortir sous l’enthousiasme aveugle la tyrannie qui les habitait déjà en secret. Ce qui constituait la part la plus intérieure et la plus intensément vécue du soulèvement touchait sans intermédiaire à un échiquier politique surchargé. Mais ce contact n’est pas identité. La spiritualité à laquelle se référaient ceux qui allaient mourir est sans commune mesure avec le gouvernement sanglant d’un clergé intégriste. Les religieux veulent authentifier leur régime par les significations qu’avait le soulèvement. On ne fait pas autre chose qu’eux en disqualifiant le fait du soulèvement parce qu’il y a aujourd’hui un gouvernement de mollahs. Dans un cas comme dans l’autre, il y a « peur » . Peur de ce qui vient de se passer l’automne dernier en Iran, et donc le monde depuis longtemps n’avait pas donné d’exemple.»

– Michel Foucault, “Inutile de se soulever“, Le Monde, nº 10661, 11-12 mai 1979, p. 1-2.

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A leitura de Foucault do Irão e a de Khomeini não se equivalem. Não subestimo Foucault ao ponto de achar que ele não percebeu a diferença logo de início, mas tentou elevar o debate de ambos os lados (França, Irão), sem sucesso. Por vezes esquecemo-nos que, numa relação, as determinações são recíprocas. Os media europeus querem reduzir tudo o que pareça árabe ou islâmico (nem fazem a diferença entre estes dois) a um “taliban”, fazem “terrorismo” mediático. Quem não é visado, nem se apercebe das dificuldades de integração social que decorrem das frivolidades que os media dizem, manipulando a opinião pública. E não querem reacções? Os dois fascismos merecem-se mutuamente. As generalizações são apanágio de ambos os discursos, que se ocupam de destruir vidas em nome de ideologias demagógicas. Venha o diabo e escolha…

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