O outro movimento do sol

«Aprendemos com a astronomia Oriental que as luas giram em torno de seus planetas, e os planetas rodando sobre seus eixos circulam com suas luas ao redor do sol; e o sol, com seus planetas e suas luas, toma alguma estrela como sua dupla e gira em torno dela por cerca de 24.000 anos de nossa terra – um fenômeno celeste que causa um movimento retrógrado dos pontos equinociais ao redor do zodíaco.

O sol também tem outro movimento pelo qual ele gira em torno de um grande centro chamado Vishnunabhi, que é a sede do poder criativo, Brahma, o magnetismo universal. Brahma regula dharma, virtude mental do mundo interno. Quando o sol, na sua revolução em torno de sua estrela dupla, atinge o ponto mais próximo deste grande centro, a sede de Brahma (um evento que ocorre quando o Equinócio de Outono chega ao primeiro ponto de Áries), Dharma, a virtude mental, torna-se tão desenvolvida que o homem pode facilmente compreender tudo, até mesmo os mistérios do Espírito.

O Equinócio de Outono cairá, no começo do século XX, entre as estrelas fixas da constelação de Virgem e na primeira parte do Ascendente Dwapara Yuga.

12.000 anos depois, quando o sol atinge em sua órbita o lugar mais distante de Brahma, o grande centro (um evento que ocorre quando o Equinócio de Outono está no primeiro ponto de Libra), dharma, a virtude mental, chega a um estado tão reduzido que o homem não pode entender nada além da grosseira criação material. Novamente, da mesma maneira, quando o sol em seu curso de revolução começa a avançar para o lugar mais próximo do seu grande centro, dharma, a virtude mental, começa a se desenvolver; este desenvolvimento é gradativamente completado em outros 12.000 anos.

Cada um desses períodos de 12.000 anos traz uma completa transformação, tanto externamente no mundo material quanto internamente no mundo intelectual ou elétrico, e é chamado um dos Daiva Yugas ou Par Eléctrico. Assim, num período de 24.000 anos, o sol completa o movimento de revolução em torno de sua estrela dupla e termina um ciclo eléctrico que consiste de 12.000 num arco ascendente e 12.000 num arco descendente. (…)

A partir de 11.501 A.C., quando o Equinócio de Outono estava no primeiro ponto de Áries, o sol começou a se afastar do ponto de sua órbita mais próximo do grande centro em direção ao ponto mais distante dele, e, consequentemente, o poder intelectual do homem começou a diminuir. (…)

O período situado em torno do ano 500 D.C. constituiu, portanto, a parte mais sombria do Kali Yuga e de todo o ciclo de 24.000 anos. (…)

Com o início do Ascendente Kali Yuga, em 499 D.C., o sol começou a avançar em sua órbita, aproximando-se do grande centro, e em consequência o poder intelectual do homem se desenvolveu. (…)

No que se refere às propriedades magnéticas, o poder de compreensão do intelecto humano é actualmente tão limitado que seria inteiramente inútil tentar fazer com que o público em geral entendesse o que é a matéria. (…)

Concluindo esta introdução, podemos observar que os diversos planetas, que exercem sua influência sobre os vários dias da semana, emprestaram seus nomes aos seus respectivos dias; de igual modo, as diversas constelações de estrelas, influenciando os vários meses, emprestaram seus nomes aos meses hindus. Cada um dos grandes Yugas também tem muita influência sobre o período de tempo que abrange; assim, ao designar os anos, dever-se-ia indicar a que Yuga eles pertencem.

Como os Yugas são calculados pela posição do equinócio, o método de numeração dos anos com referência ao seu respectivo Yuga baseia-se num princípio científico; seu uso evitará muita inconveniência surgida no passado devido à associação de várias eras com pessoas eminentes, e não com os fenômenos celestes das estrelas fixas. (…)

Os três Gunas, os atributos eléctricos. As electricidades, sendo envolvidas pela polaridade Chitta, estão também num estado polarizado e são dotadas de três atributos ou Gunas: Sattva, o positivo, Tamas, o negativo, e Rajas, o neutro. (…) 

Jnanendriyas, os cinco órgãos dos sentidos. Os atributos positivos das cinco electricidades são os Jnanendriyas, os órgãos dos sentidos – olfacto, paladar, visão, tacto, e audição – e sendo atraídos sob a influência de Manas, a Mente, o pólo oposto deste Átomo espiritualizado, constituem um corpo da mesma.

Karmendriyas, os cinco órgãos da acção. Os atributos neutralizantes das cinco electricidades são os Karmendriyas, os órgãos da acção – excreção, procriação, movimento (pés), habilidade manual (mãos) e fala. Estes órgãos, sendo as manifestações da energia neutralizante do Átomo espiritualizado, Chitta (o Coração), constituem um corpo energético chamado corpo de energia, a força vital ou Prana. 

Vishaya ou Tanmatras, os cinco objectos dos sentidos. Os atributos negativos das cinco electricidades são os cinco Tanmatras ou objectos dos sentidos do olfacto, paladar, visão, tacto e audição, que, unidos aos órgãos dos sentidos através do poder neutralizante dos órgão da acção, satisfazem os desejos do coração. (…)

Cinco Koshas ou Envoltórios. Este Purusha, o Filho de Deus, está protegido por cinco envoltórios chamados koshas.

Coração, o primeiro Kosha. O primeiro destes cinco envoltórios é o Coração, Chitta, o Átomo, composto de quatro idéias, como já mencionamos, o qual sente ou aprecia, e, por ser a sede da bem-aventurança, ananda, chama-se Anandamaya Kosha.

Buddhi, o segundo Kosha. O segundo é a electricidade magnética da aura, manifestação de Buddhi, a Inteligência que determina o que é a verdade. Assim, sendo a sede do conhecimento, jnana, denomina-se Jnanamaya Kosha.

Manas, o terceiro Kosha. O terceiro é o corpo de Manas, a Mente, composto pelos órgãos dos sentidos, como já mencionamos e é chamado de Manomaya Kosha.

Prana, o quarto Kosha. O quarto é o corpo de energia, a força vital ou Prana, composto dos órgãos da acção antes descritos e são chamados de Pranamaya Kosha.

Matéria densa, o quinto Kosha. O quinto e último desses envoltórios é a matéria densa, o revestimento externo do Átomo, o qual tornando-se Anna, o alimento, sustenta este mundo visível e por isso se chama Annamaya Kosha. (…)

A raiz da árvore da vida. O órgão sexual – junção de importantes extremidades nervosas, particularmente dos nervos simpáticos e espinhais (nervos principais do abdômen), os quais através de sua conexão com o cérebro, são capazes de estimular todo o sistema – é, em certo sentido, a raiz da árvore da vida. O homem bem instruído no uso adequado do sexo pode manter seu corpo e sua mente saudáveis e viver uma vida inteiramente agradável.

Os princípios práticos da saúde sexual não são ensinados porque o povo considera o assunto impuro e obsceno. Assim, em sua cegueira, a humanidade tem a presunção de lançar um véu sobre a Natureza, porque ela lhe parece impura, esquecendo que ela é sempre imaculada e que tudo que existe de impuro e indecoroso está na mente do homem e não na natureza. Por conseguinte, é claro que o homem, ignorando a verdade sobre os perigos do abuso da força sexual, sendo compelido a práticas errôneas através da irritação nervosa resultante de uma vida anti-natural, sofrerá perturbadoras moléstias na vida, tornando-se uma vítima de morte prematura. (…)

A moradia do homem. Em segundo lugar, vem a casa onde moramos. Podemos facilmente compreender, quando nos sentimos mal ao entramos numa sala abarrotada depois de respirarmos o ar fresco do alto de uma montanha ou de um vasto campo ou jardim, que a atmosfera da cidade ou de qualquer aglomerado urbano é anti-natural para se morar. A atmosfera revigorante do alto de uma montanha, de um campo, jardim ou de um lugar seco e arborizado situado num espaçoso terreno, bem ventilado com ar fresco, é a moradia apropriada para o homem em harmonia com a natureza. 

A companhia que devemos ter. Em terceiro lugar está a companhia que devemos ter. Aqui também, se ouvirmos os ditames de nossa consciência e consultarmos nossa inclinação natural, verificaremos que preferimos as pessoas cujo magnetismo nos afeta harmoniosamente, que acalmam nosso organismo, tonificam internamente nossa vitalidade, desenvolvem nosso amor natural, aliviando nossos sofrimentos, nos transmitindo paz. (…)

Quando o homem dirige todos os seus órgãos dos sentidos para o seu centro universal, o sensório ou Sushumnadwara, a porta do mundo interno; ele percebe seu corpo de Radha luminoso, ou João Baptista, e ouve o som peculiar de uma “batida”, Pranava Sabda, o Verbo de Deus. (…)

Bhakti Yoga ou baptismo, o segundo nascimento do homem. Por meio deste Samyama ou concentração do ser no sensório, o homem é baptizado ou absorvido na corrente sagrada do som divino. Este baptismo é chamado Bhakti Yoga. (…)

Dvija ou nascido duas vezes. Quando o homem, sendo baptizado, começa a arrepender-se e retorna ao Pai Eterno, retirando seu ser do mundo material denso, Bhuloka, e entrar no mundo da matéria sutil, Bhuvarloka, pertencerá à classe dos Dvija ou dos nascidos duas vezes. Neste estado, ele compreende suas electricidades internas, a segunda porção material subtil da criação; e compreende que a existência no mundo externo não passa substancialmente de mera fusão ou união de seus objectos dos sentidos internos subtis (os atributos negativos das electricidades) com seus cinco órgãos dos sentidos (os atributos positivos) através de seus cinco órgãos de acção (os atributos neutralizantes dos mesmos), causada pela acção de sua mente e de sua consciência.

O coração constante. Este estado do homem é Dwapara; e quando este se torna naturalmente o estado geral dos seres humanos em qualquer sistema solar, diz-se que a totalidade desse sistema está no Dwapara Yuga. Neste estado de Dwapara o coração se torna constante. Continuando no estado iniciático do baptismo, imerso na torrente sagrada, o homem chega gradualmente a um agradável estado em que seu coração abandona totalmente as idéias do mundo externo, dedicando-se ao mundo interno. (…)

A purificação do corpo material pode ser realizada pelas coisas produzidas juntamente com ele pela Natureza; a purificação do corpo eléctrico depende da paciência, em todas as circunstâncias; e a do corpo magnético (chitta, Átomo espiritualizado, Coração) ocorre por meio da regulação da respiração, que se chama mantra, o purificador da mente. (…)

Pelo sagrado efeito do mantra, o Pranava ou som de Aum torna-se audível. O som sagrado é ouvido de vários modos, de acordo com o estágio de desenvolvimento do devoto (na purificação de seu coração).

Pela prática de regulação da respiração, conforme orientada pelo Preceptor Espiritual (Sat-Guru), o Verbo sagrado (Pranava ou Sabda) soa espontaneamente e se torna audível. Quando este mantra (Verbo, Pranava) se manifesta, a respiração se regulariza e impede a decadência do corpo material.

Este Pranava se manifesta em diferentes formas nos diferentes estágios de desenvolvimento, de acordo com a purificação do coração (Chitta).

No estado de baptismo (Bhakti Yoga ou Surat Sabda Yoga, absorção do Ego no Som sagrado) o homem se arrepende e afasta o seu ser do mundo externo das matérias densas, Bhuloka, e entra no mundo interno da matéria subtil, Bhuvarloka. Lá ele percebe a manifestação do Espírito, a verdadeira Luz, como sete estrelas em sete centros ou regiões de luz astral, as quais são comparadas com sete candelabros de ouro. Estas estrelas, sendo a verdadeira manifestação da verdadeira Luz, o Espírito, denominam-se anjos ou rishis, as quais aparecem uma após a outra na mão direita do filho do homem; ou seja, no seu caminho direto para a Divindade.

Os sete castiçais de ouro são as sete regiões de luz no corpo, conhecidas como cérebro, o sahasrara; medula oblongada, o ajna chakra; e os cinco centros espinhais – cervical, vishuddha; dorsal, anahata; lombar, manipura; sacro, swadhishthana; e coccígeo, muladhara, – onde o Espírito se manifesta. Através desses sete centros ou igrejas, o Ego ou o filho do homem chega à Divindade. Ver Apocalipse 1:12, 13, 16, 20 e 2:1.

“E, tendo-me voltado, vi sete candelabros de ouro, e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um Filho de homem… Segurava na mão direita sete estrelas…”

“Quanto ao mistério das sete estrelas que vês na minha mão direita e aos sete candelabros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete Igrejas, e os sete candelabros, as sete Igrejas.”

“… eis o que diz aquele que segura as sete estrelas na sua mão direita, aquele que anda pelo meio dos sete candelabros de ouro.”

Neste estado de baptismo (Bhakti Yoga ou Surat Sabda Yoga), o Ego, Surat, o filho do homem, passando gradualmente através das sete mencionadas regiões, adquire o conhecimento; e então, quando completa a jornada por todas essas regiões, ele compreende a verdadeira natureza do universo. Afastando seu ser de Bhuvarloka, a criação material subtil, ele entra em Swarloka, a fonte de todas as matérias, subtis e densas. Lá, percebe a luminosa forma astral em torno de seu Coração, o Átomo, o trono do Espírito Criador, provido de sete electricidades, com dois pólos, Mente e Inteligência, de sete cores diferentes, como no arco-íris. Nesta esfera de electricidades, Mente e Inteligência, origem de todos os objectos dos sentidos e dos órgãos de seu prazer, o homem tem a perfeita satisfação de estar de posse de todos os objectos de seus desejos e adquire um completo conhecimento deles. Desse modo, a referida forma astral com suas sete partes, electricidades e pólos, tem sido descritas como um cofre selado de conhecimento, um livro com sete selos. Ver Apocalipse 4:3 e 5:1.

 “…. e o arco-íris rodeava o trono…”

  “E vi também na mão direita do que estava assentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.”

 (…)

Transpondo este Swarloka, o filho do homem chega ao Maharloka, a região do magneto (o Átomo), do qual as idéias de manifestação (Verbo), Tempo, Espaço e Partícula (Átomo) são as quatro partes componentes. Como se mencionou no Capítulo 1, este Maharloka representa Avidya, a Ignorância, que produz a idéia de uma existência isolada do ser e é a origem do Ego, o filho do homem. Assim, sendo o homem (manava) fruto da Ignorância, e sendo a Ignorância representada pelas quatro idéias já referidas, estas denominam-se os quatro manus, origens ou fontes do homem. (…)

Maharloka, a região do magneto (Átomo), é Brahmarandhra ou Dasamadwara, a porta entre as duas criações material e espiritual. Quando o ego, o filho do homem, chega à porta, compreende a Luz Espiritual e nela é baptizado. Transpondo esta porta, transcende a criação ideacional das Trevas, Maya, e entrando no mundo espiritual, recebe a verdadeira Luz e torna-se o Filho de Deus. Assim, como o Filho de Deus, o homem vence toda a servidão das Trevas, Maya, e passa a possuir todos os aiswaryas, as majestades ascéticas. Estes aiswaryas são de oito classes:

Anima, o poder de fazer com que o corpo ou qualquer outra coisa fique tão pequeno quanto se queira, até mesmo tão minúsculo como um Átomo, anu.

Mahima, o poder de aumentar ou fazer o corpo ou qualquer outra coisa mahat, tão grande quanto se queira.

Laghima, o poder de fazer o corpo ou qualquer outra coisa laghu, tão leve quanto se queira.

Garima, o poder de fazer o corpo ou qualquer outra coisa guru, tão pesado quanto se queira.

Prapti, o poder de apti, que faz com que se obtenha tudo o que se queira.

Vasitwa, o poder de vasa, que faz com que se tenha tudo sob controle.

Prakamya, o poder de satisfazer todos os desejos, kama, pela irresistível força de vontade.

Isitwa, o poder de tornar-se Isa, Senhor de todas as coisas.»

– Sri Yuktswar (swami de Kriya Yoga), “Sagrada Ciência”

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