Olimpo trocou o mel pela peste

«“Se a abelha desaparecer da superfície do planeta, então ao homem restariam apenas quatro anos de vida. Com o fim das abelhas, acaba a polinização, acabam as plantas, acabam os animais, acaba o homem”»

– Albert Einstein

«If all the insects on earth disappeared, within fifty years all life on earth would disappear. If all humans disappeared, within fifty years all species would flourish as never before»

– Jonas Salk

«O consumo mundial de agrotóxicos cresceu 50% nos últimos dez anos e passou de US$ 40 bilhões, conforme os dados levantados pela UFPR. O maior mercado é o da Europa, com 32%, seguido pela Ásia e pela América do Norte, com 23% e 22%. A América Latina fica em último lugar nessas contas, com 19%. Por representar 84% do comércio de defensivos agrícolas na região, o Brasil aparece como maior consumidor isolado. O país ultrapassou os Estados Unidos em 2008, numa diferença de 733,9 para 646 milhões de toneladas, conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). (…)

Se for considerado o consumo por hectare, o Brasil ainda usa menos agrotóxicos que o Japão, onde os produtores gastam até dez vezes mais com defensivos agrícolas em áreas de tamanhos similares. (…)

As mais de 50 fusões e aquisições registradas na última década ajudaram a concentrar as vendas internacionais nas mãos de seis empresas. Syngenta e Bayer se revezam na primeira posição, com perto de 40% do mercado. Basf e Monsanto, que somam outros 20%, disputam o terceiro posto. Dow e DuPont estão na terceira escala, com participações entre 5% e 10%. Juntas, as seis maiores indústrias têm dois terços do mercado. (…)

Monsanto e DuPont ganham mais com produtos geneticamente modificados do que com inseticidas, fungicidas e herbicidas, principais fontes de renda da Bayer, da Syngenta e da Basf.»

–  Jornal Vetquimica, 11/05/2010

Os agricultores desta região da China, usaram e abusaram de pesticidas nas culturas e pomares, exterminando toda a espécie de insectos, e que deixaram a região contaminada de veneno por várias gerações. Como exterminaram os insectos polinizadores (abelhas, etc.), têm de ser os agricultores a polinizar manualmente as flores, uma por uma!

Sem fazer alarde nem deixar pistas, abelhas de diversas regiões do planeta estão desaparecendo. O problema é grave. Em termos ambientais, as abelhas são importantes polinizadores naturais. Ao levar o pólen de uma flor a outra, elas induzem a formação de frutos e sementes. Ou seja, são protagonistas na reprodução das plantas. Em termos econômicos, esses insetos são os mais exímios produtores de mel na natureza.

Criadores de todo o mundo (E.U.A., Canadá, Europa, América do Sul, América Central, etc.) detectaram um desaparecimento acima da média dos enxames. Os apicultores chegaram a perder 90% de suas colmeias. Para ilustrar a dimensão do estrago, o biólogo americano Edward O. Wilson, professor da Universidade Harvard, afirmou ao jornal Washington Post que “de certa maneira, é o Katrina da entomologia”, citando o furacão que há dois anos matou pelo menos 1,5 mil pessoas nos EUA.

Documentário sobre o desaparecimento das abelhas

«Apicultores apresentaram uma demanda judicial contra os cultivos geneticamente modificados, mas o tribunal determinou que, com essas plantações são legais, eram os apicultores que deveriam levar suas colméias para outro lado. ‘É sabido que as abelhas passam 90% de seu tempo de vida em um perímetro de três quilômetros. Mas, podem voar até 10 quilômetros sem problema. (…) “Mas, em algumas regiões, como Brandenburgo, próximo a Berlim, é quase impossível escapar dos transgênicos. Estão por todos os lados e as abelhas entram em contato com eles”, afirmou Radetzki à IPS. Mas, não é a única ameaça que enfrentam.

As mudanças climáticas na agricultura, com a introdução de monoculturas e o uso intensivo de pesticidas, obrigam as abelhas a buscar refúgio nas cidades. Peter Rozenkranz, entomologista na Universidade de Stuttgart, disse à IPS que as monoculturas estão privando as abelhas de seu habitat natural. “Após algumas boas semanas na primavera, as abelhas se vêem ameaçadas pela fome, porque avançando o ano quase não restam flores”, acrescentou. Imagens obtidas via satélite mostram que “em vastas regiões, especialmente na zona oriental do país, não há nada que sirva de alimento para as abelhas”, ressaltou.

E, se não bastasse isso, os cultivos estão saturados de inseticidas e pesticidas, que quase em sua totalidade resultam ser fatais para as abelhas. Apicultores do Estado de Baden Wurttemberg informaram sobre a morte de centenas de abelhas em maio. Culparam um componente químico do inseticida Poncho Pro, usado para proteger das larvas as sementes do milho. Mnafred Raff, diretor da associação regional de apicultores, disse à IPS que mandou analisar suas abelhas depois das mortes em massa. “Encontramos em seus corpos abundantes traços desse produto químico”, afirmou. Como conseqüência de uma demanda judicial apresentada por Raff e outros 700 apicultores de BadenWurtemberg, a gigante da indústria química e farmacêutica Bayer admitiu que Poncho Pro causou a morte, mas culpou os produtores de sementes pelo uso indevido desse produto.

Viver nas cidades se tornou mais atraente para as abelhas, “porque as áreas verdes recreativas e os jardins têm uma vegetação variada e exuberante, que floresce ao longo de vários meses, desde o começo da primavera até o fim do verão”, afirmou Rosenkranz. “Nas cidades, as abelhas só precisam voar algumas centenas de metros, de um parque público a uma sacada e dali até um jardim para encontrarem suculentas flores, em sua maioria livres de inseticidas”, acrescentou Rosenkranz disse que as abelhas estiveram sob ameaça de extermínio durante anos. Em 2007, morreram cerca de 30% de sua população na Alemanha. Atualmente, 330 das 550 variedades de abelhas silvestres são consideradas espécies em perigo. O panorama se repete em outros países, especialmente nos Estados Unidos: em 2007, em regiões de 24 Estados, até 70% da população de abelhas morreram em circunstâncias estranhas.

O desaparecimento dessas polinizadoras por excelência teriam profundas conseqüências ambientais, que iriam muito além da falta de mel. A escassez de alimentos se agravará se as colônias de abelhas deixarem de polinizar frutas e vegetais.»

Fonte

«A major argument for justifying genetically engineered herbicide resistant crops was that they would increase crop productivity because they would enable complete eradication of yield-decreasing weeds. This report, based on a large number of scientific trials, indicates the opposite (…).

Another major argument has been that the use of herbicide resistant crops would decrease the use of herbicides. This has been contradicted by this report».

– “Evidence of the Magnitude and Consequences of the Roundup Ready Soybean Yield Drag

«A transgenia, uma das técnicas da biotecnologia, permitiu desenvolver o conceito de patente do ser vivo por uma empresa. A patente de um determinado fragmento de código genético torna a empresa dona dos direitos de propriedade intelectual de qualquer ser vivo que tenha esse fragmento dentro de si. Essa patente criou muitas vítimas ao redor do mundo, pois a inevitável contaminação por meio de polinização cruzada ou mistura de sementes coloca o agricultor na condição de um criminoso, na posição de uma pessoa que viola os direitos de patente de uma tecnologia. (…)

Um acordo entre a empresa proprietária da patente sobre a soja transgênica Roundup Ready, Monsanto, com cooperativas e comerciantes de soja brasileiros criou um sistema de cobrança dos royalties sobre a colheita. Antes de a soja ser armazenada no silo, o agricultor deve declarar que tipo de soja cultivou. Se declara que a soja não é transgênica, é necessário provar o fato com uma análise. O teste identifica se existe a presença de grãos transgênicos, mas não é capaz de identificar a porcentagem destes grãos no lote. Este teste qualitativo não possibilita que um lote de soja transgênica seja separado de um lote de soja convencional contaminado12. O valor cobrado, no ano de 2004, foi de R$ 0,60 por saca de 60 quilos para o agricultor que declarou produzir soja transgênica e não realizou o teste. O agricultor que declarou que sua soja não era transgênica mas o resultado do teste foi positivo, por ser soja transgênica ou soja convencional contaminada, foi obrigado a pagar R$ 1,50 por saca de 60 quilos, mais os custos do teste. (…)

Assim, o proprietário de uma soja com uma pequena porcentagem de grãos transgênicos será obrigado a pagar royalties sobre a totalidade dos grãos, mesmo os convencionais. Em resumo, a empresa criou um sistema que permite a cobrança do direito de patente mesmo sobre as sementes convencionais, prejudicando o agricultor cuja lavoura convencional foi contaminada. Se o agricultor pulverizar sua lavoura com glifosato (nas folhas da soja e na quantidade que o plantio transgênico requer), todas as plantas convencionais morrerão, restando apenas a soja transgênica. O agricultor que usa a tecnologia Roundup Ready produz 100% de soja transgênica, pois não existe a possibilidade de sobrevivência de plantas convencionais na lavoura. A contaminação pode acontecer por via sexual ou mecânica. A contaminação por via sexual acontece com a troca de pólen entre plantas diferentes, separadas por uma certa distância. A contaminação mecânica é a mistura das sementes de soja convencional com sementes da soja transgênica ao longo de toda a cadeia produtiva.»

Greenpeace

«O milho transgênico e o milho convencional foram dados para dois grupos de frangos de granja durante 42 dias e seu crescimento e performance foram medidos. Duas vezes mais galinhas morreram no grupo que foi alimentado com milho T25».

Greenpeace, 2001

«O consumo de herbicida aumenta com uso de plantas transgênicas. Uma avaliação feita após oito anos de cultivo de transgênicos nos Estados Unidos mostra um aumento dramático na quantidade de agrotóxicos usado nas lavouras».

 – Greenpeace

«As variedades transgênicas não são mais produtivas do que as convencionais. São mais dependentes de aditivos químicos (acréscimo da despesa para o agricultor, para além das patentes). Podem provocar o surgimento de superpragas e afetar a vida microbiana no solo. Alimentos transgênicos contendo genes que conferem resistência a antibióticos podem provocar a transferência desta característica para bactérias existentes no organismo humano, tornando-as uma ameaça sem precedentes à saúde pública. Cobaias alimentadas com transgênicos têm apresentado alterações em seu sistema imunológico e em vários órgãos vitais. Alergias alimentares podem aparecer como decorrência da introdução de genes estranhos nos alimentos que passam a apresentar novas proteínas, enquanto substâncias tóxicas existentes em quantidades inofensivas nos alimentos podem ter sua ação potencializada. Outras substâncias benéficas, inclusive que protegem contra o câncer, podem ser diminuídas. Finalmente, há evidências científicas da ação cancerígena dos atuais níveis de resíduos de glifosato permitidos pela legislação americana e, mesmo assim, a multinacional Monsanto está pedindo que se multiplique por três o nível de resíduos permitido na soja transgênica».

–  Adaptado de Campanha anti-transgénicos

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