Sinais para medir a luz por dentro das pessoas

«As mulheres e os homens estavam espalhados pela Terra. Uns estavam maravilhados, outros tinham-se cansado. Os que estavam maravilhados abriam a boca, os que se tinham cansado também abriam a boca. Ambos abriam a boca. Houve um homem sozinho que se pôs a espreitar esta diferença – havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cansadas. Depois ainda espreitou melhor: Todas as pessoas estavam maravilhadas, depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cansadas. As pessoas estavam tristes ou alegres conforme a luz para cada um – mais luz, alegres – menos luz, tristes. O homem sozinho ficou a pensar nesta diferença. Para não esquecer, fez uns sinais numa pedra. Este homem sozinho era da minha raça – era um Egípcio! Os sinais que ele gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessoas, chamaram-se hieróglifos. Mais tarde veio outro homem sozinho que tornou estes sinais ainda mais fáceis. Fez vinte e dois sinais que bastavam para todas as combinações que há ao Sol. Este homem sozinho era da minha raça – era um Fenício. Cada um dos vinte e dois sinais era uma letra. Cada combinação de letras uma palavra. Todos dias faz anos que foram inventadas as palavras. É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras.»

– Almada Negreiros.

Repescado aqui.

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