I fall fighting, fighting still

«Dream, laugh, go lightly, solitary, free,
With eyes that look straight forward – fearless voice!
To cock your beaver just the way you choose,
For ‘yes’ or ‘no’ show fight, or turn a rhyme!
To work without one thought of gain or fame,
To realize that journey to the moon!
Never to pen a line that has not sprung
Straight from the heart within. Embracing then
Modesty, say to oneself, ‘Good my friend,
Be thou content with flowers, fruit, nay, leaves,
But pluck them from no garden but thine own!’
And then, if glory come by chance your way,
To pay no tribute unto Caesar, none,
But keep the merit all your own! In short,
Disdaining tendrils of the parasite,
To be content, if neither oak nor elm
Not to mount high, perchance, but mount alone! (…)

But who fights ever hoping for success?
I fought for lost cause, and for fruitless quest!
You there, who are you! You are thousands! Ah!
I know you now, old enemies of mine!
Falsehood!
Have at you! Ha!
and Compromise! Prejudice, Treachery!. . .
Surrender, I?
Parley? No, never!
You too, Folly, you?
I know that you will lay me low at last;
Let be!
Yet I fall fighting, fighting still!»

– Script of “Cyrano of Bergerac”

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‘Este mundo do pai-mãe é precisamente o que tem de desaparecer’

«Ora este mundo do pai-mãe é precisamente o que tem de desaparecer»

– Antonin Artaud, “Ainsi donc la question…” in Tel Quel, nº 30, 1967.

«O eu é o papá-mamã»

«A psicanálise participa na obra mais geral da repressão burguesa, aquela que consistiu em manter a humanidade europeia sob o jugo do papá-mamã, e a não acabar de vez com esse problema.»

«…o Édipo é, em sentido restrito, a figura do triângulo papá-mamã-eu, a constelação familiar em pessoa.»

«…a nevrose é o papá-mamã, mas a avozinha é a psicose.»

«E isto é precisamente o incurável familiarismo da psicanálise: envolve-se o inconsciente com O Édipo, apertando o Édipo-ligadura com toda a força – esmaga-se a produção desejante, condiciona-se o paciente a responder papá-mamã e a consumir sempre papá-mamã.»

«Assim o problema prático da esquizo-análise é o da inversão contrária: devolver às sínteses do inconsciente a sua utilização imanente. Desedipianizar, desfazer a teia de aranha do papá-mamã, destruir as crenças para conseguir atingir a produção das máquinas desejantes e os investimentos económicos e sociais, fazer uma análise militante. Não se consegue nada enquanto não se modificarem as máquinas, o que implica portanto intervenções muito concretas: substituir a benevolente pseudo-neutralidade do analista edipiano, que só ouve e quer ouvir dizer papá-mamã, por uma actividade maldosa, abertamente maldosa – isso do Édipo só me dá vontade de cagar, se continuas acaba-se já análise, ou então, um choque eléctrico para ver se deixas de papaguear papá-mamã – claro, claro que «Hamlet está em todos vós, e também Werther», e o Édipo também, e tudo o mais que quiserem, mas «vocês fazem nascer braços e pernas uterinos, lábios uterinos, um bigode uterino; revivendo os mortos reminiscentes o vosso eu torna-se uma espécie de teorema mineral que passa o tempo todo a demonstrar a inutilidade da vida

«…o que importa é que o selvagem e a criança possam formar e fazer funcionar as suas máquinas desejantes, e fazer passar os seus fluxos, realizar os
seus cortes.»

«O sujeito do enunciado é a pessoa social, e o sujeito de enunciação, a pessoa privada. Afinal é o teu pai, afinal é a tua mãe, afinal és tu: a conjunção familiar resulta das conjunções capitalistas, na medida em que estas se aplicam a pessoas privatizadas. Aplicou-se tudo ao papá-mamá-eu – como é que não havemos de o descobrir por toda a parte?»

«Todos os processos cínicos de má consciência, tal como Nietzsche, Lawrence e Miller os analisaram para definir o homem europeu civilizado – o reino das imagens e da hipnose, e do torpor que elas propagam -, o ódio contra a vida, contra tudo o que é livre, que passa e que corre; a universal efusão do instinto de morte -, a depressão, a culpabilidade generalizada como meio de contágio, o beijo do vampiro: não tens vergonha de ser feliz? segue o meu exemplo, eu não te largarei até que tu digas “minha culpa”, ó ignóbil contágio dos depressivos, a neurose como única doença que consiste em tornar os outros doentes -, estrutura permissiva: que se possa mentir, roubar, degolar, matar! mas sempre em nome da ordem social, e que o papá-mamã se orgulhem de mim (…).»

«…a ligação da psicanálise com o capitalismo não é apenas ideológica, mas infinitamente mais íntima, mais cerrada; e que a psicanálise depende directamente de um mecanismo económico (daí as suas relações com o dinheiro) pelo qual os fluxos descodificados do desejo, tal como são tomados pela axiomática do capitalismo,
têm que ser necessariamente rebatidos num campo familiar onde se efectua a aplicação dessa axiomática: o Édipo como última palavra do consumo capitalista,
chupar papá-mamã, deixar-se carimbar e triangular no divã, “afinal…”.»

«E a estrutura não nos oferece, seguramente, nenhum meio de escapar ao familiarismo, pelo contrário, aperta-o mais, dando um valor metafórico universal à família, que acabara precisamente de perder os seus valores literais e objectivos.»

«Depois de se ter interiorizado a família no Édipo, exterioriza-se o Édipo na ordem simbólica, na ordem institucional, na ordem comunitária, sectorial, etc. E isto é uma constante de todas as tentativas modernas. E se esta tendência aparece tão ingenuamente na psiquiatria comunitária de adaptação – “regresso terapêutico à família”, à identidade das pessoas, e à integridade do eu, e tudo isso abençoado pela castração bem sucedida numa santíssima forma triangular – não deixa de estar presente em outras correntes embora sub-repticiamente.»

– Deleuze & Guattari, “Anti-Édipo…”

‘É aos pais a quem menos se deve confiar a educação dos filhos’

No Outono de 1921, Kafka enviou duas cartas à sua irmã Elli Hermann, nas quais, entre outros assuntos, aborda a questão da educação dos filhos. Max Brod copiou alguns trechos a partir dessas cartas que estavam em posse da irmã de Kafka, omitindo passagens que considerou menos importantes. Após a 2ª. Guerra Mundial, Brod quis restaurar as cartas por inteiro, mas descobriu que os originais haviam desaparecido. Só as passagens retiradas por Brod sobreviveram à destruição nazi, que consumiu milhões de homens e seus objectos pessoais.

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«Para Elli Hermann

[Praga, outono de 1921]

1.

…Tenho a meu favor (entre muitos outros) um grande testemunho, que cito aqui justamente porque é grande e porque acabei de lê-lo ontem, e não porque eu ouse ter a mesma opinião. Diz Swift em sua descrição da viagem de Gulliver a Lilliput (cujas instituições ele muito elogia):

“Os conceitos acerca das obrigações entre pais e filhos diferem completamente dos nossos. Dado que a união de homens e mulheres funda-se na grande lei da natureza, a fim de dar continuidade e perpetuar a espécie, os lilliputianos afirmam que homens e mulheres se unem unicamente por este motivo, e que a ternura para com os filhos seria resultado do mesmo princípio natural. Por isto, eles nunca permitirão que um filho tenha qualquer obrigação em relação a seus pais pelo fato de o terem trazido ao mundo, o que, além do mais, não constituiria nenhum benefício, se considerássemos as misérias da vida humana. Nem os pais buscaram tal fim, uma vez que pensavam em coisas totalmente diferentes em seus encontros amorosos. Por estas e outras razões, eles opinam que, entre os seres humanos, é aos pais a quem menos se deve confiar a educação dos filhos“.

Com isto, ele obviamente quer dizer, em total acordo com a distinção que você faz entre “pessoa” e “filho”, que o filho, se há de chegar a ser uma pessoa, deve ser retirado o quanto antes da animalidade, como ele (Swift) o diz, da relação puramente animal a partir da qual ganhou existência. (…)

2.

…O principal em Swift não é o que você aponta (os filhos não devem ser gratos aos pais por sua existência). Na realidade, ninguém afirma isto tão ao pé da letra. O peso principal recai sobre a última sentença: “Dentre todos os seres humanos, é aos pais a quem menos se deve confiar a educação dos filhos“. Com certeza, é essa a frase mais representativa no argumento dele, dito muito concisamente; por isto, tratarei de te explicá-la mais extensamente, ainda que, te repito, trate-se unicamente da opinião de Swift (que, a propósito, era pai de família). Minha própria opinião tende na mesma direção, embora não me atreva a ser tão taxativo.

Swift opina que: toda família representa em princípio somente uma organização animal, em certa medida um organismo único, um fluxo sanguíneo único. Por isto, por estar referida a si mesma, não pode sair de si, não pode criar exclusivamente a partir de si nenhum indivíduo novo, e se o tenta através de uma educação familiar, isto é uma espécie de incesto espiritual.

A família é, assim, um organismo, mas complicado e extremamente desequilibrado. Como todo organismo, também a família aspira continuamente ao equilíbrio. Na medida em que esta aspiração ao equilíbrio se dá entre pais e filhos (o equilíbrio dos pais entre si não vem ao caso), a isto se chama educação. Por que se chama assim é incompreensível, pois não tem nem vestígios de uma educação verdadeira, ou seja, do desenvolvimento sereno, desinteressado e afetuoso das aptidões de um homem em sua evolução, ou simplesmente a tolerância tranqüila a um desenvolvimento independente. Ao invés, trata-se de uma tentativa convulsiva de equilibrar um organismo animal condenado a muitos anos de desequilíbrio; para diferenciar este organismo do indivíduo, isto é, do animal humano, podemos chamá-lo de animal familiar.

A causa da impossibilidade imediata de se alcançar um equilíbrio justo (pois só um equilíbrio justo é um verdadeiro equilíbrio, um equilíbrio estável) dentro deste animal familiar é a desigualdade das partes, ou seja, a monstruosa superioridade do casal frente aos filhos, que perdura por anos. Os pais se atribuem, durante a infância de seus filhos, o direito exclusivo de representar a família, não somente no exterior, mas também em sua organização interna espiritual. Retiram assim de seus filhos, passo a passo, o direito à personalidade própria, e podem chegar a lhes anular a capacidade de desenvolver positivamente este direito; é uma desgraça que, com o tempo, pode vir a pesar não menos sobre os pais do que sobre os filhos.

A diferença essencial entre a educação verdadeira e a educação familiar é: a primeira é uma questão humana, a segunda uma questão familiar. Todo homem tem seu lugar na humanidade ou tem, pelo menos, a possibilidade de sucumbir ao seu modo; porém, na família, confinada pelos pais, somente têm seu lugar homens totalmente determinados que respondem a exigências totalmente determinadas e, mais ainda, aos termos ditados pelos pais. Se não respondem a estes imperativos, não são expulsos – o que seria muito bom, mas é impossível, pois sabemos que se trata de um organismo -, mas são amaldiçoados ou destruídos, ou ambos ao mesmo tempo. Esta destruição não é corporal, como na mitologia grega (Cronos devorava os seus filhos, é o mais temido dos pais), mas talvez Cronos preferisse esse método aos habituais de então movido precisamente por piedade aos seus filhos.

O egoísmo – autêntico sentimento paterno – não conhece limites. Mesmo o maior amor dos pais é, em relação à educação, mais egoísta que o menor dos amores do educador pago. Não é possível de outra forma. Os pais não são livres diante de seus filhos como sim o é um adulto diante de uma criança, porque se trata, no primeiro caso, de laços de sangue, do próprio sangue. Há, além disso, outra grave complicação: o sangue de cada um dos pais. Se o pai (e o mesmo se dá com a mãe) “educa”, ele encontra no filho coisas que já odiou em si mesmo e não pôde dominar, mas que agora espera seguramente dominar, já que a débil criança parece estar mais em seu poder do que ele próprio. E é assim que ataca com furor cego, sem aguardar o desenvolvimento, o homem em evolução, a fim de extirpar o elemento nocivo. Ou reconhece com susto que, por exemplo, algum traço que ele considera de destaque seu e que, portanto (portanto!), não deveria faltar na família (na família!), falta na criança, e põe-se a martelá-lo nela; o consegue mas ao mesmo tempo malogra porque, além disso, martela a criança. Outro exemplo: encontra no filho traços que amou em sua mulher, mas que ele odeia na criança (a quem ele confunde continuamente consigo próprio; todos os pais o fazem); assim, pode-se amar muito os olhos azuis claros da própria esposa e sentir a maior repugnância em ter, de repente, ele próprio esses olhos. Outro exemplo: encontra no filho traços que ama em si mesmo ou que anseia ter e considera necessários à família. Neste caso, todos os outros traços do filho lhe são indiferentes, só vê nele o que é amado, atrela-se ao amado, humilha-se à posição de seu escravo, ele o destrói por amor.

Tais são os dois meios educativos nascidos do egoísmo dos pais: a tirania e a escravidão, em todas as suas gradações. A tirania pode expressar-se de uma maneira muito suave (“Você deve acreditar-me, porque sou sua mãe“) e a escravidão adotar uma forma muito orgulhosa (“Você é meu filho, por isto, farei de você um salvador para mim“); porém, ambos são meios de educação terríveis, são meios de antieducação; só servem para esmagar a criança contra o solo de onde veio.

Os pais sentem por seus filhos um amor animal, irracional, que continuamente se confunde com a criança. Ao invés, o educador presta atenção à criança e isto é, num sentido educativo, incomparavelmente melhor, ainda que não intervenha amor algum. Repito: num sentido educativo. Pois qualificar o amor dos pais de animal e irracional não é em si uma subestimação; o amor dos pais é um mistério tão impenetrável quanto o amor racional e fecundo do educador; e, tratando-se apenas do sentido educativo é que esta subestimação nunca é suficientemente grande.

Quando N. diz que ela é como uma galinha, tem toda razão. No fundo, toda mãe o é e, para a que não é, cabem duas possibilidades: ou é uma deusa ou um animal aparentemente doente. Mas, ocorre que a galinha N. não quer ter pintinhos, mas seres humanos; por isto, não deve educá-los sozinha.

Repito: Swift não pretende denegrir o amor dos pais; chega a considerá-lo, sob certas circunstâncias, o bastante forte para proteger os filhos justamente desse mesmo amor dos pais. Uma mãe que, numa poesia qualquer, resgata seu filho das garras de um leão, poderia defender seu filho de suas próprias mãos? E o faria sem recompensa, ou o que é mais certo, sem a possibilidade de uma recompensa? Em um outro livro escolar de poesias que você certamente conhece, consta que um peregrino, após muitos anos, regressa à sua aldeia natal e ninguém o reconhece, a não ser sua mãe: “Mas o olho materno o reconheceu”. Este é o verdadeiro milagre do amor materno, e há aqui expressa uma grande sabedoria. Mas, somente pela metade, pois falta agregar que, se o filho tivesse permanecido em casa, ela não o teria reconhecido jamais, que permanecer sentada cotidianamente junto ao filho teria feito com que este se lhe tornasse completamente desconhecido e que, então, teria ocorrido o contrário do que diz a poesia, isto é, qualquer um o teria reconhecido melhor do que ela. (Claro que, neste caso, ela não teria que reconhecê-lo, já que ele não teria nunca regressado a ela.) Talvez você diga que o peregrino foi-se pelo mundo após ter completado onze anos, mas eu sei com toda certeza que ainda faltavam alguns meses para que completasse dez. Ou, dito de outro modo, não se tratava de uma mãe que avidamente quisesse tomar para si a responsabilidade e as alegrias e, o que talvez seja ainda pior, quisesse compartilhar as dores (não se deve possuir nada por inteiro!); não se tratava de uma mãe que tomasse para si a responsabilidade de ser salva pelo filho e que tinha, “portanto”, confiança nele (a desconfiança é própria dos habitantes de Praga; além do mais, tanto a confiança como a desconfiança acarretam riscos por igual, mas, além disso, a desconfiança em si própria é um risco) e, por isso mesmo, tivesse sido salva pelo retorno de seu filho à casa. (Contudo, talvez desde o início o seu perigo não tenha sido tão grande, já que não se tratava de uma mulher judia de Praga, mas de uma católica devota de Estiria.)

O que resta fazer, então? Segundo Swift, há que separar os filhos de seus pais, isto é, o equilíbrio que necessita o animal familiar deve ser alcançado inicialmente de forma provisória; ao afastar os filhos, adia-se por um tempo o equilíbrio definitivo, até que então os filhos, já independentes de seus pais, lhes sejam equivalentes em força corporal e espiritual e tenha chegado assim a época do equilíbrio verdadeiro e amoroso, ou seja, aquilo que você chama “salvação” e outros chamam “gratidão dos filhos” e o encontram tão raras vezes.

Por outro lado, Swift sabe marcar os limites e não considera absolutamente necessário separar os filhos da gente pobre. Pois no caso da gente pobre, o mundo e a vida do trabalho penetram de certo modo irremediavelmente em seus casebres (como, por exemplo, no nascimento de Cristo, em cujo estábulo exposto às intempéries estava presente todo o mundo, os pastores e os Reis do Oriente); nos casebres dos pobres, o mundo impede que penetre o ar denso, envenenado e destruidor de crianças que vicia as residências familiares belamente instaladas.

Tampouco nega Swift que, sob certas circunstâncias, os pais possam formar uma excelente unidade educativa, mas apenas para crianças alheias. Esta é, mais ou menos, minha interpretação da passagem de Swift».

Tradução feita a partir das versões espanhola (Brod, M. Kafka. Madrid: Alianza Editorial, 1982) e inglesa (Kafka, Franz. Letters to friends, family and editors. Nova Iorque: Schocken Books, 1977) e cotejada com o original em alemão (Kafka, Franz. Briefe. Gesammelte Werke in Acht Bänden. Herausgegeben von Max Brod. Fischer Taschenbuch Verlag: Frankfurt am Main, 1998.

Fonte

La vie devant soi

«Dieu j’ai vu ce qu’il a fait à Auschwitz; Dieu il a des yeux, il ne voit pas; il a des oreilles, il n’entend pas; il a une bouche, il ne parle pas…».

«J’ai donné mon cul aux clients pendant trente-cinq ans et je ne ne veux pas maintenant le donner aux médecins».

«…il n’y a pas plus dégueulasse que d’enfoncer la vie de force dans la gorge des gens qui ne peuvent pas se défendre et qui ne veulent plus servir».

– Madame Rosa, ex-prostitute juive.

 

«Madame Rosa a le droit sacré des peuples à disposer d’elle même, comme tout le monde. Et si elle veut se faire [euthanasier], c’est son droit. Et c’est vous qui devriez le lui faire parce qu’il faut un médecin juif pour ça pour ne pas avoir d’antisémitisme. Vous ne devriez pas vous faire souffrir entre Juifs. C’est dégueulasse».

– Momo/Mohammed

 

– “La Vie Devant Soi”, par Emile Ajar (Romain Gary).

A defective analytical division

The Analytic vs. Continental divide of Philosophy is analytically imprecise (category conflation) and unilateral (the distinction is a product of the auto-entitled Analytic, not of the so called Continental philosophy).

The term “Continental” applied to a philosophical branch is found at least as early as 1840, in John Stuart Mill’s essay “On Bentham and Coleridge”, where he contrasts the Kantian-influenced thought of «Continental philosophers» with the English empiricism of Bentham:

«The father of English innovation both in doctrines and in institutions, is Bentham: he is the great subversive, or, in the language of continental philosophers, the great critical, thinker of his age and country. (…)» – Mill, John Stuart (1950), “On Bentham and Coleridge“, pp. 104, 133, 155.

In 1945, Bertrand Russell legitimates «two schools of philosophy, which may be broadly distinguished as the Continental and the British respectively», a division he saw as operative «from the time of Locke» [Bertrand Russell, “A History of Western Philosophy“, p. 643-647] .

Russell is, perhaps, the first to systematize the points of divergence between the these two types of philosophy – Continental vs. British:

(1) in method, deductive system-building vs. piecemeal induction;
(2) in metaphysics, rationalist theology vs. metaphysical agnosticism;
(3) in ethics, non-naturalist deontology vs. naturalist hedonism;
(4) in politics, authoritarianism vs. liberalism.

Several reviewers considered that book defective, full of simplifications, overgeneralizations and omissions, showing that Russell had no tolerance for systems of thought that do not conform to his preferences.

For instance, Russell carelessly misrepresents Nietzsche, who he labels (and libels) and dismisses as a proto-Nazi:

«I shall therefore assume that he [Nietzsche] regards conquering aristocracies and their descendants as biologically superior to their subjects, as men are superior to domestic animals, though in a lesser degree. What shall we mean by “biologically superior”? We shall mean when interpreting Nietzsche, that individuals of the superior race and their descendants are more likely to be “noble” in Nietzsche’s sense: they will have more strength of will, more courage, more impulse towards power, less sympathy, less fear, and less gentleness. (…) Suppose we wish—as I certainly do—to find arguments against Nietzsche’s ethics and politics, what arguments can we find? There are weighty practical arguments, showing that the attempt to secure his ends will in fact secure something quite different. Aristocracies of birth are nowadays discredited; the only practicable form of aristocracy is an organization like the Fascist or the Nazi party.» – Russell, “History of Western Philosophy“, chapter about Nietzsche.

Russell himself admits to not being an expert on any of the philosophers with the possible exception (he immodestly adds) of Leibniz; also, he sets for himself an individualistic and historicist purpose:

«A few words of apology and explanation are called for if this book is to escape even more severe censure than it doubtless deserves. Apology is due to the specialists on various schools and individual philosophers. With the possible exception of Leibniz, every philosopher of whom I treat is better known to some others than to me. If, however, books covering a wide field are to be written at all, it is inevitable, since we are not immortal, that those who write such books should spend less time on any one part than can be spent by a man who concentrates on a single author or a brief period. Some, whose scholarly austerity is unbending, will conclude that books covering a wide field should not be written at all, or, if written, should consist of monographs by a multitude of authors. There is, however, something lost when many authors co-operate. If there is any unity in the movement of history, if there is any intimate relation between what goes before and what comes later, it is necessary, for setting this forth, that earlier and later periods should be synthesized in a single mind. The student of Rousseau may have difficulty in doing justice to his connection with the Sparta of Plato and Plutarch; the historian of Sparta may not be prophetically conscious of Hobbes and Fichte and Lenin. To bring out such relations is one of the purposes of this book, and it is a purpose which only a wide survey can fulfil. There are many histories of philosophy, but none of them, so far as I know, has quite the purpose that I have set myself. Philosophers are both effects and causes: effects of their social circumstances and of the politics and institutions of their time; causes (if they are fortunate) of beliefs which mould the politics and institutions of later ages. In most histories of philosophy, each philosopher appears as in a vacuum; his opinions are set forth unrelated except, at most, to those of earlier philosophers. I have tried, on the contrary,  to exhibit each philosopher, as far as truth permits, as an outcome of his milieu, a man in whom were crystallized and concentrated thoughts and feelings which, in a vague and diffused form, were common to the community of which he was a part. This has required the insertion of certain chapters of purely social history. No one can understand the Stoics and Epicureans without some knowledge of the Hellenistic age, or the scholastics without a modicum of understanding of the growth of the Church from the fifth to the thirteenth centuries. I have therefore set forth briefly those parts of the main historical outlines that seemed to me to have had most influence on philosophical thought, and I have done this with most fullness where the history may be expected to be unfamiliar to some readers-for example, in regard to the early Middle Ages. But in these historical chapters I have rigidly excluded whatever seemed to have little or no bearing on contemporary or subsequent philosophy. The problem of selection, in such a book as the present, is very difficult. Without detail, a book becomes jejune and uninteresting; with detail, it is in danger of becoming intolerably lengthy. I have sought a compromise, by treating only those philosophers who seem to me to have considerable importance, and mentioning, in connection with them, such details as, even if not of fundamental importance, have value on account of some illustrative or vivifying quality. Philosophy, from the earliest times, has been not merely an affair of the schools, or of disputation between a handful of learned men. It has been an integral part of the life of the community, and as such I have tried to consider it. If there is any merit in this book, it is from this point of view that it is derived.» – Russell, “History of Western Philosophy”, foreword.

Later, in his autobiography, Russell described his “History of Western Philosophy” as a work of social history, asking that it be treated in such a manner.

In “Short History of Modern Philosophy “, Roger Scruton analyses it:

«Bertrand Russell’s “History of Western Philosophy” is amusing, but suffers from defects… First, it deals largely with ancient philosophy, and is curt and selective in its treatment of the post-Cartesian tradition. Secondly, it is dismissive towards all those philosophers with whom Russell felt no personal affinity. Thirdly, it shows no understanding of Kant and post-Kantian idealism.»

In spite of that, the statements of that book were taken too seriously by some followers and, nowadays, traces of such a russellian division remain truth or dogma for many philosophers…