Da parede

«A essência da minha falta de musicalidade consiste na minha incapacidade de apreciar música coerentemente, só de quando em vez é que ela tem algum efeito sobre mim, e é raro que seja um efeito musical. A música que eu oiço lança naturalmente em meu redor uma parede, e a sua única influência constante sobre mim é que, assim limitado, eu sou diferente daquilo que sou quando estou livre».

– Kafka, “Diário”, p. 121

 

«Tens de enfiar a cabeça pela parede. Não é difícil atravessá-la, ela é de papel fino. O difícil é não nos deixarmos iludir pelo facto de que o papel já traz pintado, de forma mais enganadora, o modo como tu atravessas a parede. Isso leva-te irresistivelmente a dizer: “Mas não estou eu permanentemente a atravessá-la?”»

– Kafka, fragmento dos cadernos in octavo, “Parábolas e Fragmentos” (org. João Barrento), p. 122.

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