No gume de um instante

«Uma testemunha e um testemunho devem ser sempre exemplares. Devem ser em primeiro lugar singulares, daí a necessidade do instante: eu sou o único a ter visto essa coisa única, a ter ouvido, ou a ter estado na presença disto ou daquilo, num instante determinado, indivisível; e é preciso acreditar em mim porque é preciso acreditar em mim – esta é a diferença, essencial ao testemunho, entre crença e prova -, é preciso acreditar em mim, porque eu sou insubstituível. (…) Mesmo que tenhamos sido vários a participar num acontecimento, a assistir a uma cena, a testemunha não pode testemunhar senão quando afirma que estava num lugar único, onde podia testemunhar isto e aquilo, num aqui-agora, quer dizer, no gume de um instante (…)»

– Derrida, “Morada”, sobre a “ausência de atestação” no instante da morte de Maurice Blanchot, p. 37.

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