Senhor e servo

Reproduzido por Paulo Leminski num artigo sobre Zen, num jornal de Curitiba editado por Reinaldo Jardim (1977).

 

«Um grupo de homens que são senhores e servos. Rostos trabalhados, que brilham em cores vivas. O senhor senta-se e o servo traz-lhe comida numa bandeja. Não há grande diferença entre os dois, nenhuma diferença mais notória do que, por exemplo, existe entre o homem que, como resultado de inúmeras circunstâncias, é inglês e vive em Londres, e o outro que é um lapónio e que naquele mesmo momento está no mar, só no seu barco, no meio de uma tempestade. Certamente que o servo – e isto só em certas circunstâncias – pode tornar-se senhor, mas esta questão, não importa que resposta possa vir a ter, não altera nada aqui, porque é um assunto que se relaciona com a avaliação actual da situação actual.»

– Kafka, “Diários”

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Apartments

“Inextinguishable Fire”, Harun Farocki, 1969 :

«A chemical corporation is like a set of building blocks. We let each worker have one block to work on. Then we put the blocks together to make whatever our clients request. Each employee will be given a discreet task, primarily for reasons of secrecy. (…)

Because of the intensified division of labor, many technicians and scientists can no longer recognize the contribution they have made to weapons of destruction.

Regarding the crimes in Vietnam, they feel like observers.»

Gatos electrificados

«He claimed that the flickering of the cinema screen had robbed the electricity from their brains. He began wandering the streets at night, rearranging furniture within the house, and spent long periods locked in his room writing incoherently.»

– about Louis Wain

 

 

Um gato electrificado e alimentado a choques eléctricos, torna-se um histérico involuntário ao mínimo toque.

Louis Wain viu bem o filme. Ele sabia como um sistema nervoso era electricamente sensível, mas chamaram-no de louco.