‘Donnez-moi une chance de me surpasser’

«- Et je n’ai pas d’argent.

– Pas d’argent?

– Mais les 10.000 francs?

– Dépensés.

– 10.000 francs?

– Un dîner pour douze au Café Anglais coûte 10.000 francs.

– Mais, chère Babette, vous n’auriez pas dû tout dépenser pour nous.

– Ce n’était pas seulement pour vous.

– Maintenant, vous serez pauvre toute votre vie.

– Un artiste n’est jamais pauvre.

– Prépariez-vous des dîners semblables au Café Anglais?

– Je savais les rendre heureux, quand je me surpassais. Papin le savait.

– Achille Papin ?

– Oui. Il disait: “Un cri jailli du cœur de l’artiste retentit dans le monde entier: “Donnez-moi une chance de me surpasser.”»

– “Le Festin de Babette” (1987)

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Sentir e pensar contra a natureza segunda

«Não é uma lei da natureza. O eterno retorno elabora-se num fundo, num sem-fundo em que a Natureza original reside em seu caos, acima dos reinos e das leis que apenas constituem a natureza segunda. Nietzsche opõe “sua” hipótese à hipótese cíclica, “sua” profundidade à ausência de profundidade na esfera dos fixos. O eterno retorno nem é qualitativo nem extensivo; ele é intensivo, puramente intensivo. Isto é: ele se diz da diferença. É este o liame fundamental entre o eterno retorno e a vontade de potência. Um não pode ser dito a não ser do outro. A vontade de potência é o mundo cintilante das metamorfoses, das intensidades comunicantes, das diferenças de diferenças, dos sopros, insinuações e expirações: mundo de intensivas intencionalidades, mundo de simulacros ou de “mistérios”[1]. O eterno retorno é o ser desse mundo, o único Mesmo que se diz desse mundo, excluindo dele toda identidade prévia. É verdade que Nietzsche se interessava pela energética de seu tempo; mas não se tratava de nostalgia científica de um filósofo; é preciso adivinhar o que ele ia procurar na ciência das quantidades intensivas – o meio de realizar o que ele chamava de a profecia de Pascal: fazer do caos um objeto de afirmação. Sentida contra as leis da natureza, a diferença na vontade de potência é o mais elevado objeto da sensibilidade, a hohe Stimmung (recordemos que a vontade de potência foi primeiramente apresentada como sentimento, sentimento da distância). Pensada contra as leis da natureza, a repetição no eterno retorno é o mais elevado pensamento, a gross Gedanke. A diferença é a primeira afirmação, o eterno retomo é a segunda, “eterna afirmação do ser”, ou a enésima potência que se diz da primeira. É sempre a partir de um sinal, isto é, de uma intensidade primeira, que o pensamento se designa. Através da cadeia quebrada ou do anel tortuoso, somos violentamente conduzidos do limite dos sentidos ao limite do pensamento, daquilo que só pode ser sentido àquilo que só pode ser pensado.

É porque nada é igual, é porque tudo se banha em sua diferença, em sua dissemelhança e em sua desigualdade, mesmo consigo, que tudo retorna. Ou melhor, tudo não retorna. O que não retorna é o que nega o eterno retorno, que não suporta a prova. O que não retorna é a qualidade, é o extenso – porque a diferença, como condição do eterno retomo, aí se anula. É o negativo – porque a diferença aí se reverte para anular-se. É o idêntico, o semelhante e o igual – porque eles constituem as formas da indiferença. É Deus, e o eu como forma e garantia da identidade. É tudo o que só aparece sob a lei do “Uma vez por todas”, estando aí compreendida a repetição quando submetida à condição de identidade de uma mesma qualidade, de um mesmo corpo extenso, de um mesmo eu (assim, a “ressurreição”)… Isto quer realmente dizer que nem a qualidade nem o extenso retornam? Ou, então, não seríamos levados a distinguir como que dois estados da qualidade, dois estados da extensão? Um, em que a qualidade fulgura como signo na distância ou no intervalo de uma diferença de intensidade; o outro, em que, como efeito, ela já reage sobre sua causa e tende a anular a diferença. Um estado em que a extensão permanece ainda implicada na ordem envolvente das diferenças e o outro estado em que o extenso explica a diferença e a anula no sistema qualificado. Esta distinção, que não pode ser efetuada na experiência, toma-se possível do ponto de vista do pensamento do eterno retomo. A dura lei da explicação é aquela segundo a qual aquilo que se explica está explicado uma vez por todas. A ética das quantidades intensivas tem apenas dois princípios: afirmar até mesmo o mais baixo e não se explicar (demais). Devemos ser como o pai que, em face da criança que disse todos os palavrões que sabia, a censura não somente por ter ela procedido mal, mas porque disse tudo de uma vez, porque nada guardou e nenhum resto deixou para a sutil matéria implicada no eterno retomo. E se o eterno retorno, mesmo à custa de nossa coerência e em proveito de uma coerência superior, reduz as qualidades ao estado de puros signos e só retém dos extensos aquilo que se combina com a profundidade original, aparecerão então qualidades mais belas, cores mais brilhantes, pedras mais preciosas, extensões mais vibrantes, pois, reduzidas às suas razões seminais, tendo rompido toda relação com o negativo, elas permanecerão para sempre agarradas ao espaço intensivo das diferenças positivas – realizando-se então, por sua vez, a predição final do Fédon, quando Platão promete à sensibilidade livre de seu exercício empírico templos, astros e deuses como nunca se viu, afirmações inauditas. A predição não se realiza, é verdade, a não ser com a reversão do próprio platonismo. (…)

O indivíduo não é uma qualidade nem uma extensão.


[1] Pierre KLOSSOWSKI mostrou o liame entre o eterno retomo e as intensidades puras funcionando como “signos”: cf. “Oubli et anamnèse dans l’expérience vécue de l’éternel retour du Même” (em Nietzsche, Cahiers de Royaumont, Éditions de Minuit, 1967). Em sua narrativa Le Baphomet (Mercure, 1965), Klossowski vai bastante longe na descrição desse mundo de “sopros” intensivos que constitui a matéria própria do eterno retorno.»

– Deleuze, “Diferença e Repetição”.

Para delinear um novo modo de viver

A 1ª tradução parece a menos adulterada, mas não sabendo alemão…

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«Per i «lineamenti di un nuovo modo di vivere».

PRIMO LIBRO nello stile del primo tempo della nona sinfonia. Chaos sive natura: “della disumanizzazione della natura”. Prometeo viene incatenato sul Caucaso. Scrivere con la crudeltà del Kpàtos, “della potenza”.

SECONDO LIBRO. Rapido, scettico, mefistofelico. “Dell’assimilazione delle esperienze”. Conoscenza=errore che diventa organico e organizza.

TERZO LIBRO. Ciò che di più profondo e di librantesi al di sopra del cielo sia mai stato scritto: “della  felicità ultima del solitario” – questi è colui che prima «apparteneva agli altri» e ora ha raggiunto il sommo della “autonomia”: l’ego perfetto; soltanto ora questo ego può provare l’amore; nelle fasi precedenti, che non conoscono la solitudine e l’autodominio, vi è qualcosa di diverso dall’amore.

QUARTO LIBRO. Respiro ditirambico. “Annulus aeternitatis”. Desiderio di rivivere tutto ancora una volta e infinite volte. La  trasformazione incessante – in un breve periodo devi passare attraverso molti individui. Il mezzo è la lotta incessante.

Sils-Maria, 26 agosto 1881»

[Frammenti postumi 1881-2, traduzione di M. Montinari, in Opere, vol. V, t. II, Adelphi, Milano, 1967, pp. 388-9]

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«Para o projeto de um novo modo de viver.

Primeiro livro: No estilo da primeira frase da nona sinfonia. Chaos sive natura: “Do desumanamento da natureza”. Prometeu chegar acorrentado ao Cáucaso. Escrito com a crueldade do “c r a t o s”, do poderio.

Segundo livro: Fugitivo, cético, mefistofélico. “Da incorporação das experiências”. Conhecimento-erro que se torna orgânico e organizante.

Terceiro livro: O mais íntimo e mais etéreo que jamais fosse escrito: “Da última felicidade do solitário” — o qual de pertencente a outros se tornou “patrão de si mesmo” no grau mais elevado: o perfeito ego: só este ego possui amor; nos primitivos degraus onde não chegou a solidão e o maior domínio de si, algo há que difere do amor.

Quarto livro: Ditirambo-maior: “Annulus aeternitatis”. Anseia por viver todo mais uma vez e vezes eternas. A perene transformação: deves penetrar em breve espaço de tempo em muitos indivíduos. O meio é uma luta contínua.

Sils-Maria, 26 de agosto de 1881.»

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«On Deleuze’s view, Nietzsche is also a post-theological Spinoza.(…) Spinoza can say: “Deus sive Natura [God or Nature].”(…) Yet, for Nietzsche, nature can no longer be identified with God. After the “death of God,” (…) Nietzsche reformulates Spinoza’s equation: “Chaos sive Natura [Chaos or Nature]” (KSA 9:11[197]). Nature de-deified is “chaos.” This passage returns us to the one with which we began, Gay Science §109, which calls for a “de-deification of nature” and names this nature “chaos.”»

– Christoph Cox, “Nietzsche – Naturalism and Interpretation“, 1999.

Separating the waters

Dr. Strangelove (1964), by Stanley Kubrick

.

«Ripper:
Mandrake, do you recall what Clemenceau once said about war?

Mandrake:
I don’t think I do, sir.

Ripper:
He said war was too important to be left to the generals. When he said that, 50 years ago, he might have been right. But today, war is too important to be left to politicians. They have neither the time, the training, nor the inclination for strategic thought. I can no longer sit back and allow Communist infiltration, Communist indoctrination, Communist subversion and the international Communist conspiracy to sap and impurify all of our precious bodily fluids. (…)

Transcript of Ripper’s phone call:

“Yes. They’re on their way, and no one can bring them back. For our country’s sake, I suggest sending the rest of SAC after them. Otherwise we will be destroyed by Red retaliation. My boys will give you a good start: 1,400 megatons. And you won’t stop them now. So let’s get going. There’s no other choice. God willing, we will prevail. In peace, in freedom from fear, and in true health, through the purity of our natural… fluids. God bless you all.”

Ripper [with his arm around Mandrake]:

“Mandrake, have you ever seen a commie drink a glass of water?”

Mandrake:

“No, Jack. I can’t say that I have.”

Ripper:

“Vodka. That’s what they drink, isn’t it? Never water?”

Mandrake:

“Well, I believe that’s what they drink, Jack. Yes.”

Ripper:

“On no account will a commie drink water? And not without good reason?”

Mandrake:

“I don’t quite see what you’re getting at, Jack.”

Ripper:

“Water. That’s what I’m getting at. Water, Mandrake. Water is the source of all life. Seven-tenths of the earth’s surface is water. Why, do you realize that 70% of you is water?”

Mandrake:

“Odd.”

Ripper:

“And as human beings, you and I need fresh, pure water to replenish our precious bodily fluids.”

Mandrake:

“Yes.”

Ripper:

“Are you beginning to understand?”

Mandrake:

“Yes.”

Ripper:

“Mandrake. [hugs him closer] Mandrake, have you ever wondered why I drink only distilled water, or rain water, and only pure grain alcohol?”

Mandrake:

“Well, it did occur to me, Jack, yes.”

Ripper:

“Have you ever heard of a thing called fluoridation, fluoridation of water?”

Mandrake:

“Yes, I have heard of that, Jack, yes.”

Ripper:

“Well, do you know what it is?”

Mandrake:

“No.”

Ripper:

Do you realize that fluoridation is the most monstrously conceived and dangerous commie plot we have ever had to face? (…)»

«Mandrake, do you realize that in addition to fluoridating water, there are studies underway to fluoridate salt, flour, fruit juices, soup, sugar, milk, ice cream? Ice cream, Mandrake? Children’s ice cream!…You know when fluoridation began?…

Mandrake:

No, I don’t.

Ripper:

1946. 1946, Mandrake. How does that coincide with your post-war Commie conspiracy, huh? It’s incredibly obvious, isn’t it? A foreign substance is introduced into our precious bodily fluids without the knowledge of the individual, and certainly without any choice. That’s the way your hard-core Commie works.

Mandrake:

Jack… tell me… When did you first become… develop this theory.

Ripper:

Well, I… I first became aware of it, Mandrake, during the physical act of love… Yes, a profound sense of fatigue, a feeling of emptiness followed. Luckily I… I was able to interpret these feelings correctly. Loss of essence. I can assure you it has not recurred, Mandrake. Women, er, women sense my power, and they seek the life essence. I do not avoid women, Mandrake…but I do deny them my essence. (…)

Ripper:

Those boys were like my children, Mandrake. Now they let me down.

Mandrake:

No, Jack, not a bit of it. I’m sure they all gave it their very best. I’m sure they all died thinking of you… Jack. Suppose a bit of water has gone off. You can never be too sure. But you look at me. Do I look all rancid and clotted? I drink a lot of water. I’m what you might call a water man, that’s what I am. I can swear to you that there’s nothing wrong with my bodily fluids. Not a thing. (…) Going to have a wash and brush up? Always did wonders for a man, that. Water on the back of the neck, that’s what we need, and the code.

 

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«Continental Europe does not practice water fluoridation

«Fluoridation became an official policy of the U.S. Public Health Service by 1951, and by 1960 water fluoridation had become widely used in the U.S., reaching about 50 million people. By 2006, 69.2% of the U.S. population on public water systems were receiving fluoridated water, amounting to 61.5% of the total U.S. population; 3.0% of the population on public water systems were receiving naturally occurring fluoride.»

Kelvin Water Dropper

«Kelvin water dropper is a type of electrostatic generator.

It was invented in 1867 by William Thomson, better known as Lord Kelvin.

This is a very simple device that can generate voltage of up to 10,000 Volt.

The water dropper is built using two pairs of metal buckets located on top one another and connected crosswise by wires. The upper pair is connected to the metal tube that is hung above the buckets and has water dropping from it. The bottom of the upper metal buckets is partially removed so that the water drops could also reach the bottom buckets.

The water used in this apparatus is non-distilled, as the distilled water is a dielectric.

This generator works based on the regenerative feedback principle.

Two metal tubes create an electric field that polarizes the upper bucket. That’s why, due to the electrostatic induction, the drops on the left and on the right have different charges.

The drops fall into the buckets that correspond to their charge and this increase the charge of the buckets creating an even stronger electric field around the tubes and intensifying charge separation in the upper bucket.

That’s how Kelvin water dropper converts the potential energy of the water in the upper bucket into the electric energy between the two bottom ones.

The efficiency of this process is, however, very low.»