Anúncios

É usual os telespectadores não gostarem de anúncios.

Pessoalmente, é o que acho menos entediante de ver na TV, porque os anúncios são breves, sintéticos, e em três tempos dizem o essencial sobre os valores correntes de uma civilização numa determinada época, para o melhor e para o pior. É como ver micro-metragens cinematográficas, comparadas com as quais, qualquer talk-show, telenovela, telejornal, concurso ou jogo de futebol tem uma duração penosa, sensaborona, enfadonha, e uma banda sonora e imagem pindéricas. Além disso, ao contrário dos programas anteriores, os anúncios publicitários são mais francos: o seu carácter comercial é patente, a sua intenção de seduzir e persuadir não se mascara atrás de uma suposta objectividade jornalística (como no caso das publi-reportagens) ou de um patrocínio subreptício no cenário de fundo.

Tirando os anúncios, nos canais públicos de TV, só aprecio os boletins meteorológicos (o clima é sempre fascinante) e alguns raros documentários. Tudo o resto não serve nem como música-ambiente, nem como screensaver. Esteticamente pobre. Não vale a taxa audiovisual (quanto mais o preço do televisor, da antena, etc.).

A recolha de anúncios ao longo do tempo mostra como o “politicamente correcto” vai evoluindo, como o “normalmente aceite” numa época passa a doença civilizacional na outra: escravatura, sexismo, violência doméstica, racismo, exploração infantil, obesidade, toxicodependência (incluindo tabagismo e Prozac), etc. Pessoas sequiosas de corresponder aos modelos vigentes são, por isso, tão vulneráveis quanto perigosas.

Fica uma amostra de anúncios de imprensa que fala por si:

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