Tripalium

Tripalium – do latim tardio “tri”, três, e “palus”, pau, literalmente, “três paus”, é um instrumento romano de tortura, uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão na forma de uma pirâmide, no qual eram supliciados os escravos. Daí derivou-se o verbo do latim vulgar tripaliare (ou trepaliare), que significava, inicialmente, torturar alguém no tripalium.

É comumente aceite na comunidade linguística que esses termos vieram a dar origem, no português, às palavras “trabalho” e “trabalhar”. No sentido original, o “trabalhador” seria o carrasco, e não a “vítima”.

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«É que o modelo trabalho, que define a ferramenta, pertence ao aparelho de Estado. Com freqüência se disse que o homem das sociedades primitivas não trabalhava propriamente, mesmo se suas atividades eram muito coercitivas e regradas; e tampouco o homem de guerra enquanto tal (…).

O elemento técnico torna-se ferramenta quando se abstrai do território e se assenta sobre a terra enquanto objeto; mas é ao mesmo tempo que o signo deixa de inscrever-se sobre o corpo, e se escreve sobre uma matéria objetiva imóvel. Para que haja trabalho, é preciso uma captura da atividade pelo aparelho de Estado, uma semiotização da atividade pela escrita.»

– Deleuze & Guattari, “Mille Plateaux”

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«Há um direito que só muito poucos intelectuais cuidam de reivindicar: o direito à errância, à vagabundagem. E no entanto, a vagabundagem é a emancipação, e a vida ao longo das estradas, a liberdade. Romper corajosamente um dia com todos os entraves que a vida moderna e a fraqueza do nosso coração, a pretexto de liberdade, fizeram pesar sobre os nossos movimentos, pegar no bordão e no alforge simbólicos e partir! (…) Ter um domicílio, uma família, uma propriedade ou uma função pública, meios de existência definidos, eis outras tantas coisas que parecem necessárias, indispensáveis quase, à imensa maioria dos homens, incluindo até mesmo os intelectuais que se crêem mais emancipados. Todavia, todas essas coisas são apenas formas variadas da escravidão (…)».

– Isabelle Eberhardt

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«Qualquer pessoa com um ofício conhecido – sapateiro, padeiro, médico, pintor, engenheiro, etc. – é uma presa para o Estado. Ter um ofício normal é perder a liberdade. Temos de exercer ofícios desconhecidos, que não tenham interferência na vida material, mas sim que produzam estados de consciência.»

– Alejandro Jodorowsky

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«… Estado que pretende formar, o mais cedo possível, empregados úteis, e assegurar-se da sua docilidade incondicional, por meio de provas muito duras, tudo isso tinha ficado mil milhas afastado da nossa formação. (…) Semelhante gozo do instante, sem qualquer objectivo, semelhante balanceio no baloiço do instante parecerá quase incrível – e, em todo o caso, censurável – na nossa época, hostil a tudo o que é inútil. Que inúteis éramos! Cada um de nós poderia ter disputado ao outro a honra de ser o mais inútil. Não queríamos significar nada, representar nada, tender para nada, queríamos carecer de porvir, o único que queríamos era não sermos úteis para nada, comodamente encostados no umbral do presente: e realmente éramos tudo isso; melhor para nós!»

– Nietzsche, “O Futuro das Instituições de Ensino”, p. 34.

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«O que o sistema, chegado ao alto ponto de inutilidade “objectiva”, produz e reproduz é o próprio trabalho. (…) À absurda circularidade de um sistema em que se trabalha para produzir trabalho corresponde a reivindicação da greve pela greve»

– Baudrillard, “A Troca Simbólica e a Morte”, vol. I, p. 54.

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«Haverá por acaso algo que destrua alguém mais rapidamente do que trabalhar, pensar, sentir, sem uma necessidade interior, sem uma escolha profundamente pessoal, sem prazer, como autómato do “dever”? Eis precisamente a receita da décadence, da própria imbecilidade… Kant tornou-se imbecil.»

– Nietzsche, “O Anticristo”

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«Eu preferiria vaguear e passar o tempo numa valeta lamacenta, a meu bel-prazer, do que ser colocado sob as restrições que um governante me imporia.»

– Chuang Tsé

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«…the relationship between lord and subject is established, hearts become daily filled with evil designs, until the manacled criminals sullenly doing forced labour in the mud and the dust are full of mutinous thoughts.»

– Bao Jingyan ou Pao Ching-yen, 4 A.D

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«Se um determinado livro não tiver sobre o leitor um tal impacto que no dia seguinte ele deixe de ir ao emprego, esse livro nada vale.»

– Albert Cossery

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«How in the hell could a man enjoy being awakened at 6:30 a.m. by an alarm clock, leap out of bed, dress, force-feed, shit, piss, brush teeth and hair, and fight traffic to get to a place where essentially you made lots of money for somebody else and were asked to be grateful for the opportunity to do so?»

– Charles Bukowski, “Factotum” (1975)

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