Clang bang clang

TALK:
Oh yeah I got it

SING:
Clang bang clang
– went the big iron door.
They put me in a cell
with a concrete floor.
Nine other men in that cell with me
moanin’ their fate, with destiny.

Clang bang clang
Clang bang clang clang

Early in the mornin’
at the crack of dawn
they wake us to the tune of a bong bong bong.
Line up for chow,
munchin’ on bread,
drinkin’ black coffee with that noise in my head.

Clang bang clang
Clang bang clang bang clang

The judge said to me: “Now boy,
you’ve had it”.

– Charles Manson

Opening up areas of feeling

«Art is a method of opening up areas of feeling rather than merely an illustration of
an object.

The object is necessary to provide the problem and the discipline in the search for the problem’s solution.

A picture should be a re-creation of an event rather than an illustration of an object; but there is no tension in the picture unless there is the struggle with the object.

Real imagination is technical imagination. It is in the ways you think up to bring an event to life again. It is in the search for the technique to trap the object at a given moment. Then the technique and the object become inseparable. The object is the technique and the technique is the object. Art lies in the continual struggle to come near to the sensory side of objects.»

– Francis Bacon, “Statement 1952-1955,” in Theories of Modern Art, ed. Herschel B. Chipp (Berkeley: University of California Press, 1968).

‘Historas’

HISTÓRIA

O senhor do monóculo
usava uma boca desdenhosa
e na botoeira, a insolência
duma rosa.

Era o poeta.

Quando passava
– figura subtil e correcta,
toda a gente dizia
que era o poeta.

– Era, portanto, o poeta…

Mas um dia
o senhor de monóculo
quebrou o monóculo,
guardou a boca desdenhosa
e esqueceu na mesa de cabeceira
a flor que punha na botoeira,
a insolente rosa…

Entrou nas tabernas e bebeu,
cingiu o corpo das prostitutas,
jogou aos dados e perdeu,
deu a mão aos operários,
beijou todos os calvários
– e aprendeu.

E o mundo,
que o chamava poeta,
esqueceu;
e quando o via passar
limitava-se a exclamar:
– o vagabundo!

Mas o senhor do antigo monóculo,
da antiga figura subtil e correcta,
sentia vozes dentro de si,
vozes de júbilo que diziam:
– É o Poeta! É o Poeta!…

– Herberto Helder, poema escrito enquanto estudante numa parede da Real República Palácio da Loucura, Rua Antero de Quental, 21, Coimbra.

Entendimento que atinge o sensual

Encara us dic que port un art general
que novament és dada per do espiritual,
per qui hom pot saber tota res natural
segons que enteniment ateny lo sensual.
A dret e a medicina e a tot saber val,
e a teologia, la qual m’és mais coral;
a soure questions nulla art tant no val,
ne errors destruir per raó natural;
e tenc-la per perduda, car quaix a hom no cal.

[Embora vos diga que transporto uma arte geral
que novamente é dada por dom espiritual,
para que o homem possa saber toda a coisa natural
segundo o entendimento que atinge o sensual.
O direito e a medicina e todo o saber vale,
e a teologia, a qual me é mais cara;
a resolver questões nenhuma arte tanto vale,
nem a destruir erros por razão natural;
e tenho-a por perdida, porque ao homem quase não chama.]

– Ramon Lull, “Lo desconhort”, VIII, 85-92.