Crença

«O interesse prático é de tal ordem que a relação entre a representação e um objecto não forma um conhecimento [como o interesse especulativo], antes designa algo a realizar. (…) Uma crença é uma proposição especulativa, mas que não se torna assertória senão pela determinação que recebe da lei moral. Por isso, a crença não remete para uma faculdade particular, antes exprime a síntese do interesse especulativo e do interesse prático, ao mesmo tempo que a subordinação do primeiro ao segundo. Donde a superioridade da prova moral da existência de Deus sobre todas as provas especulativas. Pois, enquanto objecto de conhecimento, Deus só é determinável indirecta e analogicamente (como aquilo de que os fenómenos tiram um máximo de unidade sistemática); mas, enquanto objecto de crença, adquire uma determinação e uma realidade exclusivamente práticas (autor moral do mundo). (…) Kant recorda constantemente a insuficiência da teleologia natural como fundamento de uma teologia: a determinação da Ideia de Deus à qual chegamos por esta via dá-nos apenas uma opinião, não uma “crença”.»

– Deleuze, “A Filosofia Crítica de Kant”, p. 49, 50, 76.

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