Quando todo o mundo quis ser “americano”


“La Historia Secreta de la Obsolescencia Programada” (2011), documentário por Cosima Dannoritzer.

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“Unlike the European approach of the past where they tried to make the very best product and make it last forever – for example, you buy such a fine suit that you are married in it, buried in it and never have a chance to renew it -, the approach in America is one of making the American consumer unhappy with the product he has enjoyed the use of for a period, to have him pass it on to the second-hand market and obtain the newest product with the newest possible look.”

– Brook Stevens, designer americano, 1954.

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«Sem a obsolescência programada, os shoppings não existiriam, não haveriam produtos, não haveria indústria, não haveria designers, arquitectos, vendedores, limpadores, agentes de segurança… Todos os trabalhos desapareceriam.»

– Boris Knuf, designer industrial.

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Consultando manuais de instruções, Marcos se da conta de que os engenheiros determinam a vida útil de muitas impressoras ao desenhá-las. Conseguem-no colocando um chip dentro da impressora. Marcos diz: “Encontrei o chip. É um chip EEPROM onde se guarda um contador de impressões. Quando chega a um determinado número a impressora bloqueia, e deixa de imprimir”.Que acham os engenheiros quando tem que desenhar um produto para que se estrague? (…) Marcos está na Internet de novo procurando como prolongar a vida de sua impressora. Um site da Rússia parece oferecer um software gratuíto para impressoras com chip contador. O programador teve a paciência de explicar sua motivação pessoal. “Isto acontece por uma má construção. Esse é o seu modelo de negócio. É mau para o utilizador e para o meio-ambiente. Por isso arranjei maneira de criar um software que permite limpar o chip contador”, diz o programador Vitaly Kiselev.

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“É muito interessante, e lembra-me algo que aconteceu na indústria têxtil. O meu pai trabalhou na Dupont antes e depois da guerra, na divisão do nylon e contou-me que quando o nylon apareceu e o testaram para fazer meias, os trabalhadores da sua seção levavam meias para casa para suas mulheres e namoradas as provassem. Meu pai levou-as para a minha mãe, e as primeiras encantaram-se porque eram muito resistentes. As mulheres estavam contentes porque não desfiavam, mas isso significava que os fabricantes nao iam vender muitas meias. Os homens da seção de meu pai tiveram que começar do zero para criar fibras mais fracas e a chegar a algo mais frágil, que se rompesse, para que as meias não durassem tanto.”

– Nicols Fox, jornalista.

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“Faz oito ou nove anos dei-me conta de que chegavam a Gana muitos contentores com resíduos electrónicos. Falamos de computadores e televisores estragados que ninguém quer nos países desenvolvidos. Um tratado internacional proíbe enviar resíduos eletrônicos para o terceiro mundo, porém, os comerciantes usam um truque simples: Declará-los produtos de segunda mão. Mais de 82% dos resíduos eletrónicos que chegam a Gana não podem ser consertados, e acabam abandonados em lixeiras por todo o pais. Na lixeira de Agbogbloshie, havia um rio maravilhoso, o Odaw, que serpenteava por toda a área. Transbordava de vida, havia muitos peixes. Eu ia a escola, perto, jogávamos futebol, etc. Os pescadores organizavam passeios de barco. Agora tudo desapareceu. E isso me faz sentir muito triste e irritado. Os que estão por trás das remessas dizem: queremos acabar com o abismo digital entre Europa e América e o resto de África e Gana. Porém, os computadores que nos mandam não funcionam. Não faz sentido receber resíduos, se não se pode tratá-los, menos ainda se não são seus e o seu país converte-se no balde de lixo do mundo.Guardo resíduos que tem etiquetas identificadoras. Por exemplo: Centro Amu, em Sjaelland, Dinamarca; Alemanha; Universidade de Westminster; Apple, uma empresa que alardeia ser ecologista, porem muitos dos seus produtos acabam atirados aqui. Tenho uma base de dados com as etiquetas e os contactos das empresas as quais pertenciam os resíduos que foram despejados em Gana. Devemos passar à acção com medidas punitivas, processar as pessoas para que não cheguem mais resíduos a Gana”.

– Mike Anane, activista ambiental.

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Não é como se houvesse um mundo ecológico e um mundo de negócios. Eu penso que negócio e sustentabilidade dão as mãos. De facto, é a melhor base para construir um negócio.”

– Warner Philips, bisneto dos fundadores da Philips.

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“Quando falamos em proteger o meio-ambiente, pensamos sempre em reduzir, reutilizar, reciclar. Porém, na Primavera, na Natureza, uma cerejeira nem reduz, nem reutiliza. A Natureza não produz resíduos, só nutrientes.”

O ciclo natural produz em abundância, mas as flores caídas e as folhas secas não são resíduos, mas nutrientes para outros organismos. Braungart crê que a indústria pode imitar o ciclo virtuoso da natureza e demonstrou isso ao redesenhar o processo de produção de uma fábrica têxtil suiça. (…) Braungart descobriu que a fábrica usava por desleixo centenas de tintas e produtos químicos altamente tóxicos. Para fabricar os novos tecidos, Braungart e sua equipe reduziram a lista a apenas 36 substâncias, todas biodegradáveis.

“Seleccionámos ingredientes que se poderiam comer. Se quisesse, poderia adicioná-los aos seus cereais. Numa sociedade de desperdício, um produto de vida curta cria um problema de resíduos. Se uma sociedade produz nutrientes, os produtos de vida curta convertem-se em algo novo”, diz Braungart.

– Michael Braungart

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Os cabazes de vegetais frescos mais em conta de Lisboa

Quem procura vegetais frescos de qualidade, sabe que, preferencialmente, eles devem ser:
– da época (sazonais);
– colhidos há menos de 24h (logo, locais);
– criados por agricultura natural (0% aditivos) ou por agricultura biológica (redução dos aditivos humanos para um mínimo).

A diferença destes produtos em relação aos produzidos pela agricultura industrial é notória aos sentidos: sabor, aroma, cor, textura… Nenhum aditivo artificial consegue reproduzi-los.

Devido à sazonalidade e recenticidade da colheita, a riqueza nutricional nem se compara: menos oxidação e perda de vitaminas, maior número de agentes nutricionais activos (anti-envelhecimento, anti-cancro, etc.). Porque será que as populações urbanas têm tantas patologias devido a deficiência de micro-nutrientes (vitaminas, minerais)? Porque, efectivamente, muitos desses elementos e compostos não chegam ao nosso prato. Volatilizam-se durante a longa viagem de transporte (sobretudo, no caso de fruta e legumes importados) que permeiam entre o momento da apanha e a deglutição.

O mito de que os produtos ditos biológicos resistem menos tempo é falso. Por um lado, é uma generalização grosseira: a durabilidade varia muito de espécie para espécie (por exemplo, laranjas 100% naturais podem durar perfeitamente três meses fora do frigorífico). Por outro lado, é bastante comum suceder o inverso: os falsos frescos de hipermercado apodrecerem mais depressa, por acumularem o tempo de transporte a partir do estrangeiro, mais a espera em armazém e nas prateleiras das lojas.

Dado que os distribuidores de cabazes costumam entregá-los no domicílio e o pagamento é contra-entrega (paga o que vê), não tem de abandonar o conforto de casa, meter-se no trânsito, procurar um lugar de estacionamento, enfrentar uma longa fila de supermercado, tornar a enfiar-se no trânsito, procurar de novo um lugar de estacionamento… Feitas as contas à gasolina consumida, ao tempo perdido, ao cansaço e ao stress adquiridos, acredite que não compensa.

Portanto, é só vantagens: melhor para a saúde, maior comodidade, apoia-se a economia nacional, contribui-se para a diversidade e sustentabilidade das variedades biológicas locais (ameaçadas de extinção pelo avanço das patentes geneticamente modificadas das grandes multinacionais, particularmente, no caso do milho e da soja). Seja um consumidor responsável, não “vote” com o seu dinheiro em envenenadores profissionais que propagam verdadeiras armas químicas de destruição massiva: os agro-tóxicos. Frescos de hipermercado? Não mais!

Eis algumas empresas de cabazes a operarem na capital:

Empresa

Certificação

Quant.

Produtos

Periodic.

Entrega

Dia e horário

Zonas

Aromas
da Horta
Quinta de produção bio 3,5 Kg
a
12 Kg

5€
a
15 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas Semanal Ao domicílio 4ª,
18h-21h30,
5ª,
8h30-15h,
conforme
zona
Lisboa,
Margem Sul
BioSolo Distribuidor de produtos biológicos certificados 5 Kg
(Cabaz
médio)

15 €

+ 4€
(cx.)

+ 2€
(entrega
pontual)

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas (extra-cabaz: doces, mercearia, sumos) Semanal
ou
Quinzenal
Ao domicílio 5ª a 6ª, 16h-22h Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas, Oeiras, Torres Vedras, Lourinhã
Cabaz
Natura
Quinta certificada para “modo de produção biológico” 7-9 Kg

15 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas, pão, ovos (extra-cabaz: lacticínios, compotas, mel, vinhos) Semanal Ao domicílio 3ª a 6ª,
18-22h,
conforme
zona
Lisboa, Oeiras, Almada, Seixal, Sesimbra
Fruta
Feia
Distribuidor de produtos bio e tradicionais 3-4 Kg
a
6-8 Kg

3,5€
a
7 €

Fruta, legumes, verduras Semanal Levantamento
em mão
2ª,
17-21h
Lisboa
(Largo do Intendente, 45 – 1º)
Gasshô Distribuidor de produtos bio 5 Kg
a
8 Kg

20€
a
30 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas, ovos, cereais, mel, azeite, temperos, bebidas, etc. Semanal Ao domicílio 6ª, 15-20h Lisboa
Hortas
da Cortesia
Quinta certificada para “modo de produção biológico” 5 Kg

19 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas, pão (extra-cabaz: ovos, compotas, flores, vasos, composto) Semanal Ao domicílio A combinar Grande Lisboa, Sintra, Cascais, Oeiras
Horta
Verde
Quinta de produção biológica 5 Kg

12,5 €

Legumes, verduras, ervas aromáticas Semanal Ao domicílio Sáb. Lisboa, Margem Sul
Mercado
Saloio
Distribuidor de produtos bio e tradicionais 5 Kg

13 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas (extra-cabaz: pães, queijos, compotas, mel) Semanal Ao domicílio Conforme zona,
15h-22h
Grande Lisboa, Sintra, Cascais, Oeiras
O Quintal Distribuidor de produtos bio e tradicionais 6 Kg
a
8 Kg

12,5€
a
20€

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas (e vários extras-cabaz) Semanal Ao domicílio A combinar Lisboa, Oeiras, Sintra, Cascais, Amadora, Odivelas e Loures
Pede
Salsa
Distribuidor de produtos biológicos 4,5 Kg
a
12 Kg

10 €
a
24€

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas Semanal Ao domicílio Conforme zona,
15h-20h
Lisboa, Oeiras, Sintra, Cascais, Almada, Seixal
Poiso
da Abelha
Distribuidor de produtos biológicos 3 Kg
a
8 Kg

9 €
a
20€

Legumes (extra-cabaz: fruta, mel, compotas, azeite, pão, vinho, ovos, queijo) Semanal Ao domicílio 3ª, 4ª, 6ª e Sáb. de manhã Lisboa
Prove Rede nacional de produtores agrícolas bio e tradicionais 5-6 Kg

10 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas, cereais Semanal, Quinzenal Levantamento
em mão
Conforme zona Todo o país
Quinta
à Quarta
Distribuidor de produtos biológicos certificados 3 Kg
(Cabaz
Mini)

13 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas Semanal Ao domicílio 4ª feira, 16h-21h Grande Lisboa
Quinta
do Arneiro
Quinta
certificada para “modo de produção biológico”
4,5 Kg
(Cabaz
pequeno)

20 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas
(extra-cabaz: mel, compotas, pão, etc.)
Semanal Ao domicílio;
Levantamento
em mão
Conforme zona Lisboa,
Loures,
Amadora,
Odivelas,
Margem Sul,
Cascais,
Oeiras,
Sintra,
Mafra,
Torres Vedras
Quinta
da Pedra
Branca
Quinta
certificada para “modo de produção biológico”
ECOCERT
5 Kg
(Cabaz
pequeno)

15 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas Semanal Levantamento
em mão
Conforme zona Lisboa, Loures
Verdejar Quinta/estufa certificada para “modo de produção biológico”: CERTIPLANET [PT/AB04] 5 Kg

12 €

Fruta, legumes, verduras, ervas aromáticas Quinzenal Ao domicílio Lisboa


* Informação actualizada em Maio de 2016.

A invencionática de Manoel


“Só Dez Por Cento é Mentira – a Desbiografia Oficial de Manoel de Barros” (2009), documentário realizado por Pedro Cezar.

«Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!»

«Hoje eu atingi o reino das imagens,
o reino da despalavra.
Daqui vem que os poetas devem aumentar o mundo
com suas metáforas.
Daqui vem que os poetas podem compreender
o mundo sem conceitos.
Que os poetas podem refazer o mundo por imagens,
por eflúvios, por afeto.» (Despalavra)

«O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo.»

«II
Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.

III
Repetir repetir – até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo. (…)

IX
Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz .
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

X
Não tem altura o silêncio das pedras. (…)

XIII
As coisas não querem mais ser vistas por
pessoas razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul –
Que nem uma criança que você olha de ave.» (O Livro das Ignorãças)

«As pessoas que gostam mais de usar a razão para ler, não gostam muito de mim. Só aqueles que usam a sensibilidade são meus leitores, eu tenho certeza disso. As pessoas que lêem querendo compreender, não. Porque eu não quero falar nada. São só umas imagens. Eu acho que a minha poesia tem muito a ver com as artes plásticas, e com o cinema também.» (entrevista à Caros Amigos, por Bosco Martins)

«Poeta não é necessariamente um intelectual; mas é necessariamente um sensual.»

«Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.» (Retrato do Artista Quando Coisa)

«O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.» (Uma Didática da Invenção – O Livro das Ignorãças)

«Um fotógrafo-artista me disse outra vez: veja que pingo de sol no couro de um lagarto é para nós mais importante do que o sol inteiro no corpo do mar. Falou mais: que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica, nem com balanças, nem com barômetros, etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.»
(“Sobre importâncias” – Tratado geral das grandezas do ínfimo)

«Escrevi 14 livros
E deles estou livrado.
São todos repetições do primeiro.»

«Tenho uma confissão a fazer:
Noventa por cento do que escrevo é invenção
só dez por cento é mentira»

«Tudo que não invento é falso. (…)
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo. (…)
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore. (…)
Aonde eu não estou as palavras me acham. (…)
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja. (…)
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim. (…)
A minha diferença é sempre menos. (…)
Do lugar onde estou já fui embora.» (O Livro sobre Nada)

«Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar. (…)
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.» (O Apanhador de Desperdícios)

«Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare

«Poesia não é para compreender,
mas para incorporar.
Entender é parede:
procure ser árvore.»

«As coisas muito claras me noturnam.» (O fazedor de amanhecer)

«…Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina.» (Memórias Inventadas)

«Eu não amava que botasse data na minha existência.
Nossa data maior era o quando.
O quando mandava em nós.
A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio.»

«Nasci para
administrar o à-toa
o em vão
o inútil.
Pertenço de fazer imagens.
Opero por semelhanças.
Retiro semelhanças de pessoas com árvores
de pessoas com rãs
de pessoas com pedras
etc etc.
Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal.
(Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.)
E quando esteja apropriado para pedra, terei também
sabedoria mineral.»

«As coisas tinham para nós uma desutilidade poética.
Nos fundos do quintal era muito riquíssimo o nosso dessaber.
A gente inventou um truque pra fabricar brinquedos com palavras.
O truque era só virar bocó.»

«Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos.»

«Parece que o poeta serve para desacomodar as palavras. Não deixar que as palavras se viciem no mesmo contexto. Usar as palavras para ampliar o mundo há de ser outro milagre da poesia. Celebrar moscas é um exemplo de como podemos ampliar o mundo. Uma das regras importantes da poesia é não ser demonstrativa. Poesia não presta para demonstrar nada. Ela só presta para dar néctar.»
(MANOEL DE BARROS em DIEGUES, Douglas. Silêncios, nadas e borboletas. Uma entrevista de Manoel de Barros a Douglas Diegues. Edição do autor, s.d.)

– Manoel de Barros

Como o poder “naturaliza” um modelo de saber

Agradecimentos a Sílvio Diogo

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«Portugal paizinho desimportante (…)»

– Mário de Andrade, carta a Carlos Drummond de Andrade.

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Palestra pelo Prof. João Adolfo Hansen

Como António Vieira e o Barroco foram apagados do ensino e da historiografia literária brasileira, por motivos ideológicos, políticos e religiosos, em nome do positivismo modernista e do nacionalismo.

How refined foods can plague us

Sixty years ago, the dentist Dr. George Meinig was one of the founders of the American Association of Endodontists (root canal specialists). When he wasn’t filling canals himself, he was teaching the technique to dentists across the country at seminars and clinics.

Dr. Meinig was startled and shocked as he found the detailed research of Dr. Weston Price (D.D.S), a valid documentation of systemic illnesses resulting from latent infections lingering in filled roots. After reviewing Dr. Price’s materials, he wrote “Root Canal Cover Up“.

Root canals are dead teeth which typically become one of, if not the worst, sources of chronic bacterial toxicity in your body. If your kidney, liver or any other organ in your body dies, it will have to be removed so that bacteria and necrosis will not set in and kill you … but teeth are commonly left dead in your body.

Teeth have roots with main canals and thousands of side canals, and contained in those side canals are miles of nerves. When dentists perform a root canal, they remove the nerve from the main canals; however they do not have access to the microscopic side canals, which have dead nerves left behind in those spaces. Anaerobic bacteria, which do not require oxygen to survive, thrive in these side canals and excrete toxicity from digesting necrotic tissue that leads to chronic infection. Blood supply and lymphatics that surround those dead teeth drains this toxicity and allows it to spread throughout your body. This toxicity will invade all organ systems and can lead to a plethora of diseases such as autoimmune diseases, cancers, musculoskeletal diseases, irritable bowel diseases, and depression to name just a few.

Even antibiotics won’t help in these cases, because the bacteria are protected inside of your dead tooth.

It appears that the longer root canal-treated teeth stay in your body, the more your immune system becomes compromised.

Don’t let your dentist mislead you that a root canal is safe.

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– Please explain what the problem is with root canal therapy.

George Meinig (GM): First, let me note that my book is based on Dr. Weston Price’s 25 years of careful, impeccable research. He led a 60-man team of researchers whose findings – suppressed until now rank right up there with the greatest medical discoveries of all time. This is not the usual medical story of a prolonged search for the difficult-to-find causative agent of some devastating disease. Rather, it’s the story of how a “cast of millions” (of bacteria) become entrenched inside the structure of teeth and end up causing the largest number of diseases ever traced to a single source.

– What diseases? Can you give us some examples?

GM: Yes, a high percentage of chronic degenerative diseases can originate from root filled teeth. The most frequent were heart and circulatory diseases and he found 16 different causative agents for these. The next most common diseases were those of the joints, arthritis and rheumatism. In third place — but almost tied for second — were diseases of the brain and nervous system. After that, any disease you can name might (and in some cases has) come from root filled teeth. Let me tell you about the research itself. Dr. Price undertook his investigations in 1900. He continued until 1925, and published his work in two volumes in 1923. In 1915 the National Dental Association (which changed its name a few years later to The American Dental Association) was so impressed with his work that they appointed Dr. Price their first Research Director. His Advisory Board read like a Who’s Who in medicine and dentistry for that era. They represented the fields of bacteriology, pathology, rheumatology, surgery, chemistry, and cardiology. At one point in his writings Dr. Price made this observation: “Dr. Frank Billings (M.D.), probably more than any other American internist, is due credit for the early recognition of the importance of streptococcal focal infections in systemic involvements.” What’s really unfortunate here is that very valuable information was covered up and totally buried some 70 years ago by a minority group of autocratic doctors who just didn’t believe or couldn’t grasp – the focal infection theory.

– What is the “focal infection” theory?

GM: This states that germs from a central focal infection — such as your teeth, teeth roots, inflamed gum tissues, or maybe tonsils — metastasize to hearts, eyes, lungs, kidneys, or other organs, glands and tissues, establishing new areas of the same infection. Hardly theory any more, this has been proven and demonstrated many times over. It’s 100 percent accepted today. But it was revolutionary thinking during World War I days, and the early 1920’s! Today, both patients and physicians have been “brain washed” to think that infections are less serious because we now have antibiotics. Well, yes and no. In the case of root-filled teeth, the no longer-living tooth lacks a blood supply to its interior. So circulating antibiotics don’t faze the bacteria living there because they can’t get at them.

– You’re assuming that ALL root-filled teeth harbor bacteria and/or other infective agents?

GM: Yes. No matter what material or technique is used — and this is just as true today — the root filling shrinks minutely, perhaps microscopically. Further and this is key — the bulk of solid appearing teeth, called the dentin, actually consists of miles of tiny tubules. Microscopic organisms lurking in the maze of tubules simply migrate into the interior of the tooth and set up housekeeping. A filled root seems to be a favorite spot to start a new colony. One of the things that makes this difficult to understand is that large, relatively harmless bacteria common to the mouth, change and adapt to new conditions. They shrink in size to fit the cramped quarters and even learn how to exist (and thrive!) on very little food. Those that need oxygen mutate and become able to get along without it. In the process of adaptation these formerly friendly “normal” organisms become pathogenic (capable of producing disease) and more virulent (stronger) and they produce much more potent toxins. Today’s bacteriologists are confirming the discoveries of the Price team of bacteriologists. Both isolated in root canals the same strains of streptococcus, staphylococcus and spirochetes.

– Is everyone who has ever had a root canal filled made ill by it?

GM: No. We believe now that every root canal filling does leak and bacteria do invade the structure. But the variable factor is the strength of the person’s immune system. Some healthy people are able to control the germs that escape from their teeth into other areas of the body. We think this happens because their immune system lymphocytes (white blood cells) and other disease fighters aren’t constantly compromised by other ailments. In other words, they are able to prevent those new colonies from taking hold in other tissues throughout the body. But over time, most people with root filled teeth do seem to develop some kinds of systemic symptoms they didn’t have before.

– It’s really difficult to grasp that bacteria are imbedded deep in the structure of seemingly hard, solid-looking teeth.

GM: I know. Physicians and dentists have that same problem, too. You really have to visualize the tooth structure — all of those microscopic tubules running through the dentin. In a healthy tooth, those tubules transport a fluid that carries nourishment to the inside. For perspective, if the tubules of a front single-root tooth, were stretched out on the ground they’d stretch for three miles! A root filled tooth no longer has any fluid circulating through it, but the maze of tubules remains. The anaerobic bacteria that live there seem remarkably safe from antibiotics. The bacteria can migrate out into surrounding tissue where they can “hitch hike” to other locations in the body via the bloodstream. The new location can be any organ or gland or tissue, and the new colony will be the next focus of infection in a body plagued by recurrent or chronic infections. All of the “building up” done to try to enhance the patient’s ability to fight infections – to strengthen their immune system – is only a holding action. Many patients won’t be well until the source of infection – the root canal tooth – is removed.

– I don’t doubt what you’re saying, but can you tell us more about how Dr. Price could be sure that arthritis or other systemic conditions and illnesses really originated in the teeth — or in a single tooth?

GM: Yes. Many investigations start with the researcher just being curious about something – and then being scientifically careful enough to discover an answer, and then prove it’s so, many times over. Dr. Price’s first case is very well documented. He removed an infected tooth from a woman who suffered from severe arthritis. As soon as he finished with the patient, he implanted the tooth beneath the skin of a healthy rabbit. Within 48 hours the rabbit was crippled with arthritis! Further, once the tooth was removed the patient’s arthritis improved dramatically. This clearly suggested that the presence of the infected tooth was a causative agent for both that patient’s and the rabbit’s – arthritis.

– Here’s the actual story of that first patient from Dr. Meinig’s book:

“(Dr. Price) had a sense that, even when (root canal therapy) appeared successful, teeth containing root fillings remained infected. That thought kept prying on his mind, haunting him each time a patient consulted him for relief from some severe debilitating disease for which the medical profession could find no answer. Then one day while treating a woman who had been confined to a wheelchair for six years from severe arthritis, he recalled how bacterial cultures were taken from patients who were ill and then inoculated into animals in an effort to reproduce the disease and test the effectiveness of drugs on the disease. With this thought in mind, although her (root filled) tooth looked fine, he advised this arthritic patient, to have it extracted. He told her he was going to find out what it was about this root filled tooth that was responsible for her suffering. “All dentists know that sometimes arthritis and other illnesses clear up if bad teeth are extracted. However, in this case, all of her teeth appeared in satisfactory condition and the one containing this root canal filling showed no evidence or symptoms of infection. Besides, it looked normal on x-ray pictures.”Immediately after Dr. Price extracted the tooth he dismissed the patient and embedded her tooth under the skin of a rabbit. In two days the rabbit developed the same kind of crippling arthritis as the patient – and in ten days it died. “..The patient made a successful recovery after the tooth’s removal! She could then walk without a cane and could even do fine needlework again. That success led Dr. Price to advise other patients, afflicted with a wide variety of treatment defying illnesses, to have any root filled teeth out.” In the years that followed, he repeated this procedure many hundreds of times. He later implanted only a portion of the tooth to see if that produced the same results. It did. He then dried the tooth, ground it into powder and injected a tiny bit into several rabbits. Same results, this time producing the same symptoms in multiple animals. Dr. Price eventually grew cultures of the bacteria and injected them into the animals. Then he went a step further. He put the solution containing the bacteria through a filter small enough to catch the bacteria. So when he injected the resulting liquid it was free of any infecting bacteria. Did the test animals develop the illness? Yes. The only explanation was that the liquid had to contain toxins from the bacteria, and the toxins were also capable of causing disease. Dr. Price became curious about which was the more potent infective agent, the bacteria or the toxin. He repeated that last experiment, injecting half the animals with the toxin-containing liquid and half of them with the bacteria from the filter. Both groups became ill, but the group injected with the toxins got sicker and died sooner than the bacteria injected animals.”]

– That’s amazing. Did the rabbits always develop the same disease the patient had?

GM: Mostly, yes. If the patient had heart disease the rabbit got heart disease. If the patient had kidney disease the rabbit got kidney disease, and so on. Only occasionally did a rabbit develop a different disease — and then the pathology would be quite similar, in a different location.

– If extraction proves necessary for anyone reading this, do you want to summarize what’s special about the extraction technique?

GM: Just pulling the tooth is not enough when removal proves necessary. Dr. Price found bacteria in the tissues and bone just adjacent to the tooth’s root. So we now recommend slow-speed drilling with a burr, to remove one millimeter of the entire bony socket. The purpose is to remove the periodontal ligament (which is always infected with toxins produced by streptococcus bacteria living in the dentin tubules) and the first millimeter of bone that lines the socket (which is usually infected). There’s a whole protocol involved, including irrigating with sterile saline to assure removal of the contaminated bone chips, and treating the socket to stimulate and encourage infection-free healing. I describe the procedure in detail, step by step, in my book [pages 185 and 186].

– Perhaps we should back up and talk about oral health — to PREVENT needing an extraction. Caries or inflamed gums seem much more common than root canals. Do they pose any threat?

GM: Yes, they absolutely do. But let me point out that we can’t talk about oral health apart from total health. The problem is that patients and dentists alike haven’t come around to seeing that dental caries reflect systemic — meaning “whole body” — illness. Dentists have learned to restore teeth so expertly that both they and their patients have come to regard tooth decay as a trivial matter. It isn’t. Small cavities too often become big cavities. Big cavities too often lead to further destruction and the eventual need for root canal treatment.

– Then talk to us about prevention.

GM: The only scientific way to prevent tooth decay is through diet and nutrition. Dr. Ralph Steinman did some outstanding, landmark research at Loma Linda University. He injected a glucose solution into mice — into their bodies, so the glucose didn’t even touch their teeth. Then he observed the teeth for any changes. What he found was truly astonishing. The glucose reversed the normal flow of fluid in the dentin tubules, resulting in all of the test animals developing severe tooth decay! Dr. Steinman demonstrated dramatically what I said a minute ago: Dental caries reflect systemic illness. Let’s take a closer look to see how this might happen. Once a tooth gets infected and the cavity gets into the nerve and blood vessels, bacteria find their way into those tiny tubules of the dentin. Then no matter what we do by way of treatment, we’re never going to completely eradicate the bacteria hiding in the miles of tubules. In time the bacteria can migrate through lateral canals into the surrounding bony socket that supports the tooth. Now the host not only has a cavity in a tooth, plus an underlying infection of supporting tissue to deal with, but the bacteria also exude potent systemic toxins. These toxins circulate throughout the body triggering activity by the immune system — and probably causing the host to feel less well. This host response can vary from just dragging around and feeling less energetic, to overt illness — of almost any kind. Certainly, such a person will be more vulnerable to whatever “bugs” are going around, because his/her body is already under constant challenge and the immune system continues to be “turned on” by either the infective agent or its toxins — or both.

– Can you tell us more about the protective nutrition you mentioned?

GM: Yes. Dr. Price traveled all over the world doing his research on primitive peoples who still lived in their native ways. He found fourteen cultural pockets scattered all over the globe where the natives had no access to “civilization” – and ate no refined foods. Dr. Price studied their diets carefully. He found they varied greatly, but the one thing they had in common was that they ate whole, unrefined foods. With absolutely no access to tooth brushes, floss, fluoridated water or toothpaste, the primitive peoples studied were almost 100% free of tooth decay. Further — and not unrelated — they were also almost 100% free of all the degenerative diseases we suffer — problems with the heart, lungs, kidneys, liver, joints, skin (allergies), and the whole gamut of illnesses that plague Mankind. No one food proved to be magic as a preventive food. I believe we can thrive best by eating a wide variety of whole foods.

– Amazing. So by “diet and nutrition” for oral (and total) health you meant eating a pretty basic diet of whole foods?

GM: Exactly. And no sugar or white flour. These are (and always have been) the first culprits. Tragically, when the primitives were introduced to sugar and white flour their superior level of health deteriorated rapidly. This has been demonstrated time and again. During the last 60 or more years we have added in increasing amounts, highly refined and fabricated cereals and boxed mixes of all kinds, soft drinks, refined vegetable oils and a whole host of other foodless “foods.” It is also during those same years that we as a nation have installed more and more root canal fillings — and degenerative diseases have become rampant. I believe — and Dr. Price certainly proved to my satisfaction — that these simultaneous factors are NOT coincidences.

– I certainly understand what you are saying. But I’m still a little shocked to talk with a dentist who doesn’t stress oral hygiene.

GM: Well, I’m not against oral hygiene. Of course, hygiene practices are preventive, and help minimize the destructive effect of our “civilized,” refined diet. But the real issue is still diet. The natives Dr. Price tracked down and studied weren’t free of cavities, inflamed gums, and degenerative diseases because they had better tooth brushes! It’s so easy to lose sight of the significance of what Dr. Price discovered. We tend to sweep it under the rug — we’d actually prefer to hear that if we would just brush better, longer, or more often, we too could be free of dental problems. Certainly, part of the purpose of my book is to stimulate dental research into finding a way to sterilize dentin tubules. Only then can dentists really learn to save teeth for a lifetime. But the bottom line remains: a primitive diet of whole unrefined foods is the only thing that has been found to actually prevent both tooth decay and degenerative diseases.

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