Animal, o Outro

O Outro que não somos nós – mas não se aplicará também a humanos?

«Um cachorro necessita de ser alimentado três vezes ao dia. (…) A partir dos 4 meses, pode-se reduzir para duas refeições diárias e já em adultos, podem comer apenas uma vez por dia. É preciso contudo algum cuidado nas raças de porte médio/grande nas quais a torção de estômago é comum. Os cães destas raças devem comer duas vezes por dia, se possível, para que o peso da comida do estômago seja menor e diminuir assim o perigo de haver uma torção do estômago.» (Fonte: Arca de Noé)

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Benefícios da castração / esterilização do seu cão

Evita acasalamentos indesejáveis, principalmente quando se tem um casal de animais de estimação.
Evita fugas nos machos e cios nas fêmeas.
Evita o constrangimento de ficarem “agarrando” em pernas ou braços de visitas.
Evita a marcação do território.
Evita a agressividade motivada por excitação sexual constante.
Evita cancros testiculares nos machos e cancros mamários ou uterinos nas fêmeas.
Evita o aumento do número de animais de rua.
Evita a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxo-femural, catarata juvenil, etc.
(Fonte: União Zoófila)

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«Many of the animal and behaviour researcher’s observations have demonstrably shown that there will never be such an incredible overpopulation in the animal kingdom as there is at the present time with human beings. The measures to regulate births among animals are quite severe, manifold and ingenious. They extend from chemically generated scents which work like birth control pills, to cannibalism and even mass suicide as seen with the mountain lemmings in Scandinavia. After years of intense reproduction the lemmings form themselves – due to a lack of food – into a million strong herd and begin a long journey. (Lemmings are normally solitary and very aggressive animals and come together only during the mating season.) The unusual closeness in the herd increases each lemming’s aggressiveness to the point where the herd degenerates into a total mass hysteria. The herd then drowns miserably by making a suicidal plunge from a cliff into a sea or river. Only a few lemmings survive this mass suicide ensuring the preservation of their species.»
(Source)

Duas Naturezas: a assistida e a livre

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Análise sensorial de dois abrunhos, um de agricultura industrial e outro de agricultura natural (sem fertilizantes, pesticidas ou podas), respectivamente, A e B:

AROMA
A – Ténue e volátil;
B – Intenso e persistente.

SABOR
A – Ácido;
B – Doce.

COR DA POLPA
A – Pálida;
B – Corada.

TEXTURA
A – Rija;
B – Macia.

GRAU DE MATURAÇÃO
A – Maturação incompleta;
B – Maturação plena.

FORMA E DIMENSÃO DO FRUTO
A – Alongado, de menor dimensão;
B – Cheio e bem proporcionado, de maior dimensão.

FORMA E DIMENSÃO DA SEMENTE
A – Assimétrica, de maior dimensão;
B – Simétrica, de menor dimensão.

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Notas:

“Na agricultura biológica existe maior percentagem de polpa [em média, mais 20% de matéria seca] e menor de casca. O azoto utilizado no modo comum de cultivo faz com que a casca se torne mais espessa e a percentagem de sumo diminua. A quantidade de vitamina C também é superior, quando não se utilizam químicos.”

– Amílcar Duarte, agrónomo da Universidade do Algarve, fonte.

Sociedades secretas

Há muita gente convencida de uma mancomunação internacional dos Rothschild (activos em Portugal, inclusive); de uma sociedade secreta Todo-Poderosa (por exemplo, o Clube Bilderberg) que, a partir dos bastidores, move os cordelinhos para concertar uma “New World Order” orientada pelos interesses de maléficos banqueiros e capitalistas; etc.

O populacho sempre se deixou seduzir pelo submundo das teorias conspiracionais – não admira que, ainda hoje, um livro como “O Segredo” ascenda a best-seller

«A propaganda totalitária aperfeiçoa as técnicas da propaganda de massa, mas não lhe inventa os temas. (…). Tudo o que fosse oculto, tudo o que fosse mantido em silêncio adquiria grande importância (…). O primeiro critério para a escolha dos tópicos era o mistério em si. A origem do mistério não importava; podia estar num desejo de segredo razoável e politicamente compreensível, como no caso dos Serviços Secretos Britânicos (…); ou na necessidade conspiratória de grupos revolucionários, como no caso das seitas anárquicas e terroristas; ou na estrutura de sociedades secretas, embora seu conteúdo secreto já fosse conhecido e somente o ritual formal retivesse ainda o antigo mistério, como no caso da maçonaria; ou em superstições antiqüíssimas que haviam gerado lendas em torno de certos grupos, como no caso dos jesuítas e judeus.» (Arendt, “As origens do totalitarismo”)

Segundo “As origens do totalitarismo” de Arendt, a construção desse mito anti-semita deve muito a Benjamin Disraeli (1804-1881), judeu (pasme-se!), que foi nomeado Primeiro Ministro da Rainha Vitória:

«Quanto mais vinha a saber da eficaz organização dos banqueiros judeus em questões de negócios e de sua troca internacional de notícias e informações, mais se convencia de que se tratava de algo como uma sociedade secreta que, sem que ninguém o soubesse, tinha nas mãos os destinos do mundo. A crença na conspiração alimentada por uma sociedade secreta alcançou a maior força propagandística na publicidade anti-semita, ultrapassando em importância as tradicionais superstições a respeito de assassinatos rituais e envenenamento de poços, supostamente cometidos pelos judeus. É altamente significativo que Disraeli, para fins exatamente opostos e numa época em que ninguém pensava seriamente em sociedades secretas, houvesse chegado a conclusões idênticas, pois mostra claramente o quanto essas invenções foram devidas a motivos e ressentimentos sociais, e até que ponto explicavam, mais facilmente do que a verdade, as atividades econômicas e políticas. Aos olhos de Disraeli, como aos olhos de muitos outros charlatães menos conhecidos e famosos depois dele, todo o jogo político era travado entre sociedades secretas. Não apenas os judeus, mas qualquer outro grupo cuja influência não fosse politicamente organizada, ou que estivesse em oposição ao sistema social e político, eram para ele forças ocultas que agiam nos bastidores. Em 1863, julgou assistir a “uma luta entre as sociedades secretas e os milionários europeus; até agora quem ganhou foi Rothschild”. Mas dizia também que “a igualdade natural dos homens e a supressão da propriedade são proclamadas pelas sociedades secretas”; ainda em 1870 falava com seriedade das forças “subterrâneas” e acreditava sinceramente que “sociedades secretas com suas ligações internacionais. (…) A inacreditável ingenuidade de Disraeli fazia-o ligar todas essas forças “secretas” aos judeus. “Os primeiros jesuítas foram judeus; aquela misteriosa diplomacia russa que tanto alarma a Europa ocidental é organizada e principalmente executada por judeus; essa poderosa revolução que se prepara neste instante na Alemanha e que será, de fato, uma segunda e maior Reforma (…) está sendo elaborada inteiramente sob os auspícios dos judeus”, “homens de raça judia estão à frente de cada um dos grupos comunistas e socialistas. O povo de Deus coopera com ateus: os mais hábeis acumuladores de propriedade se aliam aos comunistas, a raça singular e escolhida dá mãos à escória e às castas inferiores da Europa! E tudo porque desejam destruir esse cristianismo ingrato que lhes deve até o nome, e cuja tirania não podem mais suportar”. Na imaginação de Disraeli, o mundo se havia sub-repticiamente tornado judeu. Nessa singular fantasia acabou sendo traçado até mesmo o mais engenhoso dos truques publicitários de Hitler: a aliança secreta entre o judeu capitalista e o judeu socialista. Por mais imaginária que fosse essa idéia, não se pode negar que ela tinha sua lógica. Ao partir da premissa, como o era a de Disraeli, de que milionários judeus eram arquitetos da política judaica; ao levar-se em conta os insultos que os judeus haviam recebido durante séculos (que, por mais reais que fossem, não deixaram de ser exagerados pela propaganda de apologia dos judeus); ao observar os casos, não muito raros, da ascensão de filhos milionários judeus à liderança de movimentos dos trabalhadores; ao verificar a forte interligação existente entre as famílias judaicas, não parecia tão inviável, a ponto de chegar a ser rejeitada, a imagem oferecida por Disraeli — retomada por vários anti-semitas no futuro — de calculada vingança dos judeus contra os povos cristãos.»

Este tipo de discurso paranóico serviu mais tarde para vender o Nazismo aos alemães e para justificar o crescendo de medidas de policiamento, anti-semitismo, anti-comunismo, anti-capitalismo, a guerra, obrigando a que milhões de “malignos” judeus fossem desnacionalizados e forçados a emigrar (caso de Arendt), expropriados dos seus bens, deportados, gaseados, etc.

Cf. Hitler (discurso de 12/04/1922):

«And if we ask who was responsible for our misfortune, then we must inquire who profited by our collapse. And the answer to that question is that ‘Banks and Stock Exchanges are more flourishing than ever before.’ (…) It is only the international Stock Exchange and loan-capital, the so-called ‘supra-state capital,’ which has profited from the collapse of our economic life (…), which fancies itself to be above all other nations, which places itself above other nations and which already rules over them. The international Stock Exchange capital would be unthinkable, it would never have come, without its founders: the supra-national, because intensely national, Jews…. The Jew has not grown poorer (…).»

É, pois, uma linha de argumentação, para além de dúbia, perigosa, tendo em conta que continua a ser usada pelos grupos de Neo-Nazis (influência que está de novo em ascensão, a julgar pelo crescimento eleitoral da ordem dos 35% do partido português de simpatias neo-nazis). Mas, na realidade, a “sociedade secreta” que contribuiu para o despoletar da 2ª Guerra Mundial foi a chamada “Thule Society” (pró-nacionalista) e seus ideais pan-germânicos.

O governo português, arrastado pelas tendências políticas europeias daquela época, também passou por uma fase anti-sociedades secretas, facto que não escapou à análise inteligente de Fernando Pessoa que estava inclusive a par dos secretistas por detrás de Hitler:

«Estreou-se a Assembleia Nacional, do ponto de vista legislativo, com a apresentação, por um deputado, de um projecto de lei sobre “associações secretas”. (…) Apresentou o projecto o Sr. José Cabral, que, se não é dominicano, deveria sê-lo, de tal modo o seu trabalho se integra, em natureza, como em conteúdo, nas melhores tradições dos Inquisidores. O projecto, que todos terão lido nos jornais, estabelece várias e fortes sanções (com excepção da pena de morte) para todos quantos pertençam ao que o seu autor chama “associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização”. Dada a latitude desta definição, e considerando que por “associação” se entende um agrupamento de homens, ligados por um fim comum, e que por “secreto” se entende o que, pelo menos parcialmente, se não faz à vista do público, ou, feito, se não torna inteiramente público, posso, desde já, denunciar ao Sr. José Cabral uma associação secreta — o Conselho de ministros. De resto, tudo quanto de sério ou de importante se faz em reunião neste mundo, faz-se secretamente… Se não reúnem em público os Conselhos de ministros, também não o fazem as direcções dos partidos políticos, as tenebrosas figuras que orientam os clubes desportivos ou os sinistros comunistas que tornam os conselhos de administração das companhias comerciais e industriais. (…)
Hitler, depois de se ter apoiado nas três Grandes Lojas cristãs da Prússia, procedeu segundo o seu admirável costume ariano de morder a mão que lhe dera de comer. Deixou em paz as outras Grandes Lojas — as que o não tinham apoiado nem eram cristãs e, por intermédio de um tal Goering, intimou aquelas três a dissolverem-se. Elas disseram que sim — aos Goerings diz-se sempre que sim — e continuaram a existir. Por coincidência, foi depois de se tomar essa medida que começaram a surgir cisões e outras dificuldades adentro do partido nazi.» (04/02/1935)

Por que é altamente improvável que exista uma organização (secreta ou não) capaz de um tal poder totalitário?

Quanto maior uma organização, mais caos cabe dentro dela. Não foi por acaso que o Grupo Mondragon, quando começou a ser confrontado com boatos e insurgências internas resultantes do seu grande crescimento, adoptou, como estratégia de auto-controlo, a partição das empresas maiores em divisões que não ultrapassassem quinhentos elementos. Muita gente junta não se salva, porque não se entende nunca.

Então, e se esse suposto Comité de Dominação Mundial estiver na mão de muito poucos, um número reduzido de poderosos? Aí digo que cada um deles deve ter um ego tão grande que dificilmente se submeterá a interesses que não os próprios, ou seja, só manterá alianças enquanto lhe convierem, o que, num ambiente instável em rápida mutação como é a Terra, equivale a dizer que tais relações são vulneráveis e transitórias (“não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”).

Se tomarmos como exemplo um sistema do tipo totalitário, o Terceiro Reich, constata-se que, apesar de todas as suas medidas de supervisão e controlo, aconteciam imprevistos: podia dar na veneta de um Rudolf Hess voar para a Escócia sem dar satisfações a ninguém, ou um aliado como Mussolini ante os jornalistas descredibilizar a ideologia racial alemã, ou os consulados desobedecerem às ordens superiores e passarem vistos aos judeus, etc., etc. Por tudo isto, o mais totalitário dos sistemas conhecidos esteve longe de ser totalitário em absoluto. Tal é verdadeiramente impossível, pois implicaria destituir de vontade e liberdade de movimento todos os seres (vivos e não vivos) excepto Um, que seria o “Supremo Fascista” (epíteto que Paul Ërdos dava a Deus). Como, na prática, um sistema totalitário depende dos vários membros da organização para a correcta transmissão e execução de ordens, como o funcionamento do seu mecanismo burocrático e tecnocrático assenta sobre uma pluralidade de nós, basta que um falhe (o que não é difícil, “errar é humano”), para que a suposta “totalidade” não seja mais total.

A boa notícia que daqui decorre: todos os sistemas supostamente totalitários estão, mais cedo ou mais tarde, condenados ao fracasso, isto é, ao desmembramento em parcelas mais estáveis e autónomas. O Todo é uma carga muito pesada. Tudo o que aspira a abranger a totalidade acaba por colapsar sob o próprio peso. Basta perceber um pouco da dinâmica e estrutura das organizações para chegar a essa conclusão.

Liberal

Do lema da Revolução Francesa “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, só aproveitaria o primeiro termo. Naturalmente, a liberdade é sempre jogada entre limites: o rio corre “livre” entre margens e barragens. “Igualdade” é abominável. Não existem duas folhas iguais numa árvore: nem em forma, nem em posição, nem em ritmo de desenvolvimento. Nada é igual. Forçar essa igualdade é massificar, estandardizar. Seres diferentes não podem ter “igualdade de oportunidades” – e efectivamente não têm, isso é apenas um chavão para turista ver, não é praticado em nenhuma organização no seu juízo perfeito, porque isso seria perverter o ajustamento que deve existir entre competências reais e requisitos de uma determinada função. Portanto, o que existe é diversidade. A diversidade não nos deve impedir de ser cordiais, independentemente, da espécie, do género, da família, da ordem, da classe, da divisão/filo, do reino e até do planeta. “Fraternidade” vem de “frater”, irmão – demasiado familiarista, demasiado associado a ligações de sangue e ideologia racial. O meu lema seria antes: “Liberdade, Diversidade, Cordialidade“.

Reservo-me o direito de apreciar o termo “liberal”, apesar de todas as transformações e deformações que sofreu, ao longo dos séculos. A passagem do tempo, o envelhecimento, tem-no amesquinhado, a ponto de, hoje em dia, chamar-se liberalismo ao capitalismo impiedoso. Um contra-senso linguístico: não deve ser chamado de “liber” aquilo que está permanentemente sujeito às condições de uma “capita”. Todo o tipo de liberdades foram tomadas para adulterar um livre conceito: inicialmente associado à condição legal do indivíduo e às suas habilitações académicas, foi adaptado à moral conservadora de uma sociedade de classes sob o jugo da Igreja, depois, com a aparição do Estado-nação, submeteu-se à lógica do partidarismo político, até que, quando a Economia tomou as rédeas dos destinos do mundo, converteu-se em escola económica, não sem significar duas abordagens muito diferentes, senão opostas.

Estas metamorfoses graduais acontecem com todas as palavras… – como fiar-se nelas? É, por isso, que os adoradores do “Significado” são ainda mais hilários do que os adoradores do “Significante”. Se alguém disser “sou liberal”, é preciso perguntar “qual dos nove (até ver) tipos de liberal?”:

Liberal (adj.)
12th century – “free, willing, zealous, gracious”. “Liberal arts” meant the education designed for a gentleman (Latin “liber”, a free man), opposed to technical or professional training;
mid-14th century – “generous, abundant, munificent”;
late 14th century – “noble, nobly born, rich”;
early 15th century – “extravagant, unrestrained, licentious”, in a bad sense;
16th-17th centuries – “free from restraint in speech or action”, as a term of reproach;
18th century – “free from prejudice, tolerant, laissez-faire, non-conservative”, it revived in a positive sense due to Enlightenment and French Revolution;
19th century – “tending in favor of freedom and democracy”, it dates from c.1801, from French libéral, originally used by English opponents (with suggestions of foreign lawlessness) to the party favorable to individual political freedoms. In U.S. politics, tending to mean “favorable to government action to effect social change” (opposed to conservatism) or “free from prejudice in favor of traditional opinions and established institutions” (and thus open to new ideas and plans of reform), which dates from 1823.
early 20th century – “a market economy under the guidance and the rules of a strong state”, in line with “ordo-liberalism” economic school (Lippmann, Rüstow), anti-capitalist and anti-socialist/communist. Mises became critical of the German “neo-liberals”; he complained that Ordoliberalism really meant “ordo-interventionism”. In a letter, Rüstow wrote that Hayek and his master Mises deserved to be put in spirits and placed in a museum as one of the last surviving specimen of the extinct species of liberals which caused the current catastrophe (the Great Depression). Michel Foucault, in his 1978-79 lectures on “biopolitics”, discusses this German approach: “Neo-liberalism is not Adam Smith; neo-liberalism is not market society”;
late 20th century – “free market”, in reference to the theories of the neo-liberal economic school (Hayek, Friedman, Mises). Those who regularly used the term neoliberalism in the 1980s typically applied it in its present-day, radical sense, denoting market fundamentalism.