O Papão e as criancinhas parvinhas

Quando as criancinhas são parvinhas, o Grande Papão vem e come a medula e o tutano às criancinhas.

O Grande Papão tem uma retórica apurada, da qual as criancinhas parvinhas não percebem nada. Por exemplo: “Localização e operacionalidade relativas“. O que é que isto quer dizer? Consulte-se o código legislativo! Mas que estopada… Aprende-se alguma coisa? Nada, nada. A um termo retórico faz-se corresponder outro, e assim sucessivamente… A intenção não é esclarecer, compreendem? Mas fazer o indagador desistir a meio do caminho, protelar até elidir a questão. Refere então o código que “localização e operacionalidade relativas” dizem respeito a “Orientação do prédio; Localização do piso; Localização relativa no piso”. E o indagador fica na mesma: qual orientação (Norte? Sul? Este? Oeste?); qual piso (rés-do-chão? 5º? 10º?); etc. O que se pretende é lançar minhocas numa cabeça submissa, sinuosidades cada vez mais tortuosas e complicadas, que nunca alcançam uma resposta definitiva… Quem é que estabelece tais critérios? O código chama-lhes “CNAPU” – nome que assenta que nem uma luva a um Papão. Mas o CNAPU não é acessível, não fornece contactos, não dialoga, não responde a ninguém, não alberga nomes: é apenas um colectivo de ditadorzinhos sem rosto que determinam à distância, escudados por barreiras buro-tecnocráticas, em quanto é que cada um dos súbditos vai ser legal e oficialmente lesado, com base em parâmetros estapafúrdios que nem sequer estão publicados, de modo que ninguém se pode defender perante o erro e a subjectividade. Defender? Para isso, há que pagar de antemão, antes de qualquer protesto ou reclamação.

As criancinhas são parvinhas. Buuuuu, o CNAPU!

Os membros e amigos do CNAPU vivem, é claro, em zonas selectas – não é, pois, de estranhar que sejam as que menos imposto vão pagar… Coeficientes rebuscados aplicam-se a bairros sociais, mas não às vivendas onde moram os Papões…

As criancinhas são parvinhas. Buuuuu, o CNAPU!

O imposto é calculado em função do início da era burocrática. Muitas casas já existiam há dezenas e dezenas de anos, antes de constarem de um registo matricial. É óbvio que o CNAPU sabe isso e também sabe que as criancinhas são desmemoriadas e burocratas sofríveis – deitam tudo fora, não guardam nada. Então, o CNAPU trata de agravar o imposto para as casas cujo registo é recente – ou seja, para todas as que não conseguem provar o contrário – mesmo que, na realidade, tenham mais de cem anos…

Julgam que o CNAPU é parvo? As criancinhas é que são!

E há que cobrar, é claro, pelo mínimo denominador comum em matéria de imóveis: uma casa tem de ter água, luz, terreno, construção, cobre-se por isso tudo, então!

As criancinhas, coitadinhas, gostam de conforto, são tão dependentes, não são?

Mas o CNAPU tem de cuidar da imagem, fazer-se passar por benigno nas notícias da televisão, então diz que dá “isenção” – mais uma aldrabice de sua invenção, mais uma farsa que lhe sai da mão, mão de Papão! Não só ela é de curta duração, como ainda mais se estreita por descontar um ano inteiro a quem a peça no final da estação.

O CNAPU não é parvo, não! Mas julgam que o CNAPU é “o” Papão?

Ó criancinhas parvinhas, toda a vida hão-de cantar:

Pátria amada! Ó Pai do Céu! Viva o paternalismo de Estado! Hip-hip-hurra!

Tendes o que mereceis: eles têm-vos na mão.

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