‘Best of’ primordial do rock cantado em português


“Fado-Rock”, Carlos Fernando.
Desconhece-se a data desta edição.


“Marcianita”, Daniel Bacelar, 1960.
«”Caloiros da Canção nº1″ reúne a escolha final do programa de rádio que tanto êxito obteve entre dezenas de candidatos que se exibiram com tanto brio e boa vontade e animados de tanta esperança foram finalmente escolhidos para este disco.
Daniel Bacelar – um rapaz de 17 anos que é também autor das canções que interpreta – e o duo “Os Conchas”, um caso verdadeiramente excepcional de vocação artística.»

Daniel Bacelar: «Havia uma casa de instrumentos musicais na rua de S. José (em Lisboa) que era uma espécie de Santuário para todos nós, a CASA GOUVEIA MACHADO. Digo Santuário, pois António Gouveia Machado, seu proprietário, estava sempre pronto com o seu habitual sorriso a facilitar a vida à “malta” e a vender o tão ambicionado material musical a prestações “a perder de vista”. Era o amigo da “malta” e, muitas vezes, confidente das nossas pequenas frustrações de jovens cheios de sonhos, que, claro, 98% das vezes, nunca se realizaram devido à pequenez do nosso meio musical (já naquela altura era assim!!).
Gostaria de o relembrar, pois em 1974 já me encontrava afastado destas lides musicais e a minha vida há muito que tinha seguido outros voos, por acaso relacionados com a aviação. Mas vim a saber que, tempos após o 25 de Abril de 1974, o nosso amigo SR. GOUVEIA MACHADO (como era conhecido entre nós) viu-se obrigado a fechar o seu estabelecimento e a rumar ao Brasil.» – Fonte

«Tenho as mais gratas recordações do Gouveia Machado, da irmã e dos seus colaboradores, alguns dos quais mais tarde fundaram a Diapasão. Sem o seu Filantropismo, Entusiasmo e Vontade de ajudar os músicos a afirmarem-se, nunca teriam existido tantos grupos musicais nos anos 60 em Portugal.
Representava as melhores marcas de instrumentos que existiam na altura e o ambiente que conseguia criar era sempre entusiasmante e encorajador.» – Fonte


“Poesia em Movimento”, Os Conchas, 1961.
Duo constituído por José Manuel Aguiar de Concha e Fernando Gaspar.


“Sansão Foi Enganado”, Zeca do Rock, 1961.
José das Dores, conhecido artisticamente por Zeca do Rock (Lisboa, 28 de Dezembro de 1943 – Campinas, 11 de Novembro de 2012).


“Exagerada”, Os Dois Rapazes, 1962.
Desconhece-se os nomes da formação.


“Porque Não Vens Dançar”, Gonçalo Lucena e Conjunto Nova Onda, 1963.
Luís Waddington (guitarra), Gonçalo Lucena (voz), Manuel Lucena (bateria), Edmundo Silva (baixo) e Francisco Deslandes (guitarra).
A grande maioria dos conjuntos de então (mais de 300 pelo país fora) não gravaram qualquer disco.
Esse patamar só foi almejado por alguns eleitos: Sheiks, Conjunto Académico João Paulo, Conjunto Mistério, Titãs, Tártaros, Fanatic’s, Demónios Negros, Ekos, Night Stars, Morgans, Álamos, Claves, Zoo, Conjunto Universitário Hi-Fi, Diamantes Negros, Espaciais, Guitarras de Fogo, Rock’s, Vodkas, Conjunto Nova Onda, Quinteto Académico, Chinchilas, Keepers, Plutónicos, Charruas, Fliers, Jotta Herre…


“Um Pequeno Nada”, Conjunto Mistério, 1963.
Luís Waddington (guitarra), Edmundo Silva (baixo), Miguel Artur da Silveira (Michel) (bateria) e António Moniz Pereira (ritmo). Michel e Moniz Pereira, fizeram depois parte do Quarteto 1111, de José Cid.


“Eu Tão Só”, Conjunto Académico João Paulo, 1964.
João Paulo (teclas), Rui Brazão, (guitarra ritmo), Ângelo Moura (baixo), José Gualberto (bateria), Carlos Alberto (guitarra, autor da maioria dos inéditos do grupo) e Sérgio Borges (vocalista e autor das letras dos originais e de algumas versões).


“Eu sei”, Conjunto Night Stars, 1965.
Alex Rodrigues (piano, viola ritmo), Mário Sousa (viola solo), Noel Cardoso (viola baixo), Dino Antunes (bateria) e Bob Woodcock (voz).
«Os Claves foram os vencedores do Concurso Yé-Yé organizado pelo jornal “O Século”, com o apoio do Movimento Nacional Feminino, no Teatro Monumental, em Lisboa, em 1965 e 1966. A grande e polémica final realizou-se no dia 30 de Abril de 1966, faz hoje 45 anos, com os seguintes resultados:
1 – Claves (Lisboa) – 55 pontos
2 – Rocks (Angola) – 45 pontos
3 – Night Stars (Moçambique) – 39,5 pontos
4 – Jets (Lisboa) – 35 pontos
5 – Ekos (Lisboa) – 29,5 pontos
6 – Chinchilas (Carcavelos) – 29 pontos
7 – Espaciais (Porto) – 18 pontos
8 – Tubarões (Viseu) – 18 pontos
O Concurso Ié-Ié terá sido provavelmente o maior festival de música do género realizado em Portugal com mais de 70 conjuntos. Os 73 grupos inscritos representaram mais de 350 jovens com uma média de 18 anos.
Foi organizado pelo jornal “O Século” a favor das Forças Armadas no Ultramar, através do Movimento Nacional Feminino, com a colaboração da Radiotelevisão Portuguesa, Emissora Nacional, Rádio Clube Português e do empresário Vasco Morgado. O júri era constituído por distintos músicos profissionais e um grupo de jovens entusiastas entendidos em ié-ié. O júri técnico foi constituído pelo maestro Jorge Costa Pinto, Thilo Krasmann, Mário Simões e José Luís Simões. A partir das meias-finais, presidiu o maestro Eduardo Loureiro, da Emissora Nacional. E o júri ié-ié era formado por Emídio Aragão Teixeira (presidente), do Instituto Superior Técnico, Carlos Neves Ferreira, da Faculdade de Ciências, Maria Bernardo Macedo e Vale, António Martins da Cruz (futuro ministro dos Negócios Estrangeiros, em 2003), Jaime Lacerda e Diogo Saraiva e Sousa, todos da Faculdade de Direito de Lisboa, Maria Avelino Pedroso, do Instituto Superior de Agronomia, e Ricardo Espírito Santo e Silva Ricciardi (7º ano dos liceus).
O regulamento do concurso exigia que pelo menos uma canção fosse original e cantada em português. Cada conjunto podia apresentar até 4 canções (tempo máximo de 3 minutos cada) para um tempo de actuação máximo de 20 minutos. O 1º Prémio era de 15 contos (75 euros), o 2º de 10 e o 3º de 5. Havia uma taça oferecida pelo programa “Passatempo Juvenil”, da Rádio Peninsular.
A Philips oferecia uma telefonia e uma Philishave, a Casa Gouveia Machado uma viola Eko de 12 cordas no valor de 4.360$00, um microfone Shure no valor de 2.520$00 e uma tarola Sonor, com suporte, no valor de 1.720$00. O Salão Musical de Lisboa dava uma bateria, uma viola, uma guitarra, uma pandeireta e três harmónicas de boca, a Casa Galeão uma mala de viagem, a Casa Pinheiro Ribeiro 5 metros de tecido, a Casa J. Nunes Correia 6 gravatas, a Sapataria Lord um par de sapatos, a Loja das Meias 5 gravatas e a Casa J. Pires Tavares 10 frascos de água de Colónia.
No palco, bem visível, um grande cartaz lembrava a ditadura:
“Atenção! Barulho que não permita o júri ouvir os conjuntos, objetos (sic) atirados para o palco, distúrbios na sala são motivos para a expulsão do espectador que assim proceder sem que a organização lhe devolva a importância do bilhete. A juventude pode ser alegre sem ser irreverente.”» – Luís Pinheiro de Almeida

«Em abril de 1965, o cantor José Afonso atacava os jovens “decadentes” nas páginas da revista Plateia, num texto em que escreve claramente que a música Yé-yé era um “abastardamento” das formas musicais modernas e que de nenhuma forma representava a época que se vivia. José Afonso escreve que o Yé-yé representa a expressão de um processo de decadência de uma sociedade e que “o tipo que vai espernear para o Yé-yé” está, em absoluto, destituído de valores intelectuais, estando irremediavelmente impossibilitado de apreciar algumas das outras manifestações musicais como o jazz.
“Todo o indivíduo incapaz de criar, segue a primeira moda que lhe aparece, contando que essa moda lhe seja espetacular”, escreve também o autor de “Grândola, Vila Morena” sobre o Yé-yé.
Para o investigador Marcos Cardão, adotando uma posição de pessimismo intelectual face ao fenómeno Yé-yé, José Afonso criticava a função “alienante e o mimetismo pueril” dos conjuntos Yé-yé, que se limitavam a adaptar temas norte-americanos e ingleses, e também a inexistência de um posicionamento político explícito por parte dos jovens Yé-yé.» – Fonte

“Crer”, Os Claves (campeões do Yé-Yé), 1966.
A balada “Crer” foi especialmente composta por Luís Pinto de Freitas para a final do Concurso de Yé-Yé. (Música não disponível online.)
Para a final, os Saints mudaram a sua designação para a mais bem portuguesa de Claves. Quem eram então os Claves?
– José Jervis de Athouguia – é o elemento mais recente do grupo. Toca bateria e piano (fora da banda). Nunca aprendeu música, tocando por intuição. Tem 18 anos, nasceu em Cascais e vive em Lisboa. Não gosta de música yé-yé que acha muito ruidosa, prefere a pop-música, que é mais melodiosa. Não gosta de cinema, nem de teatro, mas gosta de dormir. Pratica hipismo, automobilismo e carrinhos eléctricos. Estuda, mas não tem projectos. Admira o Thilo’s Combo, João Ferreira Rosa e Beach Boys.
– Luís Pinto de Freitas – viola-solo. É natural de Lisboa e tem 20 anos. É estudante e pensa tirar um curso de direcção administrativa. Lê, vai ao cinema e ao teatro. Dedica quase todo o tempo livre à música, embora nunca tenha estudado e toque por intuição. Admira o Thilo’s Combo, Teresa Tarouca e os Beatles.
– João Valeriano – tem 19 anos, é natural de Goa e vive em Lisboa há 5 anos. Há 2 anos e meio aprendeu viola-baixo, instrumento que toca no conjunto. Também toca viola clássica. Acha que a música yé-yé está a trilhar bons caminhos, “basta ver a evolução dos discos dos Beatles”. Também é estudante e pensa seguir Engenharia. Vai ao cinema de vez em quando, gosta de ler livros sobre a II Grande Guerra e pratica basquete. Não namora, nem lhe falem em casamento, por enquanto! Admira o Thilo’s Combo e o trio Odemira. Gosta dos Beatles, de algumas composições dos Byrds e da música de Oscar Peterson.
– João Ferreira da Costa – é de Lisboa e vive em Lisboa. Tem só 18 anos, mas anda sempre muito ocupado. Além de tocar órgão electrónico, está a tirar o 6º ano de piano do Conservatório. É estudante (pensa seguir Económicas), pratica futebol, esqui aquático, hipismo e é criador de chinchilas. No teatro gosta de revista e comédia, no cinema gosta de suspense. Admira o Sporting (o pai foi campeão de atletismo). Acha a música yé-yé barulhenta que se fosse mais harmoniosa teria mais adeptos. Admira o Thilo’s Combo, os Beatles e a música moderna brasileira. Como todos os outros elementos, não pensa ainda em casar.
– Luís de Freitas Branco – é filho de João de Freitas Branco, tendo, portanto, ligado ao seu nome louros honrosos no campo da música. Nasceu em Lisboa, vive em Lisboa, tem 19 anos. Em pequeno, aprendeu piano e violino, mas esqueceu esses conhecimentos. Hoje, toca viola-acompanhamento por intuição. Foi ele o fundador do conjunto, há cerca de um ano. Eram apenas três elementos, dos quais além dele está presente João Valeriano, visto que o baterista Alexandre Corte Real se ausentou para o estrangeiro. Tinham por nome The Saints por aliarem ao conjunto a figura de que é símbolo “O Santo”. Foi o técnico de gravação da “23ª Hora”, Moreno Pinto, que lhes sugeriu o nome de Claves. Luís de Freitas Branco estuda, quer continuar a tocar (a música yé-yé está em franco progresso) e tem uma vaga aspiração de vir talvez a ser engenheiro. Não gosta de cinema nem de teatro. Não namora nem pensa em casar, por enquanto. No panorama artístico português admira o Thilo’s Combo e no estrangeiro os Beatles, os “pais de todos”.
– João Bragança – tem 18 anos, é natural do Porto, viveu 11 anos em Moçambique e presentemente mora em Lisboa. Andou no Colégio Militar e pensa tirar Económicas. A sua actuação não é no palco, mas fora dele – está encarregado das relações públicas e da publicidade.
(Fontes: O Século, Diário Popular, Flama e Rádio & Televisão)


“Mira-me Maria”, Os Titãs, 1966.


“O Comboio”, Conjunto Universitário Os Álamos, 1966.
“O Comboio” foi das primeiras canções escritas por José Cid, que a ofereceu aos Álamos. José Cid assinava então José Cid Tavares.
Os componentes deste conjunto, estudantes de várias Faculdades da Universidade de Coimbra, são:
– Francisco Faria, 3º ano de Engenharia de Máquinas – vocalista;
– Luís Filipe Colaço, 3º ano de Engenharia Civil – guitarra-solo;
– Duarte Manuel Brás – 4º ano de Direito – guitarra-ritmo;
– José Luís Veloso – 3º ano de Engenharia de Máquinas – guitarra-baixo;
– José António F. Pereira – 2º ano de Medicina – bateria.”


“Quero Que Voltes”, Demónios Negros, 1966.
Alberto Manso, 17 anos, vocalista e baterista, Tiago Camacho, 17, viola baixo, Luís Jardim, 15, viola ritmo e compositor, e Óscar Gonçalves, 18, viola solo.


“Beijos Teus”, Tártaros, 1966.
Eduardo Alves, bateria, Hernâni de Melo, viola baixo e harmónica, Alberto Abreu, viola ritmo e órgão, e Joaquim Gualter, viola solo.


“Só Eu Sei”, Conjunto Os Espaciais, 1967.
António Guedes Moura (voz, guitarra, futuro Psico e Tantra enquanto Toni Moura), Vasco Moura (baixo), António Sampaio (órgão), Artur Lima (bateria) e Manuel Monteiro (guitarra).


“Poema do Homem-Rã”, Os Tubarões, 1967.
António Nogueira Fernandes (fundador e solista), José Merino (vocalista), Victor Barros (viola ritmo), Luis Dutra (viola baixo) e Eduardo Pinto (baterista).


“O Espelho”, Ekos, 1967.
Formaram-se em 1963 com Edmundo Falé (18 anos, voz), Mário Guia (21 anos, bateria), António Joaquim Vieira (20 anos, baixo), Joka Santos (21 anos, ritmo) e João Camilo Júnior (19 anos, viola-solo).
Em 1964, participam na inauguração da famosa boîte “Sete e Meio”, em Albufeira, onde conhecem Cliff Richard, passando a contar então com um segundo vocalista, José Luís, 19 anos, grande fã do cantor britânico e conhecido como o “Cliff do Sarrabuco”. De regresso a Lisboa, aconteceu o inevitável e Edmundo Falé passou-se para o Conjunto Mistério, um conjunto de meninos ricos, com muito dinheiro, com a melhor aparelhagem e as melhores guitarras. Com a saída de mais três elementos dos EKOS, chamados para o serviço militar obrigatório (Guerra Colonial), apenas ficaram na banda o baterista Mário Guia e o guitarrista e compositor Lopes Júnior. Entram para a banda, Eddy Frois (Zé Nabo) para o baixo, Tony Costa para o órgão e Luís Paulino como vocalista.

Sobre este período e, em concreto, sobre “Os Jets” (desconhecem-se originais em português), escreveu Luiz Villas-Boas:

«Não temos preconceitos musicais. A nossa única preocupação é a qualidade, independentemente do tipo de música. Além disso gostamos e acreditamos na juventude. Isso nos levou a pensar, que mais cedo ou mais tarde os jovens (músicos e ouvintes) se cansariam da fragilidade da música à qual nos últimos anos dedicaram tão grande interesse. Isso está finalmente a acontecer. Depois da pobreza da caótica fase primária em que predominavam as “violas eléctricas”, está neste momento a verificar-se uma evolução positiva, com instrumental mais variado (órgão, saxofone, etc) e maior apuramento técnico (melódico, harmónico e rítmico). O que inicialmente era uma má cópia do “Rhythm and Blues” (a música “POP” dos negros), está actualmente a identificar-se com essa música negra, fortemente sincopada, viril e emocionante, conservando no entanto uma identidade própria, o que lhe confere uma validade que não possuía. Essa evolução também se está a verificar entre nós. Foi o que aconteceu a 4 jovens universitários e 1 músico, conhecidos entre os estudantes por “JETS”, que vão surgir na sua primeira gravação. Por esse motivo pensou-se numa forma de compromisso: dois “originais e duas “adaptações”. Estas seriam os números “fortes” ou “comerciais”: “Green, Green” (um trecho tradicional) e “Lovin’ You” (que Bobby Darin popularizou). Como “originais”, “Chase Your Blues Away”, de Júlio Gomes, e “Let Me Live My My Life”, um tema bem construído do único músico do grupo, João Abreu (para os amigos o “Beethoven”). No entanto, depois da gravação, a nossa opinião mudou. Os “originais” são aqueles em que mais acreditamos. Esta é uma opinião. Há certamente outras. Qual será a vossa?» Fonte.


“Os Teus Olhos, Senhora”, Os Charruas, 1968.
Carlos Manuel Sardinha Ribeiro da Cruz (guitarra solo), Daniel Pereira da Rocha Silva (aka Dany Silva, inicialmente bateria e posteriormente baixo), João Carlos d’Almeida Baptista (harmónica, bateria) e João Magalhães (voz, guitarra ritmo) foram os músicos da sua formação inicial.
Classificaram-se em terceiro lugar no 1º Concurso de Ié-Ié realizado no Cinema Império. Graças à fama obtida adquiriram, em 1967, uma aparelhagem de som sofisticada para a altura, que custou 160 contos, uma quantia astronómica na altura. Como termo de comparação, poder-se-á acrescentar que se comprava, à época, um carro novo por 40 contos! Eles confiaram em nós e nós correspondemos, pagando em prestações, sem dificuldades, diriam mais tarde.


“Por Acaso Até Gosto”, Paula Ribas, 1968.
Tema do filme “O Amor Desceu de Paraquedas”, de Constantino Esteves, com música de João Nobre.
Paula Ribas mudou-se para o Brasil, em 1972, sendo casada com Luís N’Gambi (ex-Os Rocks, conjunto de Eduardo Nascimento, Luís Alfredo, Fernando Saraiva, João Cláudio e Elmer Pessoa).


“A Lenda de El-Rei D. Sebastião”, Quarteto 1111, 1968.
Formação original: Miguel Artur da Silveira, José Cid, António Moniz Pereira e Jorge Moniz Pereira.


“Ao Rapaz”, Nuno Filipe, 1968.
Nuno Filipe (pseudónimo de José Manuel Souto Guerra de Barros) nasceu a 27 de Janeiro de 1947, em Angeja, e faleceu em 2002, em Lisboa. Todas as canções, quer a solo quer para outros, têm poema de Maria Teresa Horta e música de Nuno Filipe. Era irmão do jornalista Luís de Barros e cunhado da famosa jornalista e escritora Maria Teresa Horta. É ainda compositor de 3 canções do EP de Teresa Paula Brito, “Minha Senhora de Mim”, 1971, Movieplay, e de canção “Deserto” pelo Sexteto Vocal Garvaya, 3º lugar no XI Festival da Figueira da Foz, em 1971 (não editada em disco). Nos últimos EPs, teve como acompanhamento Os Álamos.


“Calmas são as Imagens”, Chinchilas, 1968.
Filipe Mendes – guitarra, vocal
Alfredo José – baixo
José Machado – teclado
Vítor Mamede – bateria


“Uma Canção tal como a Flor”, Grupo 5, 1969.
Alberto António Mendes de Souza Pinto (voz e piano), Rui Neto (guitarra), Rui Meneses (baixo) e Fernando Pedro (bateria).


“Loucura”, Gino Garrido e Os Psicodélicos, 1969(?).
“Gino Garrido (Urbano Oliveira) era irmão de Carlos Garrido e Vicente Martine de “Os Martines”, de Elvas. Iniciou a sua carreira aos 17 anos, como baterista, no grupo de música rock “Os Gatos Negros”. Fez carreira como vocalista nos Plutónicos, tendo com eles editado o EP pela Alvorada/Rádio Triunfo – AEP 60885/1967 (“Gino Garrido com os Plutónicos” que, nessa altura, eram constituídos por António Fernando, Zé Pimentel, Gino Garrido, Vitor Alves e Vitor Capela). No fim de 1966, a sua família ter-se-á mudado para Angola. Durante a sua estadia nessa ex-colónia portuguesa foi editado este single, sendo acompanhado pela banda Os Psicodélicos.


“Uma Velha Foi à Feira”, Os Inflexos, 1969.
Carlos Nelson (voz), Helder Matias (viola), Jorge Montenegro (órgão), Chico (baixo) e Carlos Alberto (bateria).


“Paraíso Amanhã”, Plexus, 1969.
Luís Pedro Fonseca – piano, flauta, voz, bateria
Jorge Valente – percussão, voz, efeitos especiais
José Alberto Teixeira Lopes – guitarra acústica, voz, guitarra de 12 cordas
Carlos Zíngaro – violino, violino eléctrico
Celso de Carvalho – violoncelo, violoncelo eléctrico, baixo
Supervisão e direcção musical – José Cid e António Moniz Pereira


“Animais de Estimação”, Filarmónica Fraude, 1969.
Arranjo de Jorge Machado e supervisão musical de Thilo Krasmann.
Banda formada por António Pinho (compositor), José João Parracho (baixo), António Luís Linhares Corvêlo de Sousa (compositor e teclista), Júlio Patrocínio (bateria), Antunes da Silva (voz), João Carvalho (guitarra).


“A Rita Yé Yé”, Amália Rodrigues, 1970.
Letra de Alberto Janes.


“Será assim até morrer”, Os Steamers, 1970.
Membros: Dário Foito – Bateria / Victor Queiróz (Carocha) – Teclados / Beto Romero – Baixista / Luis Ramos (Franjas) – Guitarra.


“Livre”, Tonicha, 1970.
O EP “D. Pedro” conta com a colaboração de José Cid na direcção musical e na autoria de três temas.


“Noites de Sabat”, Evolução, 1970.
Duo formado por Manuel Colaço e Alberto Tavares (já falecidos).
O EP “parece” ter sido produzido por José Cid/Quarteto 1111 que, aliás, estava por detrás de vários projectos musicais na época, e António Moniz Pereira.


“Ladrar à Lua”, Mini-Pop, 1971.
O grupo dos três irmãos Barreiros (Pedro, Mário e Eugénio) e do amigo Abílio, de idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos de idade, era dinamizado pelo pai Mário Barreiros.


“Aida”, Os Gambuzinos, 1972.
Sem mais informação.


“Moinho de Café”, Dia d’Água, 1972.
Luís Pedro Fonseca, nas teclas, Toi Botto Sequeira, no baixo, Zé Carlos Formosinho, na bateria, João Maló, na guitarra eléctrica, e ainda a Formiga e a Joana Osório. O disco contém os temas “Moinho de café” (música de Luís Pedro Fonseca sobre quadras populares de Fernando Pessoa).


“Macaco”, Petrus Castrus, 1973.
Formação inicial:
Pedro Castro (vocais, guitarra e baixo)
José Castro (teclado, sintetizador e vocais)
Júlio Pereira (guitarra)
Rui Reis (órgão)
João Seixas (bateria)


“A Última Canção”, Jorge Palma, 1973.


“Liberdade”, Sérgio Godinho, 1974.


“O Coro dos Empregados da Câmara” (poema de Manuel da Fonseca), Branco de Oliveira, 1974.
Tema do álbum “Urgentemente”, que surgiu após uma conversa a três, dado o vasto conhecimento musical e artístico que o trio possuía. Branco de Oliveira escolheu dez poesias para seguidamente serem musicadas por Fernando Girão e Herman José. Se o primeiro ajudou nos textos e nos coros, Herman José mostrou-se um verdadeiro instrumentista dos “sete cajados” ou se preferirem “pau para toda obra”, participando no piano eléctrico e acústico, guitarra eléctrica e baixo, vibrafone, flauta, coros e percussão.


“A Ladaínha das Comadres”, Banda do Casaco, 1975.
Aos ex-Filarmónica Fraude, António Pinho (vocalista) e Luís Linhares (teclas), juntam-se o ex-Música Novarum Nuno Rodrigues (vocalista, guitarra) e os ex-Plexus Celso de Carvalho (violoncelo, contrabaixo) e Carlos Zíngaro.


“Jardim-Terra”, Beatniks, 1977.
João Ribeiro, Rui Pipas, Mário Ceia, José Diogo, Tó Leal, Lena d’Água.


“O Oitavo Sorriso”, Perspectiva, 1977.
Tó Pinheiro da Silva (guitarra, flauta e voz), Carlos Viana (piano eléctrico), Luís Miguel (baixo), Raul Rosa (bateria), Vítor Real(voz).


“À Beira do Fim”, Tantra, 1977.
Manuel Cardoso (Frodo) (guitarra), Armando Gama (teclas), Américo Luís (guitarra baixo), Tozé Almeida (bateria).


“Rockinho Mandado”, Sheiks, 1979.
Paulo de Carvalho, Carlos Mendes, Fernando Tordo, Edmundo Silva e Fernando Chaby.


“Dedicada (A Quem nos Rouba)”, Aqui D’El Rock, 1979.
José Serra na bateria, Fernando Gonçalves no baixo, Alfredo Pereira na guitarra e Óscar Martins na voz e guitarra.
A 1ª guitarra do Fernando é construída pelo próprio; a bateria é comprada à peça e fabricada por um artesão que a vai construindo conforme a possibilidade de pagamento; o P.A. de voz é adquirido em 2ª mão a um grupo de baile e em muitas prestações, servindo na prática também como amplificador de guitarras.

Mais…

O umbigo

«Só me interessa fazer filmes onde o grande centro seja o meu umbigo – que não é notável –, sem público, fora do público, contra o público, de preferência em casa e em sítios da casa, como a banheira, a cama e a retrete…
O público, para mim, não existe. (…) Quando tiver de fazer um filme para o público, acho que faço um filme pornográfico e espectacular.»

– João César Monteiro, 1981.

Mestres do calendário precisam-se

Do ponto de vista da saúde, nada prejudica tanto o ser humano como obedecer ao calendário e aos horários que, arbitrariamente, fixou no papel ou mecanizou por aparelhos artificiais, em vez de, realmente, se conformar ao calendário e horários móveis que os astros determinam.

Porque, ao contrário do que os astrólogos dizem, os astros determinam e não orientam.

“Um Oriente ao oriente do Oriente.”

Mas, para o homem comum, o que se passa no firmamento e no subsolo está rigorosamente separado da sua atenção e vivência diárias – condição que foi agravada pelo descrédito em que caíram todos os ramos astrológicos, incluindo a Astrologia Médica (aquela que importava salvar).

Assim ignora-se que:

«Se uma pessoa não compreender como se flui ao longo do ano, os altos e baixos da energia vital (qi), a sua abundância e esgotamento, jamais poderá servir como praticante de Medicina.»

– “O Livro de Medicina do Imperador Amarelo”, cap. IX.

Tal como parecerá absurdo que o caracter chinês que significa “Medicina” seja uma composição entre outros dois: “Música” e “Erva”.

Um dia, saber-se-á que as plantas crescem realmente melhor a ouvir Mozart (é claro que é uma forma anedótica de o dizer).

O romantismo do 25 de Abril

Na versão romântica, a data do 25 de Abril de 1974 representa a luta do povo pela libertação da ditadura.

Na realidade, o acontecimento foi desencadeado pela reunião de pressões que tiveram lugar noutros “três teatros” (como Marcello Caetano nota):
– as “operações militares” comandadas por generais cansados da guerra colonial e com aspirações a tomar o poder político, à força de uma revolução ou golpe de Estado;
– a “frente internacional” encabeçada pelas Nações Unidas que pressionava Portugal para entregar a independência às colónias;
– a “frente interna metropolitana”, cuja elite, após a morte de Salazar, se cindiu fortemente entre ultra-conservadores direitistas e liberais esquerdistas, que rivalizavam pela sucessão.

A uma elite, sucedeu-se outra elite. (Como quando o cinema mudo passou a sonoro e mudaram de estrelas).

O povo andou a reboque, aplaudiu de fora a aparente novidade e a palhaçada continuou em palco, desta vez, com cravos na lapela, segundo as últimas tendências da moda.

Estamos melhor numas coisas, pior noutras, como em qualquer estádio de civilização.

Mas sempre paus-mandados. Liberdade, só em sonhos…

The perfect civilization of the bee

«Woman – Free and Regal

Mr. Tesla regards the emergence of woman as one of the most profound portents for the future.

“It is clear to any trained observer,” he says, “and even to the sociologically untrained, that a new attitude toward sex discrimination has come over the world through the centuries, receiving an abrupt stimulus just before and after the World War.

“This struggle of the human female toward sex equality will end in a new sex order, with the female as superior. The modern woman, who anticipates in merely superficial phenomena the advancement of her sex, is but a surface symptom of something deeper and more potent fermenting in the bosom of the race.

“It is not in the shallow physical imitation of men that women will assert first their equality and later their superiority, but in the awakening of the intellect of women.

“Through countless generations, from the very beginning, the social subservience of women resulted naturally in the partial atrophy or at least the hereditary suspension of mental qualities which we now know the female sex to be endowed with no less than men.

The Queen is the Center of Life

“BUT the female mind has demonstrated a capacity for all the mental acquirements and achievements of men, and as generations ensue that capacity will be expanded; the average woman will be as well educated as the average man, and then better educated, for the dormant faculties of her brain will be stimulated to an activity that will be all the more intense and powerful because of centuries of repose. Woman will ignore precedent and startle civilization with their progress.

“The acquisition of new fields of endeavor by women, their gradual usurpation of leadership, will dull and finally dissipate feminine sensibilities, will choke the maternal instinct, so that marriage and motherhood may become abhorrent and human civilization draw closer and closer to the perfect civilization of the bee.”

The significance of this lies in the principle dominating the economy of the bee – the most highly organized and intelligently coordinated system of any form of nonrational animal life – the all-governing supremacy of the instinct for immortality which makes divinity out of motherhood.

The center of all bee life is the queen. She dominates the hive, not through hereditary right, for any egg may be hatched into a reigning queen, but because she is the womb of this insect race.

We Can Only Sit and Wonder

THERE are the vast, desexualized armies of workers whose sole aim and happiness in life is hard work. It is the perfection of communism, of socialized, cooperative life wherein all things, including the young, are the property and concern of all.

Then there are the virgin bees, the princess bees, the females which are selected from the eggs of the queen when they are hatched and preserved in case an unfruitful queen should bring disappointment to the hive. And there are the male bees, few in number, unclean of habit, tolerated only because they are necessary to mate with the queen.

When the time is ripe for the queen to take her nuptial flight the male bees are drilled and regimented. The queen passes the drones which guard the gate of the hive, and the male bees follow her in rustling array. Strongest of all the inhabitants of the hive, more powerful than any of her subjects, the queen launches into the air, spiraling upward and upward, the male bees following. Some of the pursuers weaken and fail, drop out of the nuptial chase, but the queen wings higher and higher until a point is reached in the far ether where but one of the male bees remains. By the inflexible law of natural selection he is the strongest, and he mates with the queen. At the moment of marriage his body splits asunder and he perishes.

The queen returns to the hive, impregnated, carrying with her tens of thousands of eggs–a future city of bees, and then begins the cycle of reproduction, the concentration of the teeming life of the hive in unceasing work for the birth of a new generation.

Imagination falters at the prospect of human analogy to this mysterious and superbly dedicated civilization of the bee; but when we consider how the human instinct for race perpetuation dominates life in its normal and exaggerated and perverse manifestations, there is ironic justice in the possibility that this instinct, with the continuing intellectual advance of women, may be finally expressed after the manner of the bee, though it will take centuries to break down the habits and customs of peoples that bar the way to such a simply and scientifically ordered civilization. (…)»

– Nikola Tesla, “When woman is boss“, an interview by John B. Kennedy, Colliers, January 30, 1926.