O homem tétrico

Daniel, “O homem tétrico (que morreu de pé num carro eléctrico)”

«Daniel Marques Ferreira nasceu a 2 de Maio de 1949, numa freguesia chamada Macinhata do Vouga, concelho de Águeda. Aos catorze anos foi viver para Valadares (Porto).
Escolheu, influenciado pelo pai, um curso técnico com vista a seguir engenharia, mas acabou por desistir no segundo ano. Decidiu ir para um curso de pintura seguindo o conselho de uma professora de desenho da preparatória.
Começou a publicar os seus primeiros trabalhos num suplemento juvenil do “Diário de Lisboa”.
Aos dezassete anos teve uma breve passagem pela música.
Cumpriu três anos de serviço militar fim dos quais enveredou pelo ramo da hotelaria abrindo um bar e mais tarde um restaurante.
Depois e durante três anos esteve a cargo da direcção gráfica de uma editora de revistas passando também passou pela direcção gráfica de outras empresas.
Mais tarde, foi convidado pela proprietária de uma editora de livros para seu assistente onde permaneceu dez anos. Foi nessa editora que utilizou a sua formação académica no sector de criação, começando a desenvolver em pleno a actividade de design gráfico. Também foi aí que iniciou o seu trabalho como escritor de livros infantis e juvenis. Passados esses dez anos foi convidado para outra editora, mas para exercer o mesmo cargo. Também nessa editora esteve cerca de dez anos.
Actualmente, reside em Ponte de Lima e dedica-se à escrita e pintura e ao contacto com crianças e jovens, nas escolas e bibliotecas do país que solicitam a sua presença.»

Fonte

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À claridade da lua

À claridade da lua,
meu amigo Pedrinho,
Empresta-me a tua pluma,
para escrever um textinho.
Minha candeia está morta,
já não tenho mais fogo.
Abre-me a tua porta,
por amor de Deus, abre logo.

À claridade da lua,
Pedrinho respondeu:
“Eu não tenho pluma,
eu estou no leito meu.
Vai a casa da vizinha,
eu creio que ela está,
Pois na sua cozinha,
a chama se acende lá.”

À claridade da lua,
o amável Arlequim
bate a casa da bruma.
Ela respondeu logo assim:
“Quem bate à sorte?”
E ele disse ao redor:
“Abri vossa porta,
pelo Deus do amor!”

À claridade da lua,
não se vê senão um pouco.
Busca-se pela pluma,
busca-se pelo fogo.
Ao buscar à sorte,
não sei que se encontrará.
Mas sei que a porta
sobre nós se fechará.

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«Au clair de la lune,
Mon ami Pierrot,
Prête-moi ta plume
Pour écrire un mot.
Ma chandelle est morte,
Je n’ai plus de feu.
Ouvre-moi ta porte
Pour l’amour de Dieu.

Au clair de la lune,
Pierrot répondit:
– Je n’ai pas de plume,
Je suis dans mon lit.
Va chez la voisine,
Je crois qu’elle y est,
Car dans sa cuisine
On bat le briquet.»

Au clair de la lune,
L’aimable Lubin;
Frappe chez la brune,
Elle répond soudain:
– Qui frappe de la sorte?
Il dit à son tour:
– Ouvrez votre porte,
Pour le Dieu d’Amour.

Au clair de la lune,
On n’y voit qu’un peu.
On chercha la plume,
On chercha du feu.
En cherchant d’la sorte,
Je n’sais c’qu’on trouva;
Mais je sais qu’la porte
Sur eux se ferma.

– French folk song of the 18th century. The author is unknown.