Ah, esta lua de ontem

Ah, esta lua de ontem
(de que quase morri)
foi afinal fatídica para os poetas.
Mas eu resisti – por mais algum tempo –
tomando uma poção negra
para aguentar a extrema claridade
dos dias que se puxam uns aos outros,
como segmentos de um cordão umbilical
que não acaba – nunca – de sugar o viço
da auréola-placenta.

Crise:
não é verdade que és esse ponto de alfinete
no alto do meio-dia?
E que te diluis na imensa água da noite?
Através do aro de ouro,
te excomungo e me protejo,
na auréola-placenta,
na auréola-placenta,
na auréola-placenta.

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