Sensationism: spirit and matter interpenetrated and inter-transcended

«Resposta ao inquérito “O mais belo livro dos últimos trinta anos”

A grande desvantagem estética do seu inquérito é ser a resposta tão fácil que nem podemos ter o prazer de duvidar da nossa sinceridade. Uma obra destaca-se tão afastadamente das outras que nem vale a pena fingir que temos hesitação na escolha. Mais vale confessar sinceramente que achamos valor a um contemporâneo.
Posto isto, chamo a atenção das pessoas criticamente competentes (a sua existência entre nós é uma hipótese da minha delicadeza) para o facto evidente de que a Pátria de Junqueiro é, não só a maior obra dos últimos trinta anos, mas a obra capital do que há até agora de nossa literatura. Os Lusíadas ocupam honradamente o segundo lugar.
Não há infelizmente dúvidas. – A Pátria sobreleva Os Lusíadas, 1.º, na perfeita organicidade e construção, na unificação e integralização dos complexíssimos elementos componentes, 2.º no poder puramente visionador e imaginativo, 3.º, na elevação, intensidade e complexidade do sentimento patriótico e religioso. E se Os Lusíadas vencem na sóbria solenidade da sua linha estrutural, a Pátria compensa-o com a sua superioridade no que simples poesia e pura forma. Posso mesmo acrescentar que, a meu ver, a Pátria forma, com o Fausto de Goethe e o Prometeu Liberto de Shelley, a trilogia de grandeza da poesia superlírica moderna.»
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– Fernando Pessoa, publicado em República, de 7 de Abril de 1914.  

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«Portuguese “transcendentalist pantheism” you do not know. It is a pity, because, though not a long-standing movement, yet it is an original one. Suppose English romanticism had, instead of retrograding to the Tennysonian-Rossetti-Browning level, progressed right onward from Shelley, spiritualising his already spiritualistic pantheism. You would arrive at the conception of Nature (our transcendentalist pantheists are essentially poets of Nature) in which flesh and spirit are entirely mingled in something which transcends both. If you can conceive a William Blake put into the soul of Shelley and writing through that, you will perhaps have a nearer idea of what I mean. This movement has produced two poems which I am bound to hold among the greatest of all time. Neither is a long one. One is the Ode to Light of Guerra Junqueiro, the greatest of all Portuguese Poets (he drove Camoens from the first place when he published Pátria in 1896 — but Pátria, which is a lyrical and satirical drama, is not of his transcendental-pantheist phase). The Prayer to Light is probably the greatest metaphysico-poetical achievement since Wordsworfh’s great Ode. The other poem, which certainly transcends Browning’s Last Ride Together as a love-poem, and which belongs to the same metaphysical level of love-emotion, though more religiously pantheistic, is the Elegy of Teixeira de Pascoaes who wrote it in 1905. — To this school of poets we, the «sensationists», owe the fact that in our poetry spirit and matter are interpenetrated and inter-transcended. And we have carried the process further than the originators, though I regret to say that we cannot as yet claim to have produced anything on the level of the two poems l have referred to.»

– Fernando Pessoa, “Carta a um Editor Inglês”, 1916.

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