A Mulher-Outra e a Mulher-Vampiro

«As mulheres têm um papel decisivo na minha vida e a elas devo muitos dos meus desenhos. Creio poder reduzir a dois tipos a imagética feminina dentro da minha pintura. O primeiro tipo é o da Mulher-Outra, daquela que vive em mim, imaginação fundada sobre precários suportes. É uma mulher azul pela distância e rosa pelos delírios que a carne empresta. Mas, se essa mulher se torna presença imediata e obsessiva, surge o segundo tipo de mulher, que designarei genericamente por Mulher-Vampiro. Esta Mulher-Vampiro subdivide-se ainda em Mulher-Lobo, Mulher-Sapo, Mulher-Porco, Mulher-Pantera, enfim, nas várias espécies de ser que devora e suga, hipnóticas serpentes onde a sedução vai a par do esquecimento e da morte. À duplicidade da imagética feminina se associa a complexidade das minhas relações afectivas: a minha dificuldade em me fixar numa única mulher, a minha recusa em casar, e a própria capa do catálogo da minha exposição de Março de 1973 intitulada “Mário Botas expõe 6 contracções de matrimónio seguidas de 18 ilustrações profundamente autobiográficas”.»

 – Mário Botas, excerto de entrevista citado no documentário sobre o pintor, 49′, 1989, arquivo RTP.

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