Condizer

Condizer –
tolos a mulher e o homem que julgam
tratar-se de combinar a cor
do colar com a do vestido,
da mala com a dos sapatos,
do casaco com a das calças.
Quer dizer,
– ou não tão tolos assim –
digam-me:
que é uma mala?
que são sapatos?

Condizer –
a rima, afinal?
Essa tensão que nasce
entre versos,
como dois pólos,
que con-juntam
ou con-jugam,
uma consoada
ou uma dissonância,
a paz
ou a guerra.

Condizer –
a gota de água
que expande
concêntricas vagas
na superfície do lago.

Condizer –
o murmúrio,
cujo amplificador
é o oco das montanhas,
a voz que aumenta
com a distância,
nas vibrações
e reverberações
do eco.

Condizer –
com a Terra inteira,
com o espaço todo?
Levar este pontinho,
este nada de gente,
até à excentricidade máxima
da curva que se desborda
no infinito,
retornando.

Condizer –
eis quando,
no mundo sublunar,
o relâmpago
coincide com o trovão;
e também no mundo subterrâneo,
pois, que são ideias e palavras
senão relâmpagos e respectivos trovões;
e, no mundo subsolar,
esses fulgores ou clarões
que fazem reviver Orfeu?

Ah, encontrar pessoa
com quem se condiga,
se é possível,
não é deste mundo,
senão talvez de três
– e ao mesmo tempo,
diga-se.
Gaia ciência, reéalismo e chicote,
ou, traduzindo por miúdos
– o pós-moderno explicado às criancinhas –
Nietzsche, Reé
e Lou Salomé:
rima!

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