Um brilhozinho nos olhos

Às vezes, parece-me que a linguagem dos olhares é independente da consciência daqueles que os detêm.

Há:

– o brilho-que-procura, melífluo e raro, mas tantas vezes equívoco, porque jamais sabe o que procura;

– o brilho-chispa dos possessivos, significando “Se tocas no que é meu, furo-te um olho” e, quando me é dirigido, é realmente uma injustiça, porque eu não estou nem aí;

– o brilho seco e duro dos que se resignam, mais opacidade do que brilho.

Sem dúvida, reside nos olhos uma língua mais franca, nem sempre consistente com os subterfúgios das palavras – é como a luz que viaja no vácuo directamente provinda dos choques atómicos do desejo.

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