Canta-se porque se perde a identidade

«Amor é algo que só avança em H2O. Isto quer dizer que as bibliotecas têm de ser destruídas. Isto quer dizer que, quando uma mulher se insinua entre as tuas pernas, é apenas para que se insinue uma serpente nas tuas entranhas. Quando ela canta com alegria, o realejo está lá fora atrás da parede.»

  • Carta de Henry Miller para Anaïs Nin, 28/03/1932, p. 56.

 

«Começa-se tão calmamente. Sente-se o peso da matilha. Paz. Então, pega-se numa palavra que se repete todas as vezes que o pé calca a terra. Em Paris, no asfalto, andei muitas vezes dizendo: selvagem, selvagem, selvagem. Crescendo. Só se diz, e anda-se, anda-se, anda-se. Faz com que tudo aumente, inche, rebente. Aqui, digo: força, força, força. Então, fico tão contente que não consigo suportar mais, e começo a cantar. Canta-se porque se perde a identidade. É uma maneira de ser feliz. Tornamo-nos montanha, torrente, vale. Podemos embriagar-nos a andar.»

  • Carta de Anaïs Nin para Henry Miller, 31/07/1932, p. 89.
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