Por um fio

Hoje disseram-me que eu tinha “um ar pouco terreno”. Acumulando isso com anteriores caracterizações da minha pessoa enquanto “bruma”, “diáfana”, “etérea”, “fugaz”, etc., fico com a sensação de que não ando longe de parecer um fantasma ou, pelo menos, algo de lunático, no que isso tem de extra-terreno ou desterritorializado.

Se a imagem que passo é tão esparsa quanto uma imagem em vias de dissolução, então talvez deva privilegiar as relações “sem imagem” que se baseiem sobretudo na minha figura, isto é, no “fio” que subjaz à minha persona, esse cordel por trás da máscara de vulto: a realidade da minha irrealidade.

Que a divina providência – que é o Acaso – afaste do meu caminho aqueles que têm tanto de convencional quanto de rude: pedras em bruto, cuja gema preciosa ainda não veio (se alguma vez virá) ao de cima.

A nuvem desfaz-se em fiapos contra os ângulos rochosos.

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