‘Ser livre é fugir da servidão de si mesmo’

“Michel Foucault par lui même” (2003)

15:00 – “Num dia de Abril de 1657 foram presas em Paris cerca de 6.000 pessoas e foram levadas ao Hospital Geral, ou porque eram desempregados, ou mendigos, inúteis, libertinos, excêntricos, homossexuais, loucos, insensatos. (…) Uma simples súplica da família era suficiente para enviar uma porção de pessoas ao hospital para toda a vida.”;

18:35 – “A palavra que me parece mais pérfida não é a palavra ‘louco’. A palavra que eu mais temo é ‘doença mental'”;

27:00 – “Um juiz serve para fazer a polícia funcionar”;

29:00 – “… o que quer dizer essa palavra ‘humanidade’. (…) Procurou-se um meio discreto e absolutamente económico de exercer esse poder de punição e é essa nova economia do poder que chamamos pela palavra ‘humanidade'”.

33:05 – “Dotar o poder de um olhar. Impor, por consequência, àqueles sobre os quais se exerce o poder uma visibilidade integral, exaustiva.”

37:05 – “A servidão de si, a servidão para consigo mesmo se define como aquilo contra o que nós devemos lutar. Desenvolvimento desta proposição: ser livre é fugir da servidão de si mesmo. Ser escravo de si mesmo, servir a si mesmo, é a mais grave e pesada, gravissima, de todas as servidões. É uma servidão assídua, isto é, ela pesa sobre nós, sem cessar, dia e noite, sem intervalo. Ela é inevitável, mas isso não quer dizer que seja completamente insuperável, em todo o caso, ela é inevitável, porque ninguém está livre dela.”

42:00 – “Meninas” de Velázquez;

46:30 – “Eu penso que o homem, se não é um sonho mau ou um pesadelo, pelo menos é uma figura muito particular, muito determinada, historicamente situada no interior de nossa cultura. Antes do século XIX, podemos dizer que o homem não existia, o que existia era um certo número de problemas, era um certo número de formas de saber e de reflexão – ou era questão da natureza, ou da verdade, ou do movimento, ou da ordem, ou da imaginação, ou de apresentação, etc. – mas nunca, para dizer a verdade, era questão do homem”;

59:30 – “No fundo, o que era o humanismo? É uma espécie de cristalização, que ninguém teria ousado contestar, creio, e que servia a duas coisas, mais até a uma junção entre duas coisas: por um lado, salvar o máximo do que podia ser salvo, numa forma de pensamento, de moral, de política também, do que se poderia chamar, grosso modo, o poder tradicional, etc.; e depois salvar, por outro lado, mas ao mesmo tempo, de maneira unida, a nova tradição do marxismo.”

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