‘M’ de montra

As imagens mais marcantes do filme “M” (1931) de Fritz Lang são reflexões: reflexos em espelhos, reflexos nos escaparates das lojas e nos cartazes de rua, balões reflectindo a forma de rapariguinhas, reflexos de mortos em fotografias, mães que são o reflexo actual das Parcas …

E se a maiúscula é também o “M” de “Morte”, esta não é obscura nem sem imagem, antes pelo contrário, é morte perfilada pela luz eléctrica dos postes de alta tensão, morte icónica forjada através do espelho-câmara fotográfica-câmara de filmar (uma mesma linhagem tecnológica), morte mediada por bonecos insuflados (balões) vendidos por um homem cego, ou ainda as montras que fazem da morte o seu artifício e comércio, através de fotos, livros e ídolos de plástico (Bilder+Bucher+Plastik), que são como iscos que captam a atenção dos transeuntes e os afundam no movimento mecânico da seta, da espiral e da marioneta-arlequim… Reclames, nada mais do que reclames rapaces.

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