Para conjurar as mortes prematuras

«Je dirai qu’en termes spinozistes, il faudrait presque dire: celui qui meurt prématurément, ben oui, c’est un cas où la mort s’impose de telle manière que, elle s’impose dans des conditions telles que, à ce moment-là, elle concerne la majeure partie de l’individu considéré. Mais ce que l’on appelle une vie heureuse, c’est faire tout ce qu’on peut, et ça, Spinoza le dit formellement, faire tout ce qu’on peut pour précisément conjurer les morts prématurées. C’est-à-dire empêcher les morts prématurées. Ça veut dire quoi ? Pas du tout empêcher la mort, mais faire que la mort lorsqu’elle survient, ne concerne finalement que la plus petite partie de moi-même.»

– Deleuze, cours sur Spinoza, 17/03/1981.

 

Dei-me conta do quanto geralmente se mascara a dor para não a enfrentar e das consequências dramáticas que isso pode ter na resistência física e espiritual de uma pessoa.

A medicina cultiva um certo infantilismo: são as quimioterapias, as epidurais, as anestesias, os analgésicos, os tranquilizantes, etc.

Não se trata de gostar de sofrer, mas de desperdiçar um treino valioso que ensina a resistir. Os estóicos sabiam-no.

Com o tempo, e a menos que se ande sempre embotado, a dor vai encontrar a sua oportunidade para impactar o sistema e, se este não tiver desenvolvido um certo “calejamento” prático, a mínima vibração dolorosa o faz ruir e enveredar pelo escapismo das drogas em geral, ilegais ou legais, respectivamente dispensadas pelos “dealers” de colarinho azul (os da rua) ou pelos “dealers” de colarinho branco (os médicos). Quantas vezes não se morre da doença, mas do medicamento!…

Preferir a dor à máscara, porque há forças que só se ganham depois de atravessar o Rubicão. E só há uma coisa a lamentar – não a dor, que é inevitável – mas não aceder à potência por cobardia ou frivolidade. A dor é vencível – absolutamente! E a alegria não é para fracos…

Curas há que não albergam contra-indicações, nem precisam de prescrição médica, são de todas as melhores, ainda que poucos se apercebam do seu real valor, por esta ordem: movimento, conexão, expressão, repouso. Com estes sóbrios lenitivos, cura-se tudo, até a morte (à luz da epígrafe).

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