A luz é a maior sonoridade

«A luz é a maior sonoridade entre todas as teclas, e instrumentos cuja percussão se faz por meio de martelos.

A função de escrever é árdua; a função de ser igual à música é impossível.

A liberdade deve estar em qualquer parte, e o primeiro acto livre que encontrei foi o da escrita. Só depois procurei a música. Toda ela é um amor interior que ainda não fala. Quem a recebe à porta, é quem o diz. Ela sai e entra, penetra no corpo, transforma-o em pregas de muda dimensão. Muda, por agora. Porque presumo que há-de ensinar-me o dobro das palavras que eu sei.

As consequências da música são imprevisíveis e não têm fim.

A música é mais secreta que a linguagem e sumamente secreto é o lugar para onde desejo ir.

Vou dar um passeio à parte alta do mundo – à música.»

– Maria Gabriela Llansol, “Amigo e Amiga”.

 

«Penso que a escrita é uma real modalidade do ser que a todos – animais, plantas, humanos, fenómenos atmosféricos – torna vários e humildes.»

– Mª Gabriela Llansol, caderno 1.09, avulsos 4 e 5, 1980.

 

 

«Tão diferente é a voz da escrita em Portugal, ou onde quer que eu me exprima exprimindo-me para pessoas; só falo, o que eu sugiro falando é sempre a adequação a um ouvido, a um costume, é sempre tentar submeter-me a um instrumento que eu não sei tocar. Mas escrever, com a paz de estar só sem ter medo, tem um calibre que agrada à originalidade de todos os seres, e não seduz, não engana, no imediato, por nenhum meio.»

– Mª Gabriela Llansol, caderno 1.12, 222-223.

 

 

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