Providence

«To submit to insult is to invite injury.»

«These bad feelings will pass.»

«Mere standstill is regression.»

«The end is reached by an inward movement, by inhalation, systole, contraction, and this movement turns into a new beginning, in which the movement is directed outward, in exhalation, diastole, expansion.»

«Gentleness within; movement without.»

[32 > 31]

«By keeping still within while experiencing joy without, one can prevent the joy from going to excess and hold it within proper bounds.»

«The mind should be kept humble and free, so that it may remain receptive.»

«What is before you is the only tranquility. Be. Here. Now.»

«When a man has thus become calm, he may turn to the outside world.»

«Thoughts should restrict themselves to the immediate situation. All thinking that goes beyond this only makes the heart sore.»

 

Advertisements

Le Plus-Haut

«Car même l’esprit n’est pas encore le Plus-Haut; il n’est que l’esprit, c’est-à-dire le souffle de l’amour. Mais c’est l’amour qui est le Plus-Haut. Il est ce qui était présent avant que le fond et avant que l’existence ne fussent (en tant que séparés), cependant il n’était pas encore présent en tant qu’amour, mais… mais comment le désigner?»

– Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling, “Les Recherches philosophiques sur l’essence de la liberté humain”, p. 405-406.

A grande machina do mundo

lima_de_freitas-a_visao_cosmica_de_camoes-estacao_do_rossio«Assi cantava a Nympha, & as outras todas
Com sonoroso aplauso vozes dauão,
Com que festejão as alegres vodas
Que com tanto prazer se celebrauão.
Por mais, que da fortuna andem as rodas
Numa consona voz todas soauão:
Não vos hão de faltar, gente famosa,
Honra, valor, & fama gloriosa.

Despois que a corporal necessidade
Se satisfez do mantimento nobre,
E na armonia & doce suauidade,
Virão os altos feitos, que descobre
Tethys de graça ornada, & grauidade,
Para que com mais alta gloria dobre,
As festas deste alegre, & claro dia
Para o felice Gama assi dizia.

Faz te merce, barão, a Sapiencia
Suprema, de cos olhos corporaes
Veres, o que não pode a vã sciencia
Dos errados, & miseros mortaes:
Sigueme firme, & forte com prudencia
Por este monte espesso, tu cos mais,
Assi lhe diz & o guia por hum matto
Arduo, difficil, duro a humano tratto.

Não andão muyto, que no erguido cume
Se acharão, onde hum campo se esmaltaua,
De esmeraldas, rubis, taes que presume
A vista que diuino chão pisaua:
Aqui hum globo vem no ar que o lume
Clarissimo por elle penetraua,
De modo, que o seu centro estâ euidente,
Como a sua superficia, claramente.

Qual a materia seja não se enxerga,
Mas enxergase bem, que estâ composto
De varios orbes, que a diuina verga
Compos, & hum centro a todos sô tem posto.
Voluendo hora se abaxe, hora se erga,
Nunca se ergue, ou se abaxa, & hum mesmo rosto
Por toda a parte tem, & em toda a parte
Começa & acaba, em fim por diuina arte.

Vniforme, perfeyto, em sy sostido,
Qual em fim o Archetipo, que o criou:
Vendo o Gama este globo, commouido
D’espanto, & de desejo aly ficou.
Dizlhe a Deosa, o trasunto reduzido
Em pequeno volume aqui te dou,
Do mundo aos olhos teus, pera que vejas
Por onde vas, & irâs, & o que desejas.

Ves aqui a grande machina do mundo,
Etherea, & elemental, que fabricada
Assi foy do saber alto, & profundo,
Que he sem principio, & meta limitada,
Quem cerca em derredor este rotundo
Globo, & sua superficia tão limada,
He Deos, mas o que he Deos ninguem o entende.
Que a tanto o engenho humano não se estende.

Este orbe que primeyro vay cercando
Os outros mais pequenos, que em sy tem.
Que estâ com luz tão clara radiando,
Que a vista cega, & a mente vil tambem,
Empyreo se nomea, onde logrando
Puras almas estão d’aquelle bem,
Tamanho, que elle sô se entende & alcança,
De quem não ha no mundo semelhança.

Aqui sô verdadeyros gloriosos
Diuos estão, porque eu Saturno, & Iano,
Iuppiter, Iuno, fomos fabulosos
Fingidos de mortal, & cego engano,
Sô para fazer versos deleytosos
Seruimos, & se mais o tratto humano
Nos pode dar, he sô que o nome nosso
Nestas estrellas pôs o engenho vosso.

E tambem porque a sancta prouidencia,
Que em Iuppiter aqui se representa,
Por espiritos mil, que tem prudencia,
Gouerna o mundo todo, que sustenta.
Ensinao a prophetica sciencia
Em muytos dos exemplos, que apresenta.
Os que são bons, guiando fauorecem,
Os maos em quanto podem, nos empecem.

Quer logo aqui a pintura, que varia,
Agora deleytando, hora ensinando,
Darlhe nomes, que a antigua poesia
A seus Deoses ja dera, fabulando.
Que os Anjos de celeste companhia
Deoses o sacro verso estâ chamando,
Nem nega, que esse nome preminente,
Tambem aos maos se dê, mas falsamente.

Em fim que o summo Deos, que por segundas
Causas obra no mundo, tudo manda.
E tornando a contarte das profundas
Obras da mão diuina veneranda.
Debaxo deste circulo, onde as mundas
Almas diuinas gozão, que não anda:
Outro corre tão leue, & tão ligeyro,
Que não se enxerga: he o mobile primeyro.

Com este rapto, & grande mouimento,
Vão todos os que dentro tem no seyo:
Por obra deste, o Sol andando attento
O dia, & noyte faz, com curso alheyo.
Debaxo deste leue anda outro lento,
Tão lento, & sojugado a duro freyo,
Que em quanto Phebo de luz nunca escasso
Duzentos cursos faz, dâ elle hum passo.

Olha estoutro debaxo, que esmaltado
De corpos lisos anda, & radiantes,
Que também nelle tem curso ordenado,
E nos seus axes correm scintillantes.
Bem ves como se veste, & faz ornado
Co largo cinto d’ouro, que estellantes
Animais doze traz affigurados,
Aposentos de Phebo limitados.

Olha por outras partes a pintura,
Que as estrellas fulgentes vão fazendo.
Olha a carreta, attenta a Cynosura,
Andromeda, & seu pay, & o drago horrendo,
Ve de Cassiopea a fermosura,
E do Orionte o gesto turbulento,
Olha o cisne morrendo, que suspira,
A lebre, os cães, a nao, & a doce Lyra.

Debaxo deste grande firmamento,
Ves o ceo de Saturno Deos antigo,
Iuppiter logo faz o mouimento,
E Marte abaxo bellico inimigo.
O claro olho do ceo no quarto assento,
E Venus, que os amores traz comsigo,
Mercurio de eloquencia soberana,
Com tres rostos abaxo vay Diana.

Em todos estes orbes, differente
Curso verâs, nuns graue, & noutros leue,
Hora fogem do centro longamente,
Hora da terra estão caminho breue.
Bem como quis o Padre omnipotente
Que o fogo fez, & o ar, & o vento, & neue,
Os quaes veras, que jazem mais a dentro,
E tem co mar a terra por seu centro.

Neste centro, pousada dos humanos,
Que não somente ousados se contentão
De sofrerem da terra firme os danos,
Mas inda o mar instabil esprimentão.
Verâs as varias partes, que os insanos
Mares diuidem, onde se aposentão
Varias nações, que mandão varios Reys,
Varios costumes seus, & varias leys.»

– Canto X, estrofes 74-91, p. 283-288, in “Os Lvsiadas do grande Lvis de Camoens, Principe da Poesia Heroica” (com licença do S. Officio, Ordinario, y Paço), editado por Pedro Crasbeeck, Lisboa, 1613.

Salut et santé

«La santé c’est la vie dans le silence des organes»

René Leriche, “De la santé à la maladie, la douleur dans les maladies, où va la médecine?” in Encyclopédie française, VI, 1936.

.

«La santé a remplacé le salut»

– G. Canguilhem, “Le normal et le pathologique”, PUF, Paris, 1991.

«Foucault used this quote more than once. For example, he also mentioned it during a discussion that followed the lecture he gave at the Seventh International Philosophical Colloquium of the Cahiers Royaumont, in July 1964, which was later published as “Nietzsche, Freud, Marx”. Here’s how it originally appeared in the “Proceedings” published in 1967:

Je pense en effet que le sens de l’interprétation, au XIXe siècle, s’est certainement rapproché de ce que vous entendez par thérapeutique. Au XVIe siècle, l’interprétation trouvait plutôt son sens du côté de la révélation, du salut. Je vous citerai simplement une phrase d’un historien qui s’appelle Garcia: «de nos jours –dit-il en 1860– la santé a remplacé le salut». (Dits et Écrits, §46)

(…)

Foucault once more used the quote about health and salvation while answering questions from readers of the French journal Esprit in 1968:

Première hypothèse: c’est la conscience des hommes qui s’est modifiée (sous l’effet des changements économiques, sociaux, politiques); et leur perception de la maladie s’est trouvée, par le fait même, altérée: ils en ont reconnu les conséquences politiques (malaise, mécontentement, révoltes dans les populations dont la santé est déficiente); ils en ont aperçu les implications économiques (désir chez les employeurs de disposer d’une main-d’oeuvre saine; désir, chez la bourgeoisie au pouvoir, de transférer à l’État les charges de l’assistance); ils y ont transposé leur conception de la société (une seule médecine à valeur universelle, mais avec deux champs d’application distincts: l’hôpital pour les classes pauvres; la pratique libérale et concurrentielle pour les riches); ils y ont transcrit leur nouvelle conception du monde (désacralisation du cadavre, ce qui a permis les autopsies; importance plus grande accordée au corps vivant comme instrument de travail; souci de la santé remplaçant la préoccupation du salut). (“Réponse à une question”, Esprit, no 371, mai 1968, pp. 850-874; in Dits et Écrits, this text is item no. 58)

(…)

Canguilhem had a significant influence on Foucault’s work –as Foucault aknowledge himself on numerous occasion in his text “Réponse à une question” quoted above. Canguilhem was also the supervisor (“rapporteur”) for Foucault’s doctoral thesis (“thèse majeure du doctorat d’État”), Folie et déraison: Histoire de la folie à l’âge classique, which was first published in 1961 (Paris: Plon).

In Canguilhem’s thesis from 1943, titled Essai sur quelques problèmes concernant le normal et le pathologique, one can read what follows:

En cette théorie se fait jour, tout d’abord, la conviction d’optimisme rationaliste qu’il n’y a pas de réalité du mal. Ce qui distingue la médecine du XIXe siècle, surtout avant l’ère pastorienne, par rapport à la médecine des siècles antérieurs, c’est son caractère résolument moniste. En dépit des efforts des iatromécaniciens et des iatrochimistes, la médecine du XVIIIe siècle était restée, par l’influence des animistes et des vitalistes, une médecine dualiste, un manichéisme médical. La Santé et la Maladie se disputaient l’Homme, comme le Bien et le Mal, le Monde. C’est avec beaucoup de satisfaction intellectuelle que nous relevons dans une histoire de la médecine le passage suivant: «Paracelse est un illuminé, Van Helmont, un mystique, Stahl, un piétiste. Tous les trois innovent avec génie, mais subissent l’influence de leur milieu et des traditions héréditaires. Ce qui rend très difficile l’appréciation des doctrines réformatrices de ces trois grands hommes, c’est l’extrême difficulté qu’on éprouve quand on veut séparer leurs opinions scientifiques de leurs croyances religieuses… Il n’est pas bien sûr que Paracelse n’ait pas cru trouver l’élixir de vie; il est certain que Van Helmont a confondu la santé avec le salut et la maladie avec le péché; et Stahl lui-même, malgré sa force de tête, a usé plus qu’il ne fallait dans l’exposé de La vraie théorie médicale, de la croyance à la faute originelle et à la déchéance de l’homme» [48, 311]. Plus qu’il ne fallait! dit l’auteur, précisément grand admirateur de Broussais, l’ennemi juré, à la naissance du XIXe siècle, de toute ontologie médicale. Le refus d’une conception ontologique de la maladie, corollaire négatif de l’affirmation d’identité quantitative entre le normal et le pathologique, c’est d’abord peut-être le refus plus profond d’avérer le mal. (Clermont-Ferrand: Impr. “La Montagne”, 1943, p. 58; the quote appears in Part One, Section V: “Les implications d’une théorie”)

The number “48” which follows the long quote used by Canguilhem is a reference to the bibliography at the end of his book, while “311” is the relevant page in the document being referenced. In this case, the reference points towards Histoire de la médecine d’Hippocrate à Broussais et ses successeurs by José Miguel Guardia (Paris: Octave Doin, 1884).»

Source.

«Le développement de la Sécurité Sociale, le progrès médical, la médiatisation ont modelé le rapport de la population à la santé: celle-ci est devenue une valeur (la santé a remplacé le salut), une norme (« c’est pas normal d’être malade »), un droit à être non seulement soigné, mais guéri; droit à la sécurité (tout accident financièrement réparé), droit à l’enfant (parfait de surcroît), etc.» – Source

«Sève :
Un ophtalmologiste nous rapportait l’autre jour qu’aux États-Unis, des patients commenceraient à être demandeurs de chirurgie réfractive pour obtenir une vision.supérieure à la normale. C’est, semble-t-il, d’usage courant aux États-Unis car très utile au golf !

Pascal Bruckner :
Mais c’est aussi le cas du Viagra, déjà utilisé par les gens qui ne souffrent pas d’impuissance, mais au motif qu’il est devenu une « garantie de performance ». Le médicament censé normalement pallier des déficiences devient le placebo de ceux qui vont bien ! On n’est plus en quête d’une simple norme, qui inclut défaillances, creux, dépressions, passages à vide, mais d’une « super-norme ». L’idée que nous nous faisons de la santé est bâtie sur l’image d’un « surhomme » inoxydable. Selon ce système, on est toujours en état de soin puisque, la mécanique biologique étant faillible par nature, c’est cette fragilité qu’il convient de combattre.»

– Bruckner, Pascal, Tabuteau Didier, Durand Jean-Pol, « C’est la vie entière qui est devenue comme une maladie…. », 6/11/2003, Les Tribunes de la santé 1/2003 (no 1) , p. 105-111
URL : http://www.cairn.info/revue-les-tribunes-de-la-sante-2003-1-page-105.htm.
DOI : 10.3917/seve.001.0105.