Dois pontos, reticências

«Filosofia da pontuação – O texto de Deleuze do qual doravante nos ocuparemos traz o título: “L’immanence: une vie…” (…). Os dois conceitos-chave não estão unidos, com efeito, num sintagma, nem ligados pela partícula ‘e’ (tão característica dos títulos deleuzianos), mas cada um deles está seguido por um sinal de pontuação (antes os dois pontos e depois as reticências). (…) O facto de que também em Deleuze a pontuação tenha uma importância estratégica foi sugerido por ele mesmo.»

– Giorgio Agamben, “A imanência absoluta”.

É uma interessante chamada de atenção, que nos leva a outras ilações ainda, não referidas nesse texto.

Dois pontos na vertical, três pontos na horizontal.

A imanência – dois pontos na vertical (:)

Uma vida – três pontos na horizontal (…)

Latitude e longitude.

Intensão e extensão.

Consistência e organização.

Como se passa de “uma vida” à “imanência”?

Esquece-se um dos pontos horizontais (o do meio, o da mediação) e aproximam-se os outros dois que, automaticamente, tomam a postura vertical de eixo, em vez de horizonte.

O inverso também é possível: para se estender ao comprido, basta fazer o ponto mediador voltar a si mesmo, ou seja, como separador entre os outros dois.

É um método prático.

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