Canto do cântico dos cânticos

E, subitamente, libertei-me de uma dependência imaterial (que são as piores) de décadas*, de forma tão suave, que ainda duvido: foi mesmo? Felizmente – só agora sei o quanto fui abonada pela Fortuna – Orfeu nunca devolveu o olhar a Eurídice, caso contrário, ter-me-ia transformado numa estátua de pedra e pó de caliça. Assim, ainda viva, ainda, por enquanto…

Hoje acordei a pensar na justeza de Virginia Woolf ter escrito “As Ondas”. As ondas que não se calam. Cantam empolgadamente há dias. Avolumam expectáveis consequências. As ondas que ela ouvia e tomou por loucura. Minha tão só diferença é sabê-las reais e capazes de produzir efeito ainda mais real. E também o sentir-me já demasiado afundada nelas impede-me de considerar que um mergulho no mar empírico seja uma autêntica fuga. Não, disto não há fuga possível. Suportar até ao limite, no limite, neste canto do cântico dos cânticos.

(*) Décadas?! Realmente, eu não existo…

…………………..

Adenda posterior:

25/12/2016 – Chile: 7,7.

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